Literatura comparada – aula 1

Leiam o texto abaixo e produzam um resumo crítico, em que vocês: 1. expliquem o que Santiago propõe ser o “entre lugar do discurso latino-americano”; 2. aponte como você percebe a leitura de Santiago diante dos estudos de literatura brasileira feitos até aqui por você. Seu texto deverá ser postado como comentário neste post.

11 comentários sobre “Literatura comparada – aula 1

  1. É fato que, a colonização e a doutrinação imposta e perpetuadas durante séculos não só a nós, latino-americanos, mas a todos os povos que foram colonizados e/ou considerados bárbaros, deixou como legado um histórico grotesco de defasagens, sejam elas relacionadas a arte, a ciência, a economia ou ao que for. A colonização foi benéfica somente para aqueles que colonizaram, aos colonizados restou a sobrevivência. Santiago faz diversas comparações para exemplificar esse fato: colonizador-colonizado, metrópoli-colonia etc. Em todas as dicotomias trazidas pelo autor, o primeiro sempre se sobressai em relação ao segundo, está sempre em vantagem, ele se apropria dessas comparações justamente para explicar como essas relações desiguais que se criaram colocam o discurso de um sempre em um local privilegiado em relação ao outro. Trazendo isso para a relação que existem entre o discurso latino-americano e o discurso europeu, o europeu sempre é colocado em vantagem, pois é ele que detém o poder do colonizador, ao discurso latino-americano restou a posição de colonizado, de inferior e é muito difícil desconstruir esse pensamento quando ele está enraizado nas entranhas tanto do colonizador quanto do colonizado. Os povos considerados bárbaros eram sempre subestimados por aqueles que se consideravam civilizados, mesmo quando originalmente eles eram os detentores de conhecimentos que os “civilizados” se apropriaram posteriormente. Com o passar do tempo, esses conhecimentos foram se perdendo em meio a apropriação, ao ponto de ainda hoje, existir uma crença de que se apropriar do que já existe é o mesmo que criar algo, restando quase que nenhum espaço para o imaginativo, para a criatividade, para o pensamento crítico, para o novo. Esse momento obscuro coloca aqueles que desejam inovar em um limbo, um espaço permeado por imposições infundadas, no qual ser inovador é considerado loucura e o correto mesmo é seguir a cartilha pré-estabelecida. Acontece que o discurso latino-americano, os povos “bárbaro”, as culturas não europeias e tudo que é considerado “inferior” por aqueles que se consideram superiores, são tão ricas quanto outros discursos, outros povos e culturas. No entanto, passamos tanto tempo acreditando no contrário, que mesmo hoje, se valoriza muito mais aquilo que vem do exterior do que aquilo que se produz em chão nacional, a música de fora é sempre melhor e mais consumida do que a música nacional, a literatura estrangeira sempre vende mais do que a nacional, tudo que tem “nacional” escrito no rótulo é automaticamente considerado inferior. A leitura de Santiago, evidenciou esse pensamento, que já vinha sendo cada vez mais presente nas minhas colocações, algo que já vem se construindo ao longo do curso, principalmente graças as disciplinas de literatura (tanto portuguesa quanto brasileira): como é tão fácil para nós, desvalorizar a nossa própria cultura e endeusar o que vem de fora. Não é que não podemos ou não devemos consumir outras culturas, muito pelo contrário, é importante conhecermos de tudo um pouco, mas será que é mesmo tão difícil fazer com que tudo tenha o mesmo peso na balança? Esse tem sido o papel de tudo que estudei em literatura brasileira até aqui: desconstruir esse pensamento pequeno, apreciar mais o que a nossa literatura pode oferecer, e não só a literatura, mas a nossa cultura como um todo, diante disso, a leitura de Santiago foi como um “assentamento” desse pensamento.

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  2. A partir de uma perspectiva de sociedade colonizada, a literatura e quaisquer expressões artísticas ocupam uma posição diferente das nossas referências europeias, considerando uma academia eurocêntrica. Ao retornar no período da história do América Latina em que os brancos aqui chegam, é possível identificar uma imposição cultural explícita em relação aos povos originários dada pela colonização. No entanto, ainda nos dias atuais o processo de neocolonialismo é substancialmente importante em todas esferas sociais, especialmente nas produções e criações artísticas. A academia promove como referência verdadeira e absoluta as produções ocidentais europeias e, por isso, as criações latino-americanas assumem o papel de “parasita”, aprisionadas pelo prestígio da sua fonte. Isto é, um discurso acadêmico neocolonialista proporciona uma cultura de influência entre as obras, nas quais as europeias colonizam e subordinam as latino-americanas. Sendo assim, o escritor/artista latino-americano assume um importante papel de transgredir a fonte sem sacrificá-la totalmente em razão de conquistar o seu prestígio nesse contexto e também, em muitos casos, por apreço a referência que consumiu por tanto tempo. O entre-lugar do discurso latino-americano é de pura contradição, já que ele assimila o conteúdo da fonte, mas sempre busca superá-lo, transformá-lo.
    Portanto, a visão de Silviano Santiago em muito se assemelha com a antropofagia de Oswald de Andrade: é preciso a submissão ao código para que ele sofra a necessária agressão. O consumo da fonte também é modo consciente de transgressão.

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  3. O autor Silviano Santiago, no ensaio “O entre-lugar do discurso latino- americano”, apresenta que a literatura produzida na América Latina ocupa um espaço intermediário, logo, não é mera cópia dos modelos europeus ou norte-americanos, nem se isola completamente deles. Pelo contrário, absorve essas influências externas, mas as transforma de acordo com a nossa realidade, que é marcada pela colonização, miscigenação e resistência, criando uma identidade própria. Portanto, a literatura latino- americana pega influências externas, mas transforma de um jeito que só ela consegue, resultando em algo que só poderia ter surgido aqui.

    Ao observar os estudos de Literatura Brasileira, percebo essa ideia em diferentes momentos. No Modernismo, percebemos vários títulos que os autores adaptaram formas europeias para valorizar o Brasil. Especialmente após a Semana de 1922, eles foram além, com a ideia de “antropofagia cultural”, proposta por Oswald de Andrade, devoraram influências estrangeiras e as transformaram em algo bem brasileiro, sem rejeitar ou copiar. Um bom exemplo é Macunaíma, de Mário de Andrade, que mistura folclore indígena, tradições africanas e cultura urbana, criando um personagem híbrido que reflete o “entre-lugar” descrito por Santiago, uma literatura brasileira que recebe influências externas, mas as devolve com identidade própria.

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  4. Silviano Santiago discute que o entre-lugar do fazer literário posiciona a criação latino-americana na dicotomia da originalidade do objeto artístico com a intrusão de uma produção estrangeira e colonial que, mesmo com o tempo, parece atrelada a quaisquer novas escolhas artísticas. Sofre-se ainda sob penas de uma arte contaminada pelo longo processo colonial vivido. O que se tem produzido, nesse sentido, e o que tem sido objeto de críticas em universidades, me fez pensar num palimpsesto, sendo a condução da escrita latino-americana se estruturando no que o olhar europeu colonial construiu. Contudo, é necessário pensar na reinvenção da literatura latino-americana ainda que com essas amarras. A figura do ritual antropofágico que persegue todo o texto expõe o que, de fato, representa a escrita nos países colonizados: devorar o que nos foi induzido, o que nos foi colocado “goela abaixo”, e fazer disso a crítica e o manifesto.

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  5. Santiago começa mencionando Montaigne e a percepção dos gregos sobre os romanos, de que eles eram bárbaros, que, todavia, não se portavam como bárbaros. Esse modo de enxergar os romanos muito conversa com os acontecimentos com os países colonizados da América. Ainda que para não sermos vistos como bárbaros tenha levado séculos, ou talvez ainda sejamos bárbaros, todo o período colonial remonta a visão europeia de que as colônias teriam que ser, necessariamente, cópias da Europa, sem se importar com nossos costumes, cultura e tradições. Era esperado, como Santiago também menciona, o silêncio e aceitação por parte dos latinos, em especial. Contudo, essa amenidade e passividade não acontece, historicamente e atualmente. O texto cita diversos filósofos e teóricos para exemplificação, como Derrida, Sartre, Marx e o próprio Montaigne. A opressão histórica é tão palpável, que na atualidade, os escritores e leitores latinos, se veem com uma recusa quase automática a espontaneidade criativa. Essas mesmas partes também carregam a característica, segundo Santiago, de lerem assiduamente e publicarem com baixa frequência. O lugar do discurso latino ocupa uma posição de resistência perante o tão consolidado mundialmente discurso europeu. Ou o discurso do colonizador. A resistência de continuar a tentar e a produzir diante das tantas influências europeias, prova-se como a maior vertente de não-aceitação e não-conformismo latino, ainda que exista, desde a invasão europeia, uma deslealdade competitiva devido ao poder da mesma influência. A escrita latina resiste ao absorver e ao se adaptar e ao inovar, em um cenário de mundo que nos envolve e nos força a percorrer os caminhos que os colonizadores exigem que sigamos.

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  6. O discurso de Silviano Santiago apresenta como o entre lugar do lantino-americano foi instaurado durante os anos. Os artistas não detinham o lugar na tradição autóctone, pois só poderiam usar aquilo que estava ao seu alcance. Mas também não detinham o lugar no âmbito do moderno. A metrópole monopolizava o que circulava, então os artistas só se apropriaram dos modelos disponibilizados em circulação pela metrópole, como diz em: “[…] a falta de uma tradição autóctone, a se apropriar de modelos colocados em circulação pela metrópole. Tal discurso crítico ridiculariza a busca som-quixotesca dos artistas latino-americanos, quando acentuam por ricochete a beleza, o poder e a glória das obras criadas no meio da sociedade colonialista ou neocolonialista”. 

    Ainda, as obras latino-americanos que citavam outras obras europeias eram criticadas, menosprezadas por “nunca lhe acrescentar algo de próprio” e acusadas de receber prestígios apenas por ter menções às obras europeias, não por sua essência. O discurso de Santiago é linear e traz consigo muitos pensadores que auxiliam na fortificação do ponto de vista que está narrando, como Lévi-Strauss e Montaigne, que observamos em todo o decorrer do texto, conseguindo passar ao leitor segurança e credibilidade na hora da leitura.

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  7. Silviano Santiago trata da literatura latino-americana como uma nova forma de refutar o eurocentrismo sem deixar que os valores atrelados a literatura colonial sejam completamente descartados. O entre lugar se deve ao fato de a miscigenação enriquecer o fazer literário, ao invés de torná-lo desprezível (o que seria esperado ao fugir dos padrões eruditos), o conflito ocorre quando se torna visível dois pontos: o da mera cópia de padrões colonialista e obras repetitivas sem nenhuma singularidade, e o da reação, quando o colono passa a escrever contra e falar contra. No entanto o autor deixa clara a necessidade de compreender e apreender a falar a língua da metrópole para então ser possível combate-la e reinventá-la. Essa perspectiva parece muito atrelada ao antropofagismo de Oswald de Andrade ao tratar da importância de digerir o outro, o que nos é dado anteriormente para que assim surja a possibilidade do novo e a possibilidade de ressignificar signos já existentes a fim de trazer uma identidade inédita que da uma nova voz a um novo falante, neste caso o povo latino-americano. A ideia fica clara com a citação inserida de Paul Valéry ” Nada nos é original, nada mais intrínseco a si que se alimentar dos outros. É preciso porém digeri-los. O leão é feito de carneiro assimilado.”

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  8. No ensaio de Santiago sobre o entre-lugar do discurso latino americano, o autor propõe que a literatura latina ocupa uma posição única, pois se encontra em uma posição intermediária, no meio, um entre lugar. 

    A partir desse conceito, o autor propõe que a literatura latino americana não pode ser vista  como uma cópia de literaturas estrangeiras, mas sim como uma literatura que absorve influências externas e as recria de acordo com a realidade do ambiente, o qual foi marcado pela colonização e miscigenação.

    A partir dos estudos de Literatura Brasileira feitos até aqui, acredito que a percepção de Santiago dialoga muito com a de autores modernistas. Digo isto pois os autores dessa fase reconfiguraram e inovam o modo de produzir arte e literatura, de modo a valorizar a identidade e a criação nacional. Oswald de Andrade, por exemplo, defendia a ideia de devorar as influências externas para recriá-las com identidade nacional. O movimento tomado pelos modernistas se aproxima do discurso de Santiago por ambos apoiarem uma posição criativa e crítica diante das heranças coloniais e das influências estrangeiras.

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  9. Silviano Santiago, no ensaio “O entre-lugar do discurso latino-americano” apresenta a ideia de que a literatura produzida na América Latina não está nem totalmente dentro da tradição europeia, nem totalmente afastada dela. Esse espaço de fronteira, que ele chama de “entre-lugar”, é justamente onde nossa literatura se constrói: um lugar de mistura, de adaptação e de reinvenção. Ao invés de reproduzir os modelos europeus de forma servil, os escritores latino-americanos os reelaboram à luz de sua realidade histórica, social e cultural.

    Quando relacionamos isso com os estudos de literatura brasileira, fica claro o quanto essa leitura ajuda a repensar o que já vimos, no romantismo, por exemplo, havia a tentativa de criar uma identidade nacional, mas ainda muito inspirada na Europa. No modernismo, proclamava-se a ruptura, mas em diálogo constante com as vanguardas estrangeiras. Santiago mostra que essa tensão não é sinal de fraqueza, e sim de vitalidade, é nela que a literatura brasileira encontra sua força.

    Assim, ao invés de buscarmos uma pureza impossível ou de nos medirmos pela régua da originalidade absoluta, podemos entender que nossa literatura é marcada pela mestiçagem, pela tradução cultural e pela invenção a partir do encontro entre o local e o estrangeiro. É justamente nesse “entre-lugar” que se revela a riqueza da experiência literária latino-americana.

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  10. Silviano Santiago inicia seu texto apresentando a visão que os colonizadores tinham dos povos originários: bárbaros e selvagens “selvagem como se chama uma fruta na natureza”. Fazendo relação com o que aprendemos nos últimos semestres, foi impregnado em nosso imaginário que tudo produzido aqui precisava ser minimamente parecido com o que estava na Europa, aquilo que era criado e feito aqui no país não era considerado literário ou até artístico. O autor traz no cenário latino-americano, mostrando que essa influência aconteceu por todo o território colonizado, com a imposição da língua extremamente forte aos indígenas, o que era ensinado e passado como o correto vinha da Europa e causou danos que durante os primeiros séculos do país aparecem de diferentes modos. Os civilizados vinham para trazer conhecimento verdadeiro, impondo não só a língua mas o Deus e a cultura afetando de todas as formas os povos originários, genocídio cultural e da população.

    Isso se perpetuou de forma tão forte no nosso cenário que após séculos da colonização, o que é feito aqui deveria seguir como era feito lá, a risca, criando uma arte-imitação e aqueles que desejam inventar, trazer as realidades do espaço de forma real, ficam escanteados e são tratados como não artístico ou até mesmo como loucos. Os que encontram espaços nessa literatura cópia, usam desses estereótipos para mostrar o que o continente tem diferente, misturando o que tem aqui com o que vinha de lá. Vimos isso em diferentes semestres e com a leitura ficou perceptível para mim, o Romantismo fez isso em sua forma mais óbvia: falando da realidade brasileira porém com a estrutura e até um culturalismo europeu, os próximos movimentos vão rompendo com isso e criando mais a nossa identidade. Perceber essa identidade ao decorrer das aulas e entendi que nossa literatura é única e rica, e que a América Latina resiste, fazendo literatura e arte mesmo sendo negada a isso.

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  11. Leila

    Silviano Santiago faz uma crítica à literatura latino-americana, destacando a sua posição no mundo ocidental. Após a colonização europeia, nossa cultura e nossa língua perderam parte de sua originalidade e passaram a sofrer forte influência do colonizador e de sua literatura. Nesse contexto, a produção literária latino-americana se constrói em um “entre lugar”, ao mesmo tempo marcada por referências externas e pela busca de afirmação de uma identidade própria.

    Essa condição não é necessariamente negativa. Pelo contrário, muitos autores latino-americanos souberam transformar a herança europeia, misturando-a com elementos da cultura local. Assim, a literatura que produzimos não pode ser reduzida a mera cópia da europeia, mas deve ser vista como uma forma de reinvenção criativa e inovadora. Essa difusão de culturas, línguas e estilos resulta do processo de colonização, que impôs códigos culturais de forma violenta, mas que também gerou novas possibilidades de expressão.

    Ao longo do curso, vimos grandes escritores que souberam escrever entre duas culturas. Machado de Assis, por exemplo, inspirava-se em autores europeus como Shakespeare e Pascal, mas não os copiava; ao contrário, aproximava essas influências da realidade brasileira. Em suas obras, retrata a sociedade carioca do século XIX, utilizando ironia social e recursos narrativos próprios. Já Clarice Lispector, em A Hora da Estrela, dá voz a uma personagem nordestina marginalizada, alguém que, na literatura europeia, seria muitas vezes silenciada ou idealizada.

    O resultado é um estilo singular em cada autor: ambos conseguem dialogar com tradições estrangeiras sem deixar de expor as mazelas sociais brasileiras, mostrando que a literatura latino-americana se afirma justamente nesse movimento criativo de mistura e reescrita.

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