Atividade: Gonçalves Dias consolida o romantismo – Leito de Folhas verdes

Olá, Alunes!

Este é o espaço em que você deverá inserir sua resposta às perguntas abaixo, sobre o poema “Leito de folhas verdes”, de Gonçalves Dias.

  1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
  2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
  3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
  4. O que este poema traz de novidade para a literatura do período?

Para responder de maneira mais completa a essas questões, você deverá ler o capítulo “Gonçalves Dias consolida o romantismo”, do Formação da literatura brasileira, do Antonio Candido. Bom trabalho!

16 comentários sobre “Atividade: Gonçalves Dias consolida o romantismo – Leito de Folhas verdes

  1. 1. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    A história contada é a espera da amada por Jatir, e o fato de que ela o mantém em seus pensamentos e espera por ele. Ela está preparando um leito para ele de folhas verdes, com intenção de recebê-lo. Ela o espera ouvindo os sons e sentindo os cheiros da floresta, comparando o que acontece na floresta com o que acontece com ela em seu corpo. Fica esperando a noite toda até a manhã, mas Jatir não vem, quebrando essa expectativa do eu-lírico feminino, gerando uma frustração sem igual, dando margem ao espaço do drama pertinente às características românticas.

    2. Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução é estabelecida por meio de vocativos, como o chamamento de “Jatir” e das partes da natureza. Isso ocorre para cumprir o propósito do Romantismo do exagero, uma vez que o amado do eu-lírico é chamado diversas vezes: no 1° verso da 1ª estrofe e no 1° verso da última estrofe. É como se a poesia fosse feita em torno de Jatir do começo ao fim, sendo ele o objeto de desejo do eu-lírico.

    3. Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    A recorrência de algumas palavras como flor, folha, luar, lua e sol reforça, na narrativa, à descrição de um ambiente de floresta romântica relacionado ao povo indígena, apontam, especialmente, para os elementos da natureza tal como a lua e o sol. Estes são vocábulos que marcam nessa cultura o aspecto temporal, dia e noite. As palavras “lábios, olhos, prece, mãos, amor” direcionam para a imagem da sexualidade feminina, a exemplo do cheiro do tamarindo abrindo que se cria a partir do verso: “Do tamarindo a flor jaz entreaberta”.

    4- O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Não há preocupação em seguir a estética clássica: as inovações relacionadas a uma maior liberdade na estrutura do poema podem ser observadas pela presença de versos brancos e pela sonoridade, e também no tema de idealização do eu feminino” como marca própria da escola Romântica. Uma novidade em relação ao poema é a presença de um eu-lírico feminino indígena, ambientado no bosque (meio florestal), escrevendo um poema lírico de teor sexual, decorrente da frustração vinda do fato de o amado não atender ao seu chamado. É inovador também que não há estrutura rítmica do decassílabo.

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    • Gostei muito das respostas e do detalhamento na questão 3 sobre as imagens. Eu apenas acrescentaria a questão do monólogo com a natureza como sendo a principal interlocução estabelecida no poema

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  2. A história contada é a de amor, uma declaração de amor indígena. A espera ansiosa pelo amado, percebemos pela descrição do eu lírico que compara o que está sentido tanto fisicamento quanto emocionalmente, da forma que descreve a natureza. Esse diálogo é demonstrado pela angústia da espera, quando o eu lirico ( que é feminino) descreve seus sentimentos. As imagens são a partir da natureza. Mudança na maneira de escrever, “rompendo” com a Europa, apesar de ter sempre havido literatura no Brasil, evitando choques a cultura palaciana, havia o desejo de identidade nacional, inovação e a criação de uma literatura nacional. A alta qualidade literária das poesias de Gonçalves Dias e sua poética dando forma ao indianismo como principal consolidador da renovação pela via do nacionalismo, posição esta conquistada graças à abordagem do índio não do ponto de vista etnográfico, mas transfigurando nele “os sentimentos e as emoções comuns a todos os homens”.
    A novidade para o período, um eu lírico feminino, silvicóla e que narra seu amor e seu desejo, sua feminilidade, com isso o poeta tenta mostrar que os índigenas tem sentimentos como os “civilizados”.

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    • Oi, Eli! Achei interessante você elaborar um texto de uma vez. Acho que é importante só tomar cuidado com algumas expressões, como “rompendo” com a Europa, afinal, segundo Candido, o Romantismo no Brasil tem seus moldes provenientes da cultura europeia, incorporando outras características, claro, mas vindo sobretudo da literatura portuguesa, que é o caso desse poema de Gonçalves Dias (que lembra muito as cantigas de amigo do Trovadorismo português). Quanto ao resto, está muito bom 🙂

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    • gostei muito do comentário, principalmente no que diz respeito a própria forma de escrita do Gonçalves Dias, achei bem esclarecedor.

      Único ponto que eu acrescentaria é em relação que além da renovação com o conteúdo do poema, também há a renovação com a forma, que sai dos moldes clássicos

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  3. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    No poema Leito de Folhas Verdes, é construído um ansioso e frustrado monólogo de uma mulher indígena, que prepara e aguarda seu amado para um encontro romântico, o qual nunca fora de fato concluído, visto que ela aguarda ele durante o passar de um dia inteiro, e ele não aparece.

    Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    A interlocução do poema é estabelecida por meio de um monólogo da indígena, que relata seus sentimentos e anseios em relação ao seu amado.

    Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    As imagens são construídas por meio da relação da indígena com a natureza e estabelecimento de metáforas do corpo e o psicológico da indígena com o bogari e as flores e do tempo com o sol e a brisa.

    O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Em relação a forma, é inovador a forma com que o autor se desprende da estrutura fixa clássica e explora um poema que prioriza a sonoridade, com grande presença de assonâncias.
    Em relação ao conteúdo, o poema é inovador ao retratar o indígena como um ser humano, e sendo assim, um ser humano capaz de nutrir sentimentos e de expressá-los poeticamente. Esse fator é ligado a necessidade do período e da filosofia romântica de buscar os sentimentos mais profundos e mais ligados a natureza do homem, e não há nada mais natural do que os povos nativos brasileiros.

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    • Oi, Lê! Gostei da sua resposta na 2, porque passou batido pra mim a palavra monólogo, apesar de ter identificado a presença dos vocativos na minha resposta, realmente me faltou percepção de que não há respostas para as indagações do eu lírico. Também achei bacana seu comentário de “grande presença de assonâncias” em relação à sonoridade e a questão do indígena como ser humano, capaz de nutrir sentimentos e de expressá-los poeticamente. Muito bacana!

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    • Oii Lê! Adorei seu comentário e a forma que você descreveu os sentimentos da indígenas. As imagens das flores representam uma prece do amor, já as estrelas e a lua são a brisa que levam o perfume e criam o quebranto o amor. Ela se compara como se fosse desabrochar como uma flor e só o Sol poderia a recompor, ouseja, Jatir.

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  4. 1- O poema é narrativo e relata a história da angústia de uma índia à espera de seu amado, Jatir, e o questiona o motivo de sua demora a partir de elementos da natureza.
    A natureza tem como objetivo traduzir todo o esperado encontro com as determinadas referências à natureza, como uma das características do movimento romântico.
    2- A interlocução se dá a partir de um monólogo, do qual a voz do poema não tem resposta alguma vinda de suas questões realizadas para a natureza.
    3- São criadas imagens que se remetem ao naturalismo de um modo profundo, criando-a como significado e a registravam como realidade, construindo um imaginário de identidade nacional. Além disso, trás a presença do índio brasileiro (indianismo), se remetendo a ele como herói nacional.
    4- Este poema traz como novidade a função estética do pitoresco e do exótico e a chance de enriquecer os processos literários europeus com temáticas exóticas. A novidade se dá a partir do modo que Dias trás a presença do índio em um grupo europetizado, longe de ficar desmerecido pela impressão etnográfica do caráter convencional. Além disso, descreve a figura do índio de forma mais poética e traz a substituição da figura heroica tradicionalmente branca, se comparado com a literatura europeia. Como afirma Candido na página 75:
    “O índio de Gonçalves Dias não é mais autêntico do que o de Magalhães ou o de Norberto pela circunstância de ser mais índio, mas por ser mais poético, como é evidente pela situação quase anormal que fundamenta a obra-prima da poesia indianista brasileira – o “I-Juca Pirama”.

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  5. Este é um poema narrativo. Que história é contada?
    O poema traz a história da grande esperança da amada para ver Jatir. Ela sempre pensa e espera por ele, inclusive prepara até um leito de folhas verdes para recebê-lo, mas esse momento nunca chegou. Essa é uma declaração de amor indígena, em que Jatir quebra as expectativas que a amada criou. Ela demonstra todos os seus sentimentos fazendo uma comparação com a natureza e fazendo um drama correspondente às características presentes no Romantismo.
    Como se estabelece a interlocução neste poema? Explique sua resposta.
    É um monólogo, em que o vocativo não recebe resposta, apenas um espelhamento dos desejos dela. A poesia gira em torno de Jatir e traz a proposta de exagero do Romantismo.
    Que imagens são criadas no poema? De que maneira essas imagens fazem o que Candido chama de “consolidação do romantismo”?
    Descreve o sentimento de acordo com a natureza que está no cenário do poema. O eu lírico cria a imagem das flores que se abrem como uma prece de amor, sendo representada pelo cheiro da flor. Já as estrelas e a lua que iluminam a floresta, levam pela brisa o perfume e criam o quebranto do amor. Ela se compara, como se fosse desabrochar de forma que só o Sol a despertasse, nesse caso, o Jacir.
    O que este poema traz de novidade para a literatura do período?
    Traz a criação de um ideário nacional, além de não seguir a estrutura clássica, já que é um poema composto de muitas assonâncias. Em relação ao conteúdo do poema, mostra o iondígena como um ser capaz de ter sentimentos e de expressar tudo isso também de uma forma civilizada. Além disso, é inovador para a época uma mulher indígena retratar de seus desejos dessa maneira, se idealizando o “eu feminino”.

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  6. 1. R: O eu lirico que é feminino, fica ansiosa esperando pela chegada da pessoa que ama, e fica se perguntando porque demora tanto. Os elementos da natureza ajudam a entender a sensação de angústia pela qual a mulher está passando. Está presente a idealização do amor e da figura feminina que deve total fidelidade ao homem com quem está. Ao final a decepção do eu lirico que com o dia amanhecido, jã não tem mais esperanças e troca a expectativa pela tristeza.

    2. R: Ela se estabelece por meio de vocativos, e um monólogo amoroso da amada com a natureza.

    3. R: A descrição de um ambiente espacial de floresta apresenta elementos como a lua e o sol, vocábulos que marcam nessa cultura o aspecto temporal, dia, noite e frutas da flor do tamarindo.

    4. R: O poema traz de novidade para a literatura do período, a presença de um eu lirico feminino indigena a substituição dos elementos europeus por uma ideia nacional. Não segue uma estética clássica.

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  7. JULIA: ótimo. Foi feita uma descrição de maneira primorosa e didática. A maneira que ela descreveu nos faz pensar em como Gonçalves Dias desejou que fosse lido e interpretado o poema. Não mudaria nada.

    LETICIA: ótimo. A forma como foi explicada a construção do poema foi específica e brilhante. Não mudaria nada.

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  8. O poema é uma narrativa amorosa, tendo em vista o anseio pelo amor e a espera do amado Jatir. O poema possui muitas referencias do romantismo, ao se tratar da natureza: Flores, arvores, o luar… toda a imagem exuberante da natureza. A interlocução do poema é comunicativa, por causa do chamamento que ela faz do Jatir, e a descrição exagerada da natureza, sendo algo muito típico do romantismo. As imagens do poema são criadas por elementos do romantismo, especificamente, a natureza; porém, ela descreve uma natureza alegre e exuberante, diferente da fúnebre natureza europeia, com a névoa fantasmagórica caminhando entre as árvores mortas. Na maioria dos poemas, o eu-lírico é masculino. Neste poema, o eu-lírico é uma mulher, que espera pelo amado Jatir, ao som e aroma da natureza exuberante.

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  9. 1) A história contada é a espera de Jatir por sua amada, que prepara um leito de folhas para recebê-lo, ao mesmo tempo em que compara seu sentimento com o que ocorre ao seu redor.
    2) Através de vocativos, e através de um monólogo da indígena que expressa seus sentimentos sobre seu amado
    3) as imagens criadas através da recorrência de comparações com o ambiente reforça a ideia do ambiente natural como romântico, alem de servirem como metáforas para a sexualidade feminina.
    4) o desprendimiento da estética clássica, criando um poema que prioriza mais a sonoridade, além da representação do eu-lirico feminino.

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  10. 1) A história contada é a espera de Jatir por sua amada, que prepara um leito de folhas para recebê-lo, ao mesmo tempo em que compara seu sentimento com o que ocorre ao seu redor
    2) Através de vocativos, e através de um monólogo da indígena que expressa seus sentimentos sobre seu amado
    3) as imagens criadas através da recorrência de comparações com o ambiente reforça a ideia do ambiente natural como romântico, alem de servirem como metáforas para a sexualidade feminina
    4) o desprendimiento da estética clássica, criando um poema que prioriza mais a sonoridade, além da representação do eu-lirico feminino.

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