Atividade 1 – Romantismo no Brasil LEITO DE FOLHAS VERDES

Leito de folhas verdes


Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu, sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d`alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazóia na cinta me apertaram

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!

– Gonçalves Dias, no livro “Últimos cantos”. Série ‘Poesias americanas’. 1851.

ATIVIDADE 1:

  1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
  2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
  3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
  4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?

ATIVIDADE 2:

Leia o texto “Gonçalves Dias inaugura o romantismo”, de Antonio Candido, e reveja suas respostas às questões acima.

ATIVIDADE 3:

Refaça suas respostas à luz do texto teórico e poste-as aqui como um comentário. Caso você tenha dificuldade para postar, me envie suas respostas por wapp.

17 comentários sobre “Atividade 1 – Romantismo no Brasil LEITO DE FOLHAS VERDES

  1. 1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    Em Leito de Folhas verdes, é contada a história da amada
    á espera do amado, Jatir, ela lamenta à espera e
    á saudade do amado. Mas o amado não volta. Oque cria drama no poema e uma frustração na amada. Ela utiliza de elementos da natureza para descrever seus sentimentos.

    2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução se dá a partir de um monólogo, pois no poema não tem resposta alguma vinda de suas questões realizadas para o amado. Ela lamenta e dialoga sozinha, sem obter respostas no amado.

    3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    O poema traz imagens de saudade, melancolia e natureza, que era um importante elemento na poesia nacional. É destacado o indianismo, o modo de ver a natureza com profundidade,
    Há uma transposição de cantigas européias medievais portuguesas e cantigas de amor.

    4.O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Traz uma novidade no sentido do eu lírico feminino que narra seu amor e seu desejo pelo amado e de como o autor se desprende da estrutura clássica e escreve um poema que prioriza a sonoridade, com grande presença de assonâncias.
    E consegue expressar sentimentos do indígena por exemplo, de forma poética e romântica.

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  2. 1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema narra a espera de uma mulher indígena por seu amado, Jatir; a forma como ela o mantém em seu íntimo (no pensamento) enquanto o espera, preparando tudo para receber sua chegada apreciando a natureza a sua volta, comparando-a com o que ocorre em si mesma. Conta que ela o espera noite a fora, embora Jatir não chegue o que quebra a expectativa do eu-lírico feminino, caracterizando o drama comum ao Romantismo.

    2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    O eu-lírico estabelece a interlocução de forma pessoal (como se pode perceber pelas marcas linguísticas de primeira pessoa nos pronomes possessivos “meus”, “meu” e passagens como “nunca tive” onde o sujeito da sentença, apesar de oculto, se trata da primeira pessoa reto “eu”); além disso o eu-lírico utiliza-se de vocativos para chamar a natureza e seu amado, Jatir. Isso ocorre para suprir a necessidade do exagero que o Romantismo pede, o Poema tem Jatir como ponto central, por ser o alvo de desejo do eu-lírico e com isso é a ele quem ela chama inúmeras vezes ao discorrer do texto.

    3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Cândido chama de “consolidação do romantismo”?
    É criada a imagem de um lugar rico em natureza, um lugar belo e mágico por essas riquezas, que era justamente a imagem que se queria passar quando se falava do Brasil, que seria como os indígenas viam essa terra. Isso é justamente o que faz com que Cândido considere a consolidação, pois á uma substituição do ambiente onde os poemas costumavam ser ambientados, dentro de palácios e palacetes passando para bosques e florestas tropicais que são comuns aos indígenas e não aos nobres como costumava ser nos poemas europeus. Além dessa ênfase dada a natureza, aqui começa-se a haver um direcionamento que leva a maior exploração da sexualidade feminina.

    4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    O ambiente mais tropical e abundante em natureza do Brasil, as alusões à cultura do povo nativo, e a não preocupação com a estética clássica (versos normalmente decassílabos que eram comuns á época) que traz mais liberdade quanto a estrutura do poema bem como no tema tratado que passa a ser uma marca do romantismo brasileiro (a idealização por parte do eu-lírico feminino) são algumas das novidades presentes no poema. Vale destacar aqui também o fato de que o eu-lírico é uma mulher indígena narrando um poema de conotação sexual.

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  3. 1- Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema conta a história de um eu-lírico feminino, uma mulher indígena, que está a espera do amado, Jatir. Ao longo do poema ela vai contar que o aguarda e está preparando um leito de folhas verdes para seu retorno. O aguarda durante a noite toda, enquanto vai descrevendo a natureza, mas já é manhã e Jatir não apareceu, quebrando a expectativa do eu-lírico e gera uma grande frustação que podemos ver na última estrofe

    2-Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução é estabelecida ao longo do poema com o personagem Jatir, por meio de vocativos ao invoca-lo. Estão presentes no 1º verso do 1º e 9º estrofe e no 4º verso do 7º estrofe nas sílabas 5º e 6º nos três versos.

    3- Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    As imagens criadas ao decorrer são da mata brasileira e como o indígena estão ligadas a ela, com os elementos: flor, folha, luar, mangueira, sol. Criando a ideia do indígena romântico, as imagens são criadas por meio do elemento de Candido “substituição”, trocando cenários europeus (como os castelos e bosques) para a natureza do Brasil, como nos trechos “Eu, sob a copa da mangueira altiva”, “Do tamarindo a flor abriu-se”, e substitui o eu lírico, que seria de uma mulher camponesa em uma cantiga de amigo, por uma mulher indígena.

    4- .O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    A novidade é a falta de elementos da estética/temática clássica, nas substituições e afastamento das características do classicismo, mostrando uma maior liberdade do autor. Existe também a novidade de um eu-lírico feminino indígena ambientando na mata.

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  4. 1- Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    A história contada é de uma mulher à espera de seu amado, Jatir, ela sente saudade dele e está esperando que chegue, passando a noite até o dia clarear a sua espera porém o mesmo não vem. O eu lírico feminino utiliza de elementos da natureza para comparar com o amor que sente.

    2- Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução se da pelo monólogo que tem com seu amado Jatir, esse monólogo se da por meio de vocativos, como acontece no primeiro verso do primeiro parágrafo e também com os elementos da natureza.

    3- Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    A imagem criada é de uma natureza perfeita, uma das características do indianismo, um movimento dentro do romantismo. Também cria uma imagem romântica da mulher indígena, fazendo uma transposição, o que Cândido chama de consolidação do romantismo, das cantigas de amigo do trovadorismo, as quais o eu lírico feminino falava com seu amado utilizando elementos da natureza, assim como acontece no poema “Leitos de Folhas Verdes”.

    4- O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    A inovação é o eu lírico feminino indígena romantizado, que está ligado ao indianismo, movimento dentro do romantismo. Além do ideal nacional, uma inovação para o Brasil porém algo já visto na literatura europeia da época, sendo esse ideal nacional colocado por meio da representação do indígena.

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  5. 1-Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    A narrativa, trazida a partir do ponto de vista do eu-lírico femino, nos conta a história de uma indígena que está a espera de seu amor, Jatir, em um leito de folhas, esse o qual ela fez com intuito de recebe-lo apesar de ele nunca chegar. A índia, durante todo o texto, exprime sua devoção e paixão ao amado, junto do discurso de quer reencontra-lo logo e novamente.

    2-Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A narrativa estabalece interlocução através de sua estrutura, a qual se apresenta através do monólogo único da indígena, que professa seu amor ao seu amado. Ou seja, o uso de vocativos e a construção do texto como um meio de chamas/se comunicar com seu amado, através da natureza, permite o estabelecimento da interlocução

    3-Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    O autor cria imagens da natureza e da indígena brasileira, ambos idealizados pelo europeu. Contribuindo para a consolidação do romantismo ao trazerem representações do ideário e imaginário nacional, ajudando assim na construção do texto, do romantismo e da consolidação do mesmo.

    4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    O poema traz como novidades o desejo, do romantismo, de criar uma leitura nacional. Assim como traz um eu lírico femino, o que é pouco comum na literatura, do ponto de vista uma indígena. E para finalizar, nos traz também uma tematica lírica nova do periodo, a tematica indianista

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  6. 1) Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema conta uma história de amor. Trata-se de uma moça de origem indígena falando de dentro do lugar que ela costumava repousar com seu amado, “o leito de folhas verdes”. No entanto, a alegria se perde quando ele (Jatir) se vai.
    A mulher, comparando seus sentimentos com elementos da natureza, revela a angústia de esperar o retorno de seu amante, mesmo demonstrando consciência sobre o fato de que ele não voltará (primeiro e segundo verso da nona estrofe). Restam então, memórias e melancolia, onde ela traz imagens do leito como símbolo de suas emoções e lembranças.

    2 ) Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    O eu lírico feminino dirige seu discurso diretamente para uma segunda pessoa, que neste caso, trata-se de seu amado. Mesmo sem obter respostas, ela insiste em chamar por Jatir, ainda que ele esteja ausente.
    Ela estabelece diálogo por meio de preces, perguntas e afirmações para manifestar o que sente.

    3) Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    O poema tem imagem romântica, essencialmente feminina, valendo-se da natureza para descrever o amor e a angústia presente em todo o texto. Sendo um retrato do amor indígena, as imagens naturais são o cenário onde se passa todo o tempo de espera pelo desejo da volta de Jatir.
    Contudo, existe a transposição de referências europeias para a narrativa, como o amor impossível, a melancolia, e principalmente o estereótipo da vivência indígena e do feminino.
    Portanto, como enfatiza Antonio Candido, a natureza espelha o sentimento, ressaltando a subjetividade e o individualismo presentes no romantismo, contribuindo para consolidá-lo ao tratar dos assuntos centrais desse movimento literário.

    4 ) O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    O poema contribuiu para criar, na época, uma identidade nacional através do uso de cenários essencialmente brasileiros, fazendo com que a poesia estivesse mais relacionada ao contexto que o país vivenciava. Além disso, a linguagem do romantismo, de forma mais simples, trouxe a valorização da natureza, a melancolia e o sentimento de forma mais introspectiva, explorando o Eu em cada texto.

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  7. 1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    R- Sim, o poema é narrado do ponto de vista do eu-lírico feminino, sendo uma mulher indígena.
    O eu-lírico feminino anseia pela volta de seu amado, Jatir, e questiona o porquê de sua demora. É importante ressaltar que os elementos da natureza estão muito presentes, a natureza traduz toda a doçura do esperado encontro amoroso. Na última estrofe temos a desilusão do eu-lírico. Com a chegada da manhã, a esperança e a expectativa dão lugar à decepção e à tristeza, pois Jatir não responde ao seu chamado.

    2-2 ) Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    R-A interlocução se dá pelo dialogo que o eu-lírico tem com o seu amado através dos elementos da natureza, dialogo que se da por muitas personificações e figuras de linguagem.
    Mesmo que o seu amado, Jatir não a responda, ela faz preces e questionamentos, usando a natureza como um canal para expressar seus sentimentos.

    3-Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    R- As imagens principais do poema estão relacionadas a natureza. A própria enunciação aponta para um espaço físico específico das florestas tropicais e que os personagens enunciados (o eu poético e Jatir) caracterizam uma idealização da cultura indígena brasileira justificando com isso, o objetivo dos poetas românticos em retratar uma realidade de cunho nacional, ou seja, a narração dos fatos ou paisagens nacionais. E, esse olhar do poeta sobre essa temática, também participa da construção de um imaginário do índio, esse elemento distanciado da cidade, desconhecido e, aqui, idealizado pelos europeus.
    Outra questão seria a presença da “idealização do eu feminino”.
    Dentro dessas questões é possível notar que o Candido através dessas substituições de cenários e ideários nacionalistas e temática indianista, juntamente com a construção do texto, ajuda na consolidação do romantismo.

    4 ) O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    R- O poema traz de novidade para a literatura do período a formação da identidade nacional ao empregar cenários tipicamente brasileiros, conectando a poesia com a realidade do país naquela época. Além disso, a linguagem romântica, de maneira acessível, enfatizou a apreciação pela natureza, a melancolia e a expressão introspectiva de sentimentos, permeando cada texto com explorações do eu.

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  8. 1. O poema compreende dois movimentos, o primeiro movimento o eu lírico a mulher indígena esperando seu grande amor Jatir a voltar para casa, com muita esperança e fé que ele voltará logo, ela arrumava o leito deles em baixo das árvores e chamava ele utilizando os elementos da natureza. Ela narra como o seu amor se fortalece, e como a sua esperança cresce, dele chegar ao anoitecer com o perfume das flores que exala a noite. O segundo movimento o eu lírico vai perdendo a esperança da chegada do seu amado, o sofrimento e profundo pois ele o único amor ideal e verdadeiro dela, no final do poema ela deixa a brisa disfarçar o leito que tanto ela cuidou para a chegada do Jatir.
    2. A interlocução é estabelecida no poema entre o eu lírico “a mulher indígena” e o seu amado Jatir, usando os elementos da natureza na sua interlocução com ele, explicando do seu grande amor e o sofrimento da sua espera. Por exemplo, ela questiona ele ” Por que tardas Jatir…?” e no último quarteto “Não me escutas, Jatir!”. A única voz no poema é do eu lírico e o amado toma parte da conversação de forma passiva.
    3. As imagens que o poeta estabelece no seu poema são da natureza indígena brasileira, usando os elementos da natureza, como “tamarindo, bogari, tupã, arazóia na cinta..etc”. Também a imagem de um amor idealizado pela mulher ao homem, e o sofrimento que esse amor traz para a amada. O poema tem uma imagem nacional do eu lírico, então o Gonçalves Dias traz amor europeu para o seu poema, aquele amor de muita idealização e pureza, e o instala entre a mulher indígena e o Jatir, é aqui que ocorre a transposição. Pois os elementos do poema tanto de natureza quanto a presença da mulher indígena como o eu lírico, são os elementos adequados do território do poeta, é aqui que ocorre a substituição. Porém esse amor idealizado entre a mulher indígena e o Jatir e uma invenção e romanização do poeta comparando o com a realidade vivida no Brasil naqueles tempos. Em suma, no poema do Gonçalves dias ocorre a consolidação do romantismo.
    4. Gonçalves dias o criador da poesia nacional ensinou as novas gerações o romantismo, pois seus poemas apresentam a imagem romantizada do índio intergrado no tribo, nos costumes, naquele ocidentalizado sentimento de honra, que para os românticos era a sua mais bela característica. Nesse poema o eu lírico é a mulher indígena que ama do fundo do seu coração e tem o seu amor romântico, é uma obra prima do exótico, cheia de detalhes sensíveis. Ele usa os elementos da natureza aferindo a sua variação em cada ocorrência de cada verso, compreendido como fenômeno do movimento psicológico da personagem.

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  9. 1 – A história conta em detalhes exóticos e minuciosos a partir do ponto de vista de uma índia, sua relação amorosa com Jatir, outro índio, também presente no poema. A maneira com são descritos e expostos os cenários e sentimentos, enquadram-se nas características do romantismo em seu momento de ascensão na cultura literária brasileira, com um de seus maiores expoentes, Gonçalves Dias. O eu lírico feminino narra o passar de uma noite singular e simultaneamente comum para os dois. Ela, da mesma forma, ressalta o quanto Jatir provoca sentimentos amorosos e peculiares, suficientemente grandiosos para serem utilizados termos como: “quebranto de amor”, “amor que nunca tive”, a menção a arasóia apertada e expressões tal qual; “meus olhos outros olhos nunca viram”. A natureza se dispõe como elemento fundamental e presente para a ambientação, estética e construção do cenário proposto no poema. O bosque, as flores, a noite, o dia, a lua e sol, estrelas, magia, todos os elementos se alinham para compor a totalidade na narrativa indianista.

    2 – Existe uma interlocução tanto com a natureza constantemente se fazendo presente ao redor da índia, como na voz pelo amor de Jatir que em vão o chama para seu meio. As flores, frutas, o bosque em si e o perfume d bogari, bem como outros meios de descrição e ambientação nos quais o casal está inserido, corroboram para a formação de uma interlocução no poema. A maior dessas características, se encontra na ausência de resposta por parte de Jatir aos chamados que o eu lírico feminino faz.

    3 – Podemos dividir a questão em três partes:

    a) Substituição – Gonçalves Dias, adapta e recria o modelo europeu para construir maior significado poético e de identificação com o Brasil. O indianismo proposto, retrata de maneira simples, exótica e realista o índio brasileiro, divergindo das outras experiências durante o Brasil colônia, no qual o índio era extremamente romantizado a ponto de ser mártir, herói ou um mero alvo a ser catequizado.

    b) Transposição – A literatura europeia serviu de base para a consolidação da literatura brasileira, em grande ascensão justamente durante o romantismo. Os moldes europeus foram aproveitados e reutilizados, bem como adaptados a cultura e sociedade brasileira. Gonçalves Dias como um dos pioneiros nessa prática, obteve grande êxito ao escrever poemas que corroboravam com a realidade e a cultura original do solo brasileiro.

    c) Invenção – Continuando, o autor inova por seu meio de expressar, com traços realistas, exóticos e singulares tantas situações corriqueiras de uma vida indígena no Brasil. diferentemente dos poemas feitos anteriormente envolvendo o tema.

    4 – Ocorre uma exaltação do indianismo brasileiro, da maneira “correta” de fazê-lo. A percepção natural sobre o tema indianista, provoca um poema, bem como um movimento romântico em crescimento, que retrata no período e posteriormente, a forma de simplicidade e excentricidade acerca de como se deve construir uma obra indianista.

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  10. 1) Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema “Leito de folhas verdes” relata os sentimentos e a particularidade da mulher indígena, que espera ansiosamente pela chegada do seu amado Jatir. As emoções são expressas com intensidade ao longo do poema diante da súplica referente à vinda de Jatir. O eu-lírico, que é feminino, inspira-se na natureza para recebê-lo e, em seguida, para mostrar sua aflição e angústia ao constatar que ele, o seu amado, não virá.

    2) Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    O eu-lírico do poema expressa seus sentimentos diretamente para o seu amado. Como exemplo, tem-se o seguinte trecho: “Por que tardas, Jatir, que tanto a custo/ À voz do meu amor move teus passos?”. Aqui, é perceptível que o questionamento manifestado pelo eu-lírico é destinado a Jatir, evidenciado pelo vocativo. Não há respostas e nem interações de Jatir diante das falas do eu-lírico, ou seja, não há a construção de um diálogo. Mas, ainda assim, o eu-lírico continua discursando para o seu amado.

    3) Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    No poema, são criadas imagens com associação à natureza e ao indianismo. É a partir desta associação que o autor busca expressar a aflição e a angústia do eu-lírico pela espera do seu amado. Tal fato é uma característica do processo sofrido pelo romantismo brasileiro, que por mais que carregue alusão ao estilo europeu, a chamada “transposição”, busca priorizar um cenário que apresente a natureza e o indianismo brasileiro, é a chamada “susbstituição”.

    4) O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    O poema traz uma identificação nacional para o Brasil dentro da literatura. Esta identificação é causada pelos detalhes dos sentimentos da mulher indígena, que se destaca devido à qualidade e, ao mesmo tempo, à simplicidade presente na escrita de Gonçalves Dias.

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  11. 1- Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema romântico contém um eu lírico feminino, uma mulher indígena que está a espera do personagem Jatir, seu companheiro. A narradora conta que espera seu amado durante a noite e que está preparando um leito de folhas verdes para os dois, enquanto ao decorrer do poema. Também descreve elementos da natureza ao seu redor para melhor construção do cenário e dos sentimentos que se afloram quando está com ele, como por exemplo, no oitavo estrofe “Também meu coração, como estas flores,/Melhor perfume ao pé da noite exala!”, e também outras aclamações de amor no sexto e sétimo estrofe, respectivamente, “Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!”, “Não sentiram meus lábios outros lábios,/Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas”. Mas ao final do poema, o dia amanhece e seu amado não foi ao seu encontro, mostrando a frustação da mulher indígena no último estrofe “À voz do meu amor, que em vão te chama!/Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil”.

    2- Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução é estabelecida ao longo do poema com o personagem Jatir, por meio do uso de vocativos apresentados no primeiro verso do primeiro e nono estrofe, e no terceiro verso do sétimo estrofe.

    3- Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    As imagens são criadas por meio do elemento “substituição”, apresentado no livro O romantismo no Brasil de Antonio Candido, que se caracteriza como a troca dos cenários europeus para a natureza do país, representados pelos trechos do poema “Eu, sob a copa da mangueira altiva” e “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,”. Também substitui o eu lírico, pois em poemas de amor ou de amigo seriam fidalgos decaídos ou camponesas, mas nesse poema o eu lírico é uma mulher indígena.

    4- O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Sua novidade é a falta de elementos da estética/temática clássica, mostrando uma maior liberdade do autor nas substituições e na exaltação do indianismo brasileiro, tendo como consequência um sentimento de nacionalismo, em busca de libertação. Traz a linguagem do romantismo nas descrições e representações da natureza, em conjunto com o individualismo, uma literatura focada no “eu”.

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  12. 1- Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    No poema o eu lírico (feminino) narra um momento de uma noite de reflexão a respeito do seu amor por Jatir, lamentando a ausência do amado “Porque tardas, Jatir (…)”. Ela descreve minunciosamente o ambiente e os elementos da natureza presentes naquela noite, o que torna o poema ainda mais sentimental, trazendo detalhes a sua profunda declaração de amor pelo indígena.

    2- Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução do poema se estabelece através da mulher que faz uma espécie de “chamamento” ao seu amado declarando seu amor, ” a voz do meu amor move teus passos (…)”. Outro elemento utilizado pelo eu lírico para estabelecer interlocução é através dos elementos da natureza como forma de expressar seu amor.

    3- Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    O poema remete de certa forma uma estética arcade, de fuga do tempo por tratar de elementos da natureza. A consolidação do romantismo se da através da presença dos 3 elementos: Transposição, ao trazer no poema algo parecido com as cantigas trovadorescas (cantiga de amigo, onde a mulher escreve para o amado). Substituição: Ele traz elementos indígenas e características da natureza do território natural, porém ainda com elementos comuns na Europa e nos movimentos anteriores. Invenção: O autor inova de ao trazer elementos indígenas como “Tupá”, “Tamarindo”, “Arazóia”, “Bogari”, elementos esses que jamais eram citados em obras anteriores.

    4- O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    No poema, Gonçalves Dias traz características e elementos nacionais que não eram citados antes desse período. A Imagem do índio como o amado, citação de espécies da natureza e elementos culturais do indígena no Brasil.

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  13. 1. O poema conta a história de um encontro que não acontece. O lamento da mulher à espera do homem que tarda a chegar. O tempo passa, amanhece e o amado não chega.
    2. A interlocução se dá com o eu lírico, uma mulher, e um homem, porém, não há resposta do outro. Um monólogo que se faz em meio a imagens da natureza.
    3. Há uma caracterização estética sobre o indianismo; elementos da cultura e religião indígena e da flora brasileira são postos em evidência. Em contraste com a ”planta de abril favorecida”, do poema de Gregório de Matos, há uma caracterização da flora brasileira. Ocorre uma substituição e, assim, Gonçalves Dias consolida, segundo Candido, o romantismo.
    4. Gonçalves Dias faz, como Antônio Candido escreve, uma obra de boa qualidade sobre o índio. Ele coloca sobre o índio uma imagem arbitrária, sem idealizações exageradas sobre a figura do índio. Gonçalves faz também uma melhor utilização dos elementos da natureza, os mesclando com o discurso.

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  14. 1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    No poema é contada a história do amor que uma mulher sente pelo seu amado, ambos indígenas, e que, aparentemente, não é correspondido, ou pelo menos ela sente-se decepcionada devido à espera de um encontro não sucedido.
    Ela prepara um leito para os dois no início da noite, quando espera-o apaixonada. Ao decorrer do tempo – marcado por diferentes empregos de elementos da natureza, utilização de verbos de movimento e testemunho de espera – pode-se observar uma mudança psicológica e sentimental no eu-lírico feminino. E quando a noite finda, ele encontra-se decepcionado e deprimido, pois sua dedicação e espera foram infrutíferas.

    2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução é estabelecida por meio do uso do vocativo “Jatir” – usado no primeiro verso do primeiro quarteto; terceiro verso do sétimo quarteto e primeiro verso do nono quarteto -, por meio do uso do pronome pessoal “tu” e por meio de perguntas destinadas a ele, como ocorre em:
    “Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
    À voz do meu amor moves teus passos?”.

    3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    No poema são criadas imagens da natureza brasileira, como os “bogaris”, “mangueiras”, e “tamarindos” mencionados no poema. Isso também ocorre a partir da citação de elementos indígenas, como “arazóia” – saia de penas -, Tupã – Deus indígena – e o próprio nome “Jatir”. Também é criada uma imagem no plano psicológico de passagem do tempo simultânea à mudança de sentimentos do eu-lírico.
    É possível identificar a presença de transposição na influência da lírica portuguesa, nesse caso, medieval, em que a mulher dialoga com a natureza a respeito de seu amado, como acontece nas cantigas de amigo trovadorescas. Há substituição a partir do emprego de elementos brasileiros presentes na natureza brasileira e na cultura indígena. E a invenção está na nova convenção poética temática e estética, em que há forte caracterização da natureza brasileira, “tristeza digna”, individualismo psicológico, afinamento do verso branco e presença de harmonia, ou seja, um misto de medievalismo, idealismo, etnografia fantasiada e identidade estética.

    4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Diferentemente da maioria dos românticos da primeira geração e seus sucessores, Gonçalves Dias tem uma característica interessante que é a ausência da imoderação sentimental e do exagero pessimista.
    Em “Leito de folhas verdes”, fica evidente a qualidade da sua obra e seu destaque perante outras obras românticas. A começar pelo plano psíquico que ele explora sabiamente, através da estruturação dos vocábulos empregados. Isto é, há palavras empregadas repetidas vezes com significados poéticos diferentes. Isso enriquece o poema e leva o leitor a sentir uma passagem do tempo simultânea a mudança de sentimentos do eu-lírico. A construção de imagens da natureza brasileira com a subjetividade que o poeta faz, fazendo uso de sensações, também é uma novidade que denuncia seu orgulho nacional e intenção de consolidar a literatura brasileira.

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  15. 1- O poema é narrativo, a história contada é a do amor do eu lirico por Jatir, este eu lirico é uma mulher indigena que na sua descrição do amor coloca elementos da cultura indigena e da região. A descrição das folhas ao longo das estrófes conta a história da mulher que aguarda seu amado mas no entanto ele não retorna, na primeira estrófe: “Da noite a viração, movendo as folhas, Já nos cimos do bosque rumoreja.” a brisa da noite vem movendo as folhas com um chamado leve um rumorejo, um susurro, na segunda estrófe o leito ja está pronto para a chegada do amado: “Nosso leito gentil cobri zelosa com mimoso tapiz de folhas brandas,” e por fim na nona estrófe vem a realização de que o amado não retornará: “A voz do meu amor que em vão te chama Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inutil”. Tupã ou trovão simboliza a agressividade da decepção, que vem com a revelação que seu leito foi em vão, pois Jatir não voltou a sua amada.

    2- Interlocução ocorre no poema quando o eu lirico busca em vão se comunicar com seu amado Jatir, isto ocorre na primeira, setima e nona estrofé quando o eu lirico usa o vocativo “Jatir”, ocorre também na declaração presente na sexta estrófe “és meu, sou tua!”.

    3- A consolidação do romantismo acontece no texto através da transposição e da substituição, o texto é similar as cantigas de amigo europeias, que usam de caracteristicas da natureza para descrever o amor, Gonçalves Dias pega estes elementos e os substitui por elementos caracteristicos do território brasileiro. Além disso trazendo elementos medievais e os transmutando na figura indigena ele cria uma convenção poética nova, marcada pela visão idealisada e muitas vezes inventada que se tinha do indio, utilizando ele como figura mitica na criação de um caráter nacionalista brasileiro.

    4- O poema rompe com p caráter pessimista do romantismo que existia naquele momento histórico, trazendo a possibilidade de romantizar a figura do indio, dando ao indio aquele sentimento medieval de honra, comparando a figura do guerreiro indigena com os guerreiros da cavalaria medieval. O indianismo é importante para o momento histórico justamente por trazer a possibilidade de maravilhar o leitor com as caracteristicas exóticas desconhecidas para o europeu, apesar de estas caracteristicas não serem completamente verdadeiras, elas abrem portas para um “heroi” com uma capacidade poética maior.

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  16. Gabriela de Campos Martins
    1. A poesia trata de uma indígena que está a espera do seu amado, ela fala de seus sentimentos usando elementos da natureza, e enquanto seu amado, Jati, não chega ela descreve o que está acontecendo ao seu redor. Ela prepara um leito com as folhas mais verdes da árvore para espera-lo mas infelizmente o leito foi inútil, pois ao final do poema o sol já estava por vir e com ele a brisa que destruiria seu leito que não foi utilizado pelos amantes, umas vez que Jati nunca chegou.
    2. A interlocução é feita por meio do vocativo Jati e o uso de elementos na segunda pessoa. O eu lírico se expressa em relação ao Jati e ao final do poema há um diálogo com Tupã.
    3. As imagens são construídas ao longo das estrofes, começando com uma floresta/bosque, logo depois já percebe que é um bosque tropical devido à árvore mencionada, então há a criação de uma imagem através da transposição de elementos da natureza para o sentimento do amor. Amor que é idealizado, inalcançável, uma característica europeia que é transposta no poema e substituída pelas duas figuras indígenas.
    4. A grande novidade que o poema de Goncalves dias traz é o desejo de criar uma literatura nacional, própria brasileira mesmo que alguns ideais europeus sejam embutidos nos versos, as vezes até inconscientemente pois, na época, a literatura europeia era o que estava em alta, portanto não deixa de haver um diálogo entre elas, mas, é claro, como diferentes objetivos.

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  17. 1- É contada a história de uma mulher que sente muito amor por seu amado e compara esse amor com o influxo da natureza, com a viração. Ela espera por esse amor mas ele não vem, então ela o suplica e o sofre. 2- A interlocução no poema é estabelecida através da detalhada descrição do amor sentido no mesmo; no clamar e na comparação com elementos da natureza. 3- Imagens da natureza, como do desabrochar das flores e da brisa trazendo seus aromas. Essas imagens fazem a “consolidação do romantismo” uma vez que tem enorme sensibilidade literária, com repertório de imagens e exaltação da natureza local. 4- Não consegui identificar nenhuma novidade no poema. Ele apresenta praticamente todas as características dos poemas românticos da época.

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