13 comentários sobre “LITERATURA COMPARADA – ESTRATÉGIA INTERDISCIPLINAR

  1. Quando os estudos de literatura comparada despontaram na academia, eles eram considerados uma ramificação da historiografia literária. Ao longo do século XIX, foram se ampliando para exercer a função de unir as nações recém constituídas. Tratava-se de criar um cosmopolitismo literário, por meio do comparativismo, entre as diferentes nações, combatendo o cerceamento das mesmas. A partir dessa ampliação, a literatura comparada passa a estabelecer relações entre as diferentes áreas das Ciências Humanas para compreender os fenômenos sociais. Desse modo, é acentuada a natureza intermediária da literatura comparada, que compara duas ou mais expressões – podendo ser de diferentes áreas do conhecimento, por isso interdisciplinar– mediando diálogos entre elas. No início, quando o comparativismo deixou de se limitar nos textos literários, ele alcançou outras expressões artísticas, permanecendo nesse meio inter-artístico. Porém, depois disso, a literatura comparada passou a abranger também a filosofia, as ciências sociais, as religiões e qualquer esfera de expressão humana, assim consolidou-se a sua interdisciplinariedade. O benefício dessa ampliação metodológica revelou-se na possibilidade de leituras mais ricas e esclarecedoras (em diferentes campos simultaneamente), na manifestação de contrastes e analogias entre diferentes áreas do conhecimento, e na compreensão em maior profundidade de fenômenos estéticos. Tudo isso é evidenciado na seção do texto que discorre sobre a relação da obra machadiana com a música. Por isso, Tania defende a literatura comparada como estratégia interdisciplinar, uma vez que relaciona paralelos e oposições entre diferentes expressões humanas e garante maior compreensão delas.

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  2. Embora a Literatura Comparada tenha surgido em um contexto no qual era não mais que um meio de se produzir um estudo de historiografia, conforme os estudos nesse campo foram se aprimorando, percebeu-se que resumir um estudo comparativo a apenas uma historiografia já não bastava. Sendo assim, pode-se observar que houve uma ampla expansão dos estudos comparativos para que houvesse uma mudanças nos paradigmas, o que antes suprimia a abrangência de um estudo comparativo, resumindo a um estudo que comparava por exemplo um texto a outro, uma pintura a outra e etc, comparando assim somente áreas similares, passou a possibilitar a comparação em diferentes campos das ciências humanas, por isso dizemos que se pode comparar qualquer coisa sendo elas do mesmo campo de atuação ou não, possibilitando assim que se compare uma obra de arte a um poema por exemplo, isso porque percebeu-se em determinado momento que nichar o estudo comparativo já não era suficiente para compreender mais profundamente determinado fenômeno.
    Esses aspectos, que antes eram motivação para descarte de um estudo, hoje é o que garante que o estudo comparativo seja um estudo específico, o fato de a Literatura comparada não se restringir apenas à literatura é o que cria a possibilidade de um estudo interdisciplinar, pois permite que o estudioso coloque de um lado uma obra literária e do outro uma área de conhecimento diferente.

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  3. É possível perceber que Tânia Carvalhal discorre sobre o processo histórico da Literatura Comparada, revelando que num movimento de transformação funcional, passou a dialogar com outras áreas do conhecimento, tendo em vista que anteriormente a ação comparativa ocorria apenas entre literaturas ou entre literaturas de nações próximas. Ela passou a pôr em relação diferentes campos das Ciências Humanas, estabelecendo a possibilidade de atuar em várias áreas, com vários métodos, próprios dos objetos relacionados na comparação.

    Passou-se a perceber que comparar não era apenas reconhecer semelhanças ou justapor, sobrepor, mas também investigar e formular, inclusive objetos diferentes. A autora aborda a mudança de paradigma ocorrida uma vez que a Literatura Comparada é o estudo da literatura além das fronteiras linguísticas e disciplinares, e que faz parte de um sistema cultural amplo. É um fenômeno inserido em um sistema de relações culturais, ou seja, não é isolado nem territorialmente e nem linguisticamente.

    Para que se estabeleça, portanto, a realização da comparação, o pesquisador precisa compreender esse trabalho que exige conhecimentos de métodos, conceitos e linguagens de diferentes campos, tendo de aprofundar-se em mais de uma área, contudo realizando uma comparação rica e esclarecedora.

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  4. No princípio, no século XVIII, havia a inexistência do comparativismo literário, mas no século XIX, a Literatura Comparada se consolidou e tinha como material de estudo duas literaturas diferentes ou elementos de campos literários divergentes. Com o passar do tempo, os objetos de estudo foram se diversificando e abrangendo mais gêneros para a comparação, constituindo a história do comparativismo literário. O motivo pela abrangência da análise, está no momento histórico no qual a literatura tinha uma função internacionalista, porém, com a globalização da época, teve que incluir diferentes campos das Ciências Humanas. A atribuição da disciplina é ter a função mediadora entre as áreas que ela coloca em relação. Na atuação comparativista, essa ação de mediar os elementos da análise, explorando características que se relacionam entre si (componentes semelhantes ou divergentes), possibilita a interdisciplinaridade, uma vez que a relação de elementos de naturezas diferentes é o objeto de estudo. Pelas palavras de Van Tieghem, citadas pela autora do texto lido, essa mudança vai além das fronteiras linguísticas. A autora defende a Literatura Comparada como uma estratégia interdisciplinar, pois é enriquecedor no âmbito do conhecimento e da pesquisa a pluralidade de objetos de estudo da cultura humana. Se fechar e se voltar os olhos para apenas textos literários, acaba se perdendo oportunidades de olhar para o mundo.

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  5. A Literatura Comparada surgiu como um desdobramento da historiografia literária, mas, com o tempo, ampliou-se e tornou-se uma área essencialmente interdisciplinar. Antes restrita à análise entre literaturas nacionais, ela passou a promover diálogos entre diferentes campos do conhecimento, como filosofia, artes, ciências sociais e até religião. Essa evolução fez com que o comparatismo deixasse de ser apenas uma comparação entre textos semelhantes e se transformasse em uma forma mais complexa de compreender os fenômenos humanos e culturais. A interdisciplinaridade da Literatura Comparada revela o quanto a arte está interligada e como cada linguagem pode contribuir para um entendimento mais amplo da realidade e da sensibilidade humana.

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  6. A literatura comparada, na visão de Tânia Carvalhal, é compreendida como uma estratégia interdisciplinar. Tal definição, aparentemente simplória, é profundamente reveladora do caráter moderno e dinâmico dessa prática. Ao escolher o termo “estratégia”, Carvalhal altera o foco de um conteúdo fixo para um método flexível e adaptável, de acordo com cada demanda recebida. O não restringir-se ao cânone pré-estabelecido. A literatura comparada, assim, não é um inventário de obras, mas vertente da literatura que envolve uma postura crítica ativa, ao invés de apenas se atentar a mera classificação de títulos. O principal pilar dessa estratégia e a justificativa de seu uso, é a sua natureza interdisciplinar, com um diálogo profundo e construtivo, um aglomerado de diversos significados de estudos distintos, sejam eles filosóficos, artísticos, históricos, etc. A transgressão aqui se mostra constante, de modo que transiciona entre os limites da geopolítica e do saber, seja de qualquer esfera social.

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  7. Tania Carvalhal explica a evolução da Literatura Comparada: no século XIX, ela era entendida como um ramo da historiografia literária; já no século XX, expandiu-se para abranger relações entre a literatura e outras áreas das ciências humanas, como a música e as artes. A autora exemplifica essa perspectiva ao analisar a obra de Machado de Assis, “Um Homem Célebre”, relacionando-a com a música. Assim, o crítico comparatista passa a necessitar de domínio em diferentes campos do saber para poder analisar e comparar obras de forma mais ampla e profunda. Por isso, a autora defende a Literatura Comparada como uma estratégia interdisciplinar, capaz de articular diferentes campos do conhecimento e promover novos modos de leitura e interpretação. Em resumo, a interdisciplinaridade na Literatura Comparada ultrapassa os limites da própria literatura, tornando-se uma mediadora entre ela e outras áreas do saber, configurando-se como um sistema integrado e autônomo que atua como um modo de reflexão teórica.

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  8. Quando surgiu, a Literatura Comparada era vista apenas como um ramo da história literária, preocupada em estudar influências entre literaturas de diferentes países. Com o tempo, porém, ampliou seu papel: passou a buscar a união entre nações e a promover um diálogo cosmopolita por meio das obras literárias. Essa expansão fez com que o comparativismo deixasse de se limitar ao estudo de textos literários e começasse a relacionar a literatura com outras formas de expressão, como a música, a pintura e o cinema e, mais adiante, com áreas como filosofia, ciências sociais e religião. Assim, a Literatura Comparada assumiu um caráter intermediário e interdisciplinar, capaz de pôr em diálogo distintas formas de expressão e diferentes saberes humanos. Essa abertura metodológica permitiu interpretações mais completas e profundas dos fenômenos estéticos, como mostra o exemplo das análises sobre a relação entre a obra de Machado de Assis e a música. Por isso, Tânia Carvalhal considera a Literatura Comparada uma estratégia interdisciplinar, pois ela conecta e confronta diversas manifestações humanas para ampliar a compreensão da arte e da cultura.

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  9. De acordo com a autora Tânia, a literatura comparada é uma “estratégia interdisciplinar” devido a sua própria evolução histórica.

    Tania argumenta que durante a fase inicial, se tinham mais restrições e foco na comparação entre textos de diferentes literaturas, de forma a buscar uma certa influência. A partir do momento que o seu campo de atuação expandiu, a literatura comparada se tornou um método que permite colocar a literatura em diálogo com outros campos do saber, a tornando mais dinâmica e moderna. Assim como permitiu uma postura ativa, em relação aos antigos hábitos.

    Portanto, ao dizer que a literatura comparada é interdisciplinar fazemos tal afirmação por conta de sua prática atual consistir em por em relações diferentes, textos de diferentes áreas, de forma a se utilizar a literatura como ponto de partida ou de chegada. Com isso, a literatura se permite ser interdisciplinar, mediadora e permite a criação do saber a partir de diferentes diálogos promovendo novos modos de leitura e interpretação.

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  10. Após o surgimento dos estudos de literatura comparada, ela passa por uma ampliação que ocasiona mudanças metodológicas na disciplina, fazendo com que se torne uma forma de relacionar diferentes campos da ciências humanas. Anteriormente a Literatura comparada cuidava apenas de questões com uma relação clara e explícita ao campo restrito de comparação. A ampliação se inicia ao ser estendida para o campo artístico e posteriormente passa a alcançar diferentes lugares das Ciências Humanas e possibilitando a utilização de diferentes métodos que não eram abordados. Desta forma o ato de comparar deixa de ser apenas uma forma de encontrar pontos em comum e divergentes entre as obras analisadas, mas passa a estabelecer novas relações que muitas vezes fogem do esperado, considerando a obra analisada. Esse aspecto interdisciplinar se dá justamente pelo leque infinito de possibilidades quando se trata do ponto de vista com o qual se que olhar para determinada obra.

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  11. No momento em que surgiu, a Literatura Comparada veio como um estudo para comparações de textos literários diferentes ou textos literários com teóricos, e ainda poderiam ser do mesmo país ou de países diferentes, procurando novas influências ou relacionar alguns tópicos em comum. Com o passar do tempo, esse campo da Literatura ganhou mais e mais estudos e acompanhando o mundo moderno se tornou interdiciplinar. Esse campo de estudo começou a olhar para músicas, pinturas, filosofias e etc, assim criando uma amplitude e muito mais diálogo entre outras diciplinas.

    Tania apresenta a Literatura Comparada como um instrumento, sendo possível entender a sensibilidades das pessoas e de alma humana, que é permitido cada vez mais criar conexões com qualquer expressão humana – já que a Literatura é feita inteiramente por pessoas e o que elas tem de bagagem humanitária. Um dos exemplos é a obra de Machado de Assis com a música e traz como exemplo o conto “Um Homem Célebre” em que dois movimentos musicais são determinantes para o protagonista e como cada um deles apresenta uma parte da história desse homem. Sem a música não seria possível compreender um conto que, no primeiro momento, parece simples para o leitor e é a nova Literatura Comparada – apresentada por Tânia – que nos faz ter todas essas visões novas de obras já consagradas e produzidas.

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  12. A Literatura Comparada, na visão de Tania Franco Carvalhal, transcendeu sua concepção original, que a restringia à relação entre literaturas nacionais, para se consolidar como uma estratégia interdisciplinar. Para a autora, a comparação é um instrumento de trabalho, e não um fim em si, que permite à disciplina atuar como mediadora, explorando os nexos e as relações entre diferentes sistemas de signos. Sua função não é mais apenas “internacionalista”, mas sim de colocar em diálogo a literatura com outros campos da expressão humana e das Ciências, como a História, a Filosofia e, de forma eloquente, a Música. É nesse âmbito das relações inter-semióticas que a LC se torna particularmente fecunda. Ao analisar a obra de Machado de Assis, por exemplo, a articulação entre texto e música – como no uso que Machado faz da música no conto “Um Homem Célebre” – revela que essa expressão artística não é um mero adorno, mas sim um elemento fundamental para a criação, funcionando como um sistema de signos que evoca experiências individuais e coletivas. Assim, a Literatura Comparada se afirma como um campo que amplia os horizontes estéticos e leva o leitor a uma compreensão mais profunda, vendo a obra de arte como parte integrante de um contexto cultural mais vasto.

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  13. De acordo com Tânia Carvalhal, a literatura mostra-se como uma estratégia interdisciplinar devido à sua evolução histórica e à sua significativa pluralidade ao decorrer da história.

    Em seu texto, a autora disserte que, ao longo do tempo, a literatura comparada deixa de ser apenas um ramo da intelectualidade e da influência, e passa a abranger outros papéis. Isso deve-se ao fato de que, a partir do século XX, o “plano” literário passa a atingir diversas outras áreas do conhecimento: como, por exemplo, a história, a filosofia, a sociologia e as artes.

    Para a autora, compreender a literatura exige uma visão que vai além do texto. Por isso, a literatura comparada torna-se, assim, uma ferramente que valoriza a interação e os saberes de diversas áreas, ampliando seus objetivos e objetos de estudos.

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