LEITO DE FOLHAS VERDES

Leito de folhas verdes


Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu, sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d`alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazóia na cinta me apertaram

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!

– Gonçalves Dias, no livro “Últimos cantos”. Série ‘Poesias americanas’. 1851.

ATIVIDADE 1:

  1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
  2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
  3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
  4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?

ATIVIDADE 2:

Leia o texto “Gonçalves Dias inaugura o romantismo”, de Antonio Candido, e reveja suas respostas às questões acima.

ATIVIDADE 3:

Refaça suas respostas à luz do texto teórico e poste-as aqui como um comentário. .

FORA DA ORDEM

fora da ordem
(Caetano Veloso – Circuladô, 1991)

Vapor barato
Um mero serviçal
Do narcotráfico
Foi encontrado na ruína
De uma escola em construção
Aqui tudo parece
Que era ainda construção
E já é ruína
Tudo é menino, menina
No olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto
Ganindo prá lua
Nada continua
E o cano da pistola
Que as crianças mordem
Reflete todas as cores
Da paisagem da cidade
Que é muito mais bonita
E muito mais intensa
Do que no cartão postal
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Escuras coxas duras
Tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna moderna
A trupe intrépida em que fluis
Te encontro em Sampa
De onde mal se vê
Quem sobe ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa
É quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova
Parece fogo, parece
Parece paz, parece paz
Pletora de alegria
Um show de Jorge Benjor
Dentro de nós
É muito, é grande
É total
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Meu canto esconde—se
Como um bando de Ianomâmis
Na floresta
Na minha testa caem
Vem colocar—se plumas
De um velho cocar
Estou de pé em cima
Do monte de imundo
Lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio
No esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela
Do garoto de frete
Do Trianon
Eu sei o que é bom
Eu não espero pelo dia
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa (It’s something)
Está fora da ordem (Out of order)
Out of new order
It’s something
Is going out of order
Out of new order
It’s something
Is going out of order
Out of new order
It’s something
Is going out of order
Fora da nova ordem
Mundial
It’s something
Is going out of order
Fuera de nueva ordem mundial
Algo parece
Estar fuera del ordem
Out of new order
Algo parece
Estar fuera del ordem
Out of new order
Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of new order
Algo parece
Estar fuera del ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
新世界秩序
It’s something
Is going out of order
新世界秩序
It’s something
Is going out of order
新世界秩序
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of da velha ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of da velha ordem
Mundial
It’s something
Is going out of order
Out of da velha ordem
Mundial
It’s something
Is going out of order
Out of new order
Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial
Alguma coisa
Está fora da ordem
新世界秩序
Out of da velha ordem mundial

LITERATURA CONTEMPORÂNEA- ATIVIDADE 1

Olá, alunos!

  1. O que há de inovador no(s) conto(s)? Que relação essas inovações têm com o autor e o estilo que esse autor desenvolve em suas obras?
  2. Existe alguma relação imediata de estilo ou temática entre os contos lidos? Explique sua resposta.
  3. A narrativa conto tem qual lugar no imaginário hoje? Quem ela alcança?
  4. Reflita sobre o que esses contos propõem sobre a contemporaneidade. Há espaço para esses contos nas escolas? Explique.

Teoria Literária: Introdução aos estudos da poesia