2º semestre: Teoria Literária – Prosa

Olá, alunos!

Este é o espaço para que vocês façam o seu primeiro exercício de comentário teórico sobre um texto literário. O texto é o que segue abaixo. Vocês deverão comentar esta postagem com a leitura do TEMA e da FORMA deste conto. Fiquem livres para comentar o que mais chmou a atenção de vocês! 🙂

Bom trabalho!

24 comentários sobre “2º semestre: Teoria Literária – Prosa

  1. No texto “diga a eles que não me matem”, o elemento que mais me chamou a atenção foi a intensidade trabalhada na linguagem de sua composição. Nota-se, no começo da leitura, a insistência de Juvencio para que seu filho, Justino, convencesse o coronel a não matá-lo. É perceptível em sua fala um desespero e uma súplica ao implorar por sua vida, compartilhando uma angústia e martírio com quem o lê. Tal sentimento é semelhante quando Juvencio, já a beira da morte, clama por piedade ao dizer ao Caronel: “Já não valho nada. Não tardarei em morrer sozinho.”

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  2. No texto “diga a eles que não me matem”, o elemento que, de início, mais me chamou a atenção foi a intensidade trabalhada na linguagem de sua composição. Nota-se, no começo da leitura, a insistência de Juvencio para que seu filho, Justino, convencesse o coronel a não matá-lo. É perceptível em sua fala um desespero e uma súplica ao implorar por sua vida, compartilhando uma angústia e martírio com quem o lê. Tal sentimento é semelhante quando Juvencio, já a beira da morte, clama por piedade ao dizer ao Caronel “Já não valho nada. Não tardarei em morrer sozinho.”

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  3. Teoria literária
    A narrativa se iniciou com a conversa entre Justino e Juvêncio, passando ao leitor a sensação de desespero,suspense e súplica, a qual se encontra presente na narrativa como um todo. Na conversa inicial, Juvêncio está desesperado pela ajuda do amigo em uma tentativa de acabar com o perigo de morte pelo qual está passando, através do perdão do sargento. Esse ponto passa a impressão de que a história será desenvolvida seguindo a jornada de Justino para ajudar o amigo, mas, na verdade o autor nos leva de volta ao passado nos explicando o por que dessa situação estar ocorrendo, nos mostrando o crime hediondo cometido por Juvêncio, pelo qual ele nunca respondeu e fugiu de punição através da bajulação financeira da justiça.

    Mesmo fugido, Juvêncio viveu o resto de sua vida atormentado e com desespero por causa do que fez, esperando o dia em que alguém fosse buscá-lo para pagar por seus atos. Fato esse que foi concretizado pelo filho do homem que matou, que estava buscando justiça pelo que ocorreu com seu pai. Podemos ver um exemplo dessa emoção vivida por Juvêncio em : “- Diga a eles que não me matem, Justino! Anda, vai dizer isso. Que por caridade. Diga a eles assim. Diga que o façam por caridade.”

    Ao final da narrativa vemos que as súplicas de Juvêncio de nada adiantaram, finalizando com uma frase expelida pelo sargento, filho do homem assasinado, no momento da morte de Juvêncio, nos passando a sensação uma sensação final de tormento e horror, novamente.

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  4. O que mais me chamou a atenção no conto foi a forma como é narrado, dando a impressão de que é uma memória ou uma lembrança de alguém que esteve muito próximo, não necessariamente dentro do enredo como os personagens principais, mas próximo o suficiente pra saber os detalhes; ao mesmo tempo em alguns momentos parece ser contado em “tempo real”. Isso fez com que eu sentisse a dor de uma lembrança dolorida e ao mesmo tempo a dor crua de sofrimento e de desespero dos personagens. E tudo isso causado pela forma como os diálogos e a narração foi feita.

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  5. O conto lido de Juan Rulfo, traz muitos elementos que chamam a atenção do leitor, mas os principais nessa experiência que chamaram minha atenção, foram as mudanças temporais da história e o domínio da narrativa. O autor começa nos mostrando uma conversa do personagem Juvêncio e seu filho Justino, no qual o pai manda que seu descendente passasse sua mensagem de arrependimento aos policiais que o executariam na manhã seguinte. Logo um flashback é narrado, Juvêncio contando o crime que cometeu (matou Dom Lupe) e a fuga eterna que escolheu enfrentar durante os anos seguintes de sua vida. O narrador volta para o presente, o momento que os guardas escoltam o homem condenado até onde seu superior se encontrava, revelando que o coronel era filho do homem assassinado. Juvêncio é condenado a tiros de misericórdia, e depois o cenário muda para o cadáver sendo carregado por Justino em um cavalo, que leva o corpo do pai para preparar um funeral. O autor Juan Rulfo domina completamente o discurso indireto livre que é usado na história, alternando entre nos mostrar a situação com um narrador em 3° pessoa e nos colocar em outros momentos dentro dos pensamentos dos personagens. Essa trilha e como a história é contada para nós, me prendeu até o fim e fez com que o pensamento que tinha no começo fosse o oposto no final.

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  6. O conto de Juan Rulfo de “Diga a eles que não me matem” se inicia com uma súplica, o texto causa no leitor diversos sentimentos e efeitos a partir da linguagem utilizada, o texto é assertivo, sem muitos rodeios, as palavras bem selecionadas e a riqueza de detalhes.
    A história se passa em diversas pessoas quando se inicia na terceira pessoa, depois volta para a primeira e volta para a terceira. Quando aparentemente não há um narrador visível. Mas ao decorrer da história surge um narrador.
    O texto é repleto de sentimentos e traz uma tensão para o leitor que analisando os personagens, cada um tem o seu papel dentro da família e traz sua parte afetiva.

    Thuane Aparecida Justen dos Santos RA:10060681

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  7. Os elementos que mais achei importantes no texto foram: a perspectiva dos personagens, te fazendo entender o ponto de vista de cada uma e entender suas ações. O narrador que não participa da história, mas que fica em primeira pessoa ao dar voz para Juvêncio e no final, quando Juvêncio está à beira da morte, volta a ser narrador e dar voz ao filho de Dom Lupe.A maneira descritiva que faz com que você sinta o que o autor quer passar, o medo da morte e a vingança por exemplo. A temporalidade da narrativa, começa com ele já a beira da morte e ao longo da narrativa vai contando os acontecimentos que o trouxeram até ali.
    Acho importante também apontar que o texto traz um questionamento sobre justiça e vingança, sobre como ao matar Juvêncio, o coronel está se vingando e não tendo justiça por seu pai, cometendo o mesmo erro que Juvêncio cometeu.

    O conto de Juan Rulfo aborda a história de Juvêncio, começando com o mesmo a beira da morte e implorando por misericórdia. O que faz o leitor sentir pena dele e querer que seja poupado, isso se deve pelo fato do narrador ser indireto livre , ele fica em primeira pessoa para dar voz a Juvêncio mas no final volta a terceira pessoa, quando Juvêncio vai morrer e dá voz ao filho de Dom Lupe, nos fazendo entender sua perspectiva. O narrador também é tão bem descritivo sentimos tudo, por exemplo: o medo da morte, a vingança.
    Ao longo da narrativa descobrimos o que o trouxe até ali, o que muda totalmente o sentimento do leitor no começo da narrativa.
    O texto também traz um um questionamento sobre justiça e vingança, sobre como ao matar Juvêncio, o coronel está se vingando e não tendo justiça por seu pai, cometendo o mesmo erro que Juvêncio cometeu.

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  8. O anterior foi errado, o meu rascunho foi junto.

    O conto de Juan Rulfo aborda a história de Juvêncio, começando com o mesmo a beira da morte e implorando por misericórdia. O que faz o leitor sentir pena dele e querer que seja poupado, isso se deve pelo fato do narrador ser indireto livre , ele fica em primeira pessoa para dar voz a Juvêncio mas no final volta a terceira pessoa, quando Juvêncio vai morrer e dá voz ao filho de Dom Lupe, nos fazendo entender sua perspectiva. O narrador também é tão bem descritivo sentimos tudo, por exemplo: o medo da morte, a vingança.
    Ao longo da narrativa descobrimos o que o trouxe até ali, o que muda totalmente o sentimento do leitor no começo da narrativa.
    O texto também traz um um questionamento sobre justiça e vingança, sobre como ao matar Juvêncio, o coronel está se vingando e não tendo justiça por seu pai, cometendo o mesmo erro que Juvêncio cometeu.

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  9. O autor Rulfo começa a narrativa utilizando o discurso direto em que Juvêncio, com medo intenso da morte, implora a seu filho Justino para pedir que não o matem. O filho, cansado de tentar ajudá-lo e também com medo de ser fuzilado por pedir piedade a ele, lhe nega o favor. Porém, Juvêncio estava tão agarrado a vida que falou para seu filho que, caso ele fosse morto por pedir clemência ao pai, a Providência cuidaria de sua esposa e filhos. Observamos na narrativa o egoísmo do pai e muito apego a vida mesmo ele sendo um velho e não ter nada a perder e na sequência o narrador faz uso do discurso indireto para esclarecer o fato.
    O narrador explica em discurso indireto o conflito entre Dom Lupe e Juvêncio. Dom Lupe com seu coração duro, sem misericórdia com os animais morrendo de fome, é assassinado por Juvêncio depois de alertá-lo várias vezes que precisava alimentá-los, mas sem sucesso. Juvêncio não escapa, os guardas o capturam e no caminho para encontrar o coronel, o narrador utiliza o discurso indireto livre relatando os pensamentos de Juvêncio “Eu não fiz mal a ninguém, rapazes”. Além disso, ele descreve a cena de uma forma que podemos viver a narrativa como “começou a sentir esse comichão no estômago” e “Já era tempo de terem chegado as águas e as águas não apareciam e o milho começava a murchar”. Então, um sentimento de pena e empatia domina o leitor e cria a esperança do final feliz.
    Porém, ao ouvir o coronel que é filho do assassinado, que ficou órfão pequeno e perdeu a mãe bem em seguida, vimos a justiça em buscar o criminoso e puni-lo. O coronel tem coração mais bondoso do que o do falecido pai e deixa Juvêncio se embebedar para morrer sem dor e Justino fazer um velório digno ao pai, afinal, o fardo da pena e da vingança sobrou para os filhos de ambas das partes.
    O autor mexicano Juan Rulfo viveu por 8 anos em um orfanato, pois perdeu seu pai na guerra Cristera e quatro anos depois, sua mãe de ataque cardíaco. Talvez sua vida pessoal o inspirou a criar personagens que se espelham na sua vida, como o coronel que viveu órfão de pai assassinado e de mãe que morreu de tanta tristeza pela perda do esposo. Por suas obras terem essas características de discurso que permite o leitor viver a obra lendo- a, boa parte delas acabaram sofrendo adaptações cinematográficas.

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  10. Dentro do conto, considero como mais cativante a forma como o narrador descreve. Parece-me que a narrativa se concentra em descrever sentimentos. Ainda que o narrador seja fiel a contar os fatos, passa a sensação de uma tentativa de convencer o leitor a entender o lado de Juvêncio, mesmo que quem esteja lendo possa considerá-lo culpado.

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  11. • Particularmente a narrativa ao meu ver propõem a ideia contraditória e reflexiva sobre a questão do querer viver e não apenas do simples existir. Podemos perceber que a simples certeza da morte de Juvêncio em sua própria cabeça, o faz esquecer dos instintos mais básicos do ser humano, como a fome, o sono, para apenas ter o escopo em sua total avidez em permanecer vivo. Talvez no calor de desespero tenha se arrependido de apenas existir grande parte de sua vida afugentado e amedrontado com a possibilidade da morte, todavia se esconder para não morrer não é viver, mas sim existir em extrema sofreguidão.
    • Além dessa sublime observação, a maneira detalhista que o escritor descreve a veemência no sofrimento de Juvêncio, nos coloca a ideia que por mais brutal tenha sido o seu crime, ainda devemos ter algum tido de altruísmo com ele.
    • Agora falando um pouco sobre as características do texto, podemos visualizar que obviamente o autor não possui um público alvo infantojuvenil, já que o texto está completamente carregado de prantos e brutalidade.
    • Sobre o escritor, aparentemente não tem a menor intenção de omitir o seu derrame de violência e de infelicidade nos finais de suas narrativas, como detém total onipotência e onisciência sobre suas histórias o faz como quer, e desta vez tudo acabou em escarnio e crueldade na morte de Juvêncio e de Dom Lupe.

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  12. Diga a eles que não me matem!
    Deixe me viver uma vida que não mais tenho

    Em Paris é uma festa, livro de Ernest Hemingway, no capítulo ‘’O homem marcado para morrer’’, observa-se uma dualidade. Hemingway caracteriza o poeta Ernest Walsh com um ‘’ar de marcado para morrer’’, devido a tuberculose que afligia Walsh e não deixava se passar despercebida. Ao mesmo tempo, Walsh afirma que Hemingway está marcado para viver, por não ter problema algum.
    Ao pensar na dualidade, é possível dizer que Juvêncio Nava estava marcado para morrer. O mesmo já sabia disso, porém ao pairar o ar de morte sobre ele, mais que nunca desejou que pudesse viver. Não tinha mais vontade de nada, mas tinha vontade de viver. Vontade de viver uma vida que não tinha mais, já que passou a maior parte do restante de sua vida fugindo para ‘’preservar a sua vida’’. ‘’Não foi um ano nem dois. Foi a vida toda’’. E para isso teve que se abdicar de tudo que tinha, até de sua mulher.
    O medo é um dos instintos mais básicos do ser humano. Sente-se o medo por uma questão de proteção. E durante o texto corrido, do início ao fim, nota-se que Juvêncio é movido pelo medo. A religião é algo ligado a emoção, especificamente ao medo. E ao necessitar de proteção, Juvêncio pendura-se no divino, faz apelações de misericórdia. ‘’Diga a eles que não me matem, Justino! […] Diga que o faça pela caridade de Deus’’. E ao final: ‘’[…] Deixa que, pelo menos, o Senhor me perdoe. Não me mates! Diga que não me matem!’’. A essas últimas palavras, após anestesiado, Juvêncio Nava morre de ‘’tanto tiro de misericórdia que o deram’’.

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  13. O conto “Diga a eles que não me matem” traz uma série de elementos que o torna perceptível de várias concepções. O dialeto presente no texto trabalha com aspectos e perspectivas narrativas, nunca especificando quem de fato é o narrador da história. Isso é notável quando Juvêncio, personagem principal, começa a relatar o passado e a contar o que fez para estar em sua situação atual. A mudança de terceira pessoa para primeira é repentina, fazendo com que a narrativa tenha um outro lado. O conto vai variando da visão do filho de Juvêncio, Justino, para a visão do pai, envolvendo o leitor em uma divisão de lados.

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  14. O diálogo entre os personagens é cativante, mostra o sentimento profundo que sentem ali naquele momento. Como o filho de dom Lupe se sente ao ver que Juvêncio estava ali, vivo e nada preparado para a morte. Isso apenas o deixa com mais sangue de vingança. Matar o homem que matou seu pai seria um momento de satisfação.
    A violência narrada é forte, o jeito que Juvêncio morre é torturante, porém, ao mesmo tempo, existe uma forma de piedade, quando o filho de dom Lupe cobre sua cabeça.

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  15. (André Fernandes Buzzetti)
    O conto em si parece construir toda uma narrativa que se estrutura e se desenvolve com diversas camadas de profundidade, incluindo os mistérios de quem seria o narrador, posteriormente descoberto que se trata de uma utilização de discurso indireto livre, com grande maestria. Quando toda a estruturação está concluída, a trama do personagem se encerra abruptamente, deixando algo como um espaço vago que se prova ser único no ponto de vista da narrativa de contos. A ambientação que é gerada, comprime e ao mesmo tempo expande de maneira ilimitada os horizontes da obra. Os recursos dramáticos das pausas em sintonia com os personagens, contribuem na densidade do texto, sendo que, com 3 páginas, todo o desenrolar é bem apresentado e descrito, deixando os leitores ansiosos por mais. Particularmente fiz algumas comparações com Hamlet, devido as questões de personalidade, os questionamentos e súplicas acerca da vida e da morte (momentos antes da morte).

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  16. Durante a narrativa de “Diga a eles que não me matem” de Juan Rulfo, sentimos a dor de Juvêncio e somos levados a uma posição de defesa e misericórdia diante do primeiro diálogo descrito, antes mesmo que possamos compreender a real justificativa de sua condenação. Toda a descrição do caminho do corredor da morte no qual estava sendo submetido se sobressai e faz com que o leitor tenha nitidamente a visualização de toda a paisagem nebulosa na qual a personagem se encontra.
    É possível ainda perceber que a personagem principal, Juvêncio, trata de forma banal a resolução dos embrolhos vivenciados por outras pessoas, evidenciando o fato de que a Providência cuidará da mulher e dos filhos de seu próprio filho, contudo quando se trata da própria vida tudo precisa ser revisto. Seu egoísmo e real culpa são esclarecidos ao final do conto, no qual se concretiza o ato de sua morte.

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  17. No conto “Diga a eles que não me matem” a escolha pela descrição detalhada de sensações e perspectivas do espaço, provoca uma tensão no leitor, pois o aproxima dos acontecimentos da história. O início da narrativa com o diálogo entre Juvêncio e seu filho já trata de introduzir essa tensão que persiste ao longo da leitura. Uma escolha que me chamou a atenção foi a escolha do nome “Justino” para o filho do personagem principal. Justino, de origem latina, significa “aquele que é como justo”. E o enredo da narrativa trata dos temas: fazer justiça e ser injustiçado. Havendo uma dualidade de perspectiva: filho de Dom Lupe e Juvêncio Nava.
    Outro elemento que contribui para a tensão mencionada acima é a narração. Essa, quando começa em terceira pessoa, muda para primeira e ao fim retorna à terceira, mostra diferentes perspectivas da situação e consequentemente traz riqueza de pessoalidade e subjetividade.
    A forma com que se apresentam os personagens conforme a narrativa acontece também é incomum. É uma escolha que colabora para o sentido do conto e apreensão do leitor a cada novo parágrafo, quando surgem revelações e reviravoltas. Isso faz com que o leitor sempre reformule sua opinião e, inconscientemente, tome uma nova posição a respeito da situação, ou seja, não há neutralidade alguma.

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  18. O conto de Juan Rulfo causa uma grande mistura de sentimentos no leitor, viajando entre a pena, a dúvida e indo até o desejo de justiça (ou vingança, como alguns colocariam). O personagem central ora é narrador, ora é o objeto principal da história, e desde os primeiros instantes do conto tenta atrair a simpatia de quem lê, minimizando os próprios atos e descrevendo os fatos de forma completamente enviesada, a fim de justificar seu ato absurdo. Até meados do conto, é possível simpatizar, mesmo que de forma branda com os sofrimentos descritos pelo personagem. É um personagem/narrador que tenta te induzir ao erro. E para os mais desavisados, consegue. A sensação de traição quando se lê a fala do filho de Dom Lupe atinge em cheio, mesmo nada tendo mudado de fato: sabíamos que Juvêncio era um assassino desde o começo. Conhecer os detalhes da morte de Dom Lupe pela boca de seu próprio filho, o Coronel, muda a perspectiva de toda a história. Algo de impressionte na escrita de Rulfo, é que mesmo sem descrever cenários ou sensações de forma extensa, a imersão na história é completa. Ele faz bom uso de poucas palavras para transmitir imagens na mente do leitor, e o conto poderia facilmente ser adaptado para um roteiro de um curta metragem ou um filme.
    Por fim, o tema proposto é de grande debate filosófico. O que é a justiça e o que é a vingança?
    Na minha percepção, pelo olhar do autor, Juvêncio foi submetido às próprias regras criadas por ele, quando decidiu ceifar a vida de Dom Lupe. Enxergo o desfecho como uma justiça poética, e nem por isso, menos violenta.

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  19. O final do conto me surpreendeu por eu ter achado que o Juvêncio ia conseguir ser perdoado apesar de ter matado Dom Lupe. O conto trás como tema a vingança e como o protagonista sofreu depois de ter provocado esse sentimento no coronel para depois implorar pela própria vida depois de quarenta anos se escondendo. E também mostra como atitudes podem nos fazer sofrer mesmo depois de anos.

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  20. No conto “preço que não me matem”, o que me chamou atenção foi a forma grosseira que o pai tratou as possíveis consequências do seu filho, sobre ir na intenção de ajuda-lo, e morrer. Visto que o filho tinha família, o pai ao invés de preocupar-se, deixou que a “divina providência” tomasse conta de seu destino, mostrando assim um lado sombrio e merecedor de seu final quase trágico. No inicio do texto ele dá indícios sobre sua personalidade perversa, e isso cai em controvérsia quando ele tenta se justificar. É um texto que trata um pouco de vingança e justiça.

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  21. Comentário de Bárbara Ellen dos Santos de Paula
    O Conto “Diga a eles que não me matem!” aborda diversos temas.
    O ponto que mais me chamou atenção, foi o fato de que Juvêncio não é o santo que ele diz ser. Ele diz que nunca fez mal para ninguém, para não ser morto, para que ele possa continuar vivendo a sua vida sem vida. E dessa análise, é possível avaliar vários outros pontos importantes.
    Juvêncio alega que é inocente, porém, em seu passado, matou seu compadre por conta de sua falta de bom senso. Na minha opinião, quem estava errado nessa história, é Juvêncio, pois é um direito de Dom Lupe negar-lhe suas terras. No entanto, Nava, após matar o homem, dá todas as suas posses para que não lhe matem e parem de persegui-lo. Mas não é isso que acontece.
    Dessa forma, Nava passa o resto de sua vida como um fugitivo, tendo que abrir mão, inclusive, de sua esposa, para que pudesse viver. Só que Juvêncio não vive; ele passa sua vida preocupado com as pessoas o perseguindo, que não percebe a vida acontecendo no momento presente. Ou seja, ele está mesmo vivendo? Vale a pena desperdiçar o presente remoendo o que aconteceu no passado? – essa poderia ser uma análise psicológica. Porém, como não pretendo colocar Juvêncio como vítima, digo apenas que ele está pagando com o famoso ditado: “tudo que vai, volta”.
    No final, quando conseguem levá-lo preso e o filho de Dom Lupe manda que o matem, ele implora por perdão, se vitimizando, já que é oportunista e quer continuar vivendo sua vida inútil. Além disso, é evidente o quanto Juvêncio é ignorante, pois se importa apenas consigo próprio, e quando Justino, seu filho, o questiona sobre o que seria de sua família se o matassem, seu pai diz que teria a providência, mas que o que importava era ele – Nava.
    Por fim, o coronel acaba por fazer a justiça, e não a vingança, provando que, diferente do assassino de seu pai, ele age com a verdade. Ele manda que o embebedem – como um efeito analgésico – para que não sinta a dor dos tiros de misericórdia, sendo que esses tiros podem ser interpretados como uma misericórdia pelo fato de terem poupado o homem de continuar vivendo uma vida desperdiçada, o que foi mais uma boa ação do que um assassinato cruel.
    Ademais, a maneira como a história é narrada não faz com que a leitura seja cansativa, mas instiga o leitor a querer saber o que irá acontecer. A falta de descrição de cenários faz com que seja possível entender que o conto está sendo narrado sob a perspectiva de Juvêncio; tanto que quando ele morre, não há descrição dessa cena ou após, pois, aí, a perspectiva vai para o olhar de seu filho. Também, a maneira como é feita a descrição das cenas é muito bem trabalhada, afinal, é possível imaginar os acontecimentos claramente.

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  22. Pode-se inferir do conto “Diga a eles que não me matem” reflexões intrigantes referentes à forma como o personagem Juvêncio enxerga a vida, ao escolher fugir a todo custo da morte, do que se entregar pelo crime cometido, que, aliás, não se arrependia, sequer admitia tê-lo cometido.
    O conto expressa fortemente o desespero do personagem ao pagar às pessoas para que não o perseguissem no decorrer da vida, e sua ânsia por viver o tornava doente, pois deixou-se perder tudo apenas pelo medo de morrer, já “Não tinha vontade de nada. Só de viver”. Conclui-se que, para Juvêncio, qualquer coisa era menos importante que sua vida, afinal pouco se importava se seu filho poderia morrer ao retornar ao Coronel pedindo que não matassem seu pai.
    As consequências de suas ações o perturbaram a vida toda e, embora o Coronel (personagem que perdeu o pai) quisesse vingança pelo passado sofrido e injusto, sua decisão traz a ironia de uma morte misericordiosa, pois, além de matá-lo de uma vez e bêbado para que não sofresse, acabaria com a vida medíocre que o criminoso levava, em que não se existia um desejo, ou algum motivo maior para prezar tanto pela vida, ele resistia ao poder das consequências e em momento algum se arrependeu, apenas implorava para que não o matassem, alegando que não ganhariam nada ao tirarem sua vida, pois não valia nada, já estava velho e logo morreria naturalmente.
    Após a dedução de que a morte aconteceu, pois no texto há um corte nos acontecimentos, pode-se perceber certo deboche na fala de Justino, o filho de Juvêncio, ao dizer que sua esposa e filhos sentiriam falta do pai e pensariam que um coiote o matou, ao que tudo indica a falta de conhecimento da família sobre a história verdadeira do crime cometido ou mesmo a descrença de que ele faria o que fez.

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  23. O ponto que eu achei mais interessante no conto “diga a eles que não me matem” de Juan rulfo foi a forma como o narrador seduz o leitor com as suas idéias e concepções de mundo, a ponto de chegar uma hora do texto em que eu estava torcendo para a sua liberdade, mesmo a punição sendo “justa” para Juvêncio.
    Esse texto me fez lembrar de uma frase muito interessante: “todo mundo é protagonista de sua própria história”. Essa frase se conecta muito bem com o texto, já que, para Juvêncio, a punição não deveria ser aplicada, mesmo tendo motivos para isso, ou seja, quem define quem é bom ou mal, é o próprio indivíduo que conta a história.

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  24. Podemos fazer muitas reflexões a cerca do conto “Diga a eles que não me matem!”, mas as que mais me chamaram atenção foram a punição de Juvêncio que dependendo do ponto de vista de cada um, pode ser justiça ou vingança, o fato do autor começar o conto com as falas de Juvêncio implorando para que não o matem e a forma cronológica de narrar a história – uma estratégia de convencimento para o leitor, a ironia da morte do Coronel por ter matado ele bêbado e de uma vez, contrário de que o mesmo fez.

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