Atividade sobre A Carta ao rei D. Manoel

Caros alunos,

Aqui é o espaço para que vocês escrevam seus textos relacionando a dupla visão – de deslumbramento e exploração – trazida pela carta de Caminha aos poemas estudados em sala.

Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manoel
poemas para aula carta
Abraço

Thais

19 comentários sobre “Atividade sobre A Carta ao rei D. Manoel

  1. Tanto a carta quanto os poemas trabalhados em sala de aula apresentam principalmente a exaltação e deslumbramento do descobrimento de uma terra nova, tropical, com palmeiras e cores exóticas. Gonçalves dias dá destaque a natureza e também a bravura indígena. Na carta, é dito tudo o que o Rei deseja ver/ouvir: riquezas, possibilidades, exploração, um novo mundo.

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  2. Nos primeiros registros feitos por Pero Vaz de Caminha, já é possível ver o encanto pelas novas terras e como a sua beleza chamava a atenção. Na carta encontramos um narrador perplexo com as belezas naturais do novo continente e no poema ”Canção do Exílio”, também fica nítido a exaltação e o orgulho da pátria e da natureza.
    Assim como na carta, no poema ”O canto do guerreiro” é possível notar a romantização do indígena, o valorizando como elemento que faz parte daquelas terras. Lembrando que este indígena está sendo descrito por um homem branco que deseja agradar seu leitor, por isso, não se sabe ao certo se essa é a verdade.
    Já no poema ”Pero Vaz Caminha” há trocadilhos com as partes da carta que são transformadas em versos. Por exemplo, desmistifica o fato histórico, tratando o descobrimento com uma certa ironia, ao sugerir que a chegada dos portugueses foi fruto de um “acaso”- O descobrimento. Os Selvagens”. A ideia de ferocidade presente no título é negada no poema: eles têm medo de uma galinha.
    Para concluir, a ideia foi inverter, satirizar as ideias contidas na Carta de Pero Vaz de Caminha.

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  3. Caminha como um bom membro da Corte Portuguesa que era, construiu uma densa descrição sobre a terra encontrada de forma a eliminar possíveis dificuldades que D. Manoel pudesse julgar um problema. Diante do encanto às belezas naturais, Caminha apresenta um pacífico encontro com os moradores dessa terra. Sua descrição neutraliza embates e apresenta características do “índio” que justificariam a catequese e que, diante de seu comportamento passivo, tal ação seria facilmente administrável.
    “O canto do guerreiro” de Gonçalves Dias é mais uma obra literária na qual a visão do homem branco sobre o indígena se sobressai. O que é lido, tal como a carta de Caminha, não expressa toda a representatividade da cultura indígena.
    Oswald ironiza a descoberta já há muito sabida. Em nenhum momento houve dúvidas quanto ao encontro de uma terra à oeste, além de destacar o trecho da carta de Pero Vaz no qual uma galinha “domesticada” é apresentada aos indígenas selvagens. E finaliza seu poema comparando as mulheres indígenas e suas vergonhas às garotas de programa da estação de trem.
    A carta enviada ao rei está entre o ficcional e o documental, porque houve intencionalidade na narrativa. Tudo o que chegou até nós, dentre documentos históricos, foram elaborados com vieses que precisam ser sempre avaliados para melhor compreensão do que ocorreu de fato naquele momento.

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  4. O primeiro poema apresentado (Canção do exílio – Gonçalves Dias) estabelece com a carta uma relação a partir da descrição de um lugar etílico, onde detalha a beleza da natureza. É uma relação mais direta, com trechos parecidos, como quando eles falam dos pássaros e da natureza, das palmeiras; além disso ambos são muito detalhados. Nesse poema é possível notar o reflexo do pensamento colonizador que há na carta de Caminha, da idealização que ele criou ao escrevê-la para o Rei, a ideia do que seria essa terra “descoberta”, da possibilidade de ser a terra de “Eldorado”.
    A relação que o segundo poema estabelece com a carta é, principalmente, a idealização ficcionada do povo nativo, dos indígenas e embora a idealização seja diferente, ambos tentam moldar o que seria o “índio”, à sua disposição, como quer.
    Já o poema de Oswald de Andrade, faz essa ligação, versificando trechos da própria carta, dando ao leitor uma nova interpretação da mesma, fazendo trocadilhos enquanto descreve a caminhada de Pero Vaz de Caminha. De certa forma, Andrade faz uma satirização da carta escrita ao Rei, dando uma nova conotação à ela.

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  5. A Carta do Pero Vaz de Caminha teve a intenção de informar o rei sobre o descobrimento de novas terras. Apesar de ser uma carta objetiva nas suas intenções, não escapou das suas linhas um senso de humor que o autor usa para falar das indígenas, principalmente quando ele compara o corpo das nativas com o das portuguesas. Além disso, o encantamento que o autor tem com a beleza das terras brasileiras não deixa de aparecer, mesmo tendo a intenção de agradar o rei e escrever da melhor maneira possível.
    Em sua carta, Pero Vaz de Caminha admira a natureza e a vegetação dessa terra: “os arvoredos são muitos e grandes e infindas maneiras….o arvoredo e tanto e tamanho e tão basto e tantas plumagens que não pode homem dar conta”. Ele vê a terra como explorador que se esforça em convencer o rei de que ela é cheia de riquezas para serem desfrutadas, do mesmo modo que a visão do poeta Gonçalves Dias também enaltece as árvores e as aves do Brasil, porém em linguagem poética que demonstra nostalgia da terra natal.
    Quanto aos habitantes da terra descoberta, na carta, Caminha acha- os” esquivos como animais monteses” mas de boa índole, ingênuos, facilmente domáveis. Ora veja Vossa Alteza quem em tal inocência vive se convertera, ou não, se lhe ensinarem o que pertence à sua salvação”. No poema “O Canto de Guerreiro”, o eu lírico se opõe a esta visão e mostra a valentia dos guerreiros indígenas, referindo-se à valentia do seu povo que não guerreava para escravizar, como sugere a carta quando descreve o povo pronto para ser explorado:
    ” Aqui na floresta
    Dos ventos batida,
    Façanhas de bravos
    Não geram escravos,”.
    Caminha descreve as mulheres indígenas que não se envergonham da sua nudez diante dos estranhos: ” Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior — com respeito ao pudor.” e no poema de Oswald, de título “As meninas da gare” ele desmascara a visão de Caminha, pois “gare” se refere à estação de trem em que ficavam as prostitutas.
    A carta tem um duplo valor histórico, pois de um lado é um documento oficial que registra o descobrimento do Brasil como se fosse uma certidão de nascimento, e de outro, a história se faz a partir de fatos corriqueiros como o baile organizado por Diogo Dias, protagonizado por pessoas comuns e sem intenções de grandiosidade ou heroísmo. Enfim, na carta havia intenção do narrador em deslumbrar o rei cujo interesse seria de colonização tanto da terra e quanto do homem. Já os poemas apresentavam a visão nacionalista e crítica através da fala do oprimido e da crítica ao texto de Pero Vaz de Caminha.

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  6. Na carta de Pero Vaz de Caminha, é marcante o deslumbramento pela terra encontrada e a expectativa de uma fácil dominação nos indígenas, que são descritos como pessoas mansas, inocentes, que andavam nus e precisavam ser catequizados.
    O poema “Canto do exílio” mostra o mesmo deslumbramento da carta de Pero Vaz pelas belezas naturais do Brasil, dando foco no Sabiá. No poema é mostrado a adoração por sua terra e saudade dela.
    No segundo poema “Canto do guerreiro”, o autor exalta a força e coragem do indígena, idealizando-o assim como na carta de Pero Vaz, a única diferença sendo que no poema o indígena não é colocado como manso mas sim como forte e corajoso.
    No poema “Pero Vaz Caminha” de Oswald de Andrade, retrata um pouco de como foi a chegada dos Portugueses no Brasil, do choque cultural que aconteceu entre eles e como viram os indígenas como selvagens quando percebem que eles nem sequer sabiam o que eram uma galinha, do primeiro encontro entre eles que não foi feito tomando chá como era o costume europeu e no final, relatando a nudez das mulheres indígenas e como eram belas. Todos esses elementos do poema são relatados na carta de Pero Vaz de maneira mais explicada.

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  7. Na carta, Pero Vaz de Caminha entrelaça realidade com ficção ao mencionar possibilidades e questões que agradavam ao Rei de Portugal. Ele impõe a perspectiva de um homem branco europeu sobre as nuances de um novo mundo ainda não explorado. Essa busca por um “Eldorado” fica clara em momentos que são citadas a calmaria e facilidade de aproximação aos indígenas, como se estivessem ali para serem submissos aos portugueses. As riquezas da terra, a natureza, e em algumas partes, o fascínio pela cultura dos índios, demonstram um relato documental e plausível de ser utilizado como registro histórico. Entretanto, podemos fazer comparações com o lado ficcional, intenso ao longo de toda a carta. Em “Canção do Exílio”, ocorre justamente um ode a tudo que provém das terras inexploradas, os amores, belezas, possíveis tesouros escondidos, a beleza em seu sentido mais amplo. Tais citações, refletem em partes, a adulação ao Rei, tentando convencê-lo a explorar essas terras, e partes factuais. “O Canto do Guerreiro” faz uma tentativa de moldar o que seria a cultura indígena e impregná-la um heroísmo e uma visão fantasiosa sobre a mesma. Guerreiros com o corpo todo pintado em diferentes composições e colorações, guardiões das florestas, tudo isso partia de um pressuposto parcialmente original, mas que em sua totalidade, pretendia fazer com que o leitor tivesse uma visão específica e sobre a cultura indígena, lapidada, a vontade do autor, na mesma forma que ocorre na carta de Pero Vaz. Novamente, a visão, interpretação e suposição de um homem branco que nada poderia entender acerca dos índios. Por fim, podemos mencionar “Pero Vaz Caminha”, um poema que resume ao mesmo passo que condensa as visões dos portugueses que atracaram na costa do novo mundo. Assim como são mencionadas as mulheres, sua beleza, as descrições formidáveis e impulsionadas pelo desejo de bajulação da realeza, também podemos notar ambiguidades que se desenrolam na leitura. “O primeiro chá”, “Garotas da Gare”, a vergonha que não possuía vergonha. Esses trechos isolados parecem relatar, apenas, com um olhar neutro a tudo, assim como seria esperado que Pero Vaz de Caminha fizesse. Ao analisarmos melhor, é perceptível a explicação do ponto de vista português, enxergando as mulheres como se estivessem ali disponíveis e postas para eles. O chá da tarde que era um costume europeu, nada tendo relação com o povo indígena. As menções a falta de vergonha e a constante e ininterrupta surpresa com as mulheres indígenas estarem apresentadas da maneira que estavam. Em suma, a ambiguidade persegue e percorre a carta e os poemas trazem pontos de luz que auxiliam nesse processo de entendê-la melhor, assim como sugerem e fomentam debates sobre a mesma.

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  8. Através da carta de Pero Vaz de Caminha, obtemos descrições dos sentimentos e ações da parte dos colonizadores portugueses, quando estes chegaram ao solo brasileiro e fizeram o primeiro contato com os nativos da terra.
    No poema “O canto do guerreiro”, de Gonçalves Dias, vemos a romantização da imagem do indígena, algo também presente na carta, tendo em vista a busca do autor pelas palavras que mais agradariam o leitor (no caso de Pero Vaz, o rei). São enaltecidas ações e costumes do povo indígena, de uma visão branca, masculina, europeia e colonizadora.
    Em ”Canção do exílio”, temos forte presença de descrições da fauna e flora brasileira, assim como na carta. Uma forte exaltação e deslumbramento com os elementos da natureza brasileiro pode ser notada em ambos os textos, assim como menções as tradições vestimentais indígenas e a falta de necessidade de esconder ”suas vergonhas”.
    Nos trechos tirados da Carta da Pero Vaz que froam versificados, se tem presença do eurocentrismo. É passada a ideia de uma terra e um povo, ambos selvagens, para o leitor. Essas as quais são belas e aguardam pela conquista. Podemos usar o trecho de ”As meninas de Gare” para ilustrar essa visão e esse ideais, com esse título se mostra a visão rebaixada com que os portugueses viam os nativos, em especial as mulheres, olhavam com grande desejo e admiração a inocência, com um desejo de corrompe-la e abusa-la.

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  9. Na carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manoel é possível perceber uma dualidade entre a admiração e o interesse de exploração; porém muitas das coisas descritas por Caminha são colocadas ali apenas para suprir e realizar os interesses do rei, existe sim um olhar de deslumbramento por parte do autor, mas não deve-se desconsideear o interesse contido.
    Isso é exatamenye o que o poema “Pau-Brasil” demonstra, dividido em 4 partes, o poema descreve alguns atos que estão na carta de Caminha. É interessante analisar a quarta estrofe do poema, “As Meninas de Gare”, no qual Oswald de Andrade faz o uso da ironia e do duplo sentido para mostrar a visão que os portugueses tinham das mulheres indígenas que aqui viviam.
    Ambos os poemas “O Canto do Guerreiro” e “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, passam uma visão de admiração do Brasil colonial, em “Canto do Guerreiro” há uma idealização do indígena (ainda no sentido de mostrar “atributos” para o rei). E em “Canção do Exílio” há uma supervalorização das terras brasileiras, de sua natureza e recursos.

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  10. A Carta de Pero Vaz de Caminha, importante escritor português, é considerada como a primeira e mais significativa descrição referente à descoberta do Brasil. Escrito em abril do ano de 1.500, o registro apresenta detalhes do momento em que os portugueses, sob a navegação de Pedro Álvares Cabral, pisam no chamado até então, “Novo Mundo”. Caminha tinha o objetivo de relatar ao rei de Portugal da época, Dom Manuel, as primeiras impressões das terras alcançadas, em Porto Seguro, na Bahia, e de seus habitantes, os indígenas.
    O documento, tido como o primeiro texto literário do Brasil, possui o seu valor avantajado devido aos detalhes, à informalidade e à descrição precisa evidente na escrita de Caminha, referente à sensação de quem vê algo pela primeira vez. Sem nunca antes ter se deparado com determinadas paisagens e animais, é notável a grandiosidade com que o escritor relata a natureza presente na terra recém-descoberta. A supervalorização do “ambiente tropical”, narrada por Caminha, pode ser vista no poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias. Poeta do romantismo brasileiro, Gonçalves Dias traz em sua escrita a exaltação das belezas naturais do Brasil, característica do nacionalismo predominante na época romancista. “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá. (…) Não permita Deus que eu morra, sem que eu volte para lá.” são trechos do poema em que é possível encontrar uma alusão referente à Carta do descobrimento.
    Além de “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias também é autor do poema “O Canto do Guerreiro”. Apresentando o indígena com a imagem de “herói da pátria”, também há neste poema vestígios do texto de Pero Vaz de Caminha. Em 1.500, quando os portugueses chegaram com seus navios em solo brasileiro, além da admiração pelo novo ambiente, o encontro com os nativos também marcou a aventura dos navegadores. “A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. (…) Traziam alguns deles arcos e setas. (…) Andavam todos bem dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que pareciam bem.”, foi o que Caminha escreveu em sua Carta com destino ao rei. Este aspecto de valorização do indígena, no sentido de valência, homem da caça e conhecedor da floresta, é depois encaminhado como característica do romantismo, em, já citado, “O Canto do Guerreiro”.
    Evidentemente, era vantagem que o rei Dom Manuel recebesse o parecer de um povo forte e vigoroso em sua aparência, mas que não mostrasse ameaça aos que estavam lá, já que eram considerados inocentes, “broncos” e ignorantes, ou seja, um povo fácil de ser colonizado. Este fato torna-se visível no poema “Pero Vaz de Caminha”, de Oswald Andrade, em que o autor satiriza recortes da Carta de Caminha. Na primeira estrofe do poema, Andrade coloca “Descoberta” como subtítulo, ironizando a chegada dos portugueses em uma terra que já existia. Na segunda estrofe, tem-se como subtítulo “Os selvagens”, fazendo uma alusão ao desconhecimento dos indígenas ao verem uma galinha, relatado por Caminha. Isso ocorre ao longo de todo o poema, tornando-se assim, um texto crítico à visão que os portugueses tiveram assim que chegaram.

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  11. A carta de Pero Vaz de Caminha é marcada pela descrição e exaltação da natureza, da paisagem brasileira e também a descrição dos indígenas como indivíduos de fácil dominação.
    Basicamente disse tudo que o Rei gostaria de ouvir, como grande extensão territorial, possibilidade de ouro, a fácil catequização dos nativos, entre outras coisas.
    Em comparação com o poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, podemos perceber a semelhança na descrição e exaltação da natureza da paisagem brasileira.
    Já com o “ O Canto do Guerreiro”, também de Gonçalves Dias, o texto apresenta o indígena como guerreiros, fortes. Já na carta, ele apresenta os indígenas como indivíduos de fácil dominação. Eles usam a mesma forma de moldar o indígena da forma como eles querem que o leitor imagine.
    Já no terceiro, “Pero Vaz Caminha”, de Oswald de Andrade, ele traz alguns trechos da própria carta com nomes que na verdade não tem relação nenhuma com o fecho. Por exemplo, no trecho “descoberta”, ele não cita nada que possa ser uma descoberta. No trecho “Os selvagens”, não apresenta nenhuma informação sobre os indígenas serem selvagens. Já o trecho “As meninas de Gare” faz alusão a um metrô que ficavam as “mulheres disponíveis”, assim mostrando a forma como os portugueses viam as mulheres no primeiro contato com a terra brasileira. Na carta é dito várias e várias vezes sobre o corpo e as “vergonhas” dessas mulheres.

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  12. A carta ao rei Dom Manuel I de Pero Vaz de Caminha, descreve a viagem e descoberta de novas terras até seu último destino, o Brasil. Em meio as páginas do relato romantizado, o autor Pero Vaz de Caminha, induz seu rei de que a nova terra é as mil maravilhas, tendo nativos calmos e bondosos, terra rica em mineração, alimentos e especiarias de grande proveito, entre outras coisas a ser exploradas. Também relata seus dias e suas novas descobertas, a cultura dos indígenas e todas as suas divergências para o rei de Portugal.
    No poema ”Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, destaca justamente a beleza da natureza do Brasil, colocando em evidência as diferenças entre essa terra com Portugal, as aves, vegetações e outros elementos da natureza, remetendo as partes da carta de Pero Vaz, que tinham o objetivo de incitar o rei D. Manuel à explorar aquele novo território.
    Em ”O Canto do Guerreiro” de Gonçalves Dias, foca em outro tema, e se contraria com os aspectos que Pero Vaz descreve como verídicos na carta ao rei. Nesse poema, Gonçalves Dias descreve o indígena como forte, guerreiro, conhecedor do território e líder, mas como o autor da carta, cria também um personagem subentendendo-se que a cultura e o povo indígena são daquela forma, moldando a visão de muitos para um herói das matas.
    Por fim, o poema “Pero Vaz Caminha” de Oswald de Andrade, diz muito em poucas palavras, tirando trechos da carta de Pero Vaz de Caminha, e agrupando para análise de alguns problemas daquele registro. Nas quatro divisões do poema, está presente a diferença entre as culturas e o olhar superior dos portugueses ao povo, que se sobressalta nas partes do poema, como a descoberta de um animal nunca visto (a galinha), os costumes em festividades, e o olhar para as mulheres indígenas. O autor nomeia esse trecho como “as meninas da gare”, esclarecendo como os portugueses viam as mulheres como objetos ao bel-prazer, ações e opiniões que se escondem por belas palavras na carta ao rei.
    Exaltação, moldagem e crítica, visões diferentes do mesmo documento histórico que abordam muito material para discussões e análises.

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  13. A carta escrita por Pero Vaz de Caminha, ou a carta de Pero Vaz de Caminha, é o primeiro documento registrado na história do Brasil. Considerado também como a primeira obra literária, Pero Vaz buscou contar ao Rei de Portugal, de maneira descritiva, a ‘‘descoberta’’ da terra de Vera Cruz.

    Vale ressaltar que, descoberta em aspas, pois essa é uma ideia eurocêntrica. A terra já existia, e o que de fato os Portugueses fizeram, foi aproveitar e explorar.

    Apesar de ser uma carta descritiva, segundas intenções não deixaram de ser percebidas nos escritos. Os exacerbados elogios pela natureza da terra e as descrições do povos que lá haviam, já denotava o interesse no sentido dos verbos dantes citados, de aproveitar e explorar.

    Gonçalves Dias em canção do exílio, como que falando com Pero Vaz, escreve:

    ‘‘Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.’’

    ‘‘Minha terra tem mais, minha terra tem mais’’. O que Gonçalves escreveu em poesia, Pero Vaz fez em prosa. Porém, como que concordando, o escriba compara as qualidades da terra brasileira como superiores às de Portugal, e nem as mulheres escapam da comparação.
    O que ademais pode ser percebido é uma possível tentativa de romantização dos indígenas por parte dos portugueses. Primeiro o deslumbramento com os corpos, os costumes e etc., e após a intenção de exploração a partir disso.

    ‘‘Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.’’ Foi esta uma das primeiras descrições dadas. ‘‘Uma vergonha que não possuía vergonha’’ (escreve André ao explicar as ambiguidades presentes na carta). Após, podemos acompanhar também o momento em que Caminha fala da tamanha inocência que os indígenas tinham, e o quão seria fácil a catequização – ou dominação – desses povos.

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  14. Pero Vaz de Caminha redige sua carta ao Rei D. Manoel no intuito de comunicá-lo sobre a descoberta de um novo território que posteriormente seria chamado de Brasil.
    Apesar de ser uma descoberta para os portugueses, as terras já eram habitadas por povos indígenas. Partindo deste princípio, observamos que a narrativa é baseada em uma visão colonizadora e eurocêntrica.
    As primeiras observações e descrições de Caminha são referentes ao seu fascínio com os aspectos físicos e naturais da nova terra, descrições essas que observamos nos três poemas estudados anteriormente; Contudo, a Canção do Exílio de Gonçalves Dias, põe ênfase nestes aspectos por meio da exaltação da natureza, fazendo um comparativo entre Brasil e Portugal: “Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;”
    Quando a exploração se dá de fato, o contato com a população autóctone era inevitável. “Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.” ¬– esta é a primeira descrição dos homens que a tripulação diz ter avistado. A interação se dá aos poucos e ao longo de seu registro, o escrivão vai relatando a aparência física das pessoas com quem se depararam, criando um imaginário perante o diferente: “Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara.”
    O trecho acima evidencia ainda mais o desconhecimento e ignorância de Pero ao escrever sobre uma civilização indígena ao qual ele sequer compreendia a linguagem, imprimindo a sua visão de mundo no para informar o Rei.
    Seguindo por tais descrições, o poema de Gonçalves Dias: “O canto do guerreiro”, trata dos indígenas com mais ligação ao contexto em que eles se encontram inseridos, citando também a fauna e a caça como parte do cotidiano na floresta:
    “Na caça ou na lide,
    Quem há que me afronte?!
    A onça raivosa
    Meus passos conhece (…)”
    Apesar de valorizar os seres humanos daquela mata, reverenciando sua singularidade, como em:
    “ — Guerreiros, ouvi-me;
    — Quem há, como eu sou?”
    Ainda sim, o autor cria uma imagem limitada de uma população que na verdade são diversas e os expõe como um símbolo de valentia, liderança e poder.
    No último poema, intitulado Pero Vaz Caminha e escrito por Oswald de Andrade, elucida tudo o que foi dito anteriormente a respeito dos registros feitos pelo escrivão. De maneira a criticar a ignorância dos portugueses recém-chegados, Oswald recorre a ironia, dizendo:
    “Mostraram-lhe uma galinha
    Quase haviam medo dela” Fazendo contraste com o panorama português colonizador que, se considerando descobridor de um novo mundo, sentiam-se no direito de exploração e dominação de tudo que aquela terra pertencia.
    Portanto, sem deixar de lado a importância da carta como o primeiro documento redigido no Brasil, é necessário expor os fatos de que se trata da comunicação entre brancos europeus seguindo uma relação hierárquica que nada tem a ver com a realidade vivida pelos indígenas brasileiros, e que, mesmo diante do reconhecimento desses indígenas, formou-se imaginários repletos de equívocos. E para além disso, os relatos ao Rei D. Manoel servem como um estudo geográfico, e por conseguinte, valendo-nos de Yves Lacoste: “A geografia, isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra.”

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  15. A Carta de Pero Vaz de Caminha é o primeiro documento que evidencia o olhar dos Portugueses quando chegaram ao Novo Mundo. As características que sobressaem-se nela são: a admiração pela natureza, bem diferente de Portugal; o choque de cultura com os povos autóctones, os quais eram vistos como inferiores aos europeus por seus costumes e seu modo de vida; a objetificação das mulheres indígenas; a descrença de que aqui havia alguma riqueza; o desejo de catequizar e educar os povos originários, considerados selvagens.

    Em “Canção do Exílio” se observa o enaltecimento da natureza brasileira. Além disso, há relação de comparação entre as terras brasileiras e o lugar onde Gonçalves Dias escreveu o poema: Portugal.
    “Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.”
    Esse desejo de demonstrar pertencimento e orgulho do Brasil, se dá por meio da valorização, principalmente da fauna e flora, já que em outros aspectos a metrópole era considerada superior.
    Em “O canto do guerreiro” , existe forte presença do indianismo: romantização do indígena, considerado símbolo nacional no movimento Romantismo. Nesse poema, o autor tenta entranhar no leitor a ideia do indígena exótico, que vive caçando e guerreando nas florestas. Há uma reiteração do indígena no cenário de caça e guerra para fertilizar a concepção de povo primitivo, ideia essa concebida pelo eurocentrismo.
    “Pero Vaz Caminha”, escrito por Oswald de Andrade, agrupando trechos da carta ao Rei D. Manuel, expressa muito bem a imagem que os portugueses tiveram dos povos originários brasileiros. Os vêem como selvagens, ingênuos e aproveitam de seus costumes, para se aproveitar, por exemplo, da nudez das mulheres. As quais são vistas como objetos dispostos ao prazer dos europeus.

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  16. No poema A canção de exílio temos a descrição da natureza, a exaltação daqui e como não haverá outro lugar como a sua terra. Na carta de Pero Vaz sempre há descrição das riquezas naturais que encontraram na terra. Usa a ideia do “El Dourado”, para encantar o rei com a terra encontrada.

    O segundo poema “O canto do guerreiro” traz a imagem do indígena que foi criado para ser o herói nacional, extremamente idealizado, traz uma visão eurocentrica do indígena, na carta o indígena também está sendo idealizado mas para agradar o rei: inocente, receptivo, que necessitavam ser catequizados. O indígena que o rei precisava.

    O terceiro poema “Pero Vaz Caminha” de Oswald de Andrade retira pequenos trechos da carta e remonta ela dando títulos para as estrofes, parecido com um caminhar.
    O uso da palavra descoberta é feito de forma irônica, já que não havia surpresa com a terra que encontraram. O uso do título selvagem também é usado de forma pejorativa, selvagens com medo de galinhas e os indígenas descritos na carta não possuíam nada de selvagem, eram chamados assim apenas por serem um povo diferente. Oswald trás características europeias como o chá da tarde e coloca em absurdo todas as descrições do encontro. Na última estrofe ele muda o sentido da palavra “vergonha”, na carta é usado para se referir aos órgão genitais tanto masculino como feminino. No poema ele transforma em um terceiro sentido, com certa conotação sexual.

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  17. A carta de Pero Vaz de Caminha descreve as terras do Brasil como um paraíso, com sua exaltação em relação às riquezas e o povo deste “Novo Mundo”, e o poema “Canção do Exílio” trata deste mesmo sentido, mas Gonçalves Dias se refere em um sentido de saudade em vez de descoberta.
    O poema de Oswald de Andrade “Pero Vaz de Caminha” no entanto, satiriza este encantamento, comparando a chegada ao Brasil pelos Portugueses como sendo um “acaso”, além de se referir a tal selvageria dos índigenas como tendo medo de uma galinha, e as mulheres índigenas como “meninas de uma estação de trem (gare)”.

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  18. Na carta, Pero Vaz de Caminha, é notório a admiração pela terra “descoberta” pelos colonizadores, e o julgamento que seria fácil a captura e dominação dos indígenas nativos, que ao defini-los diz que eram calmos, mansos e que necessitavam ser catequizados, como se estivessem ali para submissão aos portugueses, seus costumes e cultura. No poema “Canto do exílio” nos mostra uma mesma admiração que a carta de Pero Vaz pelas maravilhas da terra do Brasil, as riquezas, seu deslumbramento com os nativos indígenas que segundo ele não tinham necessidade de esconder “suas vergonhas”, mas tendo como seu foco o Sabiá, o que acaba também nos deixando explicita a saudade que tem de sua casa, o seu lar, sua própria terra. No segundo poema “Canto do guerreiro”, já há uma forma diferente de descrever os indígenas, ele diz que são guerreiros fortes exaltando a coragem e idealizando assim como na carta de Pero Vaz uma imagem dos índios. No poema “Pero Vaz Caminha” de Oswald de Andrade, nos traz uma retratação aos olhos do português sobre o momento da chegada dos colonizadores portugueses no Brasil, passando uma ideia de eurocentrismo para o leitor ao relatar sobre uma terra de povos selvagens que aguardam por sua dominação e conquista, trazendo também uma romantização para o momento histórico em seu poema.

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  19. Na carta de Pero Vaz de Caminha, é possível perceber seu encanto e admiração pelas terras encontradas, com a visão de um colonizador, analisando as possibilidades lucrativas da terra e em como seria o domínio sob os povos indígenas.
    É possível observar isso em conjunto com os poemas estudados, como em “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, que também retrata de um vislumbre pela natureza.
    Já em “O canto do guerreiro”, possui a idealização do povo indígena, mesmo que existisse a ideia de “moldar” os indígenas com a cultura e religião dos portugueses, no intuito de os tornar “não selvagens”.
    Por fim, o poema “Pero Vaz de Caminha”, de Oswald de Andrade, apresenta como foi a chegada dos portugueses ao Brasil, com trechos originais da própria carta, além de apresentar a visão que eles tinham dos indígenas como povo, com todo eurocentrismo.

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