A partir da leitura de Antonio Candido, responda as perguntas a seguir:

1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas de sua geração?

2. Como Candido diferencia poemas como “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer?”

3. Explique a associação vista por Candido entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo.

4. Explique a influência de Byron na produção de Azevedo.

5. O que Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo?

6 comentários sobre “A partir da leitura de Antonio Candido, responda as perguntas a seguir:

  1. 1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas se sua geração?

    Candido retrata álvares de azevedo como um poeta que usa dos dois tons (ariel e caliban) de modo muito mais intenso e muitas vezes contraditório, com obras profundamente melancólicas e com amor super idealizado e outros com versos satíricos e em tom de deboche desse sentimento ultra romântico. Para Candido, é essa dualidade que distingue Álvares de Azevedo dos demais escritores de sua geração

    2. Como Candido diferencia poemas como “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer?”

    Candido diferencia esses dois poemas através dos tons que alvares de azevedo usa em cada um. Enquanto “Lembrança de morrer” propõe uma reflexão sobre a morte, sendo melancólico e idealizado, “é ele, é ela!” tem um tom mais irônico que debocha do amor exagerado. Assim essa diferenciação traz a ideia de Caliban e Ariel explicadas na questão anterior, com uma obra mais melancólica e a outra mais satirica

    3. Explique a associação vista por Candido entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo.

    Para Candido, nas obras de Álvares de Azevedo o amor está ligado diretamente ao sonho, já que através dele o eu-lírico se encontra com seu amado em um lugar totalmente idealizado e perfeito. Além disso, o sono funciona como um canal que leva o personagem a esse espaço de fuga da realidade, um ambiente protegido e utópico.

    4. Explique a influência de Byron na produção de Azevedo.

    Candido afirma a influência de Byron em Álvares de Azevedo, principalmente no eu-lírico. Ele aborda temas como melancolia, tédio, amor exagerado, entre outros, além de criar personagens com sentimentalismo intenso, características marcantes de Byron. Álvares adapta esse estilo ao contexto brasileiro, incorporando o romantismo ultrarromântico em suas obras

    5. O que Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo?

    Para Candido, essa plenitude ocorre na obra Lira dos Vinte Anos, quando sentimentos como melancolia, amor idealizado, tédio e até ironia se expressam de forma mais poética e intensa. É o momento em que Álvares consegue unir emoção e grande técnica literária, tornando sua obra poética mais potente e marcante.

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  2. 1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas se sua geração?

    Álvares de Azevedo produziu uma literatura “adolescente”, assim como os outros poetas românticos de sua geração, no entanto o que difere ele dos demais é sua atenuante busca pelo espírito romântico, seu individualismo dramático, sua diversidade de espírito e seu sincretismo tenuemente coberto pelo véu da norma social.

    2. Como Candido diferencia poemas como “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer?”

    Candido diferencia os poemas por meio da figura feminina presente neles. A figura feminina de “É ela!” é uma figura servil de baixa casta, merecedora do ridículo, alcançável, porém não desejável ao eu lírico, enquanto em “Lembrança de morrer” a figura feminina é virgem, santa, inalcançável e merecedora de diversos adjetivos.

    3. Explique a associação vista por Candido entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo. Candido associa amor, sono e sonho de maneira que se cria um contraste entre seus sentimentos: “da passagem do consciente ao inconsciente, do definido ao indefinido, do concreto ao abstrato, do sólido ao vaporoso”. Esse contraste no cenário revela uma manifestação do sentimento romântico trevoso: o vapor como elemento de esfumar o interior e o exterior, a palidez como passagem dos estados emotivos, a devoção extrema pela noite e a presença da donzela adormecida. Todos esses elementos trevosos criam o meio psicológico do eu lírico para trazer sua concepção de vida e de amor.

    4. Explique a influência de Byron na produção de Azevedo.

    Azevedo traz influências de Byron: no tom coloquial, nas insinuantes digressões do modelo, na sua maestria no jogo de contrastes, na incoerência palavrosa e sem nexo, nos condes e cavaleiros grotescos, nas suas mulheres fatais, e tudo isso num tom de adolescente escandecido. O personagem Macário é a representação do Álvares de Azevedo byroniano. Macário é ateu, desregrado, irreverente, universal, diferente do movimento nacionalista que existia no Brasil.

    5. O que Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo?

    Candido percebe que a plenitude presente nas obras de Azevedo está na descrição poética da vida diária, de forma que o mundo externo reflete e ao mesmo tempo estimula o sonho interior do eu lírico. O espaço físico, nesse contexto, é de suma importância para a criação desses sentidos, uma vez que o autor se torna parte das imagens e situações.

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    1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas de sua geração?

    Segundo Candido e embora considere Álvares de Azevedo inferior a outros poetas de sua geração, como Gonçalves Dias e Castro Alves, ele reconhece como a figura mais representativa do ultra-romantismo brasileiro. Sendo uma personalidade contraditória, o que se reflete em suas obras marcando-as pelo contraste estático e homogêneo.
    Álvares foi o primeiro poeta brasileiro a dar categoria estética ao prosaísmo do cotidiano, incorporando temas banais ou íntimos com lirismo e profundidade, algo ainda incomum em sua época. Além disso, como aponta Candido, ele não apenas expressa os valores românticos, mas também os questiona e ironiza, o que confere à sua obra uma complexidade autocrítica rara entre seus contemporâneos.
    Para ilustrar essa ambiguidade, Antonio Candido faz referência à ideia de uma “binomia Ariel e Caliban”; “Nos lábios onde suspira a monodia amorosa, vem a sátira que morde.” Ou seja, o mesmo poeta que se entrega ao lirismo melancólico também é capaz de satirizar e morder esse mesmo sentimento.
    Em suma, Antonio Candido diferencia Álvares de Azevedo por sua capacidade de incorporar e ao mesmo tempo criticar o espírito romântico, construindo uma obra ambígua, densa e inovadora dentro da tradição da literatura brasileira.

    1. Como Candido diferencia poemas como “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer?”

    Candido traz a dualidade na lira de Alvares de Azevedo: satírica e sentimentalismo, uma complementa a outra o que ele chamará de “são as duas referidas faces da meladalha”. “Lembrança de morrer” pende para o trágico (sentimentalismo). Já “É ela, é ela!” pende para o “jocoso” (satírica).
    O poema “Lembrança de morrer” representa o lado trágico e melancólico da lírica azevediana. Nele, o eu lírico manifesta um desejo de morrer jovem, antes de conhecer os sofrimentos da vida adulta, revelando um forte apelo sentimental e introspectivo.
    Por outro lado, o poema “É ela, é ela!” reflete o tom jocoso e satírico. Neste, Álvares de Azevedo parodia o amor idealizado e exagera situações românticas de forma cômica, zombando do próprio lirismo.

    1. Explique a associação vista por Candido entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo.

    Antonio Candido observa que, na poesia de Álvares de Azevedo, há uma forte conexão simbólica entre amor, sono e sonho, tecendo uma rede de sentidos que revela a angústia carnal e existencial do eu lírico.
    Segundo ele, Álvares representa o que chama de “símbolo do bárbaro e desesperado que a angústia carnal encontrou no romantismo” — ou seja, uma figura atormentada pelo desejo amoroso e pela consciência da finitude. Esse sofrimento se expressa poeticamente por meio de imagens ligadas ao dormir e ao sonhar, que funcionam como metáforas para o desejo de fuga, a morte simbólica e a idealização amorosa.
    O ato de dormir assume, assim, uma função ambígua: por um lado, representa a evasão da realidade e o refúgio nos sonhos; por outro, antecipa a morte, sendo quase sempre associado à melancolia, ao desespero amoroso e, em certos momentos, à profanação da morte -“Era uma defunta! Preguei-lhe mil beijos nos lábios…” (Noite na Taverna). Aqui, o erotismo se mistura com o macabro, e o amor romântico assume contornos doentios e transgressivos. Além disso, Candido observa que a noite e os elementos noturnos funcionam como paisagens psicológicas do eu lírico: escuridão, sombras, turvação e profundidade simbolizam os conflitos internos do poeta, especialmente os ligados ao amor, à morte e ao desejo impossível. O sonho, por sua vez, aparece como espaço onde o ideal amoroso se projeta, mas também onde o pesadelo da realidade se infiltra.

    1. Explique a influência de Byron na produção de Álvares de Azevedo, segundo Antonio Candido.

    Segundo Candido a influência de Byron é avassaladora, todavia, fraca e artificial. Byronismo influência em dois níveis: o moral e o literário.
    No moral, Byron é para Azevedo um modelo de rebeldia, ceticismo…
    Já no literário, a influência se manifesta no tom cômico e satírico, que perpassa muitos de seus poemas e textos em prosa. Assim como Byron, Álvares de Azevedo mistura lirismo elevado com humor grotesco, sarcasmo e paródia.
    O artificialismo de adolescente de Azevedo trouxe com maestria o tom coloquial, portanto, facilitou a aproximação do modelo poético de Byron. E isso fez sua obra receber uma critica de um americano “é tão má, mas tão má, que quase chega a se boa”.
    Antônio Candido articula a influência byroniana na vida e na obra de Álvares de Azevedo a partir da metáfora da “binômia” entre dois personagens:
    Macário representa o Álvares byroniano — irreverente, ateu, libertino e universalista;
    Já Penseroso representa o Álvares sentimental — crente, introspectivo, estudioso e nacionalista.
    Essa duplicidade reflete mais uma vez a ambiguidade fundamental do poeta, que oscilava entre o impulso transgressor e o apego ao ideal romântico. Assim, a influência de Byron é menos importante pelo que trouxe de conteúdo, e mais por ter acentuado o contraste que define a própria identidade literária de Álvares de Azevedo.

    1. O que Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo?

    Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo sublinhando a obra lírica chamando-a em dois momentos de “Macário” afetação e “Penseroso” Lamúrias. No primeiro caso “spleen e charutos” formam um conjunto excepcional em nossa literatura: alegria saudável, graciosa, e dosagem certa de humo. “lembrança de morrer” é a forma cristalizada no quodiano no ultrarromantismo de Azevedo “Ali mistura-se o charuto havano
    Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo…”.
    Já a segunda parte “Macário” salienta: o desejo e a timidez se equilibram; o devaneio abre asas com naturalidade; a natureza aparece como interpenetração do sentimento e da paisagem, representada com subjetivismo e rara beleza. “No mar” é um exemplo:
    “Arvoredos do vale! derramai-me
    sobre o corpo estendido na indolência
    o tépido frescor e o doce aroma!…”
    Candido considera que a manifestação da personalidade adolescente de Azevedo, fez com que permanecesse, formando uma maço de esboços, fragmento, erros e acertos;
    próprios de sua juventude interrompida. No entanto, vê justamente nessa expressão da adolescência, com toda sua afetação, espontaneidade, ironia e lirismo: uma autenticidade poética marcante, que confere à Lira dos Vinte Anos seu lugar único na literatura brasileira.

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    1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas de sua geração?

    Segundo Cândido, Álvares de Azevedo é um poeta que não se pode apreciar moderadamente, ou você o ama ou você o repele. Embora Cândido o considere inferior a outros poetas de sua geração, como, Castro Alves e Gonçalves Dias, ele se destaca com sua literatura adolescente. O que difere ele de outros poetas é seu individualismo dramático, sua escrita muito intensa, o emprego da discordância e do contraste.

    • Como Candido diferencia poemas como “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer?”

    Candido destaca que “É ela, é ela!” é um poema “jocoso”, com humor, cômico, onde a mulher, por ser de classe servil, é uma mulher que se possa possuir, uma vez que não é pura. Enquanto isso, “Lembrança de morrer” é um poema mais sentimental, tratando do sofrimento amoroso e da morte.

    • Explique a associação vista por Candido entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo.

    A associação entre amor, sono e sonho presente na obra de Azevedo funciona como uma ligação para o poeta escapar da realidade concreta, o amor idealizado muitas vezes não acontece no mundo consciente, mas no sonho sim, no inconsciente. O sono se torna uma passagem da realidade para a imaginação, do consciente para o inconsciente, pois no sonho, é possível realizar os desejos amorosos.

    • Explique a influência de Byron na produção de Azevedo.

    Segundo Candido, a influência de Byron é avassaladora em Álvares de Azevedo, percebe-se pela tendência à digressão, a escrita sarcástica, a obsessão pela morte, a maestria no jogo de contrastes, a presença dos seus condes e cavaleiros grotescos e suas mulheres fatais. Candido ainda traz a ideia que o Macário da peça teatral de Azevedo, é o próprio Álvares de Azevedo byroniano (ateu, desregrado, irreverente).

    • O que Candido percebe como a plenitude da poesia adolescente de Azevedo?

    A plenitude na poesia de Azevedo, seria o momento de maturidade do adolescente, com uma descrição poética da vida diária, num ritmo mais lento e “natural”.

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  3. 1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas de sua geração?

    Álvares de Azevedo se difere dos outros poetas porque ele não levava a sério os sentimentos exagerados do romantismo. Enquanto os outros falavam de morte, amor impossível e sofrimento com muita vontade, Azevedo fazia isso de forma irônica ou brincando. Ele parecia encenar o sofrimento, como se estivesse em um teatro.

    2. Como Candido diferencia os poemas “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer”?

    Em “É ela, é ela!”, o tom é mais leve e idealizado. É o amor visto como algo mágico, cheio de fantasia.

    Já em “Lembrança de morrer”, o tom é bem mais triste e profundo, falando da morte e da solidão.

    Candido percebe como Azevedo consegue ser sonhador e sombrio, o que mostra o valor da sua poesia.

    3. Qual a ligação entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo, segundo Candido?

    Para Candido, Azevedo junta esses três temas porque todos representam uma fuga do real. O amor, em seus poemas, quase nunca é verdadeiro. É um amor imaginado, que só existe nos sonhos. O sono e o sonho aparecem como fugas, como se fossem uma segunda realidade aberta a coisas que seriam incomuns.

    4. Como Byron influenciou Álvares de Azevedo?

    Álvares “roubou” alguns tipos de escrita de Byron, como o estilo melancólico, o sentimento de tédio, a figura do herói solitário e até o seu humor meio sombrio.

    Mesmo com essas inspirações, Álvares adaptava esse estilo para o seu jeito, dando um tom mais jovial e brasileiro.

    5. O que é a “plenitude da poesia adolescente” em Azevedo, segundo Candido?

    Candido diz que Azevedo representa bem o que é ser um jovem romântico. Ele consegue mostrar os sentimentos confusos da adolescência, o medo da morte, o desejo de fugir da realidade, mas, de uma forma bonita e sincera, e também crítica.

    A poesia de Azevedo mostra o jeito exagerado dos adolescentes sentirem o mundo, mas também reflete sobre isso, “Eu sei que estou exagerando, mas é assim que me sinto”.

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  4. 1. Qual a diferença entre Álvares de Azevedo e os poetas de sua geração?

    A principal diferença, e virtude dele como poeta é sua jovialidade. Azevedo não se levava a serio, assim como não levava o romantismo completamente a serio. Isso podemos ver bem em “lagartixa”.

    2. Como Candido diferencia os poemas “É ela, é ela!” e “Lembrança de morrer”?

    Como exemplo da elasticidade estética de Azevedo. Ele podendo ser tanto melancólico, triste e fatalista, quanto romântico e idealista.

    3. Qual a ligação entre amor, sono e sonho na obra de Azevedo, segundo Candido?

    Eles são basicamente a mesma coisa: fuga da realidade. Azevedo busca no amor, no sonho e no sono, o mesmo: um outro mundo, sua própria “terra das fadas”. Pasargada de sua poesia, ou a esquecida era de ouro de Cronos.

    4. Como Byron influenciou Álvares de Azevedo?

    Azevedo o absorveu como modelo de expressão da sua melancolia. No estilo melancólico, no sentimento de tedio de Byron, Azevedo se viu, e se apropriou disso. Para a criação de uma melancolia própria, tedio próprio, além de jovial e brasileiro.

    5. O que é a “plenitude da poesia adolescente” em Azevedo, segundo Candido?

    É a plenitude da expressão da confusão interna adolescente, a rigor do melhor da poesia de seu tempo.

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