Contos para a aula:
“Via crucis”
“Amor”
“O crime do professor de matemática”
Texto – Euclides, Lobato, Lima
Peter Hunt
São Bernardo – Graciliano Ramos
Para uma reflexão crítica do romance São Bernardo, do Graciliano Ramos, vamos ler o artigo da professora Ana Paula Pacheco intitulado “A subjetividade do Lobisomen”. O objetivo da leitura é compreender o título do artigo e pensar que aspectos do romance discutidos pela professora você achou mais importantes.
Ensino de Literatura Infantil e Juvenil – contos de fadas e fábulas.
Olá, Alunos!
Na aula de hoje faremos algumas atividades baseando-nos nas fábulas e contos de fadas!
Iniciaremos a aula assistindo ao vídeo abaixo do ótimo canal A cigarra e a formiga (todos os vídeos são incríveis!) como introdução ao tema CONTOS DE FADAS. O objetivo é responder às questões: De onde surgem os contos de fadas? Eles são inicialmente voltados a crianças? Por que você acredita que eles acabaram por fazer parte do mundo infantil?
Depois de assistirmos ao vídeo e discutirmos sobre alguams das questões que ele traz, leremos os textos abaixo: O capuchinho vermelho, de Charles Perrault e Chapeuzinho vermelho, dos Irmãos Grimm.
O que há em comum entre essas duas histórias? De que maneira elas se diferenciam? É possível imaginar um motivo pelo qual essas histórias, embora baseadas em um mesmo enredo, têm desfechos diversos?
Chapeuzinho vermelho CV_Perrault
Chapeuzinho Vermelho – Irmão Grimm
Além desses textos, lerei para a sala algumas fábulas de Esopo.
Para aprofundarmos a discussão sobre o uso de fábulas e de contos de fadas como literatura para a infância, leremos os textos teóricos abaixo:
O primeiro texto é “A criança e seus narradores”, de Maria Rita Kehl. Ele é o prefácio do Fadas no divã, livro importante sobre contos de fadas que está disponível em nossa bibllioteca virtual Minha Biblioteca. Vocês poderão acessá-lo no blog, ou o livro completo pelo link: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536310220/cfi/0!/4/2@100:0.00 (para acessar o livro digital, vocês deverão estar logados no site da nossa biblioteca digital com seu RA e senha da biblioteca).
Depois da leitura desse texto, leremos o prefácio ao livro Esopo: Fábulas completas, intitulado “Esopo e a tradição da fábula”:
ATIVIDADE:
A partir da leitura dos textos teóricos, produza um breve texto em que você explique: a origem e a importância dos contos de fadas; a origem das fábulas e a diferença entre seu uso na sua criação e hoje.
ENSINO DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL. “A MULHER QUE MATOU OS PEIXES”
| LITERATURA INFANTIL E JUVENIL Bibliografia: HUNT, Peter. “Definição de literatura infantil”. In: Crítica, teoria e literatura infantil. Tradução: Cid Knipel. São Paulo: Cosac Naify, 2010. COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Editora contexto, 2006. LISPECTOR, Clarice. A mulher que matou os peixes. Ilustrações: Flor Opazo. Rocco: São Paulo, 1999. |
| Qual o tema do livro? Dentro de uma concepção da infância como um espaço de absoluta inocência e ingenuidade, esse tema costuma ser considerado? Reflita sobre essa questão. |
| Que elementos estéticos direcionados ao leitor implícito são mobilizados por Clarice em A mulher que matou os peixes? |
| De que maneira esse livro de Clarice contraria o pensamento comum sobre a literatura infantil de que “a apreciação estética não seja algo disponível à criança e consequentemente (…) à sua literatura”? |
| Este livro parece conceber a criança de que forma? Como essa concepção se relaciona às definições que Peter Hunt discute em seu texto? |
| A partir da leitura de Rildo Cosson, como você acredita que a sua leitura desta obra foi influenciada pelo contexto (universitário) em que vocês a acessaram? |
| Clarice Lispector é uma escritora canônica (reconhecida pela academia, traduzida em diversos países, publicada por editoras importantes, muito vendida e estudada). De que maneira esse aspecto da autora influencia nossa leitura da obra? |
| Esse texto é do século XX, tem marcas desse tempo. Ele tem o que Cosson chama de atualidade? |
Machado de Assis: Contos
Olá, alunos.
Seguem anexos os textos que usaremos para a aula de hoje e como leitura para as próximas duas aulas.
Miss Dollar
A parasita Azul
(Volume I)
O alienista
A sereníssima república
O espelho
A igreja do diabo
(Volume II)
Um homem célebre
Uns braços
(Volume III)
Evolução
(Volume IV)
Aula 1 – “Ideias para adiar o fim do mundo”
- Como normalmente se compreende a ideia de humanidade?
- De que maneira Krenak questiona essa ideia?
- Qual a relação entre a ideia tradicional de humanidade e a colonização?
- E qual a relação disso tudo com a produção cultural? Com a escrita? Com a literatura?
literatura comparada
A rã
O homem estava sentado sobre uma lata na beira de uma garça. O rio Amazonas passava ao lado. Mas eu queria insistir no caso da rã. Não seja este um ensaio sobre orgulho de rã. Porque me contou aquela uma que ela comandava o rio Amazonas.
Falava, em tom de sério, que o rio passava nas margens dela. Ora, o que se sabe, pelo bom senso, é que são as rãs que vivem nas margens dos rios. Mas aquela rã contou que estava estabelecida ali desde o começo do mundo. Bem antes do rio fazer leito e passar. E que, portanto, ela tinha a importância de chegar primeiro. Que ela era por todos os motivos primordial. E quem se faz primordial tem o condão das primazias.
Portanto era o rio Amazonas que passava por ela. Então, a partir desse raciocínio, ela a rã, tinha mais importância. Sendo que a importância de uma coisa ou de um ser não é tirada pelo tamanho ou volume do ser mas pela permanência do ser no lugar. Pela primazia. Por esse viés do primordial é possível dizer então que a pedra é mais importante que o homem. Por esse viés, com certeza, a rã não é uma criatura orgulhosa. Dou federação a ela. Assim como dou federação à garça quem teve um homem sentado na beira dela. As garças têm primazia.
Manoel de Barros – Memórias inventadas -A segunda infância.
AS MULTIDÕES
Não é dado a todo o mundo tomar um banho de multidão: gozar da presença das massas populares é uma arte. E somente ele pode fazer, às expensas do gênero humano, uma festa de vitalidade, a quem urna fada insuflou em seu berço o gosto da fantasia e da máscara, o ódio ao domicílio e a paixão por viagens.
Multidão, solidão: termos iguais e conversíveis pelo poeta ativo e fecundo. Quem não sabe povoar sua solidão também não sabe estar só no meio de uma multidão ocupadíssima.
O poeta goza desse incomparável privilégio que é o de ser ele mesmo e um outro. Como essas almas errantes que procuram um corpo, ele entra, quando quer, no personagem de qualquer um. Só para ele tudo está vago; e se certos lugares lhe parecem fechados é que, a seu ver, não valem a pena ser visitados.
O passeador solitário e pensativo goza de uma singular embriaguez desta comunhão universal. Aquele que desposa a massa conhece os prazeres febris dos quais serão eternamente privados o egoísta, fechado como um cofre, e o preguiçoso. ensimesmado como um molusco. Ele adota como suas todas as profissões, todas as alegrias, todas as misérias que as circunstâncias lhe apresentem.
Isto que os homens denominam amor é bem pequeno, bem restrito, bem frágil comparado a esta inefável orgia, a esta solta prostituição da alma que se dá inteiramente, poesia e caridade, ao imprevisto que se apresenta, ao desconhecido que passa.
É bom ensinar, às vezes, aos felizes deste mundo, pelo menos para humilhar um instante o seu orgulho, que existem bondades superiores às deles, maiores e mais refinadas, Os fundadores de colônias, os pastores de povos, os sacerdotes missionários exilados no fim do mundo conhecem, sem dúvida, alguma coisa dessas misteriosas bebedeiras; e, no seio da vasta família que seu gênio criou, eles devem rir, algumas vezes, dos que se queixam de suas fortunas tão agitadas e de suas vidas tão castas.
Charles Baudelaire, Pequenos poemas em prosa.
XVIII CONVITE À VIAGEM
Existe um país soberbo, um país idílico, dizem, chamado Cocagne que eu sonho visitar com uma velha amiga. País singular, nascido nas brumas de nosso Norte e que poderia se chamar o Oriente do Ocidente, a China da Europa, tanto pela sua calorosa e caprichosa fantasia quanto por ela, paciente e persistentemente ser ilustrada por sábias e delicadas vegetações.
Um verdadeiro país de Cocagne, onde tudo é belo, rico, tranqüilo, honesto; onde o luxo se compraz em se ver em ordem, ou a vida é livre e doce de se respirar; de onde a desordem, a turbulência e o imprevisto são excluídos; onde a bondade está casada com o silêncio; onde a própria cozinha é poética, rica e excitante ao mesmo tempo; onde tudo se parece contigo, meu anjo.
Conheces essa doença febricitante que se apossa de nós nas gélidas misérias, essa nostalgia de um país que ignoramos, essa angústia vinda da curiosidade? É um lugar que se parece contigo, onde tudo é belo, rico, tranqüilo, honesto; onde a fantasia construiu e decorou uma China ocidental, onde a vida é doce de se respirar, onde a felicidade está casada com o silêncio. É lá que se precisa ir viver, é lá que se precisa ir morrer.
Sim, é lá que se precisa ir respirar, sonhar e esticar as horas para o infinito. Um músico escreveu o Convite à Valsa, quem comporá o Convite à friagem, que se possa oferecer à mulher amada ou à irmã preferida?
Sim, é nessa atmosfera que seria bom viver — lá onde as horas mais lentas contêm mais pensamentos, onde os relógios marcam a felicidade com a mais profunda e a mais significativa solenidade.
Sobre as telas brilhantes ou sobre os couros dourados, de sombria riqueza, vivem, discretamente, as pinturas beatas, calmas e profundas como as almas dos arriscas que as criaram, Os sóis poentes que cobrem tão ricamente a sala de jantar ou o sabão são amenizados pelos belos tecidos ou por altas janelas trabalhadas divididas pelas esquadrias de chumbo em numerosos compartimentos, Os móveis são vastos, curiosos, bizarros, armados de fechaduras com segredos, como as almas refinadas. Os metais, os espelhos, os tecidos, a ourivesaria e a faiança tocam para os olhos uma sinfonia muda e misteriosa; e de todas as coisas, de todos os cantos, das frestas das gavetas e das pregas dos tecidos emerge um perfume singular, um retorne de Sumatra, que é como a alma do apartamento.
Um verdadeiro país de Cocagne, digo-te, onde tudo é rico, limpo e luminoso como uma consciência pura, como uma magnífica bateria de cozinha, como urna esplêndida ourivesaria, como uma joalheria multicor! Os tesouros do mundo inteiro afluem, como na casa de um homem trabalhador que bem os merece. País singular, superior aos outros, como a Arte é em relação à Natureza reformada pelo sonho, onde é corrigida, embelezada e refundida.
Que eles procurem, que pesquisem mais, que recuem sem cessar os limites de sua felicidade, estes alquimistas da horticultura! Que proponham o preço de sessenta e de cem florins na solução de seus ambiciosos problemas! Eu encontrei minha tulipa negra e minha dália azul!
Flor incomparável, tulipa reencontrada, dália alegórica, está lá, não é?, nesse belo país tão calmo e tão sonhador que seria preciso ir viver e florescer Não estarias enquadrada em tua analogia e não poderias mirar-te, para falar com os místicos, em tua própria correspondência?
Sonhos! Sempre sonhos! E quanto mais ambiciosa e delicada é a alma, mais os sonhos se afastam do possível. Cada homem leva em si sua dose de ópio natural, incessantemente secretada e renovada, e, do nascimento até a morte, quantas horas temos nós de alegria positiva e de ações bem-sucedidas e decididas? Viveremos nós, por acaso, passaremos nós alguma vez nesse quadro que meu espírito pintou, esse quadro que se parece contigo?
Esses tesouros, esses móveis, esse luxo, essa ordem, esses perfumes, essas flores miraculosas, és tu. Es tu, ainda, esses grandes rios, esses canais tranqüilos. Esses enormes navios que os singram carregados de riquezas e de onde provêm os cantos monótonos das manobras, são estes meus pensamentos que dormem ou rolam sobre teu seio. Tu os conduzes docemente em direção ao mar que é infinito, a refletir as profundezas do céu na limpidez de tua bela alma; e quando, fatigados pelas vagas e saciados dos produtos do Oriente, eles retornam ao porto natal, são ainda meus pensamentos enriquecidos que voltam do infinito para ti.
teoria literária
- Leia o conto “Viagem a Petrópolis” e construa um comentário em que você faça uma reflexão sobre a narrativa a partir das discussões feitas em aula sobre conceitos de narrador, personagem, ambiente e espaço. Você deverá utilizar pelo menos duas referências teóricas de sua preferência.
Leia o poema “A porca” e estabeleça um comentário sobre o texto a partir das reflexões realizadas em sala sobre conceitos teóricos como poesia, poema e sujeito lírico. Utilize pelo menos uma referência teórica na composição de sua resposta.