Atividade “A máscara e a fenda”, Alfredo Bosi.

Leia o capítulo “A máscara e a fenda”, do livro O enigma do olhar, de Alfredo Bosi, para uma reflexão sobre os contos de Machado de Assis que inclua uma resposta às perguntas: 1. Por que o título do texto é a máscara e a fenda? 2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?
Os textos podem ser breves e devem ser postados aqui até o dia 31/03. Boa leitura!

15 comentários sobre “Atividade “A máscara e a fenda”, Alfredo Bosi.

  1. O texto “A máscara e a Fenda” do Bosi traz uma reflexão sobre a dualidade existente nas obras de Machado de Assis que analisamos em aula. Sendo assim, contos como “A Igreja do Diabo”, “Miss Dollar” e “O Alienista” transmitem uma crítica social implícita, ao mesmo tempo que pode ser considerada direta por alguns leitores, para outros podem ser considerados difíceis de desvendar na primeira leitura. Os contos manifestam sobre as mazelas sociais da época, por isso, é importante dizer que o espaço histórico é um fator importante para analisarmos como leitor. Alfredo Bosi escancara para nós como a obra de Machado contém relações entre poder e ideologia, questionando as aparências e orientando a analisar o que está sendo dito nas entrelinhas, seja por meio de personagens complexos ou por meio da ironia, o que pode ter originado o termo “Fenda” no título do texto de Bosi, demonstrando os problemas do tecido social abordado nas obras de Machado de Assis. O termo “Máscara” é usado para se referir ao modo como o autor dos contos deseja manifestar sua crítica, de maneira subjetiva, quase como uma forma de ocultar a moral da história, porém, como analisamos, sempre trazendo um texto coerente com a ideia que ele deseja transmitir, no intuito de discutir sobre “necessidades básicas dos grupos humanos”.
    É importante frisarmos que os textos de Machado de Assis eram acessíveis apenas por um pequeno grupo social elitizado da época, portanto, abordar temas como racismo era simplesmente escancarar os males da sociedade para os causadores desses problemas. Além disso, apesar da sua ascensão social, Machado nunca esqueceu de suas origens, e como diz Bosi em seu texto: “A sociedade levantou um muro entre as classes, mas esse muro tem as suas fendas”.

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  2. Por que o título do texto é “A máscara e a fenda”?

    O título “A máscara e a fenda” nos leva a dois elementos muito importantes na obra de Machado de Assis. A “máscara” é como se fosse um disfarce, representando a ironia, a malícia e o jeito distante do narrador de Machado. Ele frequentemente esconde suas verdadeiras intenções e brinca com o que o leitor entende. Já a “fenda” são aqueles momentos em que a máscara cai, e as verdades incômodas sobre a sociedade, as pessoas e seus problemas morais aparecem. O crítico literário Alfredo Bosi mostra como Machado usa esses dois elementos para criar um jogo de significados e críticas.

    Qual a visão geral de Bosi sobre os contos de Machado de Assis?

    Para Bosi, os contos de Machado de Assis mostram como o autor foi amadurecendo como escritor. Ele destaca que os contos, principalmente os da fase realista, revelam um olhar profundo sobre a psicologia humana, um jeito de narrar muito inteligente e uma crítica sutil, mas que mexe com as pessoas, à sociedade brasileira. Machado usa a ironia e a ambiguidade para expor as contradições e mostrar as verdades que estão escondidas nas relações sociais e individuais.

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  3. 1. Por que o título do texto é A Máscara e a Fenda?

    Neste capítulo, Bosi analisa contos de Machado de Assis e utiliza o simbolismo da máscara (inspirado em La Rochefoucauld) para demonstrar seu ponto. As personagens são construídas e, e depois mais tarde, desconstruídas a partir de aparências e ideais, como ocorre em “O segredo do bonzo” e “O espelho”. Inicialmente, a aparência é apresentada como algo concreto, mas depois Machado a desmonta, rompendo com o romantismo e ancorando-se no realismo. Esse processo muitas vezes incorpora humor, seja pelo sarcasmo do narrador, seja pela ironia da própria história.

    Essa quebra de paradigma representa a fenda que Machado de Assis utiliza com maestria — um contraste entre o ideal e o real. Ele transforma a máscara universal em um instrumento de crítica sutil, expondo as contradições da sociedade.

    2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?

    Bosi vê Machado de Assis como um mestre da narrativa. Seus contos oferecem uma análise profunda da sociedade brasileira do século XIX, explorando as relações humanas e a natureza moral de seus personagens. Através do humor e da ironia, Machado expõe a hipocrisia de seu tempo e revela as contradições da ideologia dominante.

    Em “O espelho”, por exemplo, ele critica a visão romântica presente na sociedade, mostrando como a identidade social de um indivíduo depende do olhar do outro. Para Bosi, Machado utiliza a máscara e a fenda como recursos literários para revelar tanto a essência humana quanto os mecanismos sociais de sua época.

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  4. 1. Alfredo Bosi analisa diversos contos de Machado de Assis, e ao destrinchar essas histórias, o autor deixa bem clara a utilização de duas ideias quase sempre presentes nesses contos: a máscara e a fenda.

    A primeira ideia se refere a um modo de se portar perante à sociedade que um personagem ou um grupo de personagens precisam se adequar, porque caso não se adaptem a isso, eles podem sofrer diversas consequências ruins, ou ficarem fadados a uma miséria eterna sem a chance de se ascenderem social e economicamente

    Pode-se utilizar como exemplo de uma consequência ruim a não utilização dessa máscara o que acontece na novela “O alienista” em que Simão Bacamarte, segundo as palavras de Bosi, cria o seguinte critério para internar as pessoas na Casa Verde: “é preciso apartar do convívio público todo aquele que se diferencia, de algum modo, da norma instituída, da aparência dominante. ”

    E como exemplo do uso de uma máscara para ascensão social e econômica, pode-se observar o conto “O segredo do Bonzo” em que Pomada, o bonzo mais sábio, revela que ”essência é aparência”(ou máscara), e é sabendo disso que o médico Diogo Meireles cria o pitoresco modo de curar narizes achacados, conseguindo assim, ficar famoso e mais rico, por mais que sua teoria seja horrível.

    A segunda ideia pontuada por Alfredo Bosi muito presente na obra machadiana é das fendas: “A sociedade levantou um muro entre as classes, mas esse muro tem as suas fendas. É possível às vezes passar de um lado para o outro, não precisamente pelo trabalho, mas cultivando e explorando as relações ‘naturais’. ”

    Dessa forma, pode-se inferir que as fendas são como buracos nas paredes entre classes que só sãopossíveis de serem ultrapassadas se o indivíduo souber como usar as máscaras ao seu favor. Assim como Machado de Assis fez em sua vida pessoal, saindo de uma condição miserável e ocupando um meio social mais elitizado por meio da literatura.

    2. Alfredo Bosi diz que que a obra de machado de Assis foi produzida diante de dois níveis de consciência:

    O primeiro nível, presente no romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, é o que supõe que todos os comportamentos humanos derivam de uma necessidade de conservação do passado. O que culmina em uma ideia de que tudo está predeterminado ou em uma descrença em mudanças morais ou sociais profundas. Dessa forma, a obra de Machado de Assis vai contra o progressismo burguês, que visava à fé no avanço histórico e na razão.

    O segundo nível, que é totalmente contrário ao primeiro, acontece quando Assis escreve de uma forma quase conformista, porém muito irônica, como se fosse normal ou como uma “passada de pano” sobre a vida e o cotidiano burguês. Um exemplo disso é a forma com que o narrador de “Pai contra mãe” descreve o trabalho de perseguir escravizados: ”Ora, pegar escravos fugidos era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. ”

    Dessa forma, torna-se clara essa perspectiva totalmente contraditória da obra machadiana, pois o autor não é nem utópico nem conformista. Isso é um dos vários fatores que torna a obra de Assis fenomenal e digna da fama que tem. E para uma melhor compreensão das problemáticas que as histórias abordam “É preciso olhar para a máscara e para o fundo dos olhos que o corte da máscara permite às vezes entrever. Esse jogo tem um nome bem conhecido: chama-se humor.”, Machado de Assis seria mais lido do que já é se todos adentrassem essa fenda que abrem os olhos do leitor para críticas sociais atemporais.

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  5. 1. Por que o título do texto é A Máscara e a Fenda?

    No capítulo, Bosi analisa contos de Machado de Assis e utiliza a metáfora da máscara, inspirada em La Rochefoucauld, para desenvolver sua interpretação. As personagens são inicialmente construídas com base em aparências e ideais, mas posteriormente desmontadas, como ocorre em O Segredo do Bonzo e O Espelho. Machado primeiro apresenta a aparência como algo sólido, apenas para desconstruí-la depois, rompendo com o romantismo e se ancorando no realismo. Esse processo frequentemente se vale do humor, seja pelo sarcasmo do narrador, seja pela ironia da própria narrativa.

    A “fenda” representa essa ruptura entre o ideal e o real, um elemento que Machado trabalha com maestria. Ele transforma a máscara em um instrumento de crítica refinada, expondo as contradições da sociedade.

    2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?

    Ele enxerga Machado de Assis como um mestre da narrativa, cuja obra oferece uma leitura crítica da sociedade brasileira do século XIX. Seus contos investigam as relações humanas e a moralidade de seus personagens, expondo, com humor e ironia, a hipocrisia e as contradições da ideologia dominante.

    Em “O Espelho”, por exemplo, Machado questiona a visão romântica da identidade, demonstrando como a construção do “eu” depende da forma como o indivíduo é percebido pelos outros. Para Bosi, o autor emprega a máscara e a fenda como estratégias literárias para revelar tanto a natureza humana quanto os mecanismos sociais de sua época.

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  6. 1. Por que o título do texto é a máscara e a fenda?
    A máscara é símbolo da malícia e ironia que o narrador utiliza, escondendo suas intenções por trás da manipulação na perspicácia do leitor. As personagens começam sendo formadas por aparências e ideais, mas essas imagens são rapidamente desfeitas, mostrando a mudança do romantismo para o realismo, esse processo muitas vezes inclui humor, seja pela ironia do narrador ou pelas críticas sutis na história. A fenda aparece quando “a máscara cai”, revelando as duras realidades da sociedade e as falhas morais dos personagens. Machado usa esses recursos para fazer uma crítica refinada, mostrando as contradições entre o que é idealizado e o que é real. Para Bosi, essas metáforas são essenciais para entender como Machado destrói as ilusões sociais e expõe as fraquezas humanas… O título “A máscara e a fenda” representa dois elementos importantes nas obras de Machado.

    2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?
    Bosi considera Machado de Assis um mestre da narrativa, cujos contos analisam profundamente a sociedade brasileira do século XIX. O autor referido expõe os contrastes da época através da ambiguidade e da ironia, como em “O espelho”, onde critica a visão romântica e mostra como a identidade de um indivíduo é moldada pelo olhar dos outros. Para ele, Machado usa a máscara e a fenda como recursos para revelar a essência humana e os mecanismos sociais. Além disso, destaca que os contos, especialmente na fase realista, mostram a evolução do autor, com uma análise psicológica dos personagens e uma crítica sutil, mas impactante, à sociedade. Esses elementos ajudam a expor as verdades escondidas nas relações sociais e individuais.

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  7. No capítulo “A máscara e a fenda” de O enigma do olhar, Alfredo Bosi avalia a construção narrativa de Machado de Assis, ressaltando como, a dualidade moral de seus personagens se manifesta. Embora alguns protagonistas aparentem inocência, há sempre uma suspeita sobre suas intenções. Em Miss Dollar, por exemplo, Mendonça se apaixona por Margarida, uma viúva rica que teme ser alvo de interesse financeiro. Nesse conto, se mantém uma distinção nítida entre certo e errado, com a possibilidade de “má-fé” surgindo apenas como uma insinuação.

    Aos poucos o limite entre aparência e essência se torna cada menor, o que reflete as transformações sociais e econômicas do Brasil oitocentista, que diluía a separação moral entre vilões e heróis. Segundo Bosi, essa nova configuração social exige que os indivíduos adotem máscaras para garantir status e influência, Machado de Assis passa a tratar as máscaras como instrumentos de ascensão social, não apenas como um recurso narrativo, mas como uma necessidade imposta pela sociedade.

    No conto Teoria do Medalhão, um pai aconselha o filho a tornar-se um “medalhão”, uma figura respeitável e influente, o que implica reprimir sentimentos e evitar posições polêmicas. Nesse caso, a máscara não é apenas um disfarce ocasional, mas uma construção necessária para quem deseja prosperar.

    A ideia de que a aparência supera a realidade é um eixo central nas obras machadianas, evidente em contos como O segredo do bonzo, no qual o que importa não é a verdade em si, mas a capacidade de persuadir os outros acerca de sua veracidade. Essa lógica se intensifica em O espelho, nesse caso, Jacobina sustenta que o ser humano possui duas almas: uma interior, subjetiva, e outra exterior, construída a partir da percepção alheia. Quando se vê desprovido de reconhecimentos, Jacobina sente-se vazio, no entanto, ao vestir sua farda, símbolo de status e prestígio, reencontra sua identidade. A conclusão do conto reforça a noção de que o indivíduo não se define apenas pelo que é, mas pelo papel que desempenha socialmente.

    Para Bosi, “a sociedade levantou muros entre as classes, mas os muros têm fendas”. Nos contos de Machado de Assis, essas fendas representam as brechas que permitem a transformação social, mas apenas para aqueles que sabem manipulá-la por meio do jogo das aparências. A máscara, torna-se uma condição da vida em sociedade, mostrando o quão complexas são as relações humanas e quão fácil é perder-se entre a autenticidade e a dissimulação.

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  8. 1. Por que o título do texto é a máscara e a fenda?

    O título carrega esse nome por aproximar metaforicamente os contos de Machado de Assis ao que era vivido em sua época. Trata-se de uma primeira ideia/imagem apresentada por um personagem que, ao longo da história, vem a ser transformada negativamente, retratando os desafios vividos por pessoas que se importavam com o status acima de tudo, como se usassem máscaras. As intenções ficam evidenciadas por meio dos diálogos e das atitudes tomadas pelos personagens, como por exemplo em “A teoria do medalhão”, obra na qual o pai induz seu filho a ser diferente a ponto de suprimir quem ele é, tornando-se um “medalhão”. Para tanto, a ironia acaba sendo um recurso bem utilizado com esse tipo de enredo, também podendo ser visto em “O espelho”.

    Nesse sentido, a fenda simboliza os momentos em que se pode entender a verdadeira natureza da pessoa, aquele “eu” escondido por de trás da máscara. Trata-se do oculto e complexo ser que não se expõe até o momento oportuno: a tão esperada ascensão.

    2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?

    Para Bosi, o retrato social feito por Machado de Assis em suas obras são fortemente críticos em relação à época. A ironia utilizada, as histórias contadas e toda a fragilidade por trás dos personagens e suas necessidades mostram questões muito intrínsecas às relações humanas. Sua análise engrandece as obras de Machado e o deixam em destaque para época em que viveu.

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  9. Bosi, ao analisar os contos de Machado de Assis, percebeu a dualidade presente nos personagens e como essa divisão se manifestava. A partir dessa reflexão, elaborou o capítulo A Máscara e a Fenda. A “máscara” representa o disfarce que os personagens utilizam para ocultar seu verdadeiro eu—seus medos, angústias e prazeres—, enquanto a “fenda” simboliza o espaço que separa essas duas identidades: de um lado, a persona socialmente aceita, moldada pelas convenções; do outro, a essência oculta, conhecida apenas pelo próprio indivíduo e encoberta por uma hipocrisia generalizada. De forma abrangente, Bosi demonstra como, inicialmente, os contos de Machado eram vistos como inocentes dentro dessa perspectiva de disfarce, mas, com o tempo, o autor se torna cada vez mais consciente das máscaras e de sua complexidade.

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  10. No capítulo ”A máscara e a fenda” em seu livro “O enigma do olhar”, Bosi reflete sobre Machado de Assis e sua visão a partir de seus contos. Para Alfredo Bosi, no começo da escrita de Machado de Assis já conseguimos saber se o personagem tem alguma segunda intenção em suas ações e mesmo aqueles que aparentam inocência em suas ações há um ar de suspeita, os contos focam em riqueza conquistadas seja por meio do matrimônio ou por patrimônio. Um exemplo é Mendonça em “Miss Dollar”, o personagem se apaixona por Margarida porém a mesma é uma viúva rica que não acredita que alguém queira amá-la e sim só interessado em seu dinheiro, nesse caso o personagem principal é colocado logo no começo como um homem sem más intenções. Esse é um dos primeiros contos de Machado, a ideia de certo e errado era muito clara, e apenas a suspeita de que podia haver má-fé da parte de um dos personagens. Nessa época o próprio Machado utilizava uma máscara mas que já tinha fendas como a suspeita de que Mendonça estaria interessado no dinheiro de Margarida.
    A partir disso vemos outros contos de Machado que envolvem personagens que usam máscaras para conseguirem enganar alguém para ascenderem socialmente. Machado de Assis ao longo do tempo coloca o engano como uma necessidade em suas obras e a aparência como a essência da pessoa, há essa divisão dentro dos personagens entre a moral de seus sentimentos e a moral burguesa na qual o materialismo é mais importante, isso se deve ao período de novas relações sociais e econômicas em que o Brasil passava, com a burguesia em ascensão. Logo, não havia mais a distinção clara de certo e errado, do vilão e do mocinho em seus contos.
    Segundo Bosi, essa escrita se baseava na nova sociedade da época, na qual todos usavam máscaras para terem status e poder, isso é visto em “ Teoria do Medalhão” no qual o pai aconselha o filho a ser um medalhão, um homem com poder e riqueza, mas para isso ele necessita mudar quem é, reprimir seus sentimentos, ser neutro em algumas discussões, mudar seus hábitos e opiniões, logo, utilize uma máscara para poder crescer na vida. Essa máscara vem também da necessidade de se proteger, e para Bosi, era algo que as pessoas mantinham por tanto tempo que se tornava parte delas.
    A Ideologia machadiana de que a aparência é a essência das pessoas, pode ser visto em “O segredo do bonzo”, o qual tem essa “moral da história” de que a aparência é mais importante que a realidade, não é necessário provar que algo é verdade mas convencer os outros de que é. No conto “O espelho” vemos ainda mais essa ideologia, Jacobina afirma que existem duas almas, sendo a exterior algo material que muda, fazendo uma alusão ao materialismo. E no final, quando se vê sozinho no espelho se sente perdido mas ao colocar a farda, que o havia mudado pela admiração que causava em todos, se sente tranquilo novamente como se tivesse se encontrado, pois esse status havia se tornado o ponto central de sua existência, o qual também é uma máscara que ele vestia.
    Porém, como Alfredo Bosi escreve, “a sociedade levantou muros entre as classes, mas os muros têm fendas”, logo, nos contos machadianos existe essa fenda, que por mais que alguém nasça em uma classe pode mudar para outra e é a partir dessa ideia que existem as máscaras, utilizadas para alcançarem seus objetivos.

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  11. 1. Por que o título do texto é a máscara e a fenda?

    O título A Máscara e a Fenda reflete a dinâmica dualista presente nas narrativas de Machado de Assis, assim como a contradição humana. A máscara pode ser vista como uma necessidade de ocultação das origens das personagens, que buscam aceitação social, muitas vezes adaptando-se aos costumes da classe dominante. Isso leva os personagens a “usarem” essas máscaras. Já a fenda representa o ponto de desencaixe ou contradição, onde as diferentes personas (a original e a que se adapta) se encontram.

    2. Qual a visão geral de Bosi sobre a produção de contos de Machado?

    Bosi destaca que os contos de Machado exploram essa oscilação entre aparência e essência, revelando a complexidade do comportamento humano. O conto “A Igreja do Diabo”, por exemplo, ilustra essa contradição, pois, mesmo em um sistema que permite a libertinagem absoluta, as pessoas ainda sentem a necessidade de esconder certos comportamentos. Isso reflete a crítica de Machado à sociedade, mostrando que ninguém escapa completamente das máscaras impostas pela convivência social.

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  12. RESPOSTA LUCIMARA:

    No primeiro momento, Alfredo Bosi apresenta o escritor ainda jovem, acostumado ao estilo familiar da época, em que a máscara social escondia uma conduta objetiva da classe. Para Bosi, o narrador, nos seus primeiros contos, ainda não tinha consciência da ambiguidade das situações que criava para as suas personagens. Assim, o jogo de interesses, onde as personagens demonstram irregularidade de sentimentos e conveniências estruturam relações sociais assimétricas, é o que justifica a necessidade da máscara.
    Na sequência, vamos conhecer Machado de Assis que apresenta suas histórias com a suspeita e o engano, e, ao mesmo tempo, enfatiza os bons sentimentos dificultando a percepção do grau de desconfiança no que se refere às bases reais da intriga. Para Bosi, Machado tinha a característica de deixar para o leitor uma lição a tirar dos seus contos, sem que isso ocorresse de forma explícita.
    Alfredo Bosi apresenta a chaga existencial do homem Machado, “que passou de uma classe social para outra cortando os laços que o amarravam à infância pobre” (p. 82), a ruptura e a consciência da ruptura com sua classe social procura ilustrar a sua concepção sobre a máscara e a fenda, título que deu nome ao capítulo do livro: a máscara se traduz nas diversas situações em que as personagens dos seus textos retratam as exigências dos padrões sociais, às quais os homens se sujeitam para tentar sobreviver e deixar para trás a miséria, tal como o fez, o próprio Machado. Bosi, na sequência, afirma: “A sociedade levantou um muro entre as classes, mas esse muro tem as suas fendas” (p. 83), ou seja, a fenda a que se refere é o vão por onde se vê o outro lado da sociedade, o outro lado da verdade que a máscara que precisamos usar não nos permite conhecer. A fenda representa esse vão, a separação entre aquilo que aparenta ser pela máscara e o que pode ser visto por trás dela. A fenda que separa os homens, em pensamentos, palavras e ações. Separa os “loucamente certos” dos irracionalmente loucos. A máscara disfarça; a fenda aparta.
    No conto o “Alienista”, podemos perceber o paradoxo entre a ciência e a razão. Loucura e força se conjugam e a desrazão se sobrepõe, de certa forma, à razão. A ciência tem o domínio e o exerce sobre todos que ousarem barrar o seu caminho, sob a alegação de que tudo o que é diferente, de algum modo, da norma instituída, deve ser afastado do convívio público. Está aí uma velada crítica à Psiquiatria e aos comportamentos sociais da época.
    De acordo com Bosi, Machado não julgava ou condenava as personagens mascaradas das suas histórias, porque estaria condenando a si mesmo. A máscara, então, seria uma defesa e os comportamentos sociais impostos justificam o seu uso.
    No conto “O espelho”, Bosi aponta a “máscara social” como uma vestimenta tão poderosa no que diz respeito à ilusão que o próprio sujeito que a veste se convence de ser o que sua aparência indica, a máscara que se revela no espelho é a máscara do próprio eu. A farda representava imponência e poder (a face pública), e quando a personagem a retira se vê solitária e vulnerável (a face íntima).
    De acordo com Bosi, podemos verificar “A máscara” também no conto “A Teoria do Medalhão”. Durante o diálogo entre pai e filho, quando o pai apresenta sua teoria de como se tornar um medalhão, está presente a “máscara” que deve ser utilizada para conquistar o sucesso e a aceitação social. Nas orientações do pai ao filho, estão presentes os elementos que devem ser seguidos, como o uso da ignorância para se atingir o desejável status.
    Para Bosi, boa parte dos contos de Machado, a partir de papéis avulsos, está direcionada à passagem de uma moral a outra, com todo o processo de adaptações que ela implica. A presença de ambiguidade na obra de Machado permite ver o mundo de um lado e, depois, do outro, e ainda, ver um através do outro. Atento às novas relações econômicas e sociais do Brasil, Machado procurou entender a mecânica dos homens da época. “Nem utópica nem conformista, a razão machadiana escapa das propostas cortantes do não e do sim. A perspectiva de Machado é a da contradição que se despista, o terrorista que se finge diplomata. É preciso olhar para a máscara e para o fundo dos olhos que o corte da máscara permite às vezes entrever. (pág. 125). A obra de Machado de Assis revela nuances de comportamentos e sentimentos sobre os quais há necessidade de análise e reflexão. Os detalhes dessa análise nos fazem entender melhor o escritor como homem e a importância das suas ideias para a sociedade atual.

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  13. No capítulo “a máscara e a fenda”, Bosi, por meio dos contos de Machado, propõe uma reflexão sobre a tensão entre o que é dito e está escancarado e o que não é dito e está devidamente escondido. 

    A máscara se trata de aparências fingidas por personagens para que mantenham determinado status social – sendo, portanto, um recorte da sociedade da época em que Machado escrevia. Já a fenda, como Bosi afirma em seu texto, são os intervalos, o oposto do disfarce, uma mudança de classe social – mas isso levando em conta a manipulação das máscaras e para que isso aconteça, é necessário que ambas sejam trabalhadas juntas, tanto a máscara quanto a fenda. 

    Bosi enxerga Machado como um mestre em narrativa que trabalha com a ideia da máscara e da fenda para escancarar os problemas da sociedade na qual ele vivia. Pois, se não usasse a metáfora, seria criticado intensamente. 

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  14. O texto é intitulado como “A máscara e a fenda” por causa de uma “máscara” que é posta no narrador e em personagens, pois essa máscara social é utilizada para ocultar, dessa forma criando uma imagem superficial das situações com exigências das convenções sociais; limitando a visão da sociedade e deixando oculta as suas críticas.
    Sendo assim, a “fenda” é quando essa máscara não está mais presente, criando um contraste, pois é aprofundado as situações e os personagens. Sem a máscara uma outra sociedade e problemas são vistos, como conflitos sociais e dilemas.
    Bosi acrescenta que “a crítica está velada, mas não ausente. O que se lê nas entrelinhas é muitas vezes mais agudo do que o que se declara no texto.”
    Em Miss Dollar, a máscara é como o conto é narrado com leveza e um teor de comédia romântica, enquanto a fenda escancara os costumes da sociedade burguesa da época, que se preocupava com os bens materiais, as convenções sociais e as aparências.

    Para Bosi, os contos de Machado eram leves, apesar de profundos com as lições. A dualidade entre máscara e fenda é retratada como humor e como uma rendição franca da consciência.
    Bosi classifica Machado como o mais “realista” do seu tempo, explorando a psicologia e as relações humanas, além de denunciar a sociedade brasileira do século XIX.

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  15. 01) Em seu livro, Bosi fala sobre a ambiguidade entre o “eu” e uma estrutura objetiva e insuperável. Nesse sentido, a máscara seria um status social, uma forma de se encaixar na sociedade. Considerando que a máscara não pode ser subjetiva, ela se torna comum e generalizada, pois “a necessidade de proteger-se e de vencer na vida […] só é satisfeita pela união ostensiva do sujeito com a aparência dominante” (BOSI, 86). Além disso, a máscara é uma defesa, pois é necessário se enquadrar nas instituições para sobreviver no cotidiano. Assim, ela é algo que se aprende ao longo da vida, em um processo de amadurecimento. Geralmente, ainda está associada ao patrimônio e matrimônio, com o objetivo de ascender socialmente.

    Dessa forma, a fenda pode ser explicada da seguinte maneira: “a sociedade levantou um muro entre as classes, mas esse muro tem as suas fendas. É possível às vezes passar de um lado para o outro, não precisamente pelo trabalho, mas cultivando e explorando as relações “naturais”” (BOSI, 83).

    Em suma, a máscara é a aparência social, e a fenda é a possibilidade de conquistá-la.

    02) De acordo com Bosi, “Machado foi o mais “realista” dos narradores brasileiros de seu tempo; aquele que mais desassombradamente entendeu e explorou o espírito da nova sociedade e mais nitidamente o inscreveu em figuras e enredos exemplares” (BOSI, 88). Nos contos escritos após os quarenta anos, Machado expõe suas teorias bizarras e paradoxais, mostrando a sua percepção e consciência frente ao funcionamento das relações sociais e à estrutura enraizada das instituições. Com isso, ele evidencia a necessidade da máscara, pois sem o olhar do outro, o sujeito fica desamparado. Entretanto, ao mesmo tempo, é justamente isso que o autor critica. Machado era amante do contraste, o que se percebe pela dualidade de suas personagens. O que marca o amadurecimento de Machado é o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que o autor parece renascer e passa a assumir uma perspectiva mais problemática. Após compreender o antagonismo presente na sociedade, ele começa a escrever sobre o sujeito que é capturado pela aparência dominante.

    De maneira geral, o que Machado escreve é a realidade; dele e da realidade das demais pessoas, pois o sujeito vai “da inexperiência ou da ingênua franqueza à máscara adulta” (BOSI, 102).

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