Teoria Literária – Aula 4

A partir da leitura dos capítulos 5 e 6 do livro Teoria Literária: uma introdução, de Jonathan Culler, produza dois textos. No primeiro, você deve explicar o conteúdo do Cap. 5 Retórica, poética e poesia, utilizando exemplos dos textos poéticos lidos na Aula 1. No segundo, a explicação será do Cap. 6 Narrativa, desta vez, você deverá utilizar como exemplos os contos lidos na Aula 1. Ao terminar seus textos, poste-os como comentário a esta publicação.

19 comentários sobre “Teoria Literária – Aula 4

  1. CARLOS ESTITES JULIANO

    Jonathan descreve a poética como “a tentativa de explicar os efeitos literários através da descrição das convenções e operações de leitura que os tornam possíveis”. Quais são essas convenções e operações de leitura? E em que sentido são elas exclusivamente poéticas, quando se tem um texto como este, de Paulo Leminski?

    Uma vida é curta

    para mais de um sonho

    Que linha separa esta poesia de uma propaganda?

    O autor do texto teórico continua, dizendo que essa ferramenta é a figura de linguagem, parte essencial da língua. Ela não é um privilégio dos poetas; ou melhor, todo homem é, de alguma forma, um poeta, sendo alguns apenas mais conscientes disto que outros. Esta, a seguir, não é a reflexão feita por teu tio no café da tarde de um domingo de primavera?

    Domingo

    Canto dos passarinhos

    Doce que dá para pôr no café

    E, em relação ao que Culler propõe a seguir:

    o soneto a crônica o acróstico

    o medo do esquecimento

    o vício de achar tudo ótimo

    e esses dias

    longos dias feito anos

    sim pratico todos

    os gêneros provincianos

    Continuando no texto, vemos que a lírica, já apresentada, é trabalho associativo e imaginativo com a linguagem. Como aquela oração “Pai nosso que está nos céus”. Sou levado a pensar ser este um bom exemplo, pois ilustra bem o que Jonathan diz em seguida. Esta é uma poesia, um pedaço de texto que exige ampla atividade do leitor. Aqui, o papel do falante, do leitor, é essencial. Uma oração, como um poema, não é uma oração se não elocução; ou seja, um poema não é exatamente aquilo escrito no papel, mas sim um diálogo autor-leitor, algo mais complexo; um mero signo da elocução pessoal, sempre tendendo ao seu exagero; sendo, via de regra, divulgada apenas tanto a ação quanto a palavra extraordinária, dentro e fora de literatura.

    Seguindo para a conclusão, é interessante parafrasear o autor diretamente:

    “O poema é uma estrutura de significantes que absorve e reconstitui os significados, na medida em que seus padrões formais têm efeitos sobre suas estruturas semânticas, assimilando os sentidos que as palavras têm em outros contextos e sujeitando-as a nova organização, alterando a ênfase e o foco, deslocando sentidos literais para sentidos figurados, colocando termos em alinhamento, de acordo com padrões de paralelismo”

    E, então, um poema último de Leminski:

    milagre de inverno

     agora é ouro

     a água das laranjas

    Façamos, então, a mesma análise feita por Culler aqui, com Leminski, considerando este pequeno haicai como uma unidade estética.

    Leminski fala sobre a água ácida e açucarada da laranja? Evidentemente, mas a parte “ácida” e “açucarada” foi adicionada por mim mesmo. Esta parte é essencial para entender a outra, esta sim posta pelo poeta, a parte “é ouro”, bem como sua relação com a parte “milagre de inverno”.

    É provável que a laranja chupada por Paulo não continha ouro. Isto é, como dito por Culler, aquela “estrutura de significantes que absorve e reconstitui os significados. Ouro, aqui, dada a ênfase e o foco, esses efeitos estéticos da poesia de Leminski, é algo completamente diferente de seu significado. Isto também é um diálogo de intertextualidade. Nesta relação, a outra parte deve saber qual é a época das laranjas, e deve ter uma noção básica de frutas para entender que sua carne e líquidos são, sim, ouro. Sem ter lido antes algum haicai, também haveria um fator de estranhamento. Aquele que conhece Basho o vê aqui. O fanstasma de Basho é tão agente, assim, nesta relação, quanto o poeta e o leitor. Todas as experiências de todos entram em congruência para formar um efeito estético que nunca mais se repetirá, uma “sondagem na poética, como diz Culler.

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  2. Gustavo Silva

    Em Iluminações, Rimbaud inverte a tradição poética ao converter a linguagem em um campo de experimentação sensorial e simbólica, onde o significado é criado por meio de imagens despedaçadas e conexões surpreendentes. Essa perspectiva está em consonância com o capítulo 5 de Jonathan Culler, que concebe a retórica como o emprego figurativo e ambíguo da linguagem, a poética como a análise de seus efeitos e a poesia como a intensificação formal do discurso. Dessa forma, Rimbaud ilustra a teoria de Culler ao transformar a poesia não só em um meio de significado, mas também em um evento estético que demonstra o funcionamento da linguagem.

    “Numa distância enorme acima da minha sala subterrânea, as casas se implantam, as brumas se reúnem. A lama é vermelha ou negra. Cidade monstruosa, noite sem fim!”

    A obra Iluminações de Rimbaud demonstra como a linguagem pode funcionar além da comunicação direta, estabelecendo um jogo de imagens e metáforas que amplia os significados. Essa dinâmica está alinhada com o que Jonathan Culler aborda no capítulo 6 de Teoria Literária, ao afirmar que a retórica revela a tendência da linguagem para o desvio e a ambiguidade. No texto poético de Rimbaud, há um espaço de experimentação em que o literal é constantemente subvertido e o leitor é convidado a criar suas próprias interpretações. Assim, a obra de Rimbaud concretiza a ideia de Culler, demonstrando que a poesia é um espaço privilegiado para evidenciar a instabilidade e o potencial inventivo da linguagem.

    “A retórica estuda os recursos para os atos linguísticos de todos os tipos. A teoria literária tem se preocupado muito com a retórica e os teóricos discutem a natureza e a função das figuras retóricas. Uma figura retórica é geralmente definida como uma alteração ou desvio do uso comum.”

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  3. Natacha Isabella de Souza Carvalho

    Retórica, poética e poesia.

    Culler inicia este capítulo expondo as associações entre a retórica e a poética e, para isso, utiliza-se de bases filosóficas para mostrar previamente as distinções e semelhanças entre os dois conhecimentos. Neste momento, o autor destrincha o pensamento de Platão e Aristóteles, no qual Platão considerava a poesia uma retórica enganosa, que desencaminha os cidadãos, e Aristóteles, por sua vez, separava essas duas vertentes, reconhecendo a retórica como arte da persuasão e a poética como arte da imitação. Entretanto, por que há uma discussão acerca dessa relação? 

      A poética se assemelha à retórica quanto ao uso da linguagem: uso de sentidos figurados — figuras de linguagem, como metáfora, personificação, irônia, metonímia — e das escolhas de palavras que visam a persuasão, mas a poética, diferentemente, é um campo em que as emoções podem se liberar com intensidade. Culler considera que a poética pode ser vista como uma parte de uma retórica expandida. Um exemplo de uso figurado realizado na poética está no “poema de sete faces” de Carlos Drummond de Andrade: 

    Quando nasci, um anjo torto (metáfora) desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida (1° e.). 

    As casas espiam (personificação) os homens que correm atrás de mulheres (2° e.). 

    O bonde passa cheio de pernas (sinédoque): pernas brancas pretas amarelas/Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração (personificação). /Porém meus olhos não perguntam nada (personificação) (3° e.). 

    Eu não devia te dizer/ mas essa lua/ mas esse conhaque/ botam a gente comovido como o diabo (comparação) (7° e.). 

    Nesses trechos, verifica-se grande quantidade de figuras de linguagem que intensificam as frases em que aparecem. A metáfora nos conduz a compreender um destino difícil, com muitos desafios, para o autor que narra o poema. As personificações que se despontam nas demais frases, além de dar vida aos objetos “inanimados”, reforça as ideias que se seguem nas orações. Ademais, tanto a sinédoque quanto a comparação também seguem o objetivo de intensificar o que o autor pensa e sente, fazendo com que o leitor entre em suas ideias e pense o mesmo que ele naquele momento. 

    Entre o final do século XVII e XX, a lírica tornou-se a essência da literatura, com expressões intensas sobre os sentimentos. A teoria literária, segundo Culler, irá demonstrar a importância dessa lírica, desses poemas, a partir de duas perspectivas: sua estrutura e evento. A estrutura se caracteriza pela construção verbal, sendo a relação do sentido do texto com os traços não semânticos da linguagem (som, ritmo, etc). O evento aparece como um ato do poeta (de escrever) e a voz que fala no texto (o eu poético). Nesse sentido, os poemas líricos são imitações ficcionais ou elocução pessoal, pensando no evento. Iremos utilizar de mais um exemplo de Carlos Drummond de Andrade, o poema “José”: 

    E agora, José? / A festa acabou, / a luz apagou, / o povo sumiu, / a noite esfriou, / e agora, José?  / e agora, você? / você que é sem nome, / que zomba dos outros, / você que faz versos, / que ama, / protesta? / e agora, José? (1° e.) 

     Se você gritasse, / se você gemesse, / se você tocasse a valsa vienense, /se você dormisse, /se você cansasse, /se você morresse… / Mas você não morre, / você é duro, José! (5° e.) 

      O poema, do começo ao fim, é recheado de perguntas retóricas, que visam representar tamanha angústia sentida pela voz poética: “e agora, José?” aparece quase como um pedido de ajuda pela grande tristeza, fortalecendo, mais uma vez, os sentimentos, intensificando-os tal qual a figura de linguagem também o faz. Em ambas as estrofes, há um ritmo reforçando o que o eu lírico nos conta, o que ocorre através da repetição de “e agora, José?” e, também, da finalização das frases, funcionando como uma espécie de rima em “acabou, apagou, sumiu, esfriou” e “gritasse, gemesse, vienense, dormisse, cansasse, morresse”. 

    Nesse contexto, Northrop Frye chamará os elementos básicos da poesia lírica de tartamudeios e garatuja. Os tartamudeios focalizam os traços não semânticos da linguagem para a produção do encantamento, enquanto as garatujas nos propõem enigmas, nos quais o seu prazer está na estranheza da linguagem e no ritmo. 

    Portanto, tudo o que aborda os elementos retóricos que contextualizam muitos dos textos poéticos (a linguagem e os sentidos figurados) servem como fonte de intensificação do que o eu lírico retrata, seja os seus sentimentos e pensamentos ou algo que ele está observando. Os elementos da poesia complementam essa fonte, pois conseguem fazer com que o leitor se relacione com o texto de forma direta, como se ele próprio fosse a voz do poema.  

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  4. No capítulo 5  do livro Teoria Literária: uma introdução, de Jonathan Culler, o autor mostra que o poema não é apenas uma “coisa bonita” mas sim uma combinação de alguns recursos retóricos (figuras de linguagem, gênero e efeitos sonoros e rítmicos que produzem impacto no leitor.). 

    Usando o poema “Oceano” de Waly Salomão como exemplo, podemos analisar a presença de metáforas que transformam o oceano em algo que vai além de um espaço físico, Salomão usa, no poema, a metáfora como uma forma de pensar o mundo. Além disso, o poema dialoga com tradições poéticas anteriores (intertextualidade), retomando a ideia do mar como metáfora da vida.

    Ou seja, “Oceano” relacionado ao capítulo 5, entendemos que a poesia de Waly Salomão não é uma simples expressão pessoal, ela está dentro de um sistema de convenções (metáfora, ritmo, gênero lírico, intertextualidade) que transforma o texto. 

    No capítulo 6, Culler trata a narrativa, diferenciando enredo (o que acontece) e discurso (como é contado). Ele destaca também a importância de quem vê, quem fala e as funções da narrativa em cima do leitor. No conto “A causa secreta” de Machado de Assis fica claro o enredo: o conto apresenta a relação entre Garcia, Maria Luísa e Fortunato, destacando o lado cruel e sádico de Fortunato, intensificando cada vez mais a forma de revelação.

    Discurso: Machado não mostra a crueldade de forma direta, ele constrói aos poucos, usando um narrador em terceira pessoa que observa e descreve, mas deixa ambiguidades. O estilo seco intensifica o choque no leitor. Foco: o leitor vê os acontecimentos de fora, quase como cúmplice do narrador, o que cria uma tensão maior nós sabemos, gradualmente, o que Maria Luísa não sabe sobre Fortunato. Isso mostra como a narrativa não é só o que acontece, mas o efeito produzido pela maneira como se conta.

    Sendo assim, os exemplos mostram que, para Culler, tanto a poesia quanto a narrativa não devem ser enxergados como reflexos imediatos da realidade ou da subjetividade do autor, mas como formas literárias estruturadas,repletas de convenções e escolhas que afetam o leitor.

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  5. CARLOS ESTITES JULIANO

    NARRATIVA

    A teoria da narrativa pode ser concebida, segundo Culler, como

    “uma tentativa de explicar detalhadamente, tornar explícita, essa competência narrativa (referindo-se o autor ao impulso humano básico de ouvir e narrar histórias), assim como a lingüística é uma tentativa de tornar explícita a competência lingüística: o que os falantes de uma língua sabem inconscientemente ao saber uma língua.”

    É importante entender esta competência narrativa.

    Em primeiro lugar, lista-se os 3 níveis de uma narrativa: acontecimentos, enredo (ou história) e discurso. É dada a história, e a maneira pela qual a história é apresentada, o discurso. O sopro da vida, a anima, são os acontecimentos. Caso contrário, não haveria movimento. O leitor do texto identifica a história, e, então, o modo de ser daquela história. E ele não a poderia experienciar se ela não estivesse em um estado de vir a existir. Portanto, os acontecimentos.

    Mas como, nestas limitações, se distingue uma narrativa?

    Isto certamente ocorre por variações na narração e focalização. Critérios como o modo de narrar, os poderes que o narrador reserva a si, o foco temporal, espacial, pessoal… Sob estas variações, as narrativas ganham uma abrangência universal. Mas de nada adiantaria tudo isto se a história não tivesse uma função; se ela não fosse útil para algo. E de nada adiantaria qualquer grande utilidade se esta não fosse desejável, consumível.

    As histórias têm, também, a função de nos ensinar sobre o mundo, ao mesmo tempo que nos distraem. Imagina-se que o ser humano, assim que capaz do uso complexo da linguagem, contava histórias para ensinar. Para capturar a atenção, tornava-se a história algo consumível, desejável. Esta é, portanto, a sua essência, sob todas as distinções.

    É claro, pode ela também representar uma ilusão, e distorcer a realidade de uma forma que o meio narrativo se torna antes um instrumento fomentador de ilusão que o contrário, esclarecedor, assim como tende a ocorrer com as palavras. Culler, no final deste capítulo, fala sobre isto habilmente. Temos o conhecimento distinto da narrativa para respondermos a esta pergunta? Esta é uma pergunta muito difícil de ser respondida. Talvez a solução seja, como dito ao final do capítulo, parar de dançar em círculos e contemplar o segredo.

    Tendo isto em mente, analisemos dois textos.

    No conto “o livro da areia”, temos um narrador em primeira pessoa, personagem em sua própria história, que tem foco no tempo passado e cujo objeto é um livro que nunca acaba, o livro da areia.

    O pequeno conto “As cidades e a memória 2”, do livro “Cidades invisíveis”, por sua vez, tem um narrador um tanto quanto impessoal, afastado de sua narrativa, que é um tanto atemporal e tem como foco a descrição de uma cidade específica: Isidora. O resto do livro segue uma estrutura similar.

    Eles têm em comum, é fato, a velha estrutura “Sujeito, verbo, objeto; homem, experiência, cidade (livro). Por que são interessantes? Porque relatam algo que se quer ouvir. Para mim é importante saber do que se trata o livro; para mim é importante saber do que se trata a cidade. E, assim, eu chego ao cerne do enredo, estrategicamente posicionado em uma situação de interesse, uma posição apetecedora aos impulsos do leitor.

    Os acontecimentos fluem naturalmente: a personagem entra em contacto com o livro por meio de um vendedor misterioso; Marco Polo relata habilmente as experiências de suas viagens… E tudo isto é possível graças ao plano de fundo discursivo elaborado previamente pelos autores.

    Isto é possível por um motivo, por um objetivo. É possível também perguntar “que função tem este texto?”

    No caso de Borges, a representação do terror que é a relação do homem com o infinito, talvez. Uma angústia religiosa? Cosmológica?

    E Calvino, com sua cidade que não é cidade? O que tirar do contraste que há entre o observador e o observado em seu livro, que mais fala, normalmente, de quem está na cidade que de sua própria realidade material?

    É dito que a parte é sempre maior que o continente, pois contém em si o universo inteiro. Em cada um destes textos há estes e mais mil significados. E por meio dos diferentes meios de chegar nesta mensagem é que eles se diferenciam e conquistam uma potência que abrange a totalidade. Assim, a narrativa se apresenta como o “segredo”, mencionado por Culler, e no qual estamos imersos.

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  6. Retórica, poética e poesia Culler demonstra no capítulo que a retórica (persuasão) está presente nos textos poéticos, há muito tempo, desde o teatro grego antigo, até o dia de hoje, sempre utilizando figuras de linguagem, afinal uma poesia tem que passar um sentimento, mensagem que apenas a retórica pode proporcionar. Em aulas anteriores trabalhamos um poema sem título de Paulo Leminski e nele está presente uma imitação ficcional de uma ave pulando de galho e outro poema intitulado “ópera fantasma” que apresenta uma metáfora entre uma pessoa que possui nada e um fantasma. Ambos textos trazem vozes poéticas totalmente diferentes, dando cada um sua identidade, enquanto o primeiro poema traz uma personificação humana à uma ave de forma fofa, com um sentimento de liberdade, já o segundo traz uma reflexão que o eu poético vive uma vida deplorável.

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  7. “OCEANO” – Wally Salomão

    Capitulo 5- Retórica, Poética e Poesia

    O texto propõe um ato de fala performativo, um evento que se constrói para o leitor. Em “OCEANO” podemos ver esse ato de várias maneiras, por exemplo a colagem e intertextualidade, a menção de Ray Charles, Gil e Caet Charles anjo 45 é uma apropriação e colagem da cultura popular no meio do horror. Isso cria um choque, mostrando como a vida exterior chega de forma destorcida e irônica no meio da prisão. A repetição nas cenas violentas cria um impacto emocional forte, por exemplo, “O débil mental”, “Os bunda mole”. Culler destaca que o tempo na lírica é do agora da enunciação, começando com uma reflexão sobre a liberdade dos tempos verbais (usar o passado apesar de se referirem ao futuro), o que estabelece um presente ampliado e distorcido. Isso se converge em um “eterno presente de opressão”, típico da experiência lírica.

    “A CAUSA SECRETA” – Machado de Assis

    Capitulo 6- Narrativa

    Culler, discute como a narrativa constrói significado através de sua estrutura, foco e quebra de expectativa. No texto de Machado, ele subverte a expectativa de uma narrativa linear. O autor focaliza a perspectiva de Garcia, mas mantém distância irônica. Isso permite que o leitor acompanhe a descoberta gradual do segredo de Fortunato, que não é um motivo tradicional, mas uma perversão psicológica. A narrativa constrói uma ilusão de generosidade da parte de Fortunato para depois desmontá-la na cena do rato, trazendo uma quebra de expectativa. Culler destaca o foco narrativo (quem vê e quem conta), a narrativa de Machado é contada em terceira pessoa com foco em Garcia, isso permite que o leitor descubra a verdade aos poucos, junto com o personagem. Machado usa a estrutura narrativa para explorar a hipocrisia e a perversidade humana. Ele usa a focalização limitada, quebra de expectativas e ironia para desestabilizar o leitor e questionar noções simplistas de bem ou mal.

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  8. Natália Monteiro Ribeiro

    Capítulo 5 – Retórica, Poética e PoesiaA poética, que é definida como a tentativa de explicar como a literatura funciona através da descrição de operações e técnicas de leitura, está extremamente ligada à retórica, que é o estudo de recursos que a linguagem usa para convencer e emocionar. Por mais que tenham sido afastadas por um tempo, a poética e a retórica voltam a se relacionar no ponto em que a poética faz uso de figuras de linguagem e essas se tornam fortes em termos de persuasão. A poesia utiliza muito da retórica: rimas, repetições, imagens fortes. Assim, mexem com as emoções e os pensamentos prévios do leitor. Logo, a linguagem nunca é literal, sempre há figuras, comparações e efeitos, mesmo que subentendidos.No poema “o velho leon e natália em coyoacán”, e Paulo Leminski, são citados dois cenários: Petrogrado, que é frio, barulhento e apressado, e Coyoacán (o mundo em que os personagens estão juntos), que é ensolarado, calmo e íntimo. O contraste utilizado é um recurso retórico, convence o leitor a sentir a diferença entre a guerra, o caos e a paz e tranquilidade. Assim como a repetição de palavras “aquele dia”, “não vai mais ter”, que dá ritmo a leitura.O foco do poema é intimidade e como ela muda a vida, é uma poesia curta e utiliza de imagens e metáforas para expressar, ou seja, uma poesia lírica, que fala de sentimentos (como é explicado no capítulo). Se diferenciando então da poesia épica, que discorre normalmente narrativas, batalhas, ou dramas feitos para teatros, onde o foco é contar uma história, e não expor o interior emocional do eu lírico.Capítulo 6 – NarrativaCuller aponta que Narrativa não define apenas uma matéria acadêmica, e que ela não existe somente na literatura. Há narrativa em todo lugar, como no cinema, nas novelas, nas notícias, nas fofocas e nos relatos de vida, é uma forma de organizar o mundo. A teoria literária estuda como uma narrativa funciona, e não apenas o que ela conta, portanto, há pontos principais para a narrativa ser formada, sendo tempo (escolha de ordem dos fatos), narrador (em primeira ou terceira pessoa, mas nunca neutro, ele sempre filtra o que observamos), há a diferença entre a história e o discurso (a história conta o que acontece na ordem cronológica, e o discurso é COMO o autor escolhe contar esses fatos, seja com cortes, ênfases, silêncios) e sentido (o leitor busca sempre interpretar, ligar os detalhes a um possível “todo”)Sendo assim, a narrativas não contam só fatos, mas cria sentidos através de escolhas de quem as contam. O conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, conta a trajetória de um médico e um estudante de medicina, amigos até que Garcia (o médico) passa a estranhar o comportamento de Fortunato. Se caracteriza como uma narrativa por contar essa história, com narrador em terceira pessoa que não é neutro – destaca gestos, atitudes e expressões que revelam os personagens; contém a história que pode ser resumida em “um homem cruel que se revela ao final”, mas o discurso de Machado retarda essa reviravolta, criando suspense e revelando coisas não percebidas anteriormente; no tempo há quebras e pausas que aumentam o clima de mistério e o sentido se forma por não ser apenas um caso médico, é uma reflexão sobre a maldade humana sorrateira e escondida por trás das aparências.O conto mostra que as escolhas de elementos da narrativas são de relevância clara para que o texto manipule e conduza a atenção do leitor para que o final seja surpreendente e até incômodo, causando aversão ao personagem como se fosse, de fato, uma pessoa real praticando atitudes grotescas e repulsivas.

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  9. Geovanna Lopes Ribeiro

    Capítulo 5: Retórica, poética e poesia.

    Neste capítulo, Jonathan Culler começa a apresentar as ideias de retórica, poética e poesia. O autor inicia o capítulo discutindo os significados atribuídos a esses termos de acordo com diferentes perspectivas. Culler discute os recursos retóricos, como as figuras de linguagem. As principais figuras de linguagem citadas ao longo do texto são Metáfora e Metonímia, as quais são consideradas, por alguns teóricos, estruturas fundamentais para a linguagem. Como exemplo, podemos observar como Carlos Drummond de Andrade faz uso da metáfora no poema “Não se mate”. Trechos como “você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro” evidenciam o uso dessa figura de linguagem. Para mais, também são citadas as três classes de gênero literário: poética ou lírica, épica ou narrativa e drama. Essas classes surgem para exemplificar os diferentes tipos de narrador que estão presentes nos gêneros. Além disso, o autor aborda os padrões rítmicos e os esquemas de rima presentes dentro dos poemas. Dentro de todo o texto, Culler discute como as vozes presentes nos textos são atingidas pela personificação, ganhando quase uma “vida própria” e assumindo o protagonismo das palavras. Ao final do capítulo, o autor trata do “cerne hipotético da literatura”, que, em poucas palavras, pode ser descrito como as coisas que estão presentes no texto como se tivessem acontecido, mas que, na realidade, não aconteceram – ou foram alteradas na hora da escrita. Um exemplo desse cerne pode ser percebido no poema “Remorso Póstumo”, de Baudelaire. Nesse poema, os leitores podem deduzir que o eu-lírico está falando sobre alguém que já partiu, sobre o remorso. As palavras escolhidas pelo autor, isto é, as palavras usadas pela voz narrativa, fortalecem essa ideia e relacionam-se com ela. Entretanto, Baudelaire não cita com clareza, em nenhum momento, a morte – ele não afirma que alguém, de fato, faleceu. Essa ideia fica subentendida, como se tivesse acontecido, como se fosse um fato, quando, na verdade, pode não passar de uma metáfora, de uma personificação de emoções, de uma ideia fictícia. Assim, com todos os apontamentos e exemplos deste capítulo, Culler responde algumas dúvidas ao mesmo tempo que cria muitas delas.

    Capítulo 6: Narrativa.

    No sexto capítulo do livro “Teoria Literária”, Jonathan Culler apresenta a ideia de narrativa. No começo do texto, o autor aborda a “estrutura canônica” das narrativas: situação inicial, mudança/virada e resolução. Ainda nessa temática, Culler discute os ângulos pelos quais o enredo de uma história pode ser visto. Após isso, o autor afirma que “o próprio enredo já é uma configuração de acontecimentos” e explica: “um enredo pode tornar um casamento o final feliz da história ou o começo de uma história – ou pode fazer dele uma reviravolta no meio.”. Partindo dessa ideia, podemos observar o conto “Dentista”, de Roberto Bolaño, em que a morte de uma índia dá início à história; o enredo gira em torno disso. Ou seja, os fatos narrados partem desse ocorrido. Ao longo do texto, Culler também aborda outras questões, como os focos narrativos, sendo esses: temporal, distância e velocidade e limitações de conhecimento. O foco temporal pode ser percebido no conto “O Olho Silva”, também de Roberto Bolaño. Nesse conto, o narrador focaliza os acontecimentos tempos depois da época em que ocorreram. A história acontece quase como uma retrospectiva: os fatos são lembrados, os detalhes são trazidos de acordo com o que permaneceu na memória. Portanto, pode-se assumir que o foco da história é temporal. Assim, o capítulo 6 é encerrado com Jonathan Culler fazendo questionamentos sobre o que é, de fato, a narrativa.

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  10. Resumo do capítulo 5

    A poética é definida como uma tentativa de explicar efeitos literários associados à retórica e estudo de recursos persuasivos e expressivo. Aristóteles separou a retórica da poética, tornando a retórica em uma arte da persuasão e poética como arte da imitação, assimilando ambos em uma poesia eloquência e retórica.

    “A música p’ra mim tem seduções de oceano!

    Quantas vezes procuro navegar,Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,

    Minha pálida estrela a demandar!

    ”O peito saliente, os pulmões distendidosComo o rijo velame d’um navio,Intento desvendar os reinos escondidosSob o manto da noite escuro e frio

    Sinto vibrar em mim todas as comoçõesD’um navio que sulca o vasto mar;Chuvas temporais, ciclones, convulsões

    Conseguem a minh’alma acalentar.— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,Que desespero horrivel me exaspera!

    O poema “a música” descrito acima de Charles Baudelaire, mostra uma poesia retórica, assimilando sua letra com metáforas, adicionando um duplo sentido ao texto e fazendo o leitor pensar sobre a mensagem que ele quis passar, que no caso seria como o personagem não consegue ficar no silencio, ele constantemente sente a necessidade de ouvir sons para se sentir em paz

    O texto também implica outras funções dadas aos poemas retóricos e poéticos dadas ao longo do tempo junto com históricos afirmando o qual importante foram a metáfora e metonímia para a linguagem, a metáfora por ligar pela semelhança e metonímia pela contiguidade e referir a coisas com outro nome, por exemplo usando a palavra “coroa” para referir-se à rainha.Teóricos também discutiram sobre a importância da ironia e sinédoque para análise.

    Capítulo 6

    O autor descreve a narrativa como forma de entender o mundo através de descrições e acontecimentos, junto com uma narrativa para que o leitor se imersa.É explicado também que é importante que o leitor consiga analisar a mensagem transmitida pelo autor.

    Também é explicado as diferentes formas de narração, oque ajuda a diferenciar obras de autores.

    Um exemplo de crônica é “o olho” que narra a história de um fotógrafo que vai até a Índia à trabalho. O autor descreve cenas de acontecimentos e sentimentos que o olho sente durante as aventuras dele

    O autor diz que a narrativa possui multiplas funções como crítica social,ensino a alunos que querem aprender mais sobre a estrutura de uma crônica, cultura ou história de diferentes lugares

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  11. No Capítulo 5 de seu livro, Culler define como poesia lírica aquele texto que, narrado por uma voz poética imaginada entre o autor e o leitor, está em primeira pessoa. Ele se vale dos recursos retóricos como os apóstrofes (falar com coisas não reais), metonímia (quando se fala de uma parte para se referir ao todo), metáfora (associação por aproximação), hipérbole (exagero, muitas vezes ritualístico do poema) e prosopopeias (concessão de fala a objetos inanimados). Tudo isso é válido porque a voz irrompe a falar de emoção para um público presumido e até mesmo para os que não podem ouvi-la ou obedecê-la. Em alguns casos, a voz do eu lírico (que pode ou não comungar das mesmas características que a pessoa histórica do poeta) torna-se um ser sublime, pois faz esses processos ritualísticos do poema. 

     No poema de Carlos Drummond, “Não se mate” pode-se ver a ação da voz que imaginamos carregar a atribuições necessárias para se falar o poema, mesmo que ele, imitando a verdade, ainda fuja do comum. Ela fala a Carlos usando da hipótese do que a vida pode ser por meio das metáforas – “Você é a palmeira, o grito que ninguém ouviu no teatro”; sinédoques – “A noite passou em você”; a repetição de palavras – amanhã e amanhã, não se mate e não se mate; e também sons – re”zas”, vitrol”as”. Assim, ele também cria imagens com as características não semânticas do poema. 

       Além disso, a lírica, historicamente, ao invés de narrar algo que ocorreu, pensa em ser o próprio evento, tornando a arte de falar sobre algo tão importante quanto o assunto em si. Pode-se exemplificar isso com o poema “A fonte de Sangue” de Charles Baudelaire, que muito mais do que contar uma história sobre uma fonte que jorra sangue, usa das palavras para pintar uma imagem que traduz o sentimento dessa figuração (metáfora para o coração). 

    Longe da métrica, não tão mais ligada ao som e às rimas, a narrativa se coloca como forma de conhecimento do mundo e das vidas das pessoas. É ela que forma o conhecimento cultural, organizando os acontecimentos em uma ordem dada pelo enredo. O leitor, ao se familiarizar com a narrativa passa a reconhecer qual é a linha coerente de uma história (identificada por Aristóteles com início, meio e fim, embora possa mudar esse modelo clássico na contemporaneidade).  

     O enredo, que é a estrutura onde os acontecimentos se enfileiram é dada por uma situação inicial. No conto “angústia”, a situação inicial é o cocheiro parado com suas carruagem e égua sob a neve. Acontecem mudanças significativas, como exige o enredo, e ele encontra novas pessoas, tenta falar sobre si e é ignorado. Ao final, como resolução, ele se dirige ao animal. Além disso tudo, também existe o discurso e a forma como a história é contada. A história é contada em terceira pessoa, onisciente, e ele escolhe as palavras certas para causar no leitor sensações e empatia pelo personagem principal. Ele narra no momento atual para nos aproximar ainda mais e fazer-nos pena. Nisso, o conto cumpre a função de contar como é o mundo sob uma determinada ótica e criticar as convenções sociais. 

    Entretanto, é possível que o enredo se estruture de outra forma e que a situação inicial esteja no meio da sequência de acontecimentos, fazendo com que parte da narrativa seja contada com o uso de lembranças – usa-se então o tempo passado-, como acontece em “A Causa Secreta” de Machado de Assis.   

    Também pode-se utilizar diferentes tipos de narrador. Em contraponto ao narrador em terceira pessoa de “Angústia”, “O Olho Silva” usa um narrador personagem, que, mesmo contando a história de um colega, não deixa de inferir emoções pessoais e impressões sobre o amigo na história. Muitas vezes, não podemos definir se é possível confiar nele. Da mesma forma, em “A Terceira Margem do Rio”, o narrador em primeira pessoa não pode ser totalmente confiado. 

    Ainda sobre, este último conto, a narrativa faz papel de falar sobre a morte, o luto, a loucura, as expectativas sociais, o abandono familiar e outras situações inevitáveis da vida, destacando o papel da narrativa de formadora do conhecimento cultural e de disseminadora de diversas vivências.  

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  12. Letícia Lima Mantovani, 2 semestre

    capítulo 5 afirma que a poesia utiliza muitos recursos da retórica, que são elementos persuasivos e expressivos na linguagem dos poemas, como a metáfora, o apóstrofe, metonímia, hipérbole, sinédoque, prosopopéia, aliteração, assonância e aliteração. Além disso,ao ler palavras em poemas, deve se colocar na posição de dizê-las ou imaginar uma outra voz enquanto as lê.
    Por mais que exista a abordagem sobre a poesia lírica em que as obras literárias são inspiradas na vida real, são imitações fictícias do cotidiano ou acontecimentos reais, nem sempre isso é verdade. Não necessariamente são palavras ou vivências do autor, o que foi dito pode ter ou não acontecido, por isso, é essencial saber diferenciar entre a voz da fala e o poeta que escreveu o poema, desenvolvendo essa voz dentro da obra.
    No poema “Menelau” , por exemplo, parece falar sobre um rompimento ou um término em que o eu lírico, não especificado, sente muita angústia e raiva da pessoa amada. O poema é em primeira pessoa, e é possível identificar rimas em todos os versos, metáfora no verso “eu era o sol e você minha lua” e hipérbole quando o eu lírico diz que a pessoa amada o abandonou igual um cachorro abandonado, que sua mão somente se encaixa na dela, que se “ela”, a ex, nao for dele, não será de mais ninguém.
    Assim como mencionado antes, o que está escrito no poema pode ter ou não acontecido com a autora, ou talvez, acontecido com o menelau, ou nem ter acontecido. Menelau, pode ser só uma voz qualquer, ou a voz de um sentimento.
    No poema “patroclo”, pode ser notar muitos recursos retóricos que trazem sentimentos de medo, ansiedade e vingança ao mesmo tempo. O segundo verso já trás um paradoxo, uma contradição, “o futuro anda tão mortífero sweet”, o futuro é descrito como doce e mortal ao mesmo tempo; uma hipérbole em “você perseguirá o algoz por séculos”, indicando exagero; Ironia ao misturar violência intensa e elementos do cotidiano e anáfora ao repetir “nas filas do supermercado” e “nas ejaculações precoces” trazendo ritmo e imagens para o poema. É interessante como a autora usa esses recursos retóricos para aproximar os mitos com o cotidiano, com normal, e ainda trazendo imagens de caos e tragédia tudo ao mesmo tempo.

    Antigamente, a literatura era focada na poesia, enquanto o romance era um gênero novo e popular. Porém, mais tarde, o romance se sobrepôs à poesia e assim, passou a liderar a educação literária. Hoje, já é vista como uma maneira de adquirir conhecimento cultural, em que, ao lermos histórias, identificamos o que tem em comum com a vida e entendemos o mundo.
    O texto questiona, de que forma sabemos se a história acaba de uma forma adequada, com um final concreto, ou é um final que deixa lacunas. Seria possível considerar o final do conto “A terceira margem do rio” de Guimarães Rosa como um final adequado? O conto termina com o protagonista dizendo que fugiu de seu pai, acabou adoecendo e não soube mais sobre ele. O final é fechado de certa forma, sabemos o que aconteceu com o protagonista, mas o que aconteceu com o pai da personagem? Continuou no rio? Voltou à margem?
    O principal requisito para histórias é o enredo, que as crianças aprendem desde o começo que uma história precisa ter começo, meio e fim. Porém, uma história não é uma ordem de acontecimentos, mas sim o que levou a esses acontecimentos, o que levou a este final que se relaciona com o começo. Existem duas reflexões sobre enredo: o enredo, então, é uma maneira de organizar os fatos para que se torne uma história, e pode ser padronizado ao ponto em que existe uma forma de enredo dominante que está presente em diversas narrativas- o início, um problema, uma reviravolta e uma resolução. Um exemplo são as histórias de Romeu e Julieta e Titanic. Existe uma introdução dos personagens, o problema que é um grande motivo do porque os casais não poderem ficar juntos, uma reviravolta na história e depois o final, que é praticamente o mesmo.
    Há diferentes formas de como o enredo é configurado e apresentado. Vamos analisar o texto “A Causa Secreta”
    O enredo dessa história tem uma configuração diferente, em que o primeiro trecho, não é introdutório, mas sim uma cena após um grande acontecimento na qual os leitores desconhecem, e só entenderão o porquê dessa cena bem mais tarde na narrativa. Para entender as variáveis de um enredo, precisa-se responder algumas perguntas:
    Quem fala?
    No conto de Machado, quem fala é um narrador observador, que não fala em primeira pessoa, não tem uma identidade e não é um participante da história. Entretanto, ele é um narrador onisciente, ou seja, sabe tudo sobre a personagem principal, a princípio o Garcia, e seus sentimentos e pensamentos
    Quem fala quando?
    A história é narrada após os acontecimentos finais, mas o modo como é contada, nos dá a sensação de estar no lugar de Garcia, descobrindo as coisas junto com ele, dessa forma, não sabemos logo de cara o final da história.
    Quem fala com que autoridade?
    Ser um narrador requer uma certa autoridade, se ele apresenta um personagem de determinada forma, aparência ou personalidade, os leitores não contrariam a menos que haja motivo para isso. Às vezes, narradores podem não ser confiáveis, por exemplo neste conto, em que ao relatar algumas atitudes tenebrosas de Fortunato, ele não narra como absurdos, manipulando o leitor a continuar lendo mas sem dar tanta atenção a isso, para que não estrague o final.
    Quem vê?
    Isso é o ponto de vista em que a história é contada. Garcia não é o narrador, porém, a história segue suas perspectivas, e nos últimos trechos, deixa de ser da perspectiva de Garcia, para ser de Fortunato.
    O temporal dessa narrativa segue uma linha parecida com histórias policiais, em que foca cada momento que Garcia vive, para que o clímax tenha o momento de realização em que a personagem finalmente percebe a verdade sobre Fortunato. Mas também, tem a variável limitação de conhecimentos, em que a história é contada com uma limitação, ou seja, só sabemos o que o Garcia sabe, desconhecendo os pensamentos de Fortunato, caso ao contrário, a narrativa não teria a grande reviravolta que teve.

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  13. Capítulo 5: Retórica, poética e poesia.

    No capítulo 5 de Teoria Literária, Jonathan Culler explica que desde Aristóteles a poesia foi pensada de forma diferente da retórica. Enquanto a retórica era vista como a arte de convencer, a poesia era a arte de imitar e representar. Para Aristóteles, ela também tinha um papel importante de liberar emoções fortes e de guiar o leitor numa passagem da ignorância para o conhecimento. Culler mostra que a poesia, com suas figuras e metáforas, não só representa algo, mas cria sentido, provoca sentimentos e faz coisas acontecerem na linguagem.

    No poema “O papo terrível da morte”, de Waly Salomão, essas ideias aparecem de maneira intensa. O texto mistura cenas de violência real, como a ação do Esquadrão da Morte, com imagens carregadas de exagero e metáforas, como “Posso respirar dentro do cadáver do terceiro trópico destes tristes mundos?”. Isso mostra a função retórica da poesia, que tenta convencer e chocar, mas também a função poética, que imita e representa uma realidade marcada pela morte social e política. O poema tem um efeito de catarse, ao transformar a violência em linguagem, permitindo que emoções de dor, medo e revolta sejam expressas e elaboradas. Além disso, ao falar diretamente com a morte, o texto cria um diálogo impossível, um exemplo do que Culler chama de invocação do sublime.

    Assim, fica claro que a poesia não serve só para embelezar a linguagem, ela também faz pensar, sentir e até mudar a forma como vemos o mundo. O poema de Waly Salomão mostra isso ao transformar a violência em linguagem e provocar no leitor emoções fortes e consciência sobre a realidade. Desse jeito, a poesia não apenas representa a vida, mas também age sobre quem a lê.

    Capítulo 6: Narrativa.

    No capítulo 6, Jonathan Culler fala sobre a narrativa e sua importância. Para ele, contar histórias é uma forma de dar sentido à vida e organizar os acontecimentos em uma sequência de início, meio e fim. O autor explica que uma narrativa é feita tanto pelo enredo (o que acontece) quanto pelo discurso (o jeito como é contado). Também mostra a diferença entre o narrador (quem fala) e o focalizador (quem vê a história). A narrativa, segundo Culler, desperta o desejo do leitor de saber o que virá depois e, ao mesmo tempo, nos ajuda a compreender experiências humanas, como sentimentos, escolhas e conflitos.

    Essas ideias podem ser vistas nos contos “Angústia”, de Anton Tchékhov, e “O Caso da Vara”, de Machado de Assis. Em Angústia, acompanhamos um cocheiro que perdeu o filho e tenta compartilhar sua dor, mas ninguém lhe dá atenção. O narrador em terceira pessoa mostra os acontecimentos pela perspectiva do cocheiro, fazendo o leitor sentir sua solidão. A tensão está no desejo do personagem de ser ouvido, mas o silêncio dos outros leva-o a desabafar apenas com seu cavalo. Assim, a narrativa expressa a indiferença humana e a dificuldade de comunicação.

    Já em O Caso da Vara, vemos Damião fugindo do seminário e pedindo ajuda a Sinhá Rita. O narrador também é em terceira pessoa e apresenta os dilemas de Damião, colocando o leitor dentro do seu conflito. O enredo chega ao ponto decisivo quando Lucrécia, que não terminou a tarefa, é ameaçada de castigo, e Damião precisa escolher entre protegê-la ou garantir sua saída do seminário. A tensão aqui está no desejo do personagem de salvar a si mesmo, mesmo que isso custe o sofrimento da moça.

    Comparando os dois contos, percebemos como a teoria de Culler ajuda a entendê-los melhor. Tanto em Angústia quanto em O Caso da Vara, a narrativa cria expectativa, guia nosso olhar por meio da focalização e apresenta dilemas humanos universais.

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  14. Capítulo 5 

    Eu compreendi que a literatura pode ser vista a partir de três pontos: retórica, poética e poesia. A retórica é o uso da linguagem para causar um efeito, ela mostra que as palavras nunca são neutras, porque cada escolha de expressão, figura de linguagem ou estilo influencia a forma como nós entendemos e reagimos diante ao texto. Por exemplo, “Amar” de Carlos Drummond de Andrade, ele carrega um vocabulário fácil e compreensivo, com muito sentimento, criando uma reflexão sobre o amor por meio das palavras.

    A poética diz como a literatura funciona, quais recursos fazem um texto ser literário e produzir sentido. No poema “Carta”, de Carlos Drummond de Andrade, utiliza os versos e os ritmos para criar uma narrativa. Ele usa maneiras para permitir que o leitor possa compreender os processos de construção dos significados, junto da poética.

    Já a poesia foca esses elementos, pois nela o ritmo, o som, as imagens e as figuras aparecem de forma mais clara. Ele ressalta no livro, que a poesia não é mais importante que outros gêneros, apenas torna mais visível como a linguagem cria efeitos. Assim, percebi que estudar literatura não é só interpretar mensagens, mas compreender como a linguagem foi construída para gerar sentidos.

    Capítulo 6 

    Eu percebi que a narrativa está em todos os lugares, não só na literatura, mas também em filmes, notícias e até nas conversas do dia a dia. Contar histórias é uma forma de dar sentido aos acontecimentos. Ele mostra nesse capítulo do livro, que para analisar uma narrativa, não basta olhar para os fatos, mas também para a forma como são contados: quem narra, a ordem, o ponto de vista. No, “O Caso da Vara”, o autor conta a história diretamente trazendo isso, fazendo com que compreendêssemos o texto, e construindo um suspense em nós leitores, trazendo uma importância da estrutura e da narrativa. Na “Causa Secreta” trás uma narrativa mais compreendida, sendo assim, criando uma motivação maior no leitor. Compreendi, que a narrativa não é só entretenimento, mas uma maneira de organizar e compreender o mundo e as experiências narradas em cada um desses textos. 

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  15. Capitulo 5: Retórica, Poética e Poesia

    O intuito deste início de capítulo rememora  ao subtítulo do livro “uma introdução.” Pois inicialmente Culler traz sua visão e descreve a respeito de poética e sua relação com a retórica, não trazendo apenas sua visão, mas em conjunto com uma visão desde Aristóteles atravessando mutações até o final do século XX.

    Culler cita inicialmente convenções e mecanismos da fonética de forma leviana, porém, abordará esses temas com profundidade ao longo do capítulo. Partindo para poesia e retórica, Culler afirma que os dois termos são um tanto quanto relacionados, já que o uso abundante de figuras de linguagem e linguagem persuasiva podem coexistir lado a lado.

    O autor continua por citar figuras de linguagem como aliteração, assonância e apóstrofe, enquanto contextualiza cada um dos termos, termos que para leitores são meros frutos do acaso  como a repetição de consoantes, repetições de sons vocálicos.
    Aproveitando essa relação leitor-autor traria o trecho em que se diz sobre o conhecimento prévio do leitor e sua dedução própria, ambos são alvos da poética e retórica  à sua maneira e possuem vivência com esses termos de forma indireta.

    A respeito de poemas, Culler entre diversas coisas  cita, inflexões hiperbólicas e o exagero entre os versos, e é nesse contexto que trago trechos de um poema do francês Charles Baudelaire:

    “Sinto por vezes que meu sangue corre em fluxos,
    Assim qual uma fonte em rítmicos soluços.
    Eu bem que o escuto numa súplica perdida,
    Mas me tateio em vão em busca da ferida.

    Pela cidade vai, como entre espessos buxos,
    As lajes transformando em ilhas e repuxos,
    Matando a sede em cada boca ressequida
    E a paisagem deixando em púrpura tingida.

    Muitas vezes pedi a um vinho caviloso
    Aplacar por um dia o horror que me domina;
    O vinho aguça o ouvido e os olhos ilumina!

    Busquei então no amor um sono descuidoso;
    Mas o amor para mim é um leito de suplício
    Que a sede há de saciar a essas ninfas do vício!”

    Por fim, destaco a hipérbole do autor francês em dizer que se sentia às vezes como uma fonte de sangue, que inunda a cidade e faz lajes se tornarem ilhas, de forma pessoal esse autor me cativou muito.

    Obs: gostaria de fazer  relações ligadas a aliteração assonância, mas acharia uma perda de tempo pois nao trabalharia com o material original em francês.

    Capítulo 6: Narrativa

    Ao início do capítulo “Narrativa” Culler trás de forma indireta a questão da leitura, dizendo que a leitura tempos atrás se apoiava apenas a poesia e que ao longo do tempo romances e contos começaram a ter relevância.

    Adentrando ao tema, o autor apresenta mais uma teoria no seu livro de teoria, irônico, a “narratologia” e como de costume contextualiza dizendo as noções breves de enredo e técnicas narrativas.

    Diz também ser “instintivo” do ser humano narrar e ouvir histórias de forma oral, Culler conta de forma breve teorias que produzem enredos satisfatórios, uma espécie de “curso para roteiro clichê” desmistificando enredos e tramas, no caminho cita a “mudança de personagens com seu oposto” no mesmo sentido de dualidade, traria a discussão o livro “O Pianista” que conta a biografia de Władysław Szpilman, um judeu salvo por militar nazista nos anos 40.

    A teoria dita neste capítulo remonta também aos consumidores, leitores, que podem por si próprios desmitificar e reconhecer padrões em diversos tipos de mídia como poemas, história em quadrinhos e filmes, que podem possuir o mesmo enredo

    Ao fim, é apresentado pontos de vista de autores e narradores e cita variáveis como temporal, distancia e velocidade e limitações do conhecimento, cita que narradores podem ser a figura central e serem protagonistas, ou apenas instrumentos da narrativa de outro personagem. Neste momento finalizo rememorando e trazendo “Olho Silva” de Roberto Bolaño, nesta trama o narrador conta à distância a história de um terceiro, onde sua história nem mesmo tem relevância, o pouco destaque para si ainda trás resquícios da trama do protagonista.

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  16. Olívia Gomes dos Santos

    Capítulo 5+ “Amar” e “Aquiles”

    No capítulo 5 do livro “Introdução à teoria literária”, de Culler, há três tópicos que são estudados pelo autor: retórica, poética e poesia. A retórica consiste, segundo o escritor, no manuseio estratégico da linguagem, é um recurso amplamente utilizado nos discursos públicos para influenciar as escolhas e as ideias do público espectador/leitor. Com o passar do tempo, a retórica se concretizou como uma área de estudos dos efeitos da linguagem, a qual são analisadas as figuras de linguagem, com destaque para a metáfora e metonímia, e como elas impactam em larga escala a produção de sentido. Para ele, a maneira como um autor escolhe as palavras nunca é neutra, sempre tem algo por trás e que abala a visão de uma historia única. A poética, por sua vez, é uma área que visa a sistematização e o estudo das operações da literatura, o que caracteriza como gênero literário, tipos de narradores e vozes, o que produz sentido e sensações ao leitor, para que seja uma ciência e seja estudada como uma. Já a poesia é uma área da Literatura que é considerada a mais privilegiada, literária e culta, em virtude da musicalidade, presença de figuras de linguagem, entre outras questões. Um exemplo é o poema “Aquiles”, da Luiza Romão que apresenta uma estrutura clássica, o haicai, mas com um tema intertextual e contemporâneo, o que já mostra que a poesia deve ser estudada mais com um viés sincrônico do que diacrônico. Por conseguinte, há, na crítica literária, uma priorização e uma supervalorização da poesia, mas que necessitam ser quebradas, já que existe uma gama de outros gêneros e, até mesmo, diferentes formas de construção das poesias (aspectos que tomaram forma e conhecimento no Modernismo, por exemplo). Um exemplo disso é o poema Amar, do Carlos Drummond de Andrade, que, feito no contexto e com as características modernistas, contesta a rigidez literária dos críticos quanto à poesia, devido à quebra de sintaxe e por não haver tanta preocupação com a musicalidade e com as estruturas clássicas.

    Capítulo 6+ “Angústia”+ “O livro da Areia”

    Nesse capítulo, Culler faz umas distinções necessárias para a análise de narrativas, como história (narração dos fatos cronologicamente), discurso (a ideologia por trás da narrativa), narrador (quem conta a história) e os leitores. Essa separação tem origens históricas, como abordado, nas teorias formalistas e estruturalistas e é alicerçada nas ideias de Genette, Propp e Barthes. Além disso, o autor aborda a importância das narrativas na nossa percepção de mundo e consciência social, pois, com elas, o leitor tem contato com temas que, possivelmente, eram desconhecidos antes e, consequentemente, aumentam o nosso repertório de mundo. Um exemplo disso é o livro Angústia que, utilizando-se da retórica, nos mostra a indiferença que as pessoas têm com o sofrimento alheio. Então, muito mais que somente as questões formais, a narrativa molda visões de mundo novas. Outro conto pertinente às linhas de pensamento de Culler é o “Livro da Areia” que, mesmo apresentando a estrutura mais usual, ele traz uma perspectiva bem mais abstrata e subjetiva, mas que, ainda assim, segura a narratividade e as perspectivas que o autor desse livro quis assegurar.

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  17. Capítulo 5+ “Amar” e “Aquiles”

    No capítulo 5 do livro “Introdução à teoria literária”, de Culler, há três tópicos que são estudados pelo autor: retórica, poética e poesia. A retórica consiste, segundo o escritor, no manuseio estratégico da linguagem, é um recurso amplamente utilizado nos discursos públicos para influenciar as escolhas e as ideias do público espectador/leitor. Com o passar do tempo, a retórica se concretizou como uma área de estudos dos efeitos da linguagem, a qual são analisadas as figuras de linguagem, com destaque para a metáfora e metonímia, e como elas impactam em larga escala a produção de sentido. Para ele, a maneira como um autor escolhe as palavras nunca é neutra, sempre tem algo por trás e que abala a visão de uma historia única. A poética, por sua vez, é uma área que visa a sistematização e o estudo das operações da literatura, o que caracteriza como gênero literário, tipos de narradores e vozes, o que produz sentido e sensações ao leitor, para que seja uma ciência e seja estudada como uma. Já a poesia é uma área da Literatura que é considerada a mais privilegiada, literária e culta, em virtude da musicalidade, presença de figuras de linguagem, entre outras questões. Um exemplo é o poema “Aquiles”, da Luiza Romão que apresenta uma estrutura clássica, o haicai, mas com um tema intertextual e contemporâneo, o que já mostra que a poesia deve ser estudada mais com um viés sincrônico do que diacrônico. Por conseguinte, há, na crítica literária, uma priorização e uma supervalorização da poesia, mas que necessitam ser quebradas, já que existe uma gama de outros gêneros e, até mesmo, diferentes formas de construção das poesias (aspectos que tomaram forma e conhecimento no Modernismo, por exemplo). Um exemplo disso é o poema Amar, do Carlos Drummond de Andrade, que, feito no contexto e com as características modernistas, contesta a rigidez literária dos críticos quanto à poesia, devido à quebra de sintaxe e por não haver tanta preocupação com a musicalidade e com as estruturas clássicas.

    Capítulo 6+ “Angústia”+ “O livro da Areia”
    Nesse capítulo, Culler faz umas distinções necessárias para a análise de narrativas, como história (narração dos fatos cronologicamente), discurso (a ideologia por trás da narrativa), narrador (quem conta a história) e os leitores. Essa separação tem origens históricas, como abordado, nas teorias formalistas e estruturalistas e é alicerçada nas ideias de Genette, Propp e Barthes. Além disso, o autor aborda a importância das narrativas na nossa percepção de mundo e consciência social, pois, com elas, o leitor tem contato com temas que, possivelmente, eram desconhecidos antes e, consequentemente, aumentam o nosso repertório de mundo. Um exemplo disso é o livro Angústia que, utilizando-se da retórica, nos mostra a indiferença que as pessoas têm com o sofrimento alheio. Então, muito mais que somente as questões formais, a narrativa molda visões de mundo novas. Outro conto pertinente às linhas de pensamento de Culler é o “Livro da Areia” que, mesmo apresentando a estrutura mais usual, ele traz uma perspectiva bem mais abstrata e subjetiva, mas que, ainda assim, segura a narratividade e as perspectivas que o autor desse livro quis assegurar.

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  18. Olívia Gomes dos Santos

    (não tinha alterado o user nem colocado meu nome)

    Capítulo 5+ “Amar” e “Aquiles”

    No capítulo 5 do livro “Introdução à teoria literária”, de Culler, há três tópicos que são estudados pelo autor: retórica, poética e poesia. A retórica consiste, segundo o escritor, no manuseio estratégico da linguagem, é um recurso amplamente utilizado nos discursos públicos para influenciar as escolhas e as ideias do público espectador/leitor. Com o passar do tempo, a retórica se concretizou como uma área de estudos dos efeitos da linguagem, a qual são analisadas as figuras de linguagem, com destaque para a metáfora e metonímia, e como elas impactam em larga escala a produção de sentido. Para ele, a maneira como um autor escolhe as palavras nunca é neutra, sempre tem algo por trás e que abala a visão de uma historia única. A poética, por sua vez, é uma área que visa a sistematização e o estudo das operações da literatura, o que caracteriza como gênero literário, tipos de narradores e vozes, o que produz sentido e sensações ao leitor, para que seja uma ciência e seja estudada como uma. Já a poesia é uma área da Literatura que é considerada a mais privilegiada, literária e culta, em virtude da musicalidade, presença de figuras de linguagem, entre outras questões. Um exemplo é o poema “Aquiles”, da Luiza Romão que apresenta uma estrutura clássica, o haicai, mas com um tema intertextual e contemporâneo, o que já mostra que a poesia deve ser estudada mais com um viés sincrônico do que diacrônico. Por conseguinte, há, na crítica literária, uma priorização e uma supervalorização da poesia, mas que necessitam ser quebradas, já que existe uma gama de outros gêneros e, até mesmo, diferentes formas de construção das poesias (aspectos que tomaram forma e conhecimento no Modernismo, por exemplo). Um exemplo disso é o poema Amar, do Carlos Drummond de Andrade, que, feito no contexto e com as características modernistas, contesta a rigidez literária dos críticos quanto à poesia, devido à quebra de sintaxe e por não haver tanta preocupação com a musicalidade e com as estruturas clássicas.

    Capítulo 6+ “Angústia”+ “O livro da Areia”
    Nesse capítulo, Culler faz umas distinções necessárias para a análise de narrativas, como história (narração dos fatos cronologicamente), discurso (a ideologia por trás da narrativa), narrador (quem conta a história) e os leitores. Essa separação tem origens históricas, como abordado, nas teorias formalistas e estruturalistas e é alicerçada nas ideias de Genette, Propp e Barthes. Além disso, o autor aborda a importância das narrativas na nossa percepção de mundo e consciência social, pois, com elas, o leitor tem contato com temas que, possivelmente, eram desconhecidos antes e, consequentemente, aumentam o nosso repertório de mundo. Um exemplo disso é o livro Angústia que, utilizando-se da retórica, nos mostra a indiferença que as pessoas têm com o sofrimento alheio. Então, muito mais que somente as questões formais, a narrativa molda visões de mundo novas. Outro conto pertinente às linhas de pensamento de Culler é o “Livro da Areia” que, mesmo apresentando a estrutura mais usual, ele traz uma perspectiva bem mais abstrata e subjetiva, mas que, ainda assim, segura a narratividade e as perspectivas que o autor desse livro quis assegurar.

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  19. Retórica, poética e poesia

    A ideia principal é que, para Culler, a literatura não é só uma cópia da realidade, mas uma forma de a gente pensar sobre ela e até de sentir o que os outros sentiram. Em “consolo na praia”, de Carlos Drummond, em vez de só mostrar a praia como ela é, o poema Consolo na praia faz a gente pensar sobre a vida, etapas perdidas. É como se a literatura criasse um jeito novo de ver as coisas, em vez de só imitar. Podemos ver a retórica quando Drummond usa antíteses “algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam” para provocar reflexão. Já a poética, a estrutura lírica cria ritmo reflexivo, com pausas e repetições que dão cadência meditativa. E por fim, a poesia, podemos ver que a força do poema está na imagem paradoxal de uma praia serena enquanto o mundo desmorona.No outro poema, “Sentimento do mundo”, mostra como a literatura pode ser a voz de muita gente. Ela não conta a história da guerra direto, mas faz a gente sentir a angústia e o medo que as pessoas daquela época sentiram. Vemos Retórica no texto quando Drummond utiliza anáforas “Tenho apenas duas mãos.” A Poética na organização dos versos livres, criando uma tensão entre o individual e o coletivo, dando musicalidade sem depender de rima, e observamos a poesia no sentimento universal de impotência diante do mundo que o autor traz no texto.

    Narrativa

    Segundo Culler, a narrariva mexe com o tempo e com as escolhas de quem conta a história para criar um efeito crítico e irônico, mostrando a hipocrisia da sociedade, e é exatamente isso que Machado faz em “O caso da vara”, ele cria uma história cheia de ironia, a gente espera que a escrava seja salva, mas a forma como a narrativa é contada, ele quebra todas essas expectativas. O narrador, que narra em terceira pessoa, parece que não toma partido, mas na verdade ele está mostrando a contradição moral do Damião “os interesses individuais sobrepõe a justiça e a compaixão”. Já no conto “A causa secreta”, Machado cria um narrador que vai aos poucos mostrando o lado obscuro de Fortunato. A história é contada de uma maneira que o leitor descobre isso junto com o personagem, na visão de Jonathan, isso mostra como a estrutura cria um suspense e um desconforto moral.

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