Gonçalves Dias consolida o romantismo

Caros alunos,

Como alguns de vocês demonstraram dificuldade para realizar a atividade sobre o poema “Leito de folhas verdes”, de Gonçalves Dias, resolvi trabalhar um dos capítulos do “Formação da Literatura Brasileira” na aula de hoje. O capítulo é “Gonçalves Dias consolida o romantismo”. Segue abaixo o arquivo que leremos juntos hoje em sala:

https://moisesnascimentoblog.files.wordpress.com/2016/08/gonc3a7alves-dias-consolida-o-romantismo-flb.pdf

Ainda não consegui terminar o cronograma detalhando todas as leituras, mas consigo fazê-lo até o final de semana.

Abraço

Thais

39 comentários sobre “Gonçalves Dias consolida o romantismo

  1. Eduardo Antenor, 3° período de letras.
    Resposta da atividade relacionada a nova convenção poética.
    O processo de identidade brasileira teve um marco no século XVIII, com o período literário Romantismo ocasionando tal movimento. Para que fosse instaurado um sentimento único, próprio da nação Brasil, foi necessário três processos de relacionamento literário, sendo a literatura da matriz (européia) com a literatura brasileira (romantismo).
    Segundo Antonio Candido os três processos constituem em transposição, substituição e inovação.Como pode ser visto na obra indianista, romântica “Leito de folhas verdes” do grande poéta Gonçalves Dias que com sua capacidade, com os três processos de relacionamento, criou uma convenção poética nova.
    Analisando detalhadamente a obra pode ser encontrado elementos de valorização da natureza com ênfase na natureza brasileira, como pode ser visto na terceira estrofe “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco […]” relacionando também elementos da primeira geração do romantismo sobre individualismo, subjetivismo, na qual o eu-lírico apresenta manifestação da emoção e sentimento pelo “Jatir”, personagem indígena heroico, que sofre uma substituição. Os cavalheiros heroicos das narrativas medievais é substituído pelo índio guerreiro brasileiro.
    Conforme a substituíção do cavalheiro pelo índio guerreiro, aparece na obra os costumes, trejeitos europeus que sofreram uma transposição na qual pode ser visto na sétima estrofe “[…] A arazóia na cinta me apertam […]”, faz ilusão a uma imagem pitoresca do cavalheiro que segurava a cintura da Dama no bosque europeu, mudando para uma imagem do índio segurando pela cintura o eu-lírico junto a “arazóia” (fraldão de plumas usado pelas mulheres indígenas).
    Portanto tais tendências do indianismo (com a valorização indígena), a valorização da subjetividade, da natureza, do patriotismo e um sentimento de independência, utilizando os três processos de relação, Gonçalves Dias cria com suas obras magníficas aclamadas por diversos críticos da época e até dos dias atuais, uma nova convenção poética, instaurando uma identidade brasileira com o movimento do Romantismo.

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  2. Natalia Rodrigues Vieira- 3° período Letras- Noturno
    Antônio Candido, em um curso sobre o Romantismo, coloca que antes dessa época o passado era visto como belo, buscava-se o antigo. A partir do Romantismo o bonito era procurar o novo –busca-se agora inovações – mudanças que respirassem a liberdade, a autonomia e o novo sentimento de empoderamento do nacionalismo. Procura-se, neste período, a liberdade na escrita, característica que se pendura até os dias atuais. Nesta fase a ideia de uma literatura que rege as demais deixa de existir, porém as literaturas começavam a interagir entre si. Todo esse movimento de não seguir a mesma linha literária do dominador, elevando as características nacionais, foi de extrema importância, pois contribuiu para o amadurecimento da libertação da metrópole.
    Alfredo Bosi defende que o Romantismo foi “o momento de grande afirmação da cultura”, principalmente pela exaltação da cultura brasileira. Então, a melancolia, por exemplo, era associada à noite, à lua, mostrando uma nova relação com a natureza. Nessa busca por uma cultura nacional consolidada surgi o indianismo, muito presente nas obras de Dias. Apesar de ser muito presente, os indígenas aparecem com características europeias ainda, como a fusão da imagem do guerreiro europeu com os índios.
    Gonçalves Dias soube transformar os temas comuns, agora retratados no Romantismo, em significativas temáticas para seus poemas, diferentemente dos poetas que o precedeu. Segundo Massaud Moizés, Gonçalves Dias “atualizou a temática indígena, conferindo-lhe a grandeza que desconhecia antes e que jamais atingiu depois.” É relevante afirmar, como o próprio Candido, que Gonçalves Dias trazia temas contemporâneos com uma visão europeia, pois além da carga cultural implantada na colônia, sua formação era europeia. Percebemos isso em suas obras.
    Candido defende que o que diferencia o índio de Dias dos outros autores é justamente a poética. Como vemos em “Leito de folhas verdes” quando os elementos nacionais dão vida as passagens do poema. Na obra o eu-lírico é feminino e sofre de amor pela volta de Jatir. Vemos em quase todos os versos a presença de elementos da natureza, como o leito de amor sob a copa da mangueira onde o luar brinca entre as folhas. Todo o período de espera pelo amor é exemplificado pela natura, como a desilusão no amanhecer e a decepção da não chegada de Jatir. Percebe-se ali o grande sentimentalismo, característica do Romantismo.
    Assim os vocábulos que dizem sobre a cultura indígena, trazendo um significado poético para a obra, como quebranto, que possui uma semântica, visto normalmente como algo ruim, e que no poema aparece para marcar mais ainda o amor do eu-lírico. Ou ainda, arazóia que exemplifica a forma como o eu-lírico se declara ao amado.

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  3. Thiago Carvalho, 3º Período de Letras
    Segundo Antonio Candido, Gonçalves Dias foi o primeiro grande autor do romantismo, que finalmente se configura com ele. Candido, também fala que ele foi responsável pela criação de uma convenção poética nova, já que Gonçalves Dias foi um dos escritores que se desprendeu dos padrões da literatura clássica e incorporou na sua literatura os elementos da literatura romântica.
    Em suas obras os elementos românticos que se percebiam eram, principalmente, o indianismo, a melancolia e o naturalismo. Isso fica bem claro quando analisamos o poema “Leito de folhas verdes” já que se trata da historia de uma índia que sofre com um amor que nunca apareceu e vemos inúmeras citações a elementos de natureza brasileira no poema, apesar de alguns dos casos não serem nativos do Brasil, como nos versos “Do tamarindo a flor jaz entreaberta” e “Já solta o bogari mais doce aroma”.
    O indianismo é bem forte no poema, já que o poema se trata da historia de uma indígena, mas diferentemente da maioria das historias que retratavam o indígena como um grande e bravo guerreiro, passando a imagem do cavaleiro medieval ao índio. Nesse poema temos uma índia que está sofrendo de amor, tendo uma representação mais poética do índio. E em outro poema de Gonçalves Dias, “I-Juca Pirama”, temos a principio a figura heróica do índio, mas inesperadamente o autor incluiu o elemento do lamento do prisioneiro, rompendo com a figura do guerreiro bravo e sem medo. Como Candido já disse, a figura do índio de Gonçalves Dias acaba se tornando mais autentico do que a de outros autores românticos, como Alencar, mas não por ser mais índio e sim por ser mais poético.
    Outros elementos bastantes presentes no poema são o naturalismo e o nacionalismo. No poema, Gonçalves Dias fez uso de diversos elementos que faziam parte da cultura e natureza brasileira como: “Eu, sob a copa da mangueira altiva” ou o fato da índia fazer um tapete de folhas debaixo de uma árvore. Esses elementos não existem na Europa. Trazendo algo inédito na literatura até então, que era esses elementos que representavam o cotidiano brasileiro da época, dando certa representatividade ao Brasil. No geral o poema apresenta os mesmos moldes de qualquer outro poema da época, apenas substituindo elementos europeus por outros de natureza brasileira.

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  4. Julia Bonani Barboza – 3º Período/Letras
    A literatura brasileira somente foi consolidada no século XVII, com o Romantismo. Gonçalves Dias foi o grande responsável por essa consolidação, pois foi o único poeta indianista – o indianismo foi a tendência literária mais marcante do período romântico – a conseguir retratar de forma bela e particular a realidade brasileira da época. Dias não usava das características amorosas exageradas, pertinentes ao romantismo para a construção de sua obra e sim o equilíbrio.
    Dias também foi responsável pela criação de uma nova convenção poética, – como é ressaltado por Cândido em “Formação da Literatura Brasileira” – pois foi quem usou elementos da cultura brasileira da época – como o índio e a natureza – e os mesclou com as influências medievistas europeias. É possível visualizar o equilíbrio citado anteriormente e a nova convenção poética no poema “Leito de Folhas Verdes”.
    No primeiro verso da primeira estrofe do poema, o eu-lírico feminino cita Jatir – o primeiro elemento da nova convenção poética já é visível aqui, pois Jatir é o indígena heroico. Se nas narrativas medievais o cavalheiro era o herói, nas obras de Dias, o índio é retratado como esse guerreiro – seu amado por quem espera ansiosamente. No quarto e quinto verso da sétima estrofe “Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas /
    A arazóia na cinta me apertaram.” A arazóia trata-se da tanga de penas vestida pela moça, – eu lírico – a tanga encontra-se em sua cintura e as mãos de Jatir a apertaram ali, assim, remete-se a imagem do cavalheiro medieval segurando a cintura de sua amada. Por todo o poema, também, há o ressalto dos elementos da natura brasileira, como a mangueira e as flores do bogari e do tamarindo. E por fim, os elementos indígenas como a arazóia, já citada, e Tupã – entidade suprema da mitologia tupi-guarani.

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  5. Julia Bonani Barboza – 3º Período/Letras
    A literatura brasileira somente foi consolidada no século XVII, com o Romantismo. Gonçalves Dias foi o grande responsável por essa consolidação, pois foi o único poeta indianista – o indianismo foi a tendência literária mais marcante do período romântico – a conseguir retratar de forma bela e particular a realidade brasileira da época. Dias não usava das características amorosas exageradas, pertinentes ao romantismo para a construção de sua obra e sim o equilíbrio.
    Dias também foi responsável pela criação de uma nova convenção poética, – como é ressaltado por Cândido em “Formação da Literatura Brasileira” – pois foi quem usou elementos da cultura brasileira da época – como o índio e a natureza – e os mesclou com as influências medievistas europeias. É possível visualizar o equilíbrio citado anteriormente e a nova convenção poética no poema “Leito de Folhas Verdes”.
    No primeiro verso da primeira estrofe do poema, o eu-lírico feminino cita Jatir – o primeiro elemento da nova convenção poética já é visível aqui, pois Jatir é o indígena heroico. Se nas narrativas medievais o cavalheiro era o herói, nas obras de Dias, o índio é retratado como esse guerreiro – seu amado por quem espera ansiosamente. No quarto e quinto verso da sétima estrofe “Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas /
    A arazóia na cinta me apertaram.” A arazóia trata-se da tanga de penas vestida pela moça, – eu lírico – a tanga encontra-se em sua cintura e as mãos de Jatir a apertaram ali, assim, remete-se a imagem do cavalheiro medieval segurando a cintura de sua amada. Por todo o poema, também, há o ressalto dos elementos da natura brasileira, como a mangueira e as flores do bogari e do tamarindo. E por fim, os elementos indígenas como a arazóia, já citada, e Tupã – entidade suprema da mitologia tupi-guarani.
    Portanto, entende-se que a nova convenção poética criada por Gonçalves Dias é o romantismo no Brasil, pois utilizou-se de elementos da brasilidade para a construção estética de sua prosa, exaltando o amor a pátria. Dessa forma foi construída a nova convenção poética, pois foi diferente de tudo que já havia sido criado até ali.

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  6. Cauan Perpétuo – 3º Período/Letras
    O Romantismo surge aos poucos no Brasil, com a intenção de expressar uma identidade propriamente nacional. As produções do começo do século XIX, frutos de uma nação recém independente, tentam exprimir os sentimentos de patriotismo e afirmar a autenticidade da produção literária brasileira, ressaltando suas características próprias e reivindicando as diferenças em relação a produção europeia e a tradição clássica.
    A paisagem, o índio e o recente sentimento de autonomia política e espiritual (decorrentes e engrandecidos especialmente pela independência), são alvos das primeiras produções desta época. E embora esses primeiros escritores já trabalhassem com características que futuramente seriam marcas do romantismo, foi somente em meados de 1850 que Gonçalves Dias consolidou a produção romântica.
    Dias foi, no brasil, o primeiro autor de grandiosa qualidade do movimento, tanto por concepção, quanto por escrita. Como Candido bem descreve: “A cadência melodiosa, o discernimento dos valores da palavra e a correção da linguagem formavam uma base, rara naquela altura, para a calorosa vibração e o sentimento plástico do mundo em que animam os seus versos. ” (CANDIDO, 2004, v. 2, p. 25)
    Gonçalves conseguia colocar à harmonia clássica e a materialidade brasileira de maneira orgânica no texto. Substituindo as características tradicionais europeias, como a neve, pela intrinsidade do Brasil com sua fauna e flora próprias, compondo uma musicalidade única. Dessa maneira, Gonçalves Dias consolidava o texto brasileiro; tanto por expressa-lo com alta grandiosidade lírica, isto é, de maneira natural e fluida, quanto por utilizar da natureza brasileira e do nativo, objeto de boa produção literária.
    Já em relação ao marcante indianismo do período, Dias também o tratava de maneira renovadora. Enquanto os primeiros autores românticos tentavam somente imprimir no nativo um valor heroico e guerreiro que somasse a identidade nacional e engradecesse o espírito de autonomia, Gonçalves Dias também adicionava a construção de uma imagem mais humana, mais verossímil, que enaltecia “a força dos sentimentos e das emoções comuns a todos os homens”. (CANDIDO, 2004, v. 2, p. 26)
    Por fim, tomando de exemplo o poema Leito de folhas verdes, pode-se notar boa parte destas características já citadas. No 1º e 2º versos da 2ª e 3ª estrofes, respectivamente, e no 1º e 2º versos da 8ª estrofe, Gonçalves usa de objeto atributos da paisagem brasileira como a mangueira, o bogari e o tamarindo, sem perder a cadência do poema e adicionando ritmo e musicalidade. Enquanto o assunto da obra, é um encontro amoroso frustrado em que a nativa lamenta a ausência do homem amado que não chega, e a deixa esperando da noite ao amanhecer. A presença do índio está ali, porém, de uma maneira menos heroico e mais frágil e palpável, com conflitos emocionais mais facilmente identificáveis.

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  7. Deivid Donizeti 3° semestre/letras
    O romantismo no Brasil tem início em um momento de independência. Os filhos dos senhores de engenho iam estudar na Europa e quando eles voltavam tinham uma visão diferente, queriam mudanças.
    Com Napoleão dominando quase toda Europa a família real veio para o Brasil se refugiar, trazendo consigo arte, cultura e política. Com essas mudanças surge um grupo francês que cria a revista Niteroi, que falava sobre os aspectos nacionais (índio, paisagem, etc).
    Um dos fundadores da revista Gonçalves Dias deixou a literatura brasileira em um patamar elevado. Ele usou perfeitamente os três processos que são:
    Transposição, que consiste em pegar costumes, jeitos europeuse misturar com os nativos. Exemplo: No poema leito de folhas verdes ele coloca “A arazóia na cinta me apertaram”
    Substituição, é quando Dias pega elementos nacionais e coloca na poesia europeia.
    Invenção, é quando ele cria algo para literatura brasileira por exemplo o índio se tornar herói.
    O poema leito de folhas verdes retrata bem o que Gonçalves Dias fez com esse três processos.

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  8. Felipe Mesquita. 3° Período/Letras
    Antes de falar sobre a “Convenção Poética Nova” de Gonçalves Dias, é necessário entender o momento no qual ele se situava. O Romantismo no Brasil começou aos poucos, no inicio do século XIX, a fim de criar uma identidade nacional própria na literatura; nesse período, a ideia de que uma literatura que rege as outras começou a ruir e as produções começaram a procurar uma forma de mostrar a sua liberdade para com o antigo modelo de literatura que era espelhado diretamente na literatura européia, buscando mostrar em suas produções características que mostrassem as diferenças de nacionalidade entre o recém independente império e a antiga metrópole, sendo assim mostrando a figura do índio, a paisagem, a fauna e flora foram os símbolos que ajudaram a reivindicar a autonomia e a liberdade da literatura brasileira sobre a européia.
    Foi só em 1850 que Gonçalves Dias consolidou a produção romântica. Dias foi o primeiro brasileiro a ter tanto destaque e qualidade na sua escrita, o escritor conseguia colocar nos seus trabalhos a harmonia clássica e casá-la perfeitamente com a materialidade brasileira de modo a criar algo único, substituindo as paisagens tradicionais europeias e trocando-as pelas nossas, resultando numa única musicalidade e uma distinta aura que a diferencia das demais produções da época. Isso pode se ver no poema “Leito de Folhas Verdes”, pois ao passear pelo poema percebe-se que a flora brasileira como a mangueira, o bogari e o tamarindo esta sempre presente, mas que esse fato não quebra a cadencia do poema, e sim adiciona uma musicalidade única, enquanto que o assunto da obra é sobre um encontro amoroso que não se realiza, onde uma nativa lamenta a ausência de seu amado que nunca chega, a fazendo esperar por ele desde a noite até o amanhecer. O índio esta ali, mas de um modo menos heroico e mais frágil, mostrando assim os conflitos emocionais de modo mais fácil de identificar e compreender.

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  9. Gabriel do N. Meliga
    É possível dizer que o principal pilar da poesia lírica se estabelece na relação entre sentido, imagem e som. Da junção e organização desses três elementos surge uma expressão particular pronunciada pelo sujeito lírico: a forma poética. A partir dos objetos configurados plasticamente no poema, revela-se a sensibilidade perceptiva do eu-lírico, isto é, por meio da configuração verbal e sintática (e, por consequência, atribuindo, distribuindo e ampliando os significados presentes no texto), compreende-se a realidade expressiva do poema. Essa fisionomia poética é feita (obviamente) por meio da linguagem escrita (excluindo, por ora, os movimentos da poesia concreta) e, portanto, é ideológica. Em alguns casos, a ideologia presente no poema é sútil, menos perceptível (mas não menos importante). Entretanto, também há poemas que são panfletariamente ideológicos, sem grande esmero estético. Gonçalves Dias, uma das principais figuras do Romantismo e nosso objeto de análise, enquadra-se, de certa forma, em um meio termo, superando a precariedade qualitativa dos primeiros românticos brasileiros e, mesmo que sua produção poética se encontre dentro do núcleo americano de seu tempo, com o empenho de desenvolver uma literatura autenticamente brasileira, ele se difere de seus contemporâneos e predecessores, e se faz fonte de temas e formas aos poetas futuros, por meio de sua qualidade artística, que demonstrou sua capacidade de transformar os clichês românticos em obras poéticas autênticas. Dessa forma, para compreendermos a relevância e qualidade da produção de Gonçalves Dias – refletida na criação de uma convenção poética – é necessário termos noção do ambiente histórico-social que o rodeia.

    Nosso poeta presenciou um Brasil em consolidação enquanto nação, ou seja, as estruturas culturais eruditas e políticas do país estavam migrando da colônia à independência. A literatura integrante da cultura erudita não se ausentou desse movimento. Mostrara-se necessário a criação de uma nova literatura, uma literatura “autenticamente” brasileira. Como vontade não é sinônimo de qualidade, os idealizadores dessa suposta literatura nacional realizaram uma produção estética medíocre, apesar da grande importância histórica. Apropriando-se da estética romântica vigente na Europa, principalmente, do romantismo desenvolvido na França, essa primeira onda, formadora da base do romantismo no Brasil, viram como fundamental o desenvolvimento de temas que abarcassem a “realidade”, ou melhor, “a inexistente tradição brasileira”, isto é, como desejavam criar um espírito nacionalista, forjaram uma imagem do que essencialmente seria o Brasil: Natureza e Índio. Assim, o Romantismo no Brasil nasceu sobre a égide do nacionalismo.

    A produção de Gonçalves Dias vem para romper com essa pouca qualidade literária de seus predecessores. A maioria de seus poemas sintetizaram os temas antes tão requisitados (a natureza autêntica brasileira e seu povo de origem) e trouxe a eles duas coisas que lhes faltavam: “a força dos sentimentos e das emoções comuns a todos os homens.” (CANDIDO, 2004, p. 39-40) e “o caráter mediador entre os polos da expressão e da construção.” (BOSI, 2015, p. 114-115) Dando forma, assim, a uma nova convenção: a junção do sentimento universal com o espaço brasileiro. Convenção essa que se consolidara como “Indianismo”.

    Vejamos, portanto, como a lírica de Gonçalves Dias une imagem e sentido de forma a proporcionar uma impressão de matizes habituais, nos transportando a uma sensação intimista de familiaridade, nos integrando, assim, à proposta romântica de formação de um espírito nacional. Para isso, usaremos, como exemplo, trechos do seu poema Leito de folhas verdes:

    Porque tardas, Jatir, que tanto a custo / À voz do meu amor moves teus passos? / Da noite a viração, movendo as folhas, / Já nos cimos do bosque rumoreja.

    Nessa primeira estrofe, o eu-lírico (que permanece objetivamente desconhecido) nos apresenta a seu sentimento, a difícil espera do amor, à pessoa a quem fala, seu amado, Jatir, e, nos dois últimos versos, ao ambiente e à ambientação, respectivamente, o bosque e a noite. E então continua:

    Eu, sob a copa da mangueira altiva / Nosso leito gentil cobri zelosa / Com mimoso tapiz de folhas brandas, / Onde o frouxo luar brinca entre flores.

    É nessa segunda estrofe que acontece a confluência entre sentimento do sujeito lírico, ambiente e ambientação, por meio da adjetivação do tapiz de folhas brandas, atribuindo a ele o adjetivo de mimoso, havendo, dessa forma, uma personificação, na qual as sensações do eu-lírico se atribuem também ao ambiente. O espaço mental e o espaço físico são, a partir dessa estrofe, postos em unidade, gerando uma plasticidade modular de emoções e imagens (e eles se mantêm unidos durante todo o poema). Possivelmente, essa modulação intimista produz uma aproximação estética entre os sentimentos do leitor e os sentimentos transcritos pelo eu-lírico. Além disso, é nessa fusão entre exterior imagético e interior mental que se encontra a idiossincrasia de Gonçalves Dias, pois, ao unir natureza e Ser, o ambiente não se apresenta apenas com elementos quaisquer, mas com símbolos da brasilidade, ou seja, o ethos do poema é definido com representações que remetem à figura forjada do Brasil: bosques oníricos, noites estreladas, luares calorosos, aromas exóticos e floras supostamente brasileiras (como se pode localizar no poema o bogari, a mangueira e o tamarindo). Dessa forma, emoldura-se sensações e sentimentos universais ao ambiente e ambientação brasileira. Contudo, essa relação intimista provocada pelos elementos do poema não se finaliza na conexão entre cenário e eu lírico, há outra união significativa no poema, expressa na sexta estrofe:

    Sejam vales ou montes, lago ou terra, / Onde quer que tu vás, ou dia ou noite / Vai seguindo após ti meu pensamento; / Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

    Primordialmente, nos interessa aqui, nos dois últimos versos, as duas últimas sentenças: “és meu, sou tua!”. Nesses dois sintagmas, há a junção mental do eu-lírico com o elemento a quem esse lhe pronuncia suas preces amorosas, seu amado: Jatir. E, nesse momento, não se unem apenas sujeito e objeto, unem-se também sujeito lírico e leitor. O Jatir e o leitor são mais próximos do que aparenta. Os dois são alvos de desejo, o primeiro de sua amada e o segundo do romantismo. Os dois incorporam uma distância física e, ao mesmo tempo, uma proximidade mental. Os dois estabelecem relações subjetivas que apenas um poeta como Gonçalves Dias poderia forjar. Mas, diferente do objeto de aspiração do eu-lírico, os sentimentos do leitor são plausíveis de serem alcançados, portanto, enquanto um escapa, na última estrofe, talvez, o outro tenha entregado suas emoções ao poema e tenha se rendido a um intencional “influxo mágico” de incorporá-lo à proposta do romantismo.

    Para finalizarmos, é digno de nota que seja apontada uma última característica que reafirma a posição indianista do poema: a figura indígena do eu-lírico. Toda essa fusão sentimental dificilmente seria de um poema de Gonçalves Dias se não houvesse a presença indígena. No poema que estamos analisando, essa presença se encontra sútil. Além da expectativa exterior, que nos leva a presumir que o eu-lírico é uma indígena, o poema nos apresenta apenas dois elementos materialmente escritos (além do nome Jatir), os quais consolidam a figura do sujeito lírico: a Arazóia (7ª Estrofe) e Tupã (9ª Estrofe). Este, um símbolo que representa, na tradição literária brasileira, a incorporação de Deus às tribos indígenas; Aquela, um cinto ou espécie de saia, composta por penas, e usada por mulheres indígenas nativas do Brasil.

    Portanto, a partir da presença desses dois últimos signos e da confluência entre sentimentos universais e ambientes “autenticamente” brasileiros valida-se a convenção literária originada por Gonçalves Dias, que dialogou com diversas obras subsequentes e foi de grande importância para a viabilização dos temas nacionais.

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  10. Trabalho feito por Larissa Guglielmoni de Barros Mello do curso de Letras, 3 semestre noturno.
    No livro O romantismo no Brasil, todo período de 1836 á 1870 é um conjunto complexo, Antonio Candido expõe o romantismo como sendo posição de espírito e sensibilidade, sendo assim os autores das obras voltavam-se para si mesmo retratando dramas pessoais como os amores sofridos e perdidos. No Brasil, este romantismo foi marcado pela Independência em 1822 e também pelo sentimento nacionalista assim sendo encontramos nas obras esta características deste período, como por exemplo o Gonçalves Dias.
    A primeira geração que foi marcada pelo Nacionalismo, a poesia buscava a identificação do Pais com suas raízes históricas e culturais. O desejo era construir uma arte sem influencia de Portugal, na qual foi marcada pelo Indianismo que trazia todos elementos da natureza brasileira. O índio era representado como herói pois representava o povo do Brasil. Gonçalves Dias teve grande capacidade de fazer versos de alto nível poético os temas reputados nacionais, fazendo ter uma modernidade.
    Já na segunda geração temos as obra no qual o eu lírico era voltado para si mesmo e saia da realidade a sua volta, os sentimentos são exagerados e traz de forma melancolia para a poesia. E por ultimo temos as terceira geração que era inspirada em Victor Hugo.
    No poema Leito de folhas verdes de Gonçalves Dias é apresentado uma ” convenção poética nova ” tendo assim nove estrofes com quatro versos com características de versos heroico, que neste poema se acentua em um ritmo de angustia e espera. Além disso temos recorrência de itens lexicais como flor, folha, sol, lua, no qual retrata um ambiente indígena e também os itens lexicais que expressa algo erótico e de pureza feminina que são exemplos do Romantismo Brasileiro. Diferente da literatura romântica europeia, aqui temos lírico amoroso indianista em que o eu poético é uma mulher porém vive na floresta e apesar de toda cultura indígena ela está centrada nas relações do ambiente urbano. A lírica amorosa de Gonçalves Dias que foi o maior poeta da primeira geração do Romantismo brasileiro, é marcada pela impossibilidade da realização amorosa, ecoando os sofrimentos vividos pelo poeta em seu relacionamento afetivo com Ana Amélia, porém mesmo nas poesias de caráter indianista pode observar uma frustração quanto a concretização do amor que é o que vemos no Leito de Folhas Verdes. Por toda esta razão Candido afirmava que é uma ” Convenção Poética Nova “.
    Portando, o indianismo marcou demais a primeira fase desse Romantismo, no qual diversos autores focaram no Índio idealizado com caráter nacionalista e patriótico por isto esta fase ficou conhecida como “indianismo-nacionalismo”.

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  11. Nome: Rafaela Moyses Correa da Luz – Letras – 3º período

    Antes da independência, a colônia vivia uma época empobrecida culturalmente. Com a vinda da corte portuguesa, as limitações culturais que sofríamos cessaram e um grande avanço cultural começou a surgir, o que fez com que os intelectuais brasileiros da época acalmassem os ânimos e começassem a produzir diversas artes. Estas, no entanto, seguiam os padrões portugueses e europeus. Diante da contemporaneidade instalada pós independência, surgiu uma necessidade crescente de se diferenciar e se distanciar de Portugal, fazendo com que se buscasse, cada vez mais, criar uma identificação e autonomia nacional. Essa procura por diferenciação se reflete na literatura que passa a adotar o estilo moderno em alta na Europa, o Romantismo, movimento cultural e literário que valorizava a liberdade da forma (poemas sem forma fixa ou métrica regular), o orgulho nacional, a busca por um passado nobre, valorização histórica, sentimentalismo e valorização da natureza como exaltação da nação. Valores que expressavam exatamente o objetivo de um Brasil recém independente em busca de sua própria identidade. Essa fase inicial do Romantismo no Brasil foi marcada, no entanto, por uma introdução tímida, ainda conservadora das marcas estéticas típicas do Arcadismo, e por uma busca incessante de uma literatura original de cunho indianista. Busca essa que teve como resultados produções literárias medianas até aquele momento. Gonçalves Dias é o único que consegue o que muitos autores brasileiros não conseguiram, combinar as estruturas livres dos poemas românticos com um conjunto de boa qualidade de valorização histórica e passado nobre, que no nosso caso se traduz em temas indianistas. Exatamente por isso que Antônio Candido afirma que o autor criou uma nova convenção poética, pois foi com ele que a temática indianista criou novas formas. Ainda que seja a criação de uma figura indígena ilusória e conservadora dos valores do cavalheiro medieval europeu, o poeta consegue criar uma imagem do índio que chega a ser imparcial o suficiente para repassar sentimentos e emoções que são humanamente universais. Aliado a tudo isso, consegue atribuir aos poemas paisagens e características tipicamente brasileiras, transformando a natureza em uma extensão dos sentimentos. No poema “Leito de folhas verdes” percebe-se a temática indianista sendo adaptada à melancolia tipicamente romântica. A índia, eu-lírico do poema, transforma-se na dama à espera do amado, Jatir, que por sua vez, aparece como o índio transfigurado de cavalheiro medieval. O amor, o sentimentalismo e a espera aliam-se à valorização de uma natureza que expressa todos esses sentimentos. O poema canta velhos temas românticos em uma nova roupagem brasileira que se dá pela natureza típica representada pelo tamarindo, pelo bogari, a mangueira, a arazoia, o ar quente da noite, a brisa na copa das árvores. Retirando todos esses elementos brasileiros, o que teríamos seria mais um poema romântico europeu, com a sua melancolia e o seu sentimentalismo. Por isso, Gonçalves Dias é até hoje considerado um dos principais nomes da nossa poesia romântica, pela sua capacidade de inserir a natureza e as características brasileiras de forma tão equilibrada e bonita, e, ainda, fazer desses elementos partes constitutivas do poema aliado, criando assim o que se denominou a nova convenção poética.

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  12. Gonçalves Dias revolucionou a produção romantica em seus poemas, o mesmo fundou a convenção poética, mais conhecida como romantismo.
    Havia interesse em uma literatura verdadeiramente nacional, e isso explica algumas das características do Romantismo: o indianismo, que idealiza- valoriza- o índio, e que valorizam os costumes e paisagens do Brasil, rompendo de vez com o padrão da poesia européia.
    Podemos ver tais valores no poema de Gonçalves “Leito de folhas verdes”, onde há grande presença de elementos característicos brasileiros (tamarindo, bogari, etc).

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  13. Marjorie Oliveira – 3 período de Letras

    Antônio Candido, ao decorrer da história, tinha uma ideia sobre Gonçalves Dias, de que ele foi o criador de uma convenção poética nova, mesmo tendo existido vários outros autores naquele tempo, dos quais suas obras eram nacionalistas e tinham culturas indígenas. Entretanto, Gonçalves produzia um cenário mais romântico com características de uma identidade inovadora, conhecida como neoclássica.
    No início quando o Brasil precisava ter um efeito único da sua nação, foi preciso de três processos de relacionamentos literários que, segundo Candido, eram transposição, substituição e inovação. Com isso, Gonçalves Dias, na sua obra romântica e indianista, “Leito de Folhas Verdes”, o poeta filia-se à tradição medieval.
    Na segunda e terceira estrofe temos o leito de amor, feito sob a copa da mangueira e feito de folhas brandas que enfatizam na valorização da natureza brasileira, e depois tem o individualismo, na primeira estrofe “(…) eu sou aquela flor que espero ainda / Doce raio do sol que me dê vida. Ela é a flor que depende dos raios de sol (a presença do amado) para viver. (…)” quando o eu lírico tem uma sensação de angústia por estar questionando a demora de seu amado, Jatir.
    A relação do autor brasileiro com a cultura europeia marcou bastante, pois teve a substituição do Jatir (índio guerreiro brasileiro), com o cavaleiro heroico medieval, diferente da literatura romântica europeia, a qual enunciava um eu lírico urbano, este apresenta a temática do lírico amoroso indianista em que o eu lírico é uma personagem feminina. A sexta estrofe mostra a idealização do amor, como é idealizada a figura feminina que é fiel ao seu amado.
    E por fim, na ultima estrofe, possui a desilusão do eu lírico. O sentimentalismo, a natureza sendo expressa, a idealização da figura feminina, a idealização amorosa, o medievalismo e o nacionalismo de matiz indianista, elementos que compõem a tradição romântica, estão presentes neste poema, e com isso Gonçalves Dias tem, em suas obras, uma convenção poética nova, com uma identidade brasileira no Romantismo.

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  14. O Romantismo brasileiro, Gonçalves Dias e “O Leito de Folhas Verdes”.

    Aluno: André Rovegno – 3º. Período

    Antonio Candido, no seu clássico Formação da Literatura Brasileira, ao falar de Gonçalves Dias, afirma que o poeta maranhense criou “uma convenção poética nova”. Ora, se a competente sensibilidade de Candido o afirma, é porque existia um paradigma até então, que o gênio do poeta foi capaz de inovar tão profundamente a ponto de provocar uma ruptura, isto é, fazer nascer o novo onde só florescia o mesmo. Isso não quer dizer que esse mesmo da poesia que se produzia naqueles tempos não fosse bom (não é este o foco): quer dizer apenas (se é que a palavra “apenas” é adequada a este uso) que Gonçalves Dias criou outra forma de poetar, suficientemente diversa para que se possa então falar de nova convenção poética.
    A convenção poética até então em voga era o Romantismo de padrão europeu, ou seja, vinculado à grande tradição do pensamento e da visão de mundo ocidentais. Se como diz o léxico, convenção é aquilo que “é aceito e tornado costume na prática” (Dicionário da Língua Portuguesa: comentado pelo Professor Pasquale), convenção poética são os usos consagrados para o ofício dos poetas. E os usos até então consagrados eram europeus, até porque não entende a maior parte da crítica nacional que houvesse literatura especificamente brasileira até o Romantismo.
    A convenção poética que então se impunha era aquela própria dos novos tempos que vivia à Europa, burguesia à frente: religiosidade, sentimentalismo, melancolia, sensibilidade ligada aos lugares, tudo temperado pela honradez cavalheiresca de longa tradição no Velho Mundo.
    Até Gonçalves Dias, a poesia que se fazia em terras brasileiras era apenas cópia do padrão europeu. Quando se evocava um lugar, era um cenário europeu, provavelmente coberto de neve, sem qualquer remissão tropical. A literatura brasileira não falava aos brasileiros. Assim, de acordo com Candido, Gonçalves Dias trouxe uma nova lógica, que combinava um cenário diferente (cheio de evocações de brasilidade, embebidas de imagens naturais pitorescas) habitado por um homem americano nativo com temas e valores caros à longa experiência poética europeia. Essa combinação, que produz, com frequência, o índio com perfil de cavaleiro, movendo-se em florestas tropicais, sentindo e agindo como o faria o europeu nas suas pradarias temperadas, é algo sem precedente. Como alerta Candido, Gonçalves pode não ser o mestre da precisão etnográfica (e nem precisava sê-lo: não era cientista e sim literato), mas produziu literatura poemática com maestria.
    Essa é a nova convenção poética aberta por Gonçalves Dias, de que é exemplo eloquente o seu “Leito de Folhas Verdes”. Nele como de costume na sua poesia, a forma, o comedimento e o balanço são ainda inspirados nos últimos ventos árcades e, portanto, de alguma forma tributários da cultura clássica. O temário do amor romântico, a sensibilidade aguçada, o sofrimento de amor são nitidamente reflexos do romantismo europeu. O cenário, repleto de referências à pujante e pitoresca natureza sul-americana, e os personagens (o índio Jatir e sua apaixonada companheira igualmente nativa) são tipicamente brasileiros e representam a significativa nota de brasilidade nacionalista, que permitiu que o Romantismo fosse aqui considerado como o momento de nascimento de uma literatura especificamente brasileira, que não era mais um mero reflexo do que se fazia na metrópole.

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  15. Gabriela Landim do Nascimento – 3o período Noturno

    Foi no séc. XVII que a literatura brasileira foi, de fato, consolidada e Gonçalves Dias teve grande parte nessa consolidação, haja visto que, como poeta indianista, exaltou a cultura brasileira atraves de seus poemas.
    Apesar de escrever sobre o índio brasileiro, transformando-o em um herói nacional, Gonçalves Dias imprimia em suas personagens características europeias. Essa mescla da cultura brasileira indígena com as tendencias europeias, influencia da Metrópole, somada à exaltação da natureza brasileira resultam numa convenção poética nova, criando um sentimento de patriotismo. Tal ato permitiu que o Romantismo fosse um novo começo para a literatura brasileira, que agora não é mais um reflexo da europeia. Agora, a busca pelo novo ultrapassa o conservadorismo da poesia europeia.
    No poema “Leito de folhas verdes” podemos encontrar várias características do Romantismo, a presença da fauna e flora sul-americana é constante no decorrer do poema. O eu-lírico é feminino e lamenta a falta de Jatir e pode-se observar ai o saudosismo, característica do Romantismo.

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  16. Gabriel do N. Meliga
    É possível dizer que o principal pilar da poesia lírica se estabelece na relação entre sentido, imagem e som. Da junção e organização desses três elementos surge uma expressão particular pronunciada pelo sujeito lírico: a forma poética. A partir dos objetos configurados plasticamente no poema, revela-se a sensibilidade perceptiva do eu-lírico, isto é, por meio da configuração verbal e sintática (e, por consequência, atribuindo, distribuindo e ampliando os significados presentes no texto), compreende-se a realidade expressiva do poema. Essa fisionomia poética é feita (obviamente) por meio da linguagem escrita (excluindo, por ora, os movimentos da poesia concreta) e, portanto, é ideológica. Em alguns casos, a ideologia presente no poema é sútil, menos perceptível (mas não menos importante). Entretanto, também há poemas que são panfletariamente ideológicos, sem grande esmero estético. Gonçalves Dias, uma das principais figuras do Romantismo e nosso objeto de análise, enquadra-se, de certa forma, em um meio termo, superando a precariedade qualitativa dos primeiros românticos brasileiros e, mesmo que sua produção poética se encontre dentro do núcleo americano de seu tempo, com o empenho de desenvolver uma literatura autenticamente brasileira, ele se difere de seus contemporâneos e predecessores, e se faz fonte de temas e formas aos poetas futuros, por meio de sua qualidade artística, que demonstrou sua capacidade de transformar os clichês românticos em obras poéticas autênticas. Dessa forma, para compreendermos a relevância e qualidade da produção de Gonçalves Dias – refletida na criação de uma convenção poética – é necessário termos noção do ambiente histórico-social que o rodeia.
    Nosso poeta presenciou um Brasil em consolidação enquanto nação, ou seja, as estruturas culturais eruditas e políticas do país estavam migrando da colônia à independência. A literatura integrante da cultura erudita não se ausentou desse movimento. Mostrara-se necessário a criação de uma nova literatura, uma literatura “autenticamente” brasileira. Como vontade não é sinônimo de qualidade, os idealizadores dessa suposta literatura nacional realizaram uma produção estética medíocre, apesar da grande importância histórica. Apropriando-se da estética romântica vigente na Europa, principalmente, do romantismo desenvolvido na França, essa primeira onda, formadora da base do romantismo no Brasil, viram como fundamental o desenvolvimento de temas que abarcassem a “realidade”, ou melhor, “a inexistente tradição brasileira”, isto é, como desejavam criar um espírito nacionalista, forjaram uma imagem do que essencialmente seria o Brasil: Natureza e Índio. Assim, o Romantismo no Brasil nasceu sobre a égide do nacionalismo.
    A produção de Gonçalves Dias vem para romper com essa pouca qualidade literária de seus predecessores. A maioria de seus poemas sintetizaram os temas antes tão requisitados (a natureza autêntica brasileira e seu povo de origem) e trouxe a eles duas coisas que lhes faltavam: “a força dos sentimentos e das emoções comuns a todos os homens.” (CANDIDO, 2004, p. 39-40) e “o caráter mediador entre os polos da expressão e da construção.” (BOSI, 2015, p. 114-115) Dando forma, assim, a uma nova convenção: a junção do sentimento universal com o espaço brasileiro. Convenção essa que se consolidara como “Indianismo”.
    Vejamos, portanto, como a lírica de Gonçalves Dias une imagem e sentido de forma a proporcionar uma impressão de matizes habituais, nos transportando a uma sensação intimista de familiaridade, nos integrando, assim, à proposta romântica de formação de um espírito nacional. Para isso, usaremos, como exemplo, trechos do seu poema Leito de folhas verdes:
    Porque tardas, Jatir, que tanto a custo / À voz do meu amor moves teus passos? / Da noite a viração, movendo as folhas, / Já nos cimos do bosque rumoreja.
    Nessa primeira estrofe, o eu-lírico (que permanece objetivamente desconhecido) nos apresenta a seu sentimento, a difícil espera do amor, à pessoa a quem fala, seu amado, Jatir, e, nos dois últimos versos, ao ambiente e à ambientação, respectivamente, o bosque e a noite. E então continua:
    Eu, sob a copa da mangueira altiva / Nosso leito gentil cobri zelosa / Com mimoso tapiz de folhas brandas, / Onde o frouxo luar brinca entre flores.
    É nessa segunda estrofe que acontece a confluência entre sentimento do sujeito lírico, ambiente e ambientação, por meio da adjetivação do tapiz de folhas brandas, atribuindo a ele o adjetivo de mimoso, havendo, dessa forma, uma personificação, na qual as sensações do eu-lírico se atribuem também ao ambiente. O espaço mental e o espaço físico são, a partir dessa estrofe, postos em unidade, gerando uma plasticidade modular de emoções e imagens (e eles se mantêm unidos durante todo o poema). Possivelmente, essa modulação intimista produz uma aproximação estética entre os sentimentos do leitor e os sentimentos transcritos pelo eu-lírico. Além disso, é nessa fusão entre exterior imagético e interior mental que se encontra a idiossincrasia de Gonçalves Dias, pois, ao unir natureza e Ser, o ambiente não se apresenta apenas com elementos quaisquer, mas com símbolos da brasilidade, ou seja, o ethos do poema é definido com representações que remetem à figura forjada do Brasil: bosques oníricos, noites estreladas, luares calorosos, aromas exóticos e floras supostamente brasileiras (como se pode localizar no poema o bogari, a mangueira e o tamarindo). Dessa forma, emoldura-se sensações e sentimentos universais ao ambiente e ambientação brasileira. Contudo, essa relação intimista provocada pelos elementos do poema não se finaliza na conexão entre cenário e eu lírico, há outra união significativa no poema, expressa na sexta estrofe:
    Sejam vales ou montes, lago ou terra, / Onde quer que tu vás, ou dia ou noite / Vai seguindo após ti meu pensamento; / Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
    Primordialmente, nos interessa aqui, nos dois últimos versos, as duas últimas sentenças: “és meu, sou tua!”. Nesses dois sintagmas, há a junção mental do eu-lírico com o elemento a quem esse lhe pronuncia suas preces amorosas, seu amado: Jatir. E, nesse momento, não se unem apenas sujeito e objeto, unem-se também sujeito lírico e leitor. O Jatir e o leitor são mais próximos do que aparenta. Os dois são alvos de desejo, o primeiro de sua amada e o segundo do romantismo. Os dois incorporam uma distância física e, ao mesmo tempo, uma proximidade mental. Os dois estabelecem relações subjetivas que apenas um poeta como Gonçalves Dias poderia forjar. Mas, diferente do objeto de aspiração do eu-lírico, os sentimentos do leitor são plausíveis de serem alcançados, portanto, enquanto um escapa, na última estrofe, talvez, o outro tenha entregado suas emoções ao poema e tenha se rendido a um intencional “influxo mágico” de incorporá-lo à proposta do romantismo.
    Para finalizarmos, é digno de nota que seja apontada uma última característica que reafirma a posição indianista do poema: a figura indígena do eu-lírico. Toda essa fusão sentimental dificilmente seria de um poema de Gonçalves Dias se não houvesse a presença indígena. No poema que estamos analisando, essa presença se encontra sútil. Além da expectativa exterior, que nos leva a presumir que o eu-lírico é uma indígena, o poema nos apresenta apenas dois elementos materialmente escritos (além do nome Jatir), os quais consolidam a figura do sujeito lírico: a Arazóia (7ª Estrofe) e Tupã (9ª Estrofe). Este, um símbolo que representa, na tradição literária brasileira, a incorporação de Deus às tribos indígenas; Aquela, um cinto ou espécie de saia, composta por penas, e usada por mulheres indígenas nativas do Brasil.
    Portanto, a partir da presença desses dois últimos signos e da confluência entre sentimentos universais e ambientes “autenticamente” brasileiros valida-se a convenção literária originada por Gonçalves Dias, que dialogou com diversas obras subsequentes e foi de grande importância para a viabilização dos temas nacionais.

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  17. A literatura produzida no Brasil anteriormente ao romantismo foi uma extensão da literatura portuguesa, pois o Brasil não existia como um país e os primeiros registros se deram sobre a terra recém-descoberta e colonizada.
    Somente após a independência do Brasil, se iniciou uma intensa mudança no foco de propagação intelectual e artística, dando origem à busca de autonomia, originalidade e exaltação da cultura brasileira, a fim de romper com Portugal e apresentar características que a Europa não possuía para construir, enfim, uma identidade genuinamente brasileira e afastada dos moldes europeus.
    O responsável por um conjunto de boa qualidade nesse período de transição e sobre o tema “índio” foi o escritor da primeira fase do romantismo, Gonçalves Dias, que se consagrou com o indianismo, idealizando o índio e o apresentando com sentimentos e valores comuns a todos os homens. Ao tratar-se de Gonçalves Dias, o autor Antônio Candido, o defende como fundador de uma “uma convenção poética nova”, pois as produções que o suscitaram foram, em geral, poucas e medíocres e o mesmo foi o único capaz de elevar a qualidade literária brasileira, equilibrando forma e conteúdo.
    No poema, “leito de folhas verdes”, o eu-lírico feminino anseia pela volta de seu amado, o índio Jatir e os elementos da natureza colaboram para a sensação de angústia da mulher e também traduzem a delicadeza da espera do encontro amoroso, como identificado no seguinte verso: “[…] Com mimoso tapiz de folhas brandas, onde o frouxo luar brinca entre flores. Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco, já solta o bogari mais doce aroma!”.
    Nesse poema, uma síntese das características do romantismo é apresentada, tais como o sentimentalismo, a idealização amorosa, a idealização da figura feminina, a natureza expressiva e o nacionalismo indianista tão representado nos poemas de Gonçalves Dias.
    É também devido à musicalidade melodiosa, ao discernimento dos valores da palavra e a correção da linguagem, que Gonçalves Dias funda uma “convenção poética nova” e consolida o romantismo no Brasil, fornecendo aos seus sucessores um padrão de inspiração e exemplo.

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  18. A primeira geração do Romantismo brasileiro, se inicia por meio da busca pela identidade nacional durante um período pós-independência e anticolonialista.
    Gonçalves Dias foi um dos importantes nomes que diferenciou a literatura brasileira da literatura clássica européia. Em suas obras, Dias destacou as características nacionais, indianistas e da naturais da fauna e da flora brasileira. Enquanto o cavaleiro medieval era a descrição de um herói na Europa, ele utilizou a imagem do índio para representar o nosso país.
    De acordo com Cândido, Gonçalves Dias foi o criador de uma nova convenção poética devido a inovação em suas produções.
    Ao decorrer do poema “Leito das folhas verdes”, é possível identificar as características brasileiras inseridas. Jatir, representa o herói indígena pelo qual o eu-lirico é apaixonada e Tupã também é citado para simbolizar o indianismo. A exibição da natureza aparece nas menções dos bosques, da mangueira, do tamarindo, Bogari e da arazóia.

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  19. Aluna: Thalita Rafaele Squarcini – 3º Letras (noturno)

    Segundo Antônio Candido, é possível afirmar que Gonçalves Dias foi um poeta inovador diante de um cenário monótono, pois consolidou o romantismo com suas obras que se distinguiam das atuais, pertencentes aos diversos poetas da época. Por esse motivo, surgiu a “convenção poética nova”, já que o Romantismo que pairava no cenário atual da época possuía raízes europeias, ou seja, o deslumbramento presente nas obras era baseado em outra perspectiva.
    O poema “Leito de Folhas Verdes”, por sua vez, é um ótimo exemplo daquilo que Candido defendia sobre Gonçalves Dias, porque o mesmo apresenta um deslumbramento baseando-se no cenário brasileiro, ou seja, abordou o romantismo de maneira mais nacional, sem influência européia em seus versos. O autor cita elementos tão presentes na flora brasileira, como a “mangueira altiva” e o “bogari”, além do eu lírico se tratar de uma figura feminina, cujas palavras carregam consigo o sentimento de angústia à espera de seu amado, Jatir.
    Logo, todas as características presentes no poema diferem-se intensamente daquilo que existia até então, pois trouxe consigo a identidade brasileira presente no romantismo, fato nunca ocorrido antes.
    Gonçalves Dias, portanto, obteve êxito ao trazer essa nacionalidade em seus poemas, causando uma transição entre os traços europeus e brasileiros para seus poemas, tornando-se então, uma figura importante na história do romantismo, quiçá o maior responsável por tornar esse gênero totalmente nacionalista.

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  20. Larissa Vitalino – 3° semestre- Letras

    No início do século XIX, o Brasil passava por uma situação intelectual grandemente insatisfatória. Buscavam algo novo, inovador, que superasse tudo o que já havia sido produzido. Este foi um grande momento, na história, de criação da cultura brasileira.
    Ainda não haviam Universidades no Brasil. Os poucos intelectuais eram pessoas que se deslocavam para fora do país, a fim de obter maiores conhecimentos.
    As primeiras produções literárias não eram de melhor qualidade, até que Gonçalves Dias lançou suas produções com características próprias, e apontando em suas obras um retrato da realidade do país.
    A partir do poema “Leito de folhas verdes” que o autor idealiza o amor, porém não deixa explícito o amor ultra-romântico que era evidenciado por outras obras. Pode-se observar também a presença da desilusão do eu lírico, idealização da figura feminina e o nacionalismo.
    Desta maneira, Gonçalves Dias se torna responsável por criar uma nova convenção poética, pois o autor foi o único a produzir uma arte literária que fosse capaz de se sobressair a todas as outras produções. Trazendo novo e de grande qualidade. É possível notar em suas obras a presença do índio, da natureza e da cultura brasileira.

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  21. Thayara Damasceno – 3º semestre

    A Literatura Brasileira começou a ter sua identidade (sem influência de Portugal) no século XVII, quando o Romantismo começou a criar força no brasil. Esse período tinha como principal ideia o nacionalismo, os autores exaltavam a beleza do país, o cotidiano e o regionalismo em suas obras.

    Antonio Candido em sua obra: “O romantismo no brasil” fala de forma clara sobre esse período no brasil, explicando que pode ser dividido em três partes: Transpiração, Substituição e Invenção; resumindo o assunto, a transpiração é a “presença de raízes culturais”, quando olhamos para o poema e conseguimos nos identificar com aquilo, quando tudo o que está ali é nosso, é regional, está no nosso país. Já o Substituição o autor usa como exemplo uma obra da literatura europeia e modifica utilizando termos da sua região, substituindo os locais, formas, sentimentos, como cândido diz: “substituem o cavaleiro pelo índio, o fidalgo pelo fazendeiro”. A última, invenção, é quando o autor usa um património europeu como influência para criar um novo.
    Gonçalves Dias, foi um dos grandes pioneiros desse período, ele foi responsável pela “nova criação poética”, suas poesias eram diferentes de tudo que já tinha sido produzido no País, tinham um toque nacionalista, exaltava a beleza da natureza brasileira, ressaltada os índios, sentimentos dos povos,seu cotidiano e além de mudar a estrutura mesclando com as influências medievais europeias. Por conta disso, Candido afirma que Gonçalves Dias cria uma uma nova composição poética, a identidade da Literatura Brasileira nasce a partir desse momento, uma nova literatura.
    Dias, em sua obra: “Leito de folhas verdes” é visível observar essa interpretação do nacionalismo, o eu lírico é feminino e expressa seus sentimentos através da riqueza da natureza que está em sua volta, usa nomes de plantas da sua região, como por exemplo na 8ª estrofe: “Do tamarindo a flor jaz entreaberta,/ já solta o bogari mais doce aroma” Nosso País tem muita riqueza, tanto pela natureza, quanto pelo seu povo, Dias, sabia muito bem disso, e aproveitava desses recursos para construir seus poemas indianistas, na qual, ressalta toda essa beleza que temos, uma característica clássica do nosso romantismo.

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  22. Erick Teodoro, 3Sem
    O nacionalismo esteve presente de modo intimo ao romantismo brasileiro, em especial na chamada “primeira geração”, é interessante pensar em um cenário de rompimento sutil com a dominação portuguesa, onde pouco a pouco a produção brasileira se afasta do clássico greco-latino através da reflexão sobre seu próprio lugar de produção. Através de uma exaltação indianista idealizada, a produção romântica brasileira começa a engatinhar rumo a uma emancipação cultural. A concepção de que um povo independente necessita de uma literatura independente e que expresse sua própria posição e situação étnica, social e cultural (como defendida por Ferdinad Denis, por exemplo) começa a ganhar força.

    Gonçalves Dias, além de possuir um cuidado estético em níveis pouco comuns aos seus contemporâneos, constrói uma obra que dialoga com o clássico e com o “moderno”, fazendo na temática indianista e nacionalista, uma leitura em tons europeus, com uma exaltação semelhante em modo, diferente em objeto, e que adapta ao contexto brasileiro as estruturas europeias.

    Leito de folhas verdes, por exemplo, é um retrato brasileiro de um amor idealizado tipicamente português, onde a dama espera por seu amado de forma apaixonada, mas que aqui reside em um contexto indianista e adaptado ao cenário brasileiro, fazendo referências a flora e tentando aproximar em contexto a essência romântica europeia a imagem idealizada do nativo.

    Gonçalves Dias cria com esse diálogo entre culturas uma nova forma de pensar a produção nacionalista, não através de uma negação do colonizador, mas de uma apropriação de seu modo de exercício de poder cultural, em suma, trata de utilizar-se dos meios europeus para fazer força à produção brasileira.

    Correndo o risco de soar anacrônico, e relevando o “pecado” da idealização do nativo, temos nesse primeiro momento romântico uma produção que flerta com o que hoje chamamos de decolonialismo, esse espirito de emancipação, essa luta por uma produção que seja capas de representar e atender a situação na qual quem produz se insere, e não mais ao colonizador, ainda que naquele período fosse pouco consciente dado o contexto histórico, dialoga com as tentativas atuais de romper com um resquício do pensamento europeu que perpassa e fundamenta a vida de países que um dia foram colônia.

    Mais do que isso, a produção de Gonçalves Dias ousa algo que voltaria a acontecer com Castro Alves, mas que entraria em recesso por um longo período após isso, a ousadia de apropriar-se das formas de dominação e utiliza-las para fortalecer uma “resistência”. Mais que uma democratização da literatura, se trata de apropriar-se de um meio antes usado para impor a cultura do colonizador e utiliza-lo para desenvolver uma identidade própria do colonizado, ainda que no caso de Gonçalvez dias, essa fosse idealizada e aproximada aos moldes europeus ( e, que em Castro Alves, esse desenvolvimento tome ares de uma crítica social mais precisa).

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  23. Gabriela Grazioli – 3º semestre/Letras

    No Brasil, após a chegada da coroa portuguesa no séc. XIX, à partir do Rio de Janeiro, deu-se início a um desenvolvimento intelectual que foi se fortalecendo com a vinda de intelectuais para as terras brasileiras. Após sua Independência, era necessário fortalecer o espirito nacionalista dos que aqui moravam. Com esse intuito, o Romantismo foi se instaurando aos poucos, até que em 1836, deu-se um início oficial ao seu período.
    Antonio Candide, elucida esse período em seu livro “O Romantismo no Brasil”, e o divide em três partes; transpiração, que consiste em transpassar para os poemas brasileiros concepções e contextos europeus para algo que fosse nosso, substituição, onde há a troca de figuras portuguesas para brasileiras, como ” o cavaleiro pelo índio, o fidalgo pelo fazendeiro, o torneio pela vaquejada” (pg. 98) e a invenção, que por fim, criam-se patrimônios nacionais. No mesmo livro, Cândido não economiza adjetivos de prestígio para Gonçalves, dizendo que suas obras foram as primeiras de elevada qualidade após o árcades, e que seus poemas indianistas seriam os melhores representantes desta tendencia. Seguindo a ideia de Cândido, a expressão “expressão poética nova” se daria pelo fato de que no poema “No leito das folhas verdes”, Gonçalves usa de elementos que até então eram presentes na literatura indianista somente como tema, para tornarem-se parte constitutiva de seus poemas. Podemos usar como exemplo suas referências aos hábitos noturnos, citado no poema, à uma perspectiva espiritual indígena “Um quebranto de amor…” (4º estrofe, ultimo verso), e às belezas naturais referente à flora brasileira. Por fim, após os poemas de Gonçalves, instaura-se uma nova literatura brasileira romântica, que influenciaria as obras nacionais posteriores.

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  24. GONÇALVES DIAS E A CONSOLIDAÇÂO DO ROMANTISMO

    Em sua obra poética, Gonçalves Dias consolida as características românticas preconizadas principalmente por Ferdinand Denis: privilegiar em um espírito novo o tratamento literário quanto a natureza brasileira e em relação ao índio. E, estéticamente, reconhecer o Romantismo ligado as novas aspirações. Em uma fase pré-Romantismo, segundo Antônio Candido, a produção “romântica” era medíocre e arrastada, geralmente epopeias sobre feitos indigenas e tragédias sobre a corte; a maior parte dessas produções tinham forte relação com a tradição e a estética arcadista, e de pouco destaque eram para que catapultassem o romântismo no Brasil. Gonçalves Dias trata do indianismo com uma beleza estéticae temática dificilmente encontrada no pré-Romantismo. Segundo Candido: “A cadência melodiosa, o discernimento dos valores da palavra e a correção da linguagem formavam uma base rara naquela altura (…)”. Todas essas características fizeram a obra de Gonçalves Dias, especialmente a poética, se tornar a mais elevada desde os árcades. Ao tratar tematicamente bem da melancolia, da saudade (como em A Canção do Exílio) e também definir um ideal (romântico) da natureza brasileira e do índio, ver “Leito de Folhas Verdes”, o Romantismo encontra o seu primeiro expoente fortíssemo. Em “Leito de folhas Verdes”, uma indígena espera o amado preparando pra ele um leito debaixo de uma mangueira (que não é uma árvore nativa) enquanto o luar e toda natureza desabrocha ao seu redor; nesse ponto, Gonçalves Dias faz uma seleção de palavras claramente indígenas ao descrever na voz do eu lírico (feminino) a natureza a sua volta; tratando da saudade e de um amor pueril e exacerbado, vide como a india cai em profunda melancolia (desejando que o sol rompa e leve o leito inútil), o autor cria um indio romantizado, que posteriormente seria referência para José de Alencar, um indio ideal, que não é assim; e devido aos conflitos politicos pelos quais passava o país, de independência recente, e também pelas características reconhecidas pelas críticas dos pré-românticos, ao utilizar a imagem do índio e da natureza exuberante, Gonçalves Dias remete a ideia de nação, tão necessária nessa época onde ideiais de liberdade surgiam não só na classe dominada (que mais tarde culminaria na abolição da escravidão) mas em todo o Estado, agora livre, que queria se desprender em todas as esféras de uma colônia decadente como Portugal. Gonçalves Dias consolida o Romantismo no Brasil por consagrar, de forma excepcional, essa virada de produção literária nacional.

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  25. Mariana Lima Carneiro; 3º período de Letras.
    Questão referente ao Texto de Gonçalves Dias consolida o romantismo de Antônio Cândido.

    Um destaque nos anos de 1820 e 1830 foi o anseio de autonomia literária, sendo ainda mais presente após a independência. Com isso, o romantismo foi o caminho viável à expressão característica de uma nação recém fundada (período após o processo de colonização no Brasil -quinhentismo-), por permitirem afirmar a identidade, sendo que até então só conhecia-se a tradição clássica, criando-se então uma certa autonomia espiritual que até então era desconhecida.
    Isso se deu pelo fato de que o Brasil foi constituído através de uma enorme miscigenação (recorrente do período em que houve a vinda de europeus), contendo então uma ampla variedade étnica, social, geográfica e histórica. Houve então a necessidade da criação de uma literatura peculiar, como algo novo do que havia na tradição europeia, contendo a valorização à natureza e a sociedade de cada lugar, já que define o país.
    Devido à isso, nasceu a ideia de uma convenção poética nova, na qual, há o enaltecimento a pátria e os elementos da natureza que compõe-a. Mas embora tenha criado-se um novo tipo de literatura, é presente elementos de escrita europeia, o que gera uma certa contradição.
    No poema de Gonçalves Dias “Leito de folhas verdes”, é notório a pregação aos elementos da natureza, havendo um ideal literário, isto é, beleza na simplicidade da natureza.
    Há diversas palavras no decorrer dos versos do poema sobre o índio Jatir, exaltando o patriotismo e a beleza natural do Brasil. Apesar de conter todos estes elementos referentes a nação, ressalta-se o que foi falado acima: a contradição, por conta da história de Jatir ter acontecido na Europa.
    O autor tinha a capacidade de pegar elementos da origem da nação e torná-los uma parte constitutiva desse poema.

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  26. Após a chrgada da corte portuguesa no Brasil, houve a necessidade de se criar uma literatura de maior qualidade, em relação às que aqui se faziam antes, além da necessidade de criar o sentimento de identidade brasileira. Foi apenas no séc. XVII que o romantismo se consagra no Brasil. Gonçalves Dias é o grande nome que aparece como quem trouxe o romantismo e excertou elementos da cultura brasileira nas formas clássicas europeias. Adotou o indianismo e criou um cenário unicamente brasileiro em seus poemas. Analisamos a obra “Leito de Folhas Verdes” obresva-se claramente os elementos brasileiros, começando pelo seu tema, que trás os sofrimentos de uma índia à espera de seu amado “Jatir”, que não vem, além disso Jatir é retratado como índio herói, poderoso.
    Vemos ainda, no poema, elementos claros da flora brasileira como no verso “Já solta o bogari mais doce aroma”, bogari uma flor muito comum aqui no Brasil.
    Segundo Antônio Cândido, o poeta usa três bases para seus poemas: substituiçao, invenção e transposição.

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  27. Beatriz Araújo da Silva – 3° período.

    Ao realizar a leitura do livro de Antonio Candido, O Romantismo no Brasil, é possível observar que o início do romantismo tem como uma de suas principais características a inovação, o desejo de criar uma literatura nacional, diferente da literatura antes aqui existente, vista como um braço da literatura europeia.

    Para que isso pudesse ocorrer, a linguagem literária precisou passar por algumas transformações, “[…] caracterizado pela mistura de Arcadismo sobrevivente com traços que no futuro seriam considerados precursores. […] Modificação paralela ocorre no tratamento da natureza, pois a tradição nativista se liga então ao novo sentimento de orgulho nacional, que prenuncia o patriotismo.” (CANDIDO, Antonio. O Romantismo no Brasil, pg. 16 e17)

    Essas mudanças podem ser observadas principalmente nas obras de Gonçalves Dias, que fora o maior poeta da primeira geração do Romantismo, fruto de seu destaque com relação à qualidade de sua escrita. Sua poesia indianista constituiu um forte elemento renovador para a literatura. Poesia essa, carregada de melancolia, conflitos emocionais, aspectos nacionais, exaltando principalmente o amor à pátria.

    Devido às mudanças que ocorriam, Gonçalves Dias ao mesclar os detalhes americanos de sua escrita, às características europeias da literatura, cria a partir dessa junção o que Candido chama de “nova convenção poética”, isto é, o indianismo. Ou seja, o poeta faz o uso de elementos brasileiros, tais como a natureza e a cor local: “Eu, sob a copa da mangueira altiva/Nosso leito gentil cobri zelosa/Com mimoso tapiz de folhas brandas,/Onde o frouxo luar brinca entre flores.” para construir representações poéticas que antes eram feitas de maneira diferente na Europa, abordando também os velhos temas da poesia.

    Em “Leito de Folhas Verdes”, o poema é construído sob a temática do sentimentalismo, do amor romântico, que aparece evidente, junto à representação do índio que está ali presente de maneira sutil: Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,/Já solta o bogari mais doce aroma!/Como prece de amor, como estas preces,/No silêncio da noite o bosque exala.

    Essa temática carrega consigo a melancolia decorrente de um sofrimento de amor, que pode ser observada através dos símbolos utilizados para representar a natureza e o eu-lírico.

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  28. Segundo a leitura do livro o romantismo no Brasil de Antonio Candido e o poema
    Leito de folhas verdes de Gonçalves dias .
    A vinda da família real para o Brasil em 1808 em fuga das tropas napoleônicas traz consigo uma corte europeia,funcionários de vários escalões, artistas , cientistas enfim um grande número de intelectuais .
    Desse período até a independência do Brasil ouve várias contribuições no campo intelectual como filosofia, artes e literatura . Após a independência começa a surgir um sentimento nacionalista ocorrido pela independência e por outras revoltas no pais.
    Gonçalves Dias décadas depois expressa em sua literatura com referencias nacionais e padrão europeu uma literatura indigenista ai começa a se moldar o romantismo brasileiro
    Embora no início ainda aparecessem marcas do arcadismo ele buscava um sentimento nacionalistas e indigenista
    No poema “leitos de folhas verdes” de Gonçalves Dias , é sitado algumas árvores supostamente brasileiras uma contradição ainda vista no modelo de reprodução europeu .
    Sua estética vanguardista dialoga com o clássico e o contemporâneo com sentimentalismo, amor romântico , nacionalista e indigenista e supostamente fauna e flora realmente nacionais e ainda carrega com sigo uma idéia de sofrimento amoroso.

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  29. O Brasil no início do século XIX se apresentava contraditório, socialmente e politicamente, havia desigualdade social, carência na área das letras e das ciências, desejo por maior autonomia do país, insatisfação em relação à economia, ao escravagismo. Foi nesse instinto em busca de identidade e autonomia que surgiu a valorização do nacional, mesmo que essa valorização não incluísse necessariamente os naturais do país, e também começou a surgir no Brasil o Romantismo. Essa nova maneira de se manifestar não era necessariamente nacionalista, mas, muitos autores, como Gonçalves Dias, a utilizaram como gancho para trazer a nacionalidade e a identidade do país para a Literatura, utilizando temas e paisagens locais.
    Gonçalves Dias se destaca ao trazer um Romantismo Indianista, que é o que faz dele “verdadeiro criador da literatura nacional”, “inspiração para os novos”, “grandeza de pioneiro”, fundador que “nele as novas gerações aprenderam o romantismo”, como disse Antonio Candido. Quando o Candido fala da criação de uma “convenção poética nova” trata-se dessa inovação e pioneirismo. Derivando do árcade, mantendo a forma e estrutura, mantendo a relação com a natureza, a natureza como cenário amoroso, Gonçalves Dias “enriqueceu esta tradição, ao lhe dar novos ângulos para olhar os seus velhos problemas estéticos e psicológicos” (CANDIDO, Antonio).
    A maneira de escrever do autor possuía grande qualidade, Antonio Candido em seu texto disse, “A obra de Gonçalves Dias foi no Brasil a primeira de elevada qualidade depois dos árcades do século XVIII, como concepção e como escrita. A cadência melodiosa, o discernimento dos valores da palavra e a correção da linguagem formavam uma base, rara naquela altura, para a calorosa vibração e o sentimento plástico do mundo que animam os seus versos”. Ou seja, o autor cativava seus leitores trazendo uma identificação nacional no texto, inovando a literatura brasileira se importando com a plasticidade de seu texto, beleza que não tomava a frente da poesia, mas se mostrava sempre presente.
    O indianismo de Gonçalves Dias, influenciado pelo medievalismo português se constrói na criação de um nativo ocidentalizado, convencional, heroico e repleto de valores morais da época. Mesmo europeizado esse índio ainda representa o índio brasileiro, não de forma real, mas de forma representativa. Esse índio representado como um ser quase mítico, um ser ideal, impõe valores àquilo que é pátrio e materno. A natureza e o índio eram os grandes feitos e valores brasileiros da época, por isso, românticos como Gonçalves Dias, substituíam as grandes batalhas e feitos europeus por esses elementos. A representatividade faz com que Gonçalves Dias “crie” o romantismo brasileiro, pois ele realmente se apossava da identidade do país, fugindo de temas e paisagens europeias, distintas do país.
    No poema “Leito de folhas verdes”, Gonçalves Dias, em três momentos, (harmonização da natureza, desejo de amor e frustração) escreve com maestria um poema de eu lírico feminino com uma nova perspectiva, romântica, essa perspectiva mostra o amor e a natureza. No primeiro momento a natureza se harmoniza com o sentimento do eu lírico, o nacional é usado pelo autor para exaltar a beleza da mesma, o sentimento permanece no segundo momento, onde o eu lírico descreve seu desejo de amor ainda se utilizando da natureza. Por fim, a frustração aparece trazendo um sentimento trágico, dramático e belo, típico do Romantismo. Todo o poema tem como grande cenário a natureza e os elementos da cultura indígena, fazendo do mesmo um grande exemplo de Romantismo Indianista.

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  30. Daniela Queiroz Pereira
    Letras 3 semestre

    Ao ler o livro de Antonio Candido, O autor resalta que um novo tratamento literário entre a natureza e o índio, os temas vinham do séc. XVIII onde o Romantismo se adquiriu no Brasil. Quando o romantismo se vivia uma grande atualidade. À teoria tende a promover a literatura nacional, onde o brasileiro absorverá a capacidade poética do índio, O romantismo brasileiro Antonio Candido descreve como mais nacionalismo onde se descreve mais os acontecimentos locais, uma maneira que tende a ser mais narrativa em prosa, sendo assim mostrando mais realidade quando o leitor esta lendo.
    Antonio Candido resalta em seu livro que Golçalves Dias foi o melhor depois de Árcades do século XVIII no Brasil.
    No poema de Golçalves Dias “Leito de folhas verdes” ele descreve uma cantiga de amigo, a decepção, a espera pelo seu amado “Jatir” , a figura femenina que se dá totalmente a fidelidade ao seu amado, são elementos da tradição romântica onde Antonio Candido descreve como melodiosa, os valores, o sentimentalismo, a idealização da figura da mulher , a natureza expressiva. “O leito de Folhas verdes” traz, a posiçao do poema, de onde não sobre o que o índio foi mais sim a sua imagem que permitiu abranger a realidade brasileira, o mediaevalismo e o nacionalismo de indianista. Assim Antonio Candido resalta que é um dos maiores versos produzidos, Criou uma conversão poética inovadora.

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  31. O romantismo chegou ao Brasil junto à influencias de ideais franceses e o sentimento de libertação da colônia, fazendo com que a mesma tivesse um grande avanço cultural e que suas obras feitas posteriormente ao acontecimento de independência buscassem usar características exaltando o patriotismo e o nacionalismo do povo.
    Gonçalves Dias vinha de influencias do neoclassicismo, o que fazia com que sua escrita possuísse um equilíbrio em sua forma e conteúdo, foi o autor reconhecido por consolidar o romantismo no Brasil, por meio de uma nova convenção poética que se consolidava por meio do uso da natureza e de itens brasileiros não penas como tema, mas sim como estrutura para o poema, buscando analisar a fundo o sentido dos termos utilizados assim como em: “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,/Já solta o bogari mais doce aroma!”, onde a flor escolhida para se utilizar na metáfora construía um sentido ao poema por suas características dispostas ao longo dos versos, como a de se abrir em noites quentes, sob o luar, sem excesso de exaltação ao amor ou a natureza.
    Dessa forma, Dias buscava as origens do povo para representa-los e assim usava do indianismo (exaltando a figura indígena do Brasil) e representações da natureza. Apesar do indianismo presente em sua obra, o índio não possuía características especificas de um ambiente, mas sim, uma característica universalizada de índio com transposição de uma cultura europeia na qual o mesmo assumiria características de uma poética já existente, apenas modificando alguns termos para se aproximar do povo brasileiro, e assumindo também em muitas vezes, características de cavaleiros medievais com espirito heroico. Enquanto, a exaltação pela natureza é um tanto quanto idealizada e fantasiosa ao citar confortos e descrever as imagens dentro de um poema fanopaico, na qual, na realidade, tende a ser contraditória, remetendo aos antigos temas da poesias europeias, mas ainda assim, não perdendo o sentido nacionalista devido aos temas brasileiros utilizados para a construção do poema, como a citação de arvores e características da composição da flora no momento descrito.

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  32. Maria Eduarda Souza
    Letras – 3º período

    Em “O Romantismo no Brasil”, Antônio Cândido apresenta diversas reflexões sobre a concepção romântica para com a sociedade, resultando em grandes modificações na literatura, ocasionando em um momento de consolidação brasileira. Além disso, no livro, Cândido expõe as inúmeras contribuições de alguns autores para a prática literária romântica, mostrando seus ideais distintos, uns um tanto estigmatizados.
    Antônio Gonçalves Dias, é o autor que se destaca de forma muito positiva para o Romantismo brasileiro. Segundo Cândido, seu sucesso poético na construção do indianismo e a extrema qualidade de suas poesias, fizeram de Gonçalves um grande contribuidor para a inovação da ideia de nacionalismo do Romantismo.
    Em outra obra, intitulada “Formação da Literatura Brasileira”, Antônio Cândido apresenta o desejo dos brasileiros de dotarem o Brasil de uma literatura semelhante às europeias. Com isso, cita “[…] O seu verso, incorporando o detalhe pitoresco da vida americana ao ângulo romântico e europeu de visão, criou (verdadeira criou) uma convenção poética nova?”. Cândido trata como “convenção poética nova” a forma como Dias visa buscar elementos, que poderiam ser tratados como europeus, com uma roupagem brasileira, tendo como exemplo o poema “O Leito de Folhas Verdes”. No poema, o principal tema, segundo Cândido, é “um encontro amoroso frustrado, em que a mulher lamenta a ausência do homem”, vemos a voz feminina esperando seu amado que nunca voltou, e também a busca por equilíbrio na representação do amor, não sendo algo exagerado.
    Além disso, o poema apresenta diversos elementos da natureza, como representação de amor à pátria, e que Gonçalves trata como constitutiva da estrutura do poema e não apenas como tema, se mostrando, de fato, algo inovador. Exemplificando com os primeiros versos da terceira estrofe do poema: “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,/ Já solta o bogari mais doce aroma!”, o uso das linguagens “tamarindo, flor, bogari” expõem os elementos da natureza, construindo assim as metáforas do poema. Outro ponto muito importante, é o uso de elementos indígenas como nos últimos versos da sétima estrofe: “[…] Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas/ A arazóia na cinta me apertaram”. O uso da perspectiva indígena (Jatir, nome indígena e arazóia, “acessório” do índio) foi tratada com êxito nos poemas de Dias.
    Com isso, as obras citadas acima, demonstram a forma como Gonçalves Dias foi edificante para a consolidação do Romantismo no Brasil. Tendo características próprias, contrapondo-se à Metrópole (com a tradição clássica), em suas produções literárias, mostrando muito a tendência indianista dos poemas ocasionando na imagem do índio como realidade particular brasileira.

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  33. Jocel Emanuel de Oliveira- 3° semestre Letras
    O aparecimento do romance, gênero adaptado à sensibilidade moderna, foi um verdadeiro acontecimento pelas perspectivas que abordou. Igualmente importante foi a revelação de Gonçalves Dias (1823-1864), o primeiro grande talento do Romantismo brasileiro, que parece finalmente configurar-se com ele, para além dos programas e das intenções.
    A essência da sua obra poética está contida em seus livros: Primeiros Cantos (1847), Segundos Cantos (1848), Últimos Cantos (1851), revistas e reunidos em um volume em 1857. Eles formam considerados pelos contemporâneos como a verdadeira pedra fundamental da poesia brasileira moderna, sobretudo, pois há finalmente um conjunto de igualdade sobre o tema do índio, que até então havia sido citado poucas e em geral medíocres produções.
    A obra de Gonçalves Dias, foi no Brasil, a primeira de elevada qualidade depois dos árcades do século XVIII, como concepção e como escrita. A cadencia melodiosa, o discernimento dos valores da palavra e a correção da linguagem formavam uma base, rara naquela altura, para a vibração e o sentimento plástico do mundo que animam os seus versos.
    O tempo desgastou a maior parte de sua obra, como a de todos os contemporâneos, e o que dela restou é hoje relativamente pouco. Pouco, mas o bastante para manter a sua posição de vida, sobretudo aos poemas indianistas, os únicos realmente belo dessa tendência, não porque correspondam etnograficamente o que o índio foi, mas, ao contrário, porque construíram dela uma imagem arbitrária, que permitiu recolher no particular da realidade brasileira a força dos sentimentos e das emoções comuns de todos os homens.
    O sopro poético e a deformação cavalheiresca com que tratou os índios os conservaram vivos, realizando seu desejo de redefinir s tradição da literatura ocidental por meio de novas imagens referidas a uma gente diversa.
    Em um verso do poema “Os timbiras” (1857), que planejou como configuração de sua obra, mas que não alcança no conjunto o desejado nível, ele substitui a cora clássica de louros por outra, feita com folhas brancas de acácia e as amarelas dos sassafrás, o que pode ser formado como metáfora iluminadora da tentativa indianista.
    Apesar de alguns poemas bons de outro tipo, como a singela “Canção do Exílio” e uns poucos entre os que chamou de “Hinos”, foi, portanto, no tema indianista que produziu os melhores versos, como “Marabá”, “Canto do Piaga”, “O leito de folhas verdes” e sobretudo “I-juca pirama”.
    Este é um poema heroico sobre o prisioneiro de uma tribo inimiga que, contrariando o heroísmo inflexível do índio convencional, se humilha para ter a vida salva, a fim de poder continuar guiando o pai cego. O movimento do poema é expresso pela variação de metros e ritmos em diferentes combinações estróficas, tudo admiravelmente adequado à modulação das emoções.
    Já em “O leito das folhas verdes” o assunto é um encontro amoroso frustrado, em que a mulher lamenta a essência do homem em um monólogo cuja densidade aumenta pela representação de fuga do tempo, graças a recursos de métrica e linguagem que mostram a força de Gonçalves Dias nos bons momentos. Embora integrado no espírito romântico, ele guardou certo compasso neoclássico, combinada de maneira pessoal À musicalidade conquistada pelo seu tempo.
    O virtuosismo lhe permitiu escrever um poema em português arcaico as “Sextilhas de Frei Antão”, como se quisesse demonstrar que a busca da expressão nacional comportava fidelidade à tradição, e a liberdade se entroncava na obediência ao gênio intemporal da língua. Além disso, foi ensaísta e dramaturgo. O Brasil e a Oceania (1852), e o dicionário da língua tupi (1857).
    Gonçalves Dias fez parte da comissão de redação da revista Guanabara (1849-1855), com Joaquim Manuel de Macedo e Araújo Porto-Alegre. Foi um periódico importante, que marcou o estágio dos iniciadores da literatura romântica no Brasil.

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  34. Grazielle Carneiro 3° período Letras

    A literatura brasileira somente foi consolidada no século XVII, com o Romantismo. De acordo com Candido, Gonçalves Dias foi o primeiro grande autor do romantismo, consolidando o que se chama de convenção poética nova.
    Gonçalves Dias foi um dos escritores que deixou pra trás um padrão de literatura clássica trazendo como foco elementos de uma literatura romântica. Quando analisamos o poema “Leito de folhas verdes” percebemos esses elementos, pois foi quem usou da cultura brasileira da época trazendo o índio, a natureza, com isso conseguimos presenciar muitas citações a elementos da natureza brasileira no poema.
    O indianismo foi muito marcante do período romântico, pois conseguia buscar formas de retratar muito bem as características amorosas sem deixar que ela se tornasse um exagero buscando trabalhar em suas obras sempre o equilíbrio, o natural e mantendo sempre a sensibilidade. Por isso Dias é considerado até hoje um dos principais nomes da nossa poesia romântica, Gonçalves Dias consolidou o Romantismo no Brasil com uma produção poética de boa qualidade, entre os autores do período é o que melhor consegue equilibrar os temas sentimentais, patrióticos e saudosistas com uma linguagem harmoniosa e simples.

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  35. Patrícia Ap. Sousa, 3º Semestre de Letras – Noturno.
    Inicialmente, entre 1820 e 1830 já havia uma vontade de autonomia literária que só se intensificou após a Independência do Brasil. Assim, o Romantismo se apresenta paulatinamente para esta nação que busca sua própria identidade, oposta à Metrópole, de tradição clássica. Ferdinand Denis (1798-1890) foi um francês precursor deste período romântico. Em Résumé de l’histoire littéraire du Portugal suivi du résumé de l’histoire littéraire du Brésil (1826), parte de um princípio moderno de “(…) que um país com fisionomia geográfica, étnica, social e histórica definida deveria necessariamente ter a sua literatura peculiar, porque esta se relaciona com a natureza e a sociedade de cada lugar.” (CANDIDO, 2004, p. 18). Denis também indicou poemas de Basílio da Gama (1769) e Durão (1781) por tratarem do indianismo, elemento brasileiro autentico.
    O Romantismo brasileiro foi principalmente nacionalista, isto é, escrever sobre as coisas locais. Isso agradava ao público brasileiro, ver a sua realidade através dos costumes, descrições de lugares e hábitos cotidianos. Um exemplo é A moreninha (1844) de Macedo.
    Antônio Gonçalves Dias (1823 – 1864) foi o primeiro grande prodígio do Romantismo brasileiro. Seus três livros: Primeiros Cantos (1847), Segundos cantos (1848) e Últimos Cantos (1851) considerados pelos contemporâneos como o alicerce da poesia brasileira moderna, pois traziam um belo conjunto de qualidade da temática indianista. Segundo Candido, “O sopro poético e a deformação cavalheiresca com que tratou os seus selvagens os conservaram vivos, realizando o seu desejo de redefinir a tradição da literatura ocidental por meio de novas imagens, referidas a uma gente diversa”. No entanto, possuía uma inclinação à harmonia neoclássica, herança dos setecentistas e primeiros românticos portugueses.
    Em “Leito de Folhas Verdes” Gonçalves integra elementos que antes eram temas, como o índio e a natureza e os inserem como partes constitutivas de seu poema. Podemos observar tais recursos brasileiros no primeiro verso:
    Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
    À voz do meu amor moves teus passos?
    Na terceira estrofe a presença de elementos brasileiros:
    Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
    Já solta o bogari mais doce aroma!
    Portanto, Dias enriqueceu com sua poesia, uma ordem europeia, na qual a imagem do índio sobrepõe a do cavalheiro heroico medieval, exaltação da natureza brasileira e o sentimento do eu lírico pelo personagem Jatir, revelando emoção e sentimento na espera de seu amado.

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  36. Comentário Thais Soares
    O clássico era valorizado, o passado e suas tradições ainda ditavam o rumo da arte no início do século XIX. Mas o processo de estabilização do Romantismo espalhava-se pelo cotidiano europeu e seu toque inovador alcançou os brasileiros pela literatura. Os estilos começavam a misturar-se, brandamente, fazendo com que os padrões conservados por tanto tempo dessem lugar ao novo; liberdade e autonomia artística, nacionalismo valorizado, o sentimentalismo acentuado expresso muitas vezes pelo culto à natureza.

    Considerando que a literatura está intimamente ligada à sociedade e o ambiente de cada região, muitas foram as defesas de que o Brasil merecia e já possuía uma produção literária própria e relevante, não ficando de fora da definição de Antonio Candido quando o autor descreve que “um país com fisionomia geográfica, étnica, social e histórica definida deveria necessariamente ter a sua literatura peculiar”. Se a ideia de nacionalismo estimado se espalhava pela nação, tomando como tema para as próximas produções o realce nas descrições do país, era incontestável a concepção de que o índio deveria, na sua posição de habitante primário de terras brasileiras, ser protagonista dessas produções. Caracterizava-se, assim, o indianismo.

    O nativo tomou o lugar do cavaleiro medieval, apareceu como herói, como amante, representante natural da pátria. Esse foi o primeiro momento romântico do indianismo, parte valorosa da nossa organização literária, mas evidentemente repleta de problemas. O índio agora estava em evidência, embora personagem por meio de olhares europeus. Autores que se aventuravam pelo indianismo não tinham, efetivamente, a vivência brasileira, não sabiam descrevê-la, assim como ao índio, de forma real. O comportamento e a estética estavam longe do que era verdadeiro.

    Dentre diversos autores e obras, destaca-se Gonçalves Dias que, pode-se afirmar, deu início a um segundo momento indianista no Brasil. Quando Candido declara que Dias “criou uma convenção poética nova”, ele resume em poucas palavras a importância e destaque das produções do autor, consideradas um marco na literatura brasileira. Gonçalves Dias ainda conservava a visão europeia, mas conseguia detalhar de forma brilhante as características nacionais, usando a natureza brasileira e seus filhos aborígenes. Os textos do autor expressavam sentimentos melancólicos que se mesclavam à lua, ao sol, às flores, ao cheiro das frutas, à pele morena do guerreiro indígena. A poética de Gonçalves Dias deu valor ao indianismo, o transformou, preenchendo-o de sincera beleza.

    “Leito de folhas verdes” apresenta com perfeição o equilíbrio entre o ainda presente estilo clássico e o jovem romântico. O poema, protagonizado por casal puramente nativo, revela a taciturnidade da índia solitária que aguarda a volta de seu amante Jatir em meio à natureza particular do Brasil, bastante valorizada no poema, consolidando o indianismo e o nacionalismo crescentes. O leito de amor feito sob a mangueira, a flor do tamarindo que exala o terno cheiro da moça apaixonada, a lua, o céu, o amor que não volta… Termos repletos de características do sentimentalismo pertencente ao Romantismo. Muitos dos elementos da obra são de origem indígena, conforme o nome do herói, Jatir, ou ainda a palavra arazóia (araçóia nos dicionários, nome de um cinto de penas usado por mulheres indígenas) que aparece na 7ª estrofe. Gonçalves Dias não foi perito na construção do índio, mas sua poética traçou uma grande distância entre o nativo de seus antecessores e seus sucessores. Dias foi cuidadoso e eficiente, aproximando-se muito do que era genuíno. “Leito de folhas verdes” é uma pequena parte de todo o seu grandioso trabalho.

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  37. Comentário Brenno
    Os românticos incorporam o medievismo à moda do velho mundo, acrescendo à sua livre enunciação elementos ornamentadores de uma etnografia fantasiada. Isto é, a fantasiação de uma Nação.
    No poema Leito de folhas verdes, de Últimos Cantos do romântico Gonçalves Dias: a lírica estruturada em quadras decassílabas, constrói o voluptuoso chamamento do eu-lírico pela personagem Jatir. Prepara-se o leito de amores desde a primeira estrofe ” Da noite a viração, / Já nos cimos do bosque rumoreja”. É então simbolizado no poema o tom sensorial da voz enunciadora, que cresce até a quarta estrofe exclamando em certo êxtase.
    Após o fruir do doce aroma desabrocha-se a flor, gira o sol, segue-se o poema e mantém-se a espera do eu-lírico. Ao fim da sexta estrofe afirma-se, numa perspectiva aculturativa, uma idealização de pureza e de pertencimento poderio […] ” Outro amor nunca tive: és meu, sou tua! / Meus olhos outros olhos nunca viram / Não sentiram meus lábios outros lábios, / Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas”. Uma importação medievista que resiste ainda em ignorâncias anacrônicas. Tornando à forma, o êxtase retoma o eu-lírico na oitava estrofe. Ao pé da noite mais doce aroma exala. Mas, em sua interlocução, o eu-lírico não é ouvido. No leito inútil a brisa matutina sacode a Língua.
    A instauração da convenção poética nova consolida-se na criação, não em moldes mas em inspirações. Referenciando e comparando entre valores, conceitos e percepções livres. A construção temática, advinda da necessidade expressional dos autores, reformula pela primeira vez as reformulações da condição humana dos brasileiros em sua caminhada sócio histórica.

    Ab infinitum alludire

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  38. Nome: Maria Eduarda Amaral
    3 periodo de letras UNITAU

    Cândido coloca goncalves dias em cargo da consolidação do romantismo no Brasil e ainda o deixa responsável pela criação de uma “convenção poética nova”. Que pode ser esclarecida com um breve panorama histórico cultural do Brasil no séc.XIX, dito que a situaçao era de plena contradicao cultural e política acerca o mundo abafado que a metrópole criara para a Colônia. Com esse sentimento misto de insatisfação e desejo de independência. Com este conhecimento prévio, diante o poema “leito de folhas verdes” podemos citar características como o aparecimento de elementos da natureza, e nomes indígenas novamente como herança da literatura de formação, que abre espaços de reflexao para o surgimento dessa nova poesia de deslumbramento a nova terra, não tão recentemente descoberta, em 1851, mas o descobrimento de novas formas de apreciação da herança cultural e a inovação gerada pela sociedade intelectual que nascia até então. Para finalizar a questão da convencao poética nova, Gonçalves dias em seu poema faz uso dos elementos naturais para exemplificar os sentimentos do eu-lírico e alimentava também o sentimento nacionalista com nomenclatura indígena, como jatir e tupã.

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  39. Nome: Giovanna do Amaral Braschi Noselli
    3º período de letras, Unitau
    A “Convenção Poética Nova” foi fundada por Gonçalves Dias no século XVII e baseava-se em 3 processos de relacionamento literário: transposição, substituição e invenção. O escritor foi o único poeta indianista que descreveu com exatidão a realidade do país na época, através do retrato de um índio que tinha as características mais próximas das reais, utilizando de elementos culturais brasileiros, como o mesmo e suas tradições, as características naturais da fauna e flora brasileiras, que causavam tanto impacto positivo.
    Com relação ao contexto histórico, o Brasil acabara de declarar independência a Portugal, e, apesar de todas as vantagens culturais que a família Real trouxe junto com ela, o país tinha fome de uma produção literária independente. Tudo isso por que, por mais patriotas que fossem os textos românticos, os mesmos ainda seguiam o padrão europeu clássico quando pensamos em escrita e estética. Gonçalves dias foi de suma importância contribuir com a independência literária brasileira, formando o romantismo no Brasil.
    Em seu poema, “Leito de folhas verdes”, podemos observar a presença de elementos naturais brasileiros, com os versos:
    “[…] e já solta o bogari o mais doce aroma”
    “[…] e Eu sob a copa da mangueira altiva”
    Nesse mesmo poema, o eu lírico feminino agoniza de saudades do seu amado. É explícita a representação tão exagerada do sentimentalismo, marca do romantismo. Gonçalves dias substitui o guerreiro da época medieval pelo índio guerreiro.

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