Pessoal!
Desculpem (galera da manhã, principalmente) a demora por colocar este post aqui. Sem PID estou me desdobrando pra dar conta do blog. De toda forma, é aqui que vocês deverão colocar seus comentário sobre o poema “Leito de folhas verdes”, do Gonçalves Dias. Esse comentário deverá conter a ideia de “princípio de liberdade”, uma referência aos elementos que podem representá-lo no poema, e uma reflexão sobre o processo de construção literária (transposição – substituição – invenção) do romantismo brasileiro, como proposto por Candido em Romantismo no Brasil.
Abraço!
Thais
/// 1. De que maneira se pode notar o que Candido chamou de “princípio de liberdade” neste poema?
/// 2. Que elementos próprios da ideia de nação brasileira aparecem no poema? Elenque-os e explique-os.
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Raul Corrêa / 1 0 0 7 9 1 5 5
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O universo temático de Leito de folhas verdes assemelha-se ao de uma cantiga de amigo: uma voz feminina (uma índia em seu habitat) reclama a ausência do amado e suplica o seu amor. No entorno desse eixo desenhado em tons de espera e melancolia, o poeta constrói imagens que variam em intensidade à medida que o eu lírico se distancia ou se aproxima dos elementos eleitos por sua percepção para integrar a situação poética.
Segundo Antonio Candido, ao nativismo – simples celebração da natureza brasileira – que há tempos margeava algumas produções literárias, sobrepôs-se o patriotismo, que passou a exaltar e identificar-se com o Brasil enquanto nação. Nessa mudança, o índio ascendeu da qualidade de índio-signo (Arcadismo) para a de índio-personagem (Romantismo); ou seja, deixou de ser tratado como alegoria para – identificado ao brio nacional – passar ao primeiro plano das obras.
No Brasil, a solução encontrada pelos artistas para a inexistência de uma cultura medieval foi o retorno à ambiência pré-cabralina, o que significa dizer, à cultura autóctone indígena. No entanto, faz-se perceber nos quadros narrativos e nas personagens indianistas um espelho do medievismo romântico europeu.
Pensando sobretudo na poesia, para simplificar, é possível dizer que o relacionamento da literatura brasileira do romantismo com as literaturas matrizes da Europa pode ser sugerido por meio do estudo de três processos, implícitos na fatura dos textos, que podem ser denominados, de maneira aproximativa, transposição, substituição e invenção.
A transposição consiste em passar para o contexto brasileiro as expressões, concepções, lendas, imagens, situações ficcionais, estilos das literaturas europeias, numa apropriação (perfeitamente legítima) que se integra e dá ao leitor a impressão de alguma coisa que é muito nossa, e ao mesmo tempo faz sentir a presença das raízes culturais.
A substituição é um processo mais profundo do ponto de vista da linguagem e da interpenetração cultural. Nele, o escritor brasileiro põe de lado a terminologia, as entidades, as situações da literatura europeia e as substitui por outras, claramente locais, a fim de que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo: substituem o cavaleiro pelo índio, como se pode ver no poema Leito de folhas verdes.
Podemos falar em criação quando o escritor parte do patrimônio europeu para criar variantes originais. Essa transformação de um gênero narrativo em gênero intimista pode ser considerada invenção, que todavia não apaga o laço orgânico em relação às literaturas da Europa, das quais (nunca é demais repetir quando se fala do romantismo com a sua forte componente nativista) a brasileira é um ramo.
Neste sentido, convém levar em conta o fenômeno da auto sugestão, segundo a qual os brasileiros consideram frequentemente específico o que era genérico, ou, por outras palavras, consideravam “tipicamente nosso” o que vinha de empréstimo, mas se incrustava tão normalmente em nossa sensibilidade, em nossos automatismos e ilusões, que parecia ter nascido aqui.
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O poema de Gonçalves Dias resulta de uma sofisticada elaboração imagética, ocultando sob o ritmo prosaico dos versos brancos requintados jogos sonoros, que incluem o aproveitamento da sonoridade da língua indígena: “bagari”, “arasóia” etc. Essa inesquecível queixa feminina na qual o pormenor etnográfico é alçado ao mais puro simbolismo afetivo.
No poema esses elementos se manifestam como uma ideia de nacionalidade, um imaginário brasileiro, uma imagem do tropical; assim, o nacional não é puro, é mais um ideal, uma mistura de referências. Estes códigos servem como paradigmas sobre os quais o poeta brasileiro estrutura muito da personalidade e da conduta de seus índios-personagens.
Mais do que constituir o cenário do drama lírico, a natureza funciona como confidente: a ela a moça pede conselhos, indaga sobre o destino do amigo, reclama sua má sorte e, em alguns casos, nela vê o reflexo de suas angústias.
No “Leito de folhas verdes”, se num primeiro momento, Gonçalves Dias volta-se para a tradição centenária das cantigas, num segundo, ele particulariza sua composição transpondo a cena para a floresta tropical brasileira e a permeando de vocábulos e elementos indígenas, num processo consoante com o projeto nacionalista.
Aqui novamente a natureza tem um papel fundamental, pois o cenário que ela molda é o de uma floresta tropical, com seus bogaris, tamarindos e mangueiras.
Outro elemento de particularização é percebida na escolha lexical. De origem indígena aparecem apenas três palavras: Jatir, arasóia e Tupã. No entanto, devem ser adicionadas a estas algumas outras que apesar de serem de origens diversas, apresentam características dos vocábulos tupis mais recorrentes na poesia de Gonçalves Dias, ou seja, a oxitonia e a abundância de vogais: tapiz, bogari, manhã, também, entre outras. Estas palavras, em virtude não só da semelhança formal, mas principalmente da pressão sistêmica do poema, parecem também contribuir para a particularização da cena.
Considerando os três vocábulos autenticamente indígenas, podemos extrair algumas conclusões importantes:
Jatir é uma palavra indígena. A mesma função é exercida pela utilização do vocábulo arasóia, só que, graças ao seu exotismo, de uma maneira bem mais intensa. Sendo uma espécie de fraldão de penas, comumente utilizado pelas índias, como esclarece em nota o poeta, a arasóia reforça o quadro indígena no que concerne aos adornos dos nativos. Observe-se ainda que a arasóia é o único elemento concreto que assegura que o eu-lírico é mesmo uma índia. Quanto a palavra Tupã, exclamada em estupefação pela índia, faz afluir para o poema o caráter pagão e, mais precisamente, indígena do drama lírico.
Já o título do poema comporta em si a coexistência do particular com o universal presente no decorrer do texto. Mais do que localizar a cena em um espaço natural e esboçar a comunhão entre a amante e o ambiente, as “folhas verdes” são uma expressão carregada de “localidade”, visto que a “natureza verde” é metonímia da paisagem física brasileira, e o “verde”, mais do que uma simples cor, é um símbolo do Brasil enquanto nação.
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/// I N T E R V E N Ç Ã O
Um dos maiores poemas, e talvez o mais célebre, da literatura brasileira diz em sua segunda estrofe: “Nosso céu tem mais estrelas/ Nossas várzeas têm mais flores/ Nossos bosques têm mais vida/ Nossa vida, mais amores”. É a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias (1823 – 1864), que começa, claro, com “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá”.
Quando o poeta o escreveu, em 1843, o Brasil, ainda com 90% de território a desbravar, tinha de si próprio uma visão romântica e idealizada. Hoje sabemos muito mais sobre o país – e tanto que, se Gonçalves Dias fosse reescrever seu poema, teria outras imagens a escolher. Eis algumas.
Nossas barragens são criminosas e inseguras – rompem-se e levam à morte o que encontram pela frente. Nossos viadutos e pontes vão abaixo ou racham, pela ação do tempo ou por serem feitos com material de quinta. Nossos museus se incendeiam e destroem patrimônios que não nos pertencem, mas à humanidade.
Nossos mares, baías e rios recebem nossos abjetos dejetos naturais e industriais e só têm o odor como protesto antes de morrer. Nosso céu é, às vezes, uma hipótese – algo que deve existir acima da camada de poluição. E nossos sistemas de fiscalização, obedientes a interesses maiores, não fiscalizam.
Nossos hospitais, escolas e transportes públicos são carentes, insuficientes ou inexistentes. Nossas estradas, ruas e calçadas são crateras, impróprias para humanos e carros. Nossas cidades têm vastos territórios vedados aos cidadãos e outros em que, pela miséria, seus habitantes podem praticar tudo, menos a cidadania. E nossos administradores são inoperantes, incompetentes ou corruptos.
Falando neles, nossos corruptos são, estes, sim, dignos de poemas e rapsódias. Penetraram por todas as brechas conhecidas da vida pública – e, como não paramos de descobrir, também pelas desconhecidas.
Et cetera e tal 🙂
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O poema constitui-se de elementos que contrastam entre o clássico e o que se considerava moderno naquele momento, alguns dos quais, remetem às cantigas medievais, por exemplo, eu-lírico feminino lamenta a ausência do outro, de modo submisso, entende-se que o sentimento é referente à realidade e não platônico. No entanto, a natureza, outrora apenas cênica, não mais apenas serve de moldura, mas também assume função, interage, personifica-se. Na ausência de um passado medieval, houve a transposição de moldes europeus clássicos ou em transformação, introduziu-se o nativo, a fauna e a flora nacionais, na busca gradativa de criar um sentimento, uma unidade, uma identidade nacionais. Havia um contexto sócio histórico, econômico e humano, marcado por revoluções, mudanças de regimes governamentais, ascensão de classes diferentes sociais, passavam a reger esse cenário os ideais iluministas, capitalistas e humanistas que reverbera, mutatis mutandis, no velho e no novo continente. Contudo, o Romantismo contrapõe-se, questiona, e é ambiguamente resistência e libertação, de uma tentativa de se manter o status quo, esse movimento permeia as esferas de ser e de fazer humanos, há um esgotamento das formas vigentes, e entre rupturas e continuidades surgem meios e modos mais adequados ao contexto. O contraste de formas clássicas, versos decassílabos, heroicos e brancos, as estrofes compostas de quartetos, a ausência de rimas, a proposição de ritmo diferente, a integração e a interação do nativo, da fauna e flora locais, a busca de afirmação, identidade e nacionalidade, de libertação e de liberdade para o ser e o fazer, alteram-se e adaptam-se forma e conteúdo, figuras de sintaxe e de semântica.
Lendo Candido, primariamente entendo que uma de suas teses é a de que houve uma transposição do saber e do fazer, de modo indissociável, foi marcado inicialmente na reprodução, e gradativamente, essa dissolveu-se entre rupturas e continuidades, assimilações e acomodações, e na busca de identidade, liberdade e nacionalidade, houve substituições e invenções, foi portanto, um processo mais virtual do que real, pois tudo estava organicamente conectado. O princípio de liberdade poderia ser entendido como, uma libertação da condição colonial, da submissão às influencias e aos moldes vigentes, por exemplo, do império à república, e então ao capitalismo, à industrialização, e em outros campos, do que era clássico, árcade ou barroco.
O Romantismo brasileiro repete as mesmas características do Romantismo europeu adaptou-se à realidade do país, possibilitando o surgimento de traços peculiares. Essa adaptação foi inferida por meio do estudo de três processos: transposição, substituição e invenção. A transposição consistiu em passar para o contexto brasileiro as expressões, concepções, lendas, imagens, situações ficcionais e estilos das literaturas europeias, numa apropriação que se integra e dá ao leitor a impressão de familiaridade, e ao mesmo tempo faz sentir a presença das raízes culturais. A substituição foi um processo mais profundo do ponto de vista da linguagem e da interpenetração cultural. Nele, o processo pôs de lado a terminologia, as entidades, as situações da literatura europeia e as substituiu por outras, claramente locais, com a intenção de obter o mesmo efeito. Exemplificando: substituiu-se o cavaleiro pelo índio, o fidalgo pelo fazendeiro, o torneio pela vaquejada, como no romance O Sertanejo, de José de Alencar. Entendeu-se como invenção quando o escritor partiu do patrimônio europeu para criar variantes originais, como ocorre num poema de Álvares de Azevedo, Meu Sonho, no qual ele fecunda o modelo da balada macabra de tipo alemão (como a Lenora, de Bürger), deformando-o a fim de obter algo diferente. O Romantismo impôs o questionamento, a subjetividade, a imaginação, a sujeição e exteriorização dos sentimentos, bons ou ruins, alcançando níveis extremos do mínimo ao máximo, e vice- versa, de modo não linear.
Poderia se representar no poema a transposição, pela estrutura, na forma, o molde clássico, quartetos decassílabos, heroicos, certa referência às cantigas medievais, porém já com algumas adaptações…
A substituição, pelo conteúdo, no contexto em que se introduz o nativo, a fauna e a flora, um vocabulário local e a geração de uma atmosfera comum, como já integrada a nação…
A invenção, por entre forma e conteúdo, versos brancos, quase sem rimas, porém com ritmo novo e diferenciado, a integração e interação, à personificação dos elementos animados e inanimados, o eu-lírico, a fauna e a flora, ao ambiente, ao contexto, uma quase simbiose…
LEITO DE FOLHAS VERDES
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu, sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d`alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazóia na cinta me apertaram
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!
Douglas de Oliveira Fróes – 3° Semestre Letras-Unitau-2019-Romantismo
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O princípio da liberdade romântica advém do sentimento da criação de uma identidade própria. O território brasileiro sofreu (e ainda sofre) influências clássicas, desconstruindo o caráter autêntico dos povos nativos e imigrantes. A partir de tal necessidade nacionalista, construiu-se, por meio das artes, uma poesia exclusiva, dando espaço ao povo local (figura do índio), explorando a natureza (fauna e flora) e louvando a cultura indígena (deuses mitológicos), criando uma beleza nacional legítima, livre das amarras clássicas impostas a partir da colonização.
Subentende-se, logo a partir do primeiro e segundo verso que o eu lírico seja uma mulher guerreira (indígena) que está a esperar a chegada de Jatir, seu guerreiro amante. O que garante o entendimento das características do eu lírico são os vocabulários e o ambiente descrito, tais especificidades representam um cenário tropical, natural e indígena.
Outra observação relevante que os primeiros versos propõem está no tempo em que se ocorre a ação descrita; através dos detalhes nota-se que a noite é o momento em que se narra. “Por que tardas, Jatir, que tanto a custo à voz do meu amor moves teus passos?” Expressando, assim, maior melancolia.
Os elementos da natureza são repetidamente mencionados a fim de esboçar a fauna e a flora brasileira. As flores citadas, como “tamarindo”, “bogari” e “mangueira”, expressam a natureza brasileira, e estas são comparadas ao espírito da mulher (o eu lírico), uma vez que tais primores representam o aroma do desejo, a vontade, a delicadeza, a sutileza, a beleza e etc. Cria-se, a partir dessas representações, a similitude da necessidade que as flores tem do sol, assim como o eu lírico tem do seu guerreiro ausente.
O cenário é descrito utilizando-se de elementos da natureza, estes, por sua vez, denotam um processo cíclico (brisa, sol, lua, céu…) bem como os sentimentos e desejos do eu lírico.
A partir dessa análise minuciosa da obra de Gonçalves Dias, é possível inferir a tríade a que se refere Cândido – transposição, substituição e invenção. – Estas são representadas, respectivamente, pela evidência da mitologia indígena (representado pelo deus indígena Tupã, no poema), pela inversão da representatividade (troca da figura da donzela pela índia guerreira) e pela criação de um ideário tropical (descrição da natureza brasileira).
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O poema “Leito de folhas verdes” de Gonçalves Dias apresenta-se por meio do eu-lírico feminino, que presumimos ser uma indígena, como um lamento- à ausência do companheiro Jatir, e uma suplica a sua volta.
Os elementos da natureza, que principiam uma nova identidade neste período romântico constroem o pano de fundo poético, melancólico e intimista em questão. É por meio deles que conseguimos observar o que Antônio Cândido chama de “principio de liberdade romântica” que consiste no desejo de criação de uma identidade nacional e na ruptura com a, até então, subordinação aos moldes gregos e europeus. Essa libertação busca alcançar “o novo” e ajustar os padrões de acordo com a realidade brasileira, originando então a era da experimentação no nosso país.
Inicia-se nesse período a busca pela construção do chamado “gênio nacional” que, aqui podemos perceber em versos como os da segunda estrofe: Eu, sob a copa da mangueira altiva / Nosso leito gentil cobri zelosa / Com mimoso tapiz de folhas brandas, / Onde o frouxo luar brinca entre flores. Nessa ambientação construída por meio do condicionamento sentimental ao espaço, que personificam, assim, o sentimento do eu-lirico, o poeta comove o leitor situando-o com elementos brasileiros, dando-lhe algo indenditário.
Mais adiante, nas estrofes seguintes, essa metaforização representa não só o próprio leito de folhas verdes como a espera idealizante do amor: A flor que desabrocha ao romper d’alva/ Um só giro do sol, não mais, vegeta:/Eu sou aquela flor que espero ainda/ Doce raio do sol que me dê vida./ Sejam vales ou montes, lago ou terra,/ Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,/ Vai seguindo após ti meu pensamento;/Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!. Entretanto, conforme suscitam as ultimas estrofes, a desilusão chega ao o eu-lírico, de modo que a manhã já não lhe desperta mais esperança, e sim desengano e conformismo: Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes/ À voz do meu amor, que em vão te chama!/ Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil /A brisa da manhã sacuda as folhas!
Cabe aqui, observarmos a evocação do deus Tupã, reforçando a ideia posta inicialmente da busca pelo novo, pelo gênio e pelo signo nacional.
Conclui-se, portanto, que Gonçalves Dias consegue sintetizar na obra analisada os grandes fundamentos românticos: o sentimentalismo e o nacionalismo. Além disso, podemos perceber em “Leito de folhas verdes” aquilo que Cândido caracteriza como a tríade do processo criativo da poesia romântica, composta pela transposição, substituição e invenção.
A transposição alcança-se pela evocação da cultura indígena, do Deus Tupã, trazida assim para a nossa cultura. A substituição se dá com a troca de elementos da cultura europeia, antes indispensáveis, por elementos nativos, como: a troca da figura da “mocinha” pela índia, o deus grego pelo Tupã, a rosa pelo tamarindo. Já a criação consiste na construção dessa ideia representativa da América, de um lugar tropical.
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Gonçalves Dias traz nos versos do poema “Leito de folhas verdes” o que Candido chamou de “principio da liberdade”, uma das características mais marcantes do romantismo, que consiste na exaltação da liberdade e é explicitada na obra em diversas frases fazendo uso de elementos da natureza, um exemplo é: “correm perfumes no correr da brisa”.
Candido propõe que o romantismo adota um processo tríade, que consiste da no relacionamento do Romantismo brasileiro com as matrizes da literatura europeia. O primeiro aspecto dessa tríade é a transposição, que passa para o contexto brasileiro todo o ambiente da obra, podemos confirma isso pela recorrência de itens lexicais como flor, folha, luar, lua, sol, que retrata um ambiente espacial da cultura indígena, o objetivo desta primeira é criar algo que podemos chamar de “nosso” e trazer o leitor para mais próximo do poema; seguido pela substituição, o que o próprio nome já sugere, substitui entidades européias por aquelas que estão ligadas à cutura do índio, como por exemplo citar Tupã, ao invés de Cristo e por fim a inveção que, de acordo com Candido, é “a transformação do gênero narrativo em gênero intimista”, em outras palavras: quando o autor da obra usa como matriz o patrimônio europeu e apartir destes cria as variantes originais. Dentro do poema, podemos perceber a invenção quando analisamos a métrica e a construção da obra, que se assemelha a uma cantiga europeia. Porém, diferentemente da literatura romântica européia, em que se via um “eu feminino” urbano, este mostra através dos elementos linguísticos presentes no poema a temática do lírico amoroso indianista em que o “eu poético” é uma personagem feminina, em acordo com as personagens femininas românticas, mas vive na floresta, e apesar das marcas da cultura e costumes indígenas, ela está bastante centrada nas relações do ambiente urbano, ou seja, mesmo ao estar descrevendo o relacionamento entre índios, o autor cria para eles uma imagem que tem muita relação com o homem urbano, isso devido ás influências.
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Letícia Maria de Moraes Ferreira, 3º semestre Letras, noturno.
Comentário sobre “Leito de folhas verdes” de Gonçalves Dias.
No poema “Leito de folhas verdes” o princípio de liberdade é observado na maneira estrutural, na qual, apesar de ser decassilábico, não apresenta rimas e as estrofes são marcas por quatro versos, porém em nove estrofes. Essas mudanças na estrutura por si só já apresentam uma ruptura com a forma antiga adquirindo esse princípio de liberdade que Candido menciona em “O romantismo no Brasil”.
Há também a variação e inovação do vocabulário. Essa mudança passa do português e elementos da natureza europeia para um português brasileiro, com elementos da natureza brasileira. Assim como, elementos tropicais e linguagens indígenas, tanto se referindo a deuses indígenas como a vestimentas propriamente indígenas.
Os principais elementos que sofrem essa mudança são os elementos da natureza, na qual apresenta características de plantas tropicais, como a mangueira, a tamarindo e o bogari. Os aspectos indígenas, propriamente ditos são vistos no nome “Jatir”, na vestimenta “arazóia” e na interjeição “Tupã”.
O livro “O romantismo no Brasil”, também apresenta o conceito de tríade da construção romântica, contendo os conceitos de: transposição, substituição e inovação.
O conceito de transposição é encontrado no poema com base no tema, no qual há uma mulher lamentando para a natureza a falta que o amado faz. Esse conceito é originário da cantiga de amigo trovadoresca. Gonçalves Dias transpõe esse tema conceito europeu para o Brasil como uma base criativa em seu poema.
O conceito de substituição é encontrado primeira mente na figura da mulher, que deixa de ser uma donzela europeia e passa a ser uma índia. Assim como na figura da natureza, que perde plantas e flores nativas da Europa e algo mais invernal, para se tornar algo mais tropical, com arvores e arbustos próprios da floresta tropical, não necessariamente originais do Brasil. E até mesmo a mudança de figurino no poema, que deixa de ser vestimentas para inverno (vestidos longos e elegantes) e passa a ser uma saia típica indígena.
Os dois conceitos apresentados acima culminam no último apresentado por Candido, que é o conceito de inovação, conhecido também como criação. Esse conceito é encontrado quando analisamos o eu lírico do poema, que deixa de ser uma donzela europeia para uma índia brasileira. Entretanto essa índia é a idealização do verdadeiro índio. Gonçalves Dias com todas as suas influencias europeias, não pode se despir completamente delas para criar um eu lírico feminino indígena sem trazer conceitos e ideais vindos do europeu e com isso criou essa idealização indígena que, não só por ele, foi modificada até se tornar o ideal indígena que conhecemos e aprendemos nos dias atuais.
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1) De que maneira se pode notar o que Candido chamou de “princípio de liberdade” neste poema?
O princípio de liberdade romântica consiste num sentimento da criação da nacionalidade, das tradições, das estruturas, da linguagem indígena, da construção de uma ideia em si. A desconstrução da autenticidade dos povos indígenas no território brasileiro é constante, por imigrantes e povos nativos, e essa poesia vem por meio da arte, da poesia, legitimar a nacionalidade, nossas raízes, pois, o princípio de antiguidade refere-se a natureza e o índio.
Entende-se a partir no primeiro verso, que o poema ocorre de noite (por que tardas), e que o eu lírico é feminino, uma mulher guerreira, que reclama da ausência do amado (Jatir). Gonçalves Dias faz uma composição entre elementos da natureza, vocábulos indígenas construindo um cenário tropical brasileiro indígena e utiliza de elementos melancólicos como no quinto verso (doce raio do sol que me da vida).
Ao decorrer do poema percebe-se a repetição dos elementos do cenário tropical indígena com o intuito de representar a mulher guerreira e seu espirito com as flores e seus significados, são elas; Bogari (arbusto escandente, muito perfumada), Tamarindo e mangueira, que representam respectivamente a vontade, sutileza, a delicadeza etc. Assim como as flores e os frutos necessitam do sol, o eu lírico busca e sente falta do guerreiro, sente falta pois já foi tocada (não sentiram meus lábios outros lábios, nem outras mãos Jatir, que não as tuas) denota-se também um processo cíclico.
Depois de feito essa analise do poema de Gonçalves Dias, é possível caracterizar a tríade em 3 categorias a que Candido cita; Transposição que consiste em passar características europeias como expressões, concepções, imagens num estilo europeu e causa a impressão de algo nacional. A substituição com um papel mais complexo faz uma interpenetração cultural, seria como uma substituição característica, tirar o guerreiro e colocar um cavaleiro, traço europeu. E por ultimo a criação vem pela representatividade de um ideário tropical, que descreve toda a fauna brasileira com suas essências e suas raízes.
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Lucas Medeiros, 3º Semestre de Letras, Noturno.
Poema – Leito de Folhas Verdes, Gonçalves Dias
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O princípio fundamental da literatura romântica é a liberdade. No Brasil, principalmente após a Independência, nos anos 1820 e 1830, surge o enorme desejo de uma autonomia literária.
E o romantismo se posta como um movimento favorável a esse anseio de criação de uma identidade literária nacional, pois fornecia concepções e modelos que permitiam afirmar o particularismo, a subjetividade e a exaltação do ‘eu’. Ao passo que afastar-se dos princípios clássicos greco-romanos e das influências da metrópole era fundamental para esse encontro da literatura nacional.
No poema ‘’leito de folhas verdes’’ de Gonçalves Dias, pode-se observar elementos que afirmam a expressão poética do Brasil, na prática do indianismo, e na caracterização de um ambiente que se apresentava como tipicamente brasileiro.
Observa-se a natureza extremamente viva nos versos do poema, lançando seus sons, seus perfumes e suas cores nas extensões de sentimento – como nas primeiras quatro estrofes, quando o quadro natural em que a natureza, em harmonia, parece compactuar com a esperança do eu lírico – participando ativamente dos preparativos de um suposto encontro amoroso.
Elementos da natureza e ambientação tipicamente brasileiras são bastante usadas na construção dessa atmosfera de enaltecimento nacionalista, como nos versos:
‘’Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,/Já solta o bogari mais doce aroma!’’
‘’Meus olhos outros olhos nunca viram, / Não sentiram meus lábios outros lábios, / Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas / A arazóia na cinta me apertaram.’’
Alguns elementos constitutivos podem ser observados, como o ‘bogari’, um arbusto incandescente da família das oleáceas, de flores brancas, muito perfumadas, que pode ser utilizada para dar aroma a alguns chás, assim como essências para perfumarias.
E a precisa colocação da ‘arazoia’ na sétima estrofe, dando imagem ativa a construção de musa indígena, Jatir, que estaria usando essa saia feita de penas de aves, que costumava ser usada por alguns povos ameríndios.
‘Tamarindo’ e ‘Mangueira’ também são exemplos de construção de ambiente usado pelo poeta, e que não fazem parte da fauna brasileira, assim como outras descrições, que fazem parte de um processo de ‘’Invenção’’ – no caso, uma idealização tropical da natureza brasileira – que seria o terceiro elemento da proposta de ‘Tríade’ que Antônio Cândido apresentou sobre o romantismo brasileiro.
Outros dois elementos do processo de ‘Tríade’ seriam a ‘transposição’ e a ‘substituição’.
A transposição pode ser percebida na presença do deus Tupã, em contraposição à mitologia clássica, como no verso:
‘’Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes / À voz do meu amor, que em vão te chama! / Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil / A brisa da manhã sacuda as folhas’’
E a substituição da donzela, para a musa indígena.
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R.A.: 10077739; Maria Eduarda Andrade Grunvald
A partir do momento em que o princípio de liberdade romântica tem seu foco na criação de uma identidade nacional brasileira, ele pode ser observado no poema “Leito de folhas verdes”, de Gonçalves Dias, por meio da presença de nomes indígenas, vocabulário simples e elementos da flora nacional, que visam enaltecer o Brasil e intensificar o sentimento de algo próprio do povo, sem composições ou inspirações clássicas; além disso, com a presença desses elementos cria-se o que pode ser chamado de ideário tropical.
Os elementos constitutivos que permitem a identificação desse sentimento nacional são muitos, como por exemplo a citação ao tamarindo, à mangueira, ao bogari, ao Deus da mitologia indígena Tupã; a presença dessa “personagem” é bastante interessante, já que ela é de suma importância para a criação da identidade cultural brasileira, livre das amarras da mitologia grega (clássica).
Existe uma linha tênue entre a liberdade dos moldes europeus e clássicos e o apego aos mesmos no poema em questão, uma vez que a composição de Dias flerta, estruturalmente, com as cantigas de amigo, nas quais podia-se observar a saudade de uma moça em relação à um amor físico e recíproco, e também com os moldes clássicos no que se diz respeito aos quartetos, presentes em todo o poema. O amor físico e recíproco, no poema, pode ser comprovado a partir do trecho: “Meus olhos outros olhos nunca viram,// Não sentiram meus lábios outros lábios,// Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas// A arazóia na cinra me apertaram”.
Em suma, o poema é dotado de nacionalidade, porém com moldes clássicos que são adaptados para que haja uma identificação. Antônio Cândido, em sua obra “Romantismo no Brasil”, propõe a tríade “transposição – substituição – invenção” para o processo de criação literária, que pode facilmente ser aplicado no poema estudado; a transposição pode ser notada pela presença do deus Tupã, que vem para contrapor a mitologia grega (clássica), e a substituição vem a partir da presença da índia, que entra no lugar da donzela europeia. Já a invenção se mostra presente justamente na tentativa de criação do ideário tropical, que, apesar de pretender representar o Brasil, é criado a partir da presença de elementos de uma fauna trazida para cá pelos portugueses e da representação de uma índia com comportamentos europeizados. Entretanto, há sucesso, já que ocorre a identificação e o sentimento de liberdade literária e cultural aflora-se.
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Gabriela Nerozi
RA: 10078318
3º semestre, Letras, noturno.
O princípio de liberdade romântica parte de criar e seguir uma identidade nacional, que não havia sido ainda cultivada em terras brasileiras, e passam a ser presentes nas narrativas desses autores, desde a construção da ambientação, à dos personagens e ao vocabulário, afim de quebrar a dependência da literatura nacional para com os moldes europeus. Antônio Cândido, usa alguns termos para contextualizar esse nacionalismo exacerbado nesse período da escola literária, como por exemplo a centralização do nativismo, que encontramos em trechos como “A arazóia na cinta me apertaram” e “Tupã! Lá rompe o Sol! Do luto inútil”, que usa palavras do vocabulário indígena para se expressar, e também nos versos “Do tamarindo a flor jaz entreaberta/ Já solta bogari mais doce aroma”, que há a citação de elementos da flora, também, ao analisarmos o poema, supomos que o eu-lírico seja feminino, uma índia, que chama e procura seu amado, Jatir, isso enfatiza ainda mais o período indianista/nacionalista.
Podemos analisar também, a inclinação a estética romântica, que é explicita em “O Leito de Folhas Verdes”, quando temos a idealização da figura feminina e a idealização do amor, onde a índia do eu-lírico, entrega seus interesses e fidelidade totalmente ao seu amado Jatir, além de das descrições fervorosas quando se trata do amor, que são localizados em “Por que tardas, Jatir, que tanto a custo/ A voz do meu amor move teus passos?” e “Brilha a lua no céu, brilham estrelas,/ Correm perfumes no correr da brisa,/ A cuja influxo mágico respira-se/ Um quebranto de amor melhor que a vida.”.
Em toda essa construção para uma liberdade literária, Cândido cita uma tríade composta por três palavras chaves, sendo elas: transposição, substituição e invenção. A substituição percebemos na troca do eu-lírico, de uma mulher etnicamente europeia, para uma mulher indígena, essa substituição também é feita com o amado do eu-lírico, sendo um indígena, chamado Jatir. A transposição é o abandona da mitologia clássica para o uso da mitologia indígena (“Tupã! Lá rompe o Sol! Do luto inútil”) e por fim, a invenção. Gonçalves Dias, usa de espécies de flora que não são tipicamente brasileiras, como “mangueira”, “tamarindo” e “bogari”, entretanto o uso desses termos, enriquece a pintura do brasil tropical que os românticos nacionalistas almejavam passar em suas obras.
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Na época, a maior preocupação dos autores era criar uma expressão poética nacional, desconstruir a identidade baseada nos moldes europeus e, por fim, ter a sua própria. O princípio de liberdade romântico passou a surgir nas narrativas, expressando-se principalmente através do indianismo e na caracterização de um ambiente tipicamente brasileiro por meio da descrição da natureza.
Nesse sentido, a utilização de palavras como flor, folha, sol, lua, luar, etc intensifica, na narrativa, a descrição de um ambiente relacionado ao povo indígena, principalmente com pontamento para o sol e a lua, que representam o dia e a noite. Do outro lado, o uso de mãos, amor, lábios, prece, olhos, traz a imagem do “erótico”, da “pureza feminina” e do “bom selvagem”.
Na obra, o movimento da natureza também é uma metáfora para os sentimentos da personagem.
“Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Lá solta o bogari mais doce aroma
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!”
Esses versos representam metaforicamente os sentimentos e as emoções do “eu poético”, relacionando que, após exalarem um intenso perfume durante a noite, as flores o exala ais fracamente durante do amanhecer: a esperança que a índia nutriu ao anoitecer (forte como aroma das flores), enfraqueceu com a chegada de um novo dia. A partir disso, percebemos o quanto era grande a necessidade que o eu lírico sentia em relação ao amado ausente.
Durante a construção do “princípio de liberdade”, Antônio Cândido fala de uma tríade que se baseia em três palavras chaves:
Transposição – A mitologia clássica é deixada de lado, e no lugar dela é colocada a mitologia indígena;
“Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil”
Substituição – A troca do eu lírico, que deixa de ser uma mulher europeia e passa a ser uma mulher indígena (acontece o mesmo em relação ao amado, que também é um indígena);
Invenção – No poema, Gonçalves Dias utiliza ‘Mangueira’, ‘Tamarindo’, ‘Bogari’, que não são especificamente espécies da fauna brasileira, na construção do ambiente, o que acaba por idealizar e enriquecer o retrato da beleza tropical do Brasil.
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Pode se notar o princípio de liberdade nesse poema como a necessidade de criar uma expressão poética nacional brasileira. Inspirado e influenciado pelas obras medievais. O poema lembra uma cantiga de amigo, porém em contexto brasileiro, como fato de que é “escrito” por uma índia. Descrevendo a flora e fauna brasileira, faz-se uma metáfora sobre a intimidade feminina:
“””Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.””””
Em meio de tudo isso, Candido, cita a tríade: transposição, substituição e invenção. Sendo a transposição, a presença da mitologia indígena, a substituição de uma mulher que estaria esperando seu amado voltar da guerra como em uma cantiga de amigo, por uma mulher indígena e por último a invenção, onde o autor cria um cenário tipicamente brasileiro em cima do poema.
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O Romantismo marca a as contradições da Revolução Industrial e da burguesia ascendentes, mudando todo cenário da sociedade. A burguesia toma conta do poder e a nobreza se transforma em chacota. Sentimentos como: nostalgia, inquietude e ânsia pela liberdade marcam essa nova estrutura social.
A vinda da família real ao Brasil, trouxe fortes influencias como a imprensa, o teatro, e a musica erudita, influenciando mais tarde a independência literária no Brasil.
Com a emancipação politica em 1822, cria se uma perspectiva de nacionalismo na literatura, com a presença de contrapontos, pois há uma ausência do que é o Brasil e do que é o brasileiro. Ser um país colônia amarra a literatura a Portugal, gerando uma carência.
O nacionalismo se inicia marcado pela euforia e empolgação, criando a imagem de um país ideal e fascinante. É neste momento que a figura do índio é resgatada, transformando a imagem de um índio nativo para de um herói nacional, trazendo a emancipação do romantismo europeu para o nacional. Na prática as poesias dão inicio aos elementos fundamentais para a criação da IDENTIDADE NACIONAL, como os nomes indígenas, a linguagem simplória, dando forma a um novo “principio de nação”( Cândido), um dos poemas mais famosos e que marcou este momento foi “ Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, onde fica explicito toda essa construção de elementos na busca pela identidade nacional:
“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores”.
Segundo Cândido, o principio fundamental do romantismo, é a liberdade. Liberdade essa que é constituída por elementos que constroem essa imagem de literatura própria, na qual Candido cita a transposição, substituição e invenção, fazendo uma releitura do romantismo europeu para o nacional, elementos presentes no poema Leito de Folhas Verdes, de Gonçalves Dias: Donzela por índia/ Rosa por tamarindo/ Invenção da América Tropical, vocabulário rico em elementos da natureza: arvores, folhas, e flores, reforçando assim, cada vez mais a identidade nacional da literatura.
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Ao fazermos uma análise do poema Leito de Folhas Verdes de Gonçalves Dias, percebe-se que o mesmo não segue uma forma tradicional em seu processo de escrita, pois o vocábulo utilizado é diferente, com referências à cultura indígena e tendo um eu-lírico feminino.
Além disso, há um sentimento da criação de uma identidade própria, com espaço para a a população local (indígena), explorando a natureza brasileira (bogari, mangueira, tamarindo, etc) e fazendo referências à cultura indígena. Livrando-se assim, das imposições realizadas a partir da colonização.
Por meio dessa liberdade também cria -se um eu-lírico feminino dotado de suas próprias características e sempre a espera de seu amado. Esse eu-lirico possui sentimentos e desejos comparados, através de figuras de linguagem, com as flores citadas, um vez que elas retratam a necessidade que a mulher guerreira tem do amado para se satisfazer, assim como as flores precisam do sol. Cabe ainda considerar, nessa comparação, as características físicas e “sentimentais” que se assemelham de forma indireta entre a mulher e a flor e o processo cíclico que acontece entre o tempo, que também afeta as flores e a espera da mulher por seu amado.
Após a análise da liberdade romântica e as características presentes no poema, fica evidente o processo tríade presente.
Há um relação entre a produção literária brasileira romântica e a produção literária de matriz européia, que é identificada por meio de três processos: a transposição, a substituição e a criação.
No que concerne a essa tríade, o Leito de Folhas Verdes se caracteriza por uma transposição que imita uma canção de amigo, passando para o contexto brasileiro as situações ficcionais e os estilos das literaturas europeias, pela substituição dos elementos europeus pelos elementos naturais do país, o que ocorre por conta do patriotismo que traz o índio como personagem em primeiro plano, logo, o Brasil passa a ser visto como uma nação com suas próprias características. Culminando assim, em um processo de criação do imaginário nacional idealizado.
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A identidade literária brasileira apenas se concretizou com o romantismo, a partir do século XVII. Um dos responsáveis para que isso ocorresse foi Gonçalves Dias que, por sua vez, como escritor indianista, demonstra de forma única e magnífica a realidade nacional da época (no período do romantismo, o indianismo destacou-se como uma memorável tendência literária). Antônio Cândido afirma que o princípio de liberdade é a quebra dos moldes europeus de produção literária, no sentido de se libertar e criar o novo. Gonçalves Dias utiliza desse princípio em suas obras neste período – o romantismo.
A Tríade criativa do romantismo é composta pela transposição, substituição e invenção. A transposição é o deslocamento das temáticas já utilizadas até então, porém, agora em uma nova literatura, por exemplo, o amor, alguém que vai falar do benquisto e se valer de metáforas para construir essa sentimentalização que sempre existiu dentro dessa temática romântica; A substituição é a troca dos elementos gregos/europeus para os elementos brasileiros, por exemplo, a substituição do Deus cristão pelos Deuses indígenas; E por fim, a invenção é se valer desses dois conceitos anteriores para a criação de algo nativo, nosso, nacional.
O poema “Leito de folhas verdes” é um grande exemplo dessas definições. A forma e a temática que o autor utiliza assemelha-se muito com as cantigas de amigo, no qual o eu lírico dá-se pela voz de uma mulher e disserta sobre o amor. Na última estrofe podemos ver explicitamente o deus Tupã, assim como na antepenúltima estrofe é descrito uma arazóia, ou seja, dois elementos da cultura indígena. Conclui-se então que a partir da Tríade e do “princípio de liberdade”, Gonçalves Dias compõe suas obras com um caráter singular e inovador.
3º Semestre – Noite.
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Quando analisamos o poema de Leito de Folhas Verdes de Gonçalves Dias, conseguimos perceber que tem uma estrutura tradicional, porem com uma linguagem mais simples, utilizando palavras que remetem ao tropical, ao indígena, uma representação do que seria o “O Ideal Brasileiro”, com um Eu-Lírico feminino em aflição, pois não sabe nada do que se passa com seu amado, um poema meio ligado as Cantigas de Amigo português.
Gonçalves utiliza bastante elementos da natureza e indígenas que nos remete ao “inicio de nação brasileira”, tem uma ideia de princípio, o homem natural, o bom brasileiro, que nos da esse sentimento de uma criação de identidade própria, dando espaço para o que seria o indígena idealizado, explorando a cultural natural brasileira, utilizando-se de uma flor e seu ciclo para se referir a uma mulher a espera de seu amado.
Depois de analisarmos esse princípio de liberdade, conseguimos ver claramente o processo tríade proposto por Antônio Candido, que seria o processo de transposição, substituição e criação(invenção);
Transposição: É ser parecido com uma cantiga de amigo, com traços das criações europeias.
Substituição: No lugar de usar “deuses gregos”, usa-se os índios, substitui-se toda essa cultura europeia pela cultura nacional, tudo o que estrangeiro passa a ser brasileiro.
Criação: Criar um ideário de o que seria o brasileiro, o nacionalista.
3º Semestre – Noturno
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Maria Cristina / 10075957
No poema “Leito de Folhas Verdes”, podemos observar fortes elementos do que Candido considerou como “princípio de liberdade” dentro do Romantismo. Primeiro, devemos entender que essa liberdade referia-se à criação de uma nova identidade dentro da literatura brasileira. Os escritores brasileiros procuravam uma nova e autêntica forma de produção literária, afastada das influências e moldes já existentes, focados na afirmação de uma nação recém fundada, seu povo e território e principalmente buscavam a autonomia que aparece nos textos com novas formas de escrita e uma diversidade muito maior com relação aos temas que são tratados. Os elementos da natureza, o “eu”, o índio e o próprio romance adquirem papel fundamental na produção do Romantismo. No poema de Gonçalves Dias, esses elementos são tratados através do eu-lírico feminino e indígena. A estrutura assemelha-se a uma cantiga de amigo, onde a mulher declara seu amor, muitas vezes não correspondido, que é o caso do romance entre a índia e seu amado Jatir, comprovado no poema pelos versos: “Não me escutas, Jatir! Nem tanto acordes/À voz do meu amor, que em vão te chama!”. Percebemos também a criação de um ideal que representa o tropicalismo brasileiro, visto que Gonçalves Dias utiliza-se de elementos da natureza (folhas, bosque, mangueira, tamarindo) para estabelecer uma ambientação propriamente brasileira, ainda que alguns elementos não sejam propriamente nativos. Utiliza-se também de elementos indígenas, como no verso: “Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas/A arazóia na cinta me apertaram”, sabendo que arazóia é um saiote de penas feito por mulheres indígenas. A partir do conhecimento do princípio de liberdade estabelecido por Cândido e analisando o poema de Gonçalves Dias, pode-se fazer uma reflexão sobre o processo de construção literária do Romantismo: transposição, substituição e invenção. A transposição acontece justamente quando a nova forma de escrita segue o modelo existente da literatura europeia, porém com uma apropriação que passa ao leitor um sentimento de familiaridade, encontrando a presença das raízes culturais (utilização de elementos brasileiros, aparecimento do índio). Já a substituição acontece justamente com a troca que os escritores fazem por entidades e personagens locais: quando o cavaleiro é substituído pelo índio, o deus grego pelo mitológico (visível no poema quando Gonçalves Dias utiliza o nome de Tupã, nos últimos versos: “Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inutil/A brisa da manhã sacuda as folhas”), dentre outros elementos. A invenção, no caso do poema “Leito de Folhas Verdes” aparece quando cria-se a ideia do “americano” tropical, rodeado de flores, saia de penas e até mesmo de plantas que não são brasileiras, mas que são utilizadas como elemento para criar uma ambientação.
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“Leito de folhas Verdes” contém o princípio de liberdade romântica, como descrito por Antonio Cândido, na forma como invoca uma estrutura distinta dos moldes europeus. Abandona as rimas, inventa um eu-lírico indígena e recupera um passado nacional vislumbrante e imaginário.
A tríade criativa proposta por Cândido se resume à substituição, a transposição e a invenção, e aqui se fazem presentes das seguintes maneiras:
Gonçalves Dias transpõe uma cantiga de amigo trovadoresca substituindo o eu-cancional por um eu-lírico indígena, embora ainda feminino, que espera o amado não em seu castelo, mas sim por entre a mata, imersa em rica natureza. Substituindo também a ambientação. Tal como o próprio léxico mítico que antes fundido na mitologia grega agora dá lugar à mitologia tupi-guarani.
Entretanto, trata-se da inoculação de valores e representações de uma sociedade iletrada à literatura de seu colonizador através de um autor não indígena. Ou seja, não se trata de uma representação fidedigna à cultura indígena em questão saqueada. A cena ritualística descrita por Gonçalves Dias no poema é uma mera invenção. Tal como toda a ambientação que invoca uma fauna não brasileira.
Essa mesma ferramenta se repete por todo o romantismo brasileiro.
Pela lógica nacionalista pré-republicana, a idealização do que é nacional e o que é estrangeiro se fizeram mais que indispensáveis para a criação da ideia de nação. O glorioso cavalheiro medieval brasileiro se torna o índio. Porém não aquele índio rebelde, selvagem, que ora era escravo, ora era inimigo do progresso, que não exatamente acompanhava o itinerário ocidental. Era um índio idealizado de um passado glorioso, um guerreiro das matas, um amigo dos bichos que há muito não existia mais pois dera lugar ao brasileiro moderno. Um índio que não era nem inteiramente indígena, nem inteiramente português, nem inteiramente selvagem, nem inteiramente civilizado.
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Unitau . DPCSL . Letras Port – Ing . Terceiro Semestre . Noturno .
Literatura Brasileira : Desdobramentos do Modernismo .
Gabriel Diniz . RA : 10053574 . 2019 .
Questão a ser abordada :
De que forma se pode observar , demonstrar e explicar os elementos constitutivos do “princípio de liberdade” , no poema “ Leito de folhas verdes ” , de Gonçalves Dias , no livro Últimos Cantos . Série : Poesias Americanas , elaborando uma reflexão sobre o processo tríade ( Transposição , Substituição e Invenção ) de construção literária do romantismo brasileiro , como proposto por Antonio Candido em O Romantismo no Brasil .
“ A América deve ser livre na sua poesia como em seu governo ” .
À luz do processo histórico luso – brasileiro , infere – se que antes da chegada da Coroa portuguesa e seu aparato burocrático em 1808 , a colônia brasileira carregava um status de dependência , isto é , uma vacilante consciência crítica ainda em formação . Sendo assim , ao analisar os meios pelos quais uma colônia de exploração se tornou uma nação , consoante Ferdinand Denis (1798 – 1890 ) , fundador da teoria e história da nossa literatura:
[ … ] um país com fisionomia geográfica , étnica , social e histórica definida , deveria necessariamente ter a sua literatura peculiar , porque esta se relaciona com a natureza e a sociedade de cada lugar . Nesse sentido , os brasileiros deveriam portanto , concentrar – se na descrição da sua natureza e costumes , dando realce ao índio , o habitante primitivo e por isso mais autêntico . À vista disso , a função da exaltação do índio ( Jatir ) e , respectivamente , da natureza ( A copa da mangueira , a flor do tamarindo , o bogari etc ) , no poema “ Leito de folhas verdes ” , de Gonçalves Dias , transpõe – se sob o reflexo do signo na imagem do ideal , de um passado honroso , de um sentimento de originalidade e unidade nacional e , de acordo com Roger Bastide , serviu de álibi para conceituar de maneira confortadora a mestiçagem ; funcionou como correlato dos sentimentos que o brasileiro desejava exprimir como próprios , operando como orgulho nacional . “ Portanto, o Romantismo brasileiro foi inicialmente ( e continua sendo em parte até o final ) sobretudo Nacionalismo . E , Nacionalismo foi antes de mais nada escrever sobre coisas locais ” . Desse modo , “ um elemento importante nos anos de 1820 – 30 foi o desejo de Autonomia Literária , tornado mais vivo depois da independência . Então , o Romantismo apareceu aos poucos como caminho favorável à expressão própria da nação recém – fundada , pois fornecia concepções e modelos que permitiam afirmar o particularismo , e portanto a identidade , em oposição à metrópole , identificada com a tradição clássica ” . Por isso , um dos pontos positivos dos românticos foi o Nacionalismo , pois ele foi responsável por “ chacoalhar ” a vida mental de influência portuguesa e abri – la a novas culturas . Dessa maneira , a tarefa inicial dos idealizadores consistiria em “ verificar o passado literário e entronca – lo no presente ” , para que se pudesse promover o triunfo da literatura nacional . Logo , em uma análise em cadeia , a tradição nativista levaria a um sentimento de um brio nacional que desaguaria no Patriotismo . Por conseguinte , sobre a jangada da aventura romântica e o seu desejo de diferenciação em busca de uma consolidação da identidade nacional , outro conceito caro aos românticos foi o de independência estética em relação a Portugal , pois a realidade brasileira possuía diferenciações linguísticas , levando em questão a identidade pelo aspecto fundamental da linguagem , caracterizando a produção literária brasileira como detentora de um corpus literário próprio . Isto posto , subentende – se que o Romantismo tenha contribuído para que o brasileiro fosse formando uma ideia de si mesmo , ou seja , o sentimento de adquirir uma identidade original .
Pensando sobretudo no relacionamento entre a literatura brasileira romântica e as literaturas matrizes da Europa , pelo meio do estudo de três categorias analíticas ( Transposição , Substituição e Invenção ) , deduz – se que a redefinição foi uma variante típica do nosso processo cultural . A Transposição “ consiste em passar para o contexto brasileiro as expressões , concepções , lendas , imagens , situações ficcionais , estilos das literaturas europeias , numa apropriação ( perfeitamente legítima ) que se integra e dá ao leitor a impressão de alguma coisa que e muito nossa , e ao mesmo tempo faz sentir a presença das raízes culturais . Os elementos transpostos funcionam ao modo de um universo familiar ”. No poema , pode – se destacar o sofrimento do eu – lírico feminino em relação às cantigas de amigo e , por extensão , a figura do deus autóctone Tupã em contrapartida do Deus ocidental . Já a Substituição “ é um processo mais profundo do ponto de vista da linguagem e da interpretação cultural . Nele , o escritor brasileiro põe de lado a terminologia, as entidades , as situações da literatura europeia e os substitui por outros , claramente locais , a fim de que desempenhem o mesmo papel ” . No poema , os ideários já possuem como sentimento propulsor o Americanismo e o Tropicalismo . Por fim , pode – se falar em Invenção “ quando o escritor parte do património europeu para criar variantes originais ”. No poema , a donzela é substituída pela índia na floresta . Em consequência “ foi , portanto , por meio de empréstimos ininterruptos que nos formamos , que definimos a nossa diferença relativa e conquistamos consciência própria . Os mecanismos de adaptação, às maneiras pelas quais as influências foram definidas e incorporadas e que constituem a originalidade , que no caso é a maneira de incluir em contextos novos os elementos que vem de outro ” .
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Quando fazemos a análise do poema “Leito de Folhas Verdes” de Gonçalves Dias, percebemos que o princípio fundamental é a liberdade de criação e de expressão, pode-se observar também a caracterização de um ambiente brasileiro, como em:
“Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!”
O seu vocabulário é diferente, o eu-lírico do poema é feminino e referem-se a cultura indígena, pois percebemos que as palavras lua, luar, sol, folha, o deus Tupã, arazoia, são elementos dessa cultura.
Gonçalves Dias que era um escritor indianista, faz referência a realidade nacional da época. Antônio Cândido afirma que o principio de liberdade quebra o modelo europeu de produção literária e Gonçalves Dias utiliza desse princípio em suas obras de romantismo. A tríade é composta pela transposição, substituição e invenção. A transposição é a conversão de uma obra de um tipo de narrativa (romance, poesia) para outro; a substituição é a troca de elementos gregos e europeus para os elementos brasileiros e a invenção é a junção desses dois conceitos para a criação de algo nacional.
E o poema “Leito de Folhas Verdes” é um exemplo desses conceitos, se assemelham muito com cantigas de amigo, em que o eu-lírico é feminino e fala-se de amor.
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Asif Mesquita – Letras (noturno) 3º semestre
O princípio de liberdade romântica baseava-se na tentativa de fugir dos padrões estabelecidos de ordem, na rejeição do clássico, na inovação. Por conta do forte sentimento de nacionalismo na época, buscava-se o afastamento dos temas e estilos greco-latinos para priorizar e “criar” o estilo próprio da nação.
Em Leito de Folhas Verdes podemos observar que o eu lírico é uma mulher indígena, o vocabulário utilizado é bem diferente do que normalmente se usaria em estilos mais antigos e ainda há a ausência da rima, antes tão indispensável para atestar que o poema era digno de ser considerado literatura. Com o romantismo, o artista não era obrigado a se manter na caixa padronizadora para ter sua obra levada em consideração. Ele podia construir seus versos sem a obrigatoriedade da rima e podia falar pela boca da índia ao invés da camponesa.
Assim, ele traz a tona elementos que fazem uma construção do ambiente brasileiro ao utilizar um vocabulário indígena: Jatir, arazoia, Tupã, bogari, mangueira. A natureza é exaltada, o próprio tema do encontro amoroso é tratado com naturalidade, cria-se uma ideia de uma realidade paradisíaca que teria sido o passado da pátria.
Entretanto é importante notar que nada aqui se criou do nada. A literatura romântica, de acordo com Candido, é construída pela tríade transposição-substituição-invenção, e este poema é um exemplo perfeito para confirmar. É verdade que não há rima, porém Gonçalves Dias ainda manteve os famosos versos decassílabos; o tema é muito semelhante às cantigas de amigo, que tratam da saudade da mulher pelo seu amado; a presença da flor como representação da própria mulher; o apelo à divindade; a humanização da natureza… Tudo isso já existia e foi transposto para o texto.
Já a substituição é notada pela troca de elementos: ao invés de clamar pelos deuses gregos, chama-se por Tupã; a donzela na torre deu lugar à india nos campos; a rosa e a macieira, dos lugares frios, saem de cena enquanto a mangueira e o bogari, de clima quente, entram para ficar.
Dessa substituição nasce a invenção, pois era uma realidade romantizada, idealizada para parecer com o passado europeu cheio de fantasias de amor e honra e ao mesmo tempo com o Brasil não-colonizado. Ao tentar imitar as duas, acaba por criar algo novo que não é nem um e nem outro. A própria fauna utilizada não é originária do Brasil por exemplo, o bogari e a mangueira são do sudoeste asiático, mas por serem tropicais são usadas como símbolo da nação e mais apropriadas para representá-la.
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No poema “leito de folhas verdes” todo o cenário é construído através do uso de elementos da natureza. O ambiente criado é completamente bucólico, remetendo-se à flora nacional. Como diz Candido em “O romantismo no Brasil”, o romantismo brasileiro foi, sobretudo, nacionalismo, e foi a partir da construção de uma imagem local que esse era feito.
O princípio de liberdade é construído exatamente em cima desse ambiente, a exaltação de liberdade do ser é apresentada no poema com metáforas que remetem à libertação, expressões como “flor que desabrocha”; “correm perfumes no correr da brisa”.
De acordo com Candido o romantismo adota um processo tríade de formação. Nesse poema, ficam explícito as três partes desse processo (transposição, substituição e invenção).
A transposição constitui-se em passar para o contexto brasileiro concepções, lendas, expressões, até modelos literários europeus, através apropriação legítima. O objetivo dessa ferramenta literária é aproximar o leitor da obra. No poema de Gonçalves Dias isso fica claro: o texto se assemelha muito a uma cantiga medieval europeia, tem como eu-lírico uma mulher que espera pelo seu amigo enquanto se queixa de sua demora, mas Dias não usa da forma que possuíam as canções, coloca em seu poema a natureza brasileira como marca de ambiente para exaltar a cultura local, representa o ideário nacional mesmo que ele não seja, de fato, nacional e sim uma construção do autor.
A substituição é baseada na transformação de situações da literatura europeia por tradições locais, a fim de que desempenhem o mesmo papel, por exemplo: o cavaleiro do trovadorismo europeu é substituído pelo índio brasileiro. No poema, o uso do nome Jatir (origem indígena) provoca essa ação.
Por último, a invenção: processo que se baseia no uso do patrimônio europeu para a criação de variantes originais. Candido cita em seu livro que “foi, portanto, por meio de empréstimos ininterruptos que formamos e definimos nossa diferença relativa e conquistamos consciência própria”, ou seja, a autonomia na escrita romancista é gerada através da inspiração da europeia para transformar algo em nosso. No poema de Gonçalves Dias a nação é representada através da natureza, os elementos definem a pátria, mas não se abandona a semelhança das cantigas europeias, os versos com métrica definida, a construção feita em quadras.
Portanto, o romantismo foi uma literatura própria e comum ao mesmo tempo, devido a esse processo tríade que levava o autor buscar inspiração europeia, entretanto tornando-o capaz de colocar em sua obra concepções próprias que tornavam os textos únicos e responsáveis pela contemplação do local.
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O princípio de liberdade romântica refere-se ao ato de sentir aquilo que é moldado de “NOSSO”/ “PRÓPRIO”, é um sentimento de elaboração da nacionalidade, das tradições, da linguagem, esse sentimento é referente a uma estrutura que é necessária para essa caracterização do novo, tendo como intuito, romper com os resquícios do modelo europeu.
Durante o período Indianista e Naturalista há uma nova percepção da visão romântica por parte dos autores, que chegam com uma nova forma de expressão por meio da poesia, que é despertar, mostrar os elementos da natureza e ambientação como o foco principal, valorizando a fauna e flora, dando o sentido de nacional.
Em alguns trechos podemos ver a utilização desses elementos da natureza e ambientação como forma de enriquecer o sentido da poesia, como por exemplo:
“Do tamarindo a flor abriu-se,
há pouco,/ Já solta o bogari
mais doce aroma!”
E no verso que expressa o vocabulário indígena, como:
“Tupã! Lá rompe o Sol ! Do luto inútil “
Lembrando que no poema a presença do eu-lírico feminino deixa muito evidente a mulher enquanto guerreira, sendo representada pela índia, trazendo a idealização do amor, portanto, ela luta pela chegada e aguarda ansiosa pelo seu amado ausente (Jatir). Como no verso:
“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo/ A voz do meu amor move teus passos?”
No decorrer da construção para a finalização de liberdade, Antonio Cândido nos apresenta uma tríade, que tem como base três palavras chaves:
Transposição: É quando a mitologia clássica deixa de ser uma opção e a mitologia indígena passa a ser a preferência.
Substituição: É a troca do eu-lírico feminino enquanto mulher europeia, para o eu-lírico feminino: Mulher indígena.
Invenção: É o enriquecimento do poema por meios dos elementos da natureza que não são típicas da flora brasileira, como: “Bogari”, “Mangueira” e etc, porém esses elementos são responsáveis pela criação da visão tropical, que no final, esse era o intuito dos autores da época.
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O poema “Leito de Folhas Verdes”, de Gonçalves Dias, publicado em 1851, marca a identidade literária do Romantismo.
Ao fazer uma análise de sua escrita, percebe-se uma grande referência a realidade nacional do período, e o princípio de liberdade romântica, dita por Antônio Cândido. Dias não usava das características amorosas exageradas, pertinentes ao romantismo para a construção de sua obra e sim o equilíbrio.
Dias também foi responsável pela criação de uma nova convenção poética, – como é ressaltado por Cândido em “Formação da Literatura Brasileira” – pois foi quem usou elementos da cultura brasileira da época – como o índio e a natureza – e os mesclou com as influências medievistas europeias. É possível visualizar o equilíbrio citado anteriormente e a nova convenção poética no poema “Leito de Folhas Verdes”.
No primeiro verso da primeira estrofe do poema, o eu-lírico feminino cita Jatir – o primeiro elemento da nova convenção poética já é visível aqui, pois Jatir é o indígena heroico. Se nas narrativas medievais o cavalheiro era o herói, nas obras de Dias, o índio é retratado como esse guerreiro – seu amado por quem espera ansiosamente. No quarto e quinto verso da sétima estrofe “Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas /
A arazóia na cinta me apertaram.” A arazóia trata-se da tanga de penas vestida pela moça, – eu lírico – a tanga encontra-se em sua cintura e as mãos de Jatir a apertaram ali, assim, remete-se a imagem do cavalheiro medieval segurando a cintura de sua amada. Por todo o poema, também, há o ressalto dos elementos da natura brasileira, como a mangueira e as flores do bogari e do tamarindo. E por fim, os elementos indígenas como a arazóia, já citada, e Tupã – entidade suprema da mitologia tupi-guarani.
Além disso, nota-se o processo tríade de construção, proposto por Cândido como adotados pelo Romantismo: Transposição, Substituição e Invenção. A Transposição é a mudança das escritas européias para escritas para efeito de assimilação;
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O poema “Leito de Folhas Verdes”, de Gonçalves Dias, publicado em 1851, marca a identidade literária do Romantismo.
Ao fazer uma análise de sua escrita, percebe-se uma grande referência a realidade nacional do período, e o princípio de liberdade romântica, dita por Antônio Cândido. Dias não usava das características amorosas exageradas, pertinentes ao romantismo para a construção de sua obra e sim o equilíbrio.
Dias também foi responsável pela criação de uma nova convenção poética, – como é ressaltado por Cândido em “Formação da Literatura Brasileira” – pois foi quem usou elementos da cultura brasileira da época – como o índio e a natureza – e os mesclou com as influências medievistas europeias. É possível visualizar o equilíbrio citado anteriormente e a nova convenção poética no poema “Leito de Folhas Verdes”.
No primeiro verso da primeira estrofe do poema, o eu-lírico feminino cita Jatir – o primeiro elemento da nova convenção poética já é visível aqui, pois Jatir é o indígena heroico. Se nas narrativas medievais o cavalheiro era o herói, nas obras de Dias, o índio é retratado como esse guerreiro – seu amado por quem espera ansiosamente. No quarto e quinto verso da sétima estrofe “Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas /
A arazóia na cinta me apertaram.” A arazóia trata-se da tanga de penas vestida pela moça, – eu lírico – a tanga encontra-se em sua cintura e as mãos de Jatir a apertaram ali, assim, remete-se a imagem do cavalheiro medieval segurando a cintura de sua amada. Por todo o poema, também, há o ressalto dos elementos da natura brasileira, como a mangueira e as flores do bogari e do tamarindo. E por fim, os elementos indígenas como a arazóia, já citada, e Tupã – entidade suprema da mitologia tupi-guarani.
Além disso, nota-se o processo tríade de construção, proposto por Cândido como adotados pelo Romantismo: Transposição, Substituição e Invenção. A Transposição é a troca do modo de escrita europeu para o modo de escrita indígena, porém usando de estruturas similares para efeito de assimilação. Substituição é a troca completa dos elementos europeus para os elementos indígenas, como a donzela pela Índia. A invenção é o uso desses diversos conceitos para criar elementos caracterizados da nacionalidade brasileira indígena.
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O princípio de liberdade romântica é a necessidade de criação de uma própria identidade. O Brasil é um país que sofreu e ainda sofre com muitas intervenções tradicionais, o que acaba de certa forma destruindo toda a autenticidade nacional existente.
Viu-se na arte a necessidade de explorar as características nativas do país, romantizando e transformando-as em poemas. Mostrava-se dentro dos versos e palcos, uma beleza nacional livre de todas as amarras do tradicionalismo, uma beleza que realmente existia dentro das floras e faunas, no meio dos povos e culturas.
Há muitos pontos a serem observados, como por exemplo o eu lírico nos primeiros versos mostrando ser uma guerreira a espera de seu amante. É por meio do vocabulário e a descrição do ambiente que chegamos a conclusão de que a história se passa em um ambiente indígena.
Enfatiza-se repetidamente sobre alguns elementos da flora e da fauna brasileira, assim como também é representada a mitologia indígena nacional.
Cândido baseia-se em uma tríade que pode ser resumida em três palavras: transposição, substituição e invenção.
Transposição – É quando abre-se mão da mitologia clássica e dá-se preferência a mitologia indígena.
Substituição – O próprio nome já deixa evidente que é quando trocamos o eu lírico tradicional de mulher europeia para o eu lírico feminino de guerreira indígena.
Invenção – Quando o uso dos elementos naturais é capaz de enriquecer o poema aguçando a criação de uma visão tropical na qual logo remetemos a um ambiente de fauna e flora, mesmo que os elementos não sejam pertencentes a mesma. Cria-se caminhos para chegar até a visão na qual o autor tinha a intenção.
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Quando analisamos o poema de Leito de Folhas Verdes de Gonçalves Dias, conseguimos perceber que tem uma estrutura tradicional, porem com uma linguagem mais simples, utilizando palavras que remetem ao tropical, ao indígena, uma representação do que seria o “O Ideal Brasileiro”, com um Eu-Lírico feminino em aflição, pois não sabe nada do que se passa com seu amado, um poema meio ligado as Cantigas de Amigo português.
Gonçalves utiliza bastante elementos da natureza e indígenas que nos remete ao “inicio de nação brasileira”, tem uma ideia de princípio, o homem natural, o bom brasileiro, que nos da esse sentimento de uma criação de identidade própria, dando espaço para o que seria o indígena idealizado, explorando a cultural natural brasileira, utilizando-se de uma flor e seu ciclo para se referir a uma mulher a espera de seu amado.
Depois de analisarmos esse princípio de liberdade, conseguimos ver claramente o processo tríade proposto por Antônio Candido, que seria o processo de transposição, substituição e criação(invenção);
Transposição: É ser parecido com uma cantiga de amigo, com traços das criações europeias.
Substituição: No lugar de usar “deuses gregos”, usa-se os índios, substitui-se toda essa cultura europeia pela cultura nacional, tudo o que estrangeiro passa a ser brasileiro.
Criação: Criar um ideário de o que seria o brasileiro, o nacionalista.
Noturno.
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Como manifestação cultural, a literatura romântica é uma reação ao cenário político e social do Brasil, caracterizado, em meados do século XIX, por um desejo de ruptura às influências portuguesas e, portanto, europeias. Ruptura essa marcada pelo reconhecimento da pátria, antes uma colônia, mera fonte de exploração da metrópole lusitana.
Em “Leito de folhas verdes”, de Gonçalves Dias, os elementos da natureza trabalham em constante sintonia com o ser e estar da personagem, como nos seguintes versos: “Eu sou aquela flor que espero ainda/ Doce raio do sol que me dê vida.” Esses aspectos da flora criam, no poema, a sensação de tropicalidade e uma ambientação que remete aos costumes indígenas. Vejamos:
Eu, sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brancas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Aqui, há uma exaltação dos povos indígenas nas referências lexicais e culturais, ao contrário do que acontecia na literatura colonial jesuítica, em que as crenças dos nativos eram demonizadas para fins de domesticação. Entretanto, salienta-se que esse enaltecimento indianista é romantizado, higienizado, estereotipado para difundir-se no imaginário da sociedade e, seguindo as ideias de Rousseau, para transformar o índio, como sujeito livre da corrupção civilizatória, em símbolo patriótico.
Ainda que haja um esforço do movimento romântico para libertar-se da literatura europeia, “Leito de folhas verdes”, por exemplo, mantém a forma poemática tradicional, composta por versos decassílabos e estrofes em quadras. Sobre rompimento, a mitologia clássica é aqui substituída pelas crenças indígenas, como nos versos: “Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil/ A brisa da manhã sacuda as folhas!”.
Seja no uso metafórico ou na caracterização do tempo e do espaço, a natureza assume, na literatura indianista e regionalista, a representação do ideário nacional e do que Antonio Cândido chama de “princípio de liberdade”. É na descrição dela, então, que o romantismo tenta diferenciar-se das produções europeias e renovar-se como criação autônoma.
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Láisla Santos Oliveira, 10074598, Letras, Matutino.
O início do romantismo no Brasil, é impulsionado pelo impacto das novas tendências da França e com o desejo de liberdade do povo, que acaba por mover o romantismo. Levando em conta o momento histórico, uma ruptura com Portugal não poderia ser somente no âmbito econômico, era necessária uma separação por completo, incluindo a cultura, literatura e entre outros elementos de uma nação.
Em resposta a todo esse movimento de individualidade brasileira, o romantismo nasce como essa grande manifestação cultural marcada pelo reconhecimento da pátria e da exaltação das particularidades aqui vivenciadas. Os “novos poemas” criticam a velha métrica, resgatando algo medieval na sua escrita, preservam a musicalidade do verso e inovam usando a natureza real.
O poema “Leito de folhas verdes” de Gonçalves Dias, apresenta o amor de uma índia a seu amado, observamos que nem sempre a rima, que antes era necessária, há de aparecer, mas que os versos mantêm o ritmo. É mostrado a natureza particular, mencionando o bogari, uma flor brasileira, e também a mangueira e o tamarindo, apesar destas não serem originalizadas no Brasil, as plantações das mesmas tiveram grande sucesso que acabam se tornando algo amado e de se orgulhar nacionalmente. Os deuses próprios também dominam o poema, substituindo a mitologia, e configurando a literatura para algo autônomo. As vestes indígenas também ganham espaço no poema, “a arazóia na cinta me apertaram”, realçando o estilo de vida da terra amada.
Portanto, é visível os elementos que trazem um clima e ambientação brasileira. Iniciava dessa forma certa liberdade literária, com a originalidade dos poemas sem o molde prévio e uma estrutura fixa. O romantismo tenta se diferenciar de toda aquela produção europeizada na descrição de sua escrita, e com a renovação a partir da caracterização da cultura e natureza brasileira.
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O “princípio de liberdade” citado por Cândido refere-se à liberdade da escrita, que é o princípio fundamental da Literatura Romântica. Inserido nesse contexto, o poema de Gonçalves Dias – “Leito de folhas verdes” – se apresenta com forma fixa, ainda com uma tradição europeia da utilização dos elementos da natureza e o eu lírico feminino (possivelmente como herança das cantigas de amigo), mas que cria-se agora a partir de um “abrasileiramento”, que pode ser observado, por exemplo, a partir do fato de o próprio eu lírico feminino ser representado por uma indígena. Além disso, a liberdade se apresenta, ainda, como o nacionalismo presente no texto – sentimento oriundo dessa livre escrita – marcado pela colocação de elementos da nação brasileira e que agora são abordados com um aprofundamento, citando-se tipos específicos de plantas, ou simplesmente palavras que remetem à ideia de tropicalismo ou exuberância, características estas que são típicas do Brasil. Alguns exemplos dessas palavras são: “bogari”, que é um arbusto de flores brancas semelhantes ao jasmim; “arazóia”, uma saia de penas utilizada pelos indígenas; “Jatir”, que é um nome tipicamente indígena; “tupã”, uma entidade da mitologia tupi-guarani que representa o trovão, além de “tamarindo” e “mangueira” que ajudam a construir a figura do tropical.
Dentro desse contexto, percebe-se as relações com os três processos que intermeiam as literaturas de matrizes europeias e a literatura brasileira do Romantismo, também citados por Cândido – transposição, substituição e invenção. O processo de transposição está na raiz trovadoresca das cantigas de amigo (natureza + eu lírico feminino), como já citado anteriormente. Porém, o sentimento nacionalista, de se ter algo próprio da nação, não ocorreria sem o papel da substituição, representado, por exemplo, pela troca da figura da “senhora” pela indígena. Por fim, o processo de invenção é retratado pela própria construção da figura tropical nativa por meio das escolhas lexicais, já exemplificadas.
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Em Leito de Folhas Verdes, de Gonçalves Dias, temos um eu-lírico que clama pela visita de Jatir. Neste poema, assim como o romantismo de um modo geral, nega tudo o que havia sido estabelecido, rejeita o velho e tenta criar o novo. Com um sentimento nacionalista, há uma tentativa de se criar uma imagem estritamente brasileira, desprendendo-se do europeu. Por isso, em vez de cavaleiros, temos o índio guerreiro, tido como alguém corajoso e honrado; além da presença de elementos tipicamente brasileiros, como nossa flora.
Podemos observar em Leito de Folhas Verdes, aquilo que Cândido define como processo tríade, ou seja, transposição, substituição e invenção. A transposição é passar imagens, concepções e lendas para o contexto brasileiro. Assim, apesar de termos a impressão de ser algo brasileiro, também somos remetidos às suas origens. Nesse sentido, o poema nos remete às antigas cantigas de amigo europeias.
Já a substituição consiste em utilizar-se de elementos locais em vez dos encontrados na poesia europeia. Isto é, como dito anteriormente, agora não temos mais o cavaleiro medieval, mas sim o índio brasileiro. Entretanto, este índio apresenta todas as características de um cavaleiro europeu, todas suas virtudes, como valentia e bondade.
Por fim, temos a invenção, quando se tenta ressignificar algo de outro país como sendo brasileiro. Assim, tenta-se utilizar elementos da natureza, como a mangueira e o tamarindo, como se fossem nativos nosso, por nos lembrar o clima tropical, apesar de eles serem originalmente asiáticos.
Assim, apesar de fazer uso de elementos brasileiros e outros que não necessariamente nossos, mas que nos fazem lembrar de nosso clima e de nossa flora, os poetas românticos tentam valorizar nosso país, buscando criar uma imagem nacional, como pode ser observado no poema de Gonçalves Dias.
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Luana Fernanda. Matutino.
Para se compreender o Romantismo no Brasil, que tem seu início no século XIX, é necessário analisar o contexto histórico e suas implicações. Em 1808, a Família Real chega ao Brasil juntamente com todo seu aparato cultural. As relações que se deram entre a corte lusitana e o povo brasileiro foram de grande atrito. A monarquia que se instaurou aqui acentuou ainda mais as contradições sociais e culturais existentes entre portugueses e nativos. Diante de muitas injustiças emergiu na nação um sentimento de liberdade, que, abrangia, inclusive, o âmbito literário.
A presença dos portugueses no país, em parte contribuiu para a publicação de livros, entretanto, a produção não retratava a realidade nacional, tendo como referência as literaturas grega e latina.
O conceito de liberdade que surge no contexto de criação da literatura brasileira, busca uma identidade própria do brasileiro, aflorando um forte sentimento de nacionalismo e a valorização da temática indígena e de toda natureza. Há, então, uma inovação conceitual e um desprendimento da tradição, que embora ainda apresente em sua forma uma estrutura fixa e a imagem do eu lírico almejando seu amado, conferem aos autores a liberdade de como falar e sobre qual natureza falar, de modo particular e sem referências européias.
Os elementos que exibem essa nova composição literária é perceptível em todo o poema “Leito de folhas verdes.” Como exemplos têm-se: a descrição da flora, como Tamarindo, mangueira, bogari e tapis de folhas; a menção do deus adorado pelos indígenas, Tupã; uma vestimenta indígena, a arazóia; e o nome do amado da personagem, Jatir. Todos esses elementos da cultura indígena e de parte da flora nacional são utilizados para compor uma história romântica no poema. O nacionalismo é tão expressivo, que a indígena, em muitas vezes, se compara, gradativamente, à própria natureza.
A construção literária brasileira, segundo Antônio Cândido, abrange três processos, a transposição, a substituição e a criação.
Na transposição, tem-se a implementação da imagem do tropical, suas impressões e imagens, de forma ressaltar a gênese cultural brasileira. Na substituição, há a mudança do referencial utilizado na composição do poema. O referente aqui é local, ocorrendo o espelhamento na natureza brasílica. E na criação, por sua vez, tem-se o surgimento de um imaginário e de uma estrutura brasileiras próprias, que não necessariamente, abstêm-se de influências exteriores, mas que as incorpora de uma maneira peculiar ao contexto nacional, tendo assim, uma produção original.
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Retificando a última frase.
E na criação, por sua vez, tem-se o surgimento de um imaginário e de uma estrutura propriamente brasileiros, que não necessariamente abstêm-se de influências exteriores, mas os incorporam de uma maneira peculiar ao contexto nacional, tendo, assim, uma produção original.
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O processo de construção de “Leito de folhas verdes”, poema romântico indianista de Gonçalves Dias, conta com uma liberdade da qual o autor desfruta de forma ainda um pouco tímida, a maneira com que trabalha permite a mistura de elementos europeus com outros próprios brasileiros, e ainda com uns que não são propriamente brasileiros mas foram incorporados à cultura.
Aqui, mesmo que se encontrando em um momento ainda muito inicial do romantismo, Dias já traz algumas características que viriam a ser marcantes para o movimento, que ainda nesta fase inicial se mixam com características clássicas. Algumas delas, que estão começando a ser exploradas, são: a maior liberdade de criação, já que o autor não estava mais preso aos conceitos clássicos e sólidos de forma e conteúdo; também neste momento já é possível enxergar uma ruptura com a Europa, pois está tomando conta das criações (inclusive desta), um nacionalismo que exalta a beleza do Brasil, ao invés daquela europeia, e que permite a presença de um cenário/clima tipicamente brasileiro, que mesmo possuindo influencias europeias, já demostra traços próprios e originais; além disso também ocorre uma menção à religiosidade, porém esta não é mais cristã, mas sim nativa brasileira, quando ele cita Tupã, entidade mitológica/ religiosa tupi-guarani. Há também uma grande valorização da emoção do eu lírico, neste caso feminino, bem como daquele sentimento de solidão e tristeza quando o amor não se realiza, que no poema de manifesta de maneira a nos fazer lembrar das cantigas-de-amigo portuguesas, só que aqui aparecem num tom de brasilidade.
Dentre os elementos que compõem o texto, alguns que fazem referência à nação brasileira, sendo nativos ou incorporados à esta cultura, podem ser enumerados: o amado “Jatir”, de nome indígena; a arazóia (peça típica do vestuário, também indígena); as árvores frutíferas da mangueira, do tamarindo e o bogari (frutos trazidos da Ásia, mas que se adaptaram tão bem ao clima, que são considerados típicos do Brasil); entre outros.
A ideia de liberdade também aparece quando notamos que, na realidade, não há referências à natureza europeia propriamente dita, mas sim a presença de alguns componentes que podem ser lidos como portugueses fora do seu contexto europeu, estando inseridos na realidade e contexto brasileiros. Como a valorização da natureza é muito importante no romantismo, é importante ressaltarmos sua aparição já nesta fase inicial; também a essência dos elementos textuais em geral, é em grande parte europeia, porem da forma como são empregados transparecem perfeitamente a ideia do autor de representar através deles a realidade brasileira.
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Leito de folhas verdes
Historicamente o romantismo apresenta um contesto econômico e social marcados por mudanças governamentais, revoluções, e ascensão de diferentes classes sociais. Em virtude destes fatos mencionados os ideais iluministas, capitalistas e humanistas passam a reger este cenário mundial. Ainda convém lembrar que o Romantismo brasileiro apresenta as mesmas características europeias adaptadas para a realidade do país, fazendo com que surgisse traços peculiares. Segundo Candido esta adaptação sucedeu-se de três processos que são: transposição, substituição e invenção.
A transposição, que tem sua raiz trovadoresca, passou para o contexto brasileiro, as expressões, concepções, lendas, imagens, situações ficcionais e estilos literários europeus, numa apropriação que dá ao leitor a impressão de familiaridade das raízes culturais brasileira. Por sua vez a substituição teve seu processo acentuado na linguagem e interpretação cultural. A terminologia, as situações literárias e as entidades europeias foram substituídas pelas locais afim de obterem o mesmo resultado. Para exemplificar houve a substituição do cavaleiro pela figura indígena. Do mesmo modo a invenção entende-se como a partida do patrimônio europeu para criar variantes originais, a subjetividade, a imaginação, a sujeição e exteriorização dos sentimentos, bons ou ruins, alcançando níveis extremos do mínimo ao máximo, de modo não linear.
Ao analisar o poema “Leito de folhas verdes” de Gonçalves Dias é possível observar que existem elementos que contrastam entre o clássico e o moderno como consequência podemos observar o eu-lírico feminino, provavelmente de uma índia, que tem origem nas cantigas medievais, que por sua vez lamenta a ausência de seu amado Jati, e suplica para o seu retorno. Além disso, a natureza, que em tempos passados, servia apenas de ornato, assume uma função de interação e personificação. Vale ressaltar ainda que apesar da ausência de passado medieval, o Romantismo brasileiro transpôs dos moldes europeus clássicos a fauna e a flora nativa, em razão da busca de criar um sentimento, unidade e identidade nacional.
Neste poema, os elementos da natureza, constroem uma identidade com o fundo poético, melancólico e intimista. Os ‘princípios de liberdade romântica’ que Cândido faz menção em seu texto consiste no desejo de criar uma identidade nacional rompendo com a subordinação e os molde gregos e europeus. A liberdade que tanto querem alcançar são ajustados aos padrões da realidade brasileira, ou seja, temos a era da experimentação no Brasil. Os sentimentos marcados pela livre escrita remetem à ideia de tropicalismo ou exuberância tipicamente brasileira, alguns exemplos são ‘bogari’, ‘arazóia’, saia de penas da cultura indígena; Tupã, Deus do trovão para o tupi-guarani, e pôr fim a fruta ‘tamarindo’ e a árvore ‘mangueira’ que constituem a flora brasileira.
Em virtude dos fatos mencionados por Antônio Cândido, os três processos que intermeiam a literatura brasileira estão bem claros no poema escrito por Gonçalves Dias. A transposição faz-se clara na natureza e no eu-lírico feminino, que remete ao trovadorismo. A substituição, que provem do sentimento nacionalista, representado pela figura do índio, e mediante ao Deus Tupã. Enfim a invenção, retratada pela figura tropical nativa do Brasil, representada pela escolha lexical provinda do vocabulário tupi-guarani, como citados anteriormente.
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O contexto histórico em que a nação brasileira se configurou, moldou de maneira única nossa produção cultural. No cenário de colonização, a cultura que chega no território carrega raízes profundas no padrão europeu, assim sendo, a mudança trazida no Romantismo com a consciência de nação construída pelos autores, que se colocaram no papel de renovar a escrita que negaria a perpetuação da ambientação e formato dos colonizadores, marcando características—não tão—brasileiras pelo poema, como com a descrição da natureza e do eu-lírico, sendo de importância para formação da literatura nacional.
O “Princípio de Liberdade”, a que Candido se refere, diz respeito ao inicial fundamento do movimento Romântico que parte da vontade do povo de se libertar e da resposta cultural por meio dos autores românticos com a liberdade de escrita, construindo com metáforas, a exaltação da influência do indígena tupi, não os demonizando como a cultura anterior, advinda dos jesuítas, pregava. Os autores ao descreverem o que “reconhecem como seu”, mesmo não os pertencendo de verdade, trazem a cultura indígena com a inserção de plantas (“bogari”), mitologia (entidade “Tupã”) e a ambientação de uma natureza tropical (“tamarindo”). Além do conteúdo indígena, o autor resgata uma métrica com certa musicalidade em seus versos, mas nem sempre apresentando a rima, quebrando delicadamente com a tradição.
A partir dessa construção, o processo de Gonçalves Dias é explícito e marca a tríade literária, por meio da transposição e substituição do formato de cantiga de amigo para uma idealização, que se configura no eu-lírico feminino, indígena, e se constrói em volta da “natureza brasileira” e da esfera indígena, tomando a posição do que antes era preenchido por cultura européia. Por fim, o que fundamenta a criação literária é um herói, desta vez oportunamente amigo e Tupi, Jatir, exposto como invenção de um guerreiro nacional, permeando o ideário da figura indígena para os fins de construção nacional.
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O “príncipio de liberdade”, um dos fundamentos do romantismo, que é citado por Cândido pode ser explicado a partir do poema Leito de Folhas Verdes de Gonçalves Dias, que traz do romantismo europeu o eu-lirico feminino e a exaltação de elementos da natureza, no entanto há a presença de elementos tipicamente brasileiros, como deuses indígenas e menção a plantas naturais da fauna e flora do Brasil, dando ao poema um aspecto nacionalista ao ressaltar a beleza da nação brasileira, o que também se mostra como uma forma do princípio de liberdade do romantismo.
Os três processos pelos quais se pode relacionar a literatura romântica europeia com a brasileira, e que também são citados por Cândido, são designados transposição, substituição e invenção, e todos estão presentes no poema de Gonçalves Dias. A transposição é exemplificada ao notar que o poema tem raízes do trovadorismo, no qual se vê nas cantigas de amigo a presença da natura e eu-lírico feminino. A substituição, fator que se faz presente no poema Leito de Folhas Verdes por meio do viés nacionalista, no qual há a transição da senhora presente em poemas românticos europeus pela indígena no poema brasileiro, e, finalmente o processo de invenção, que se dá ao retratar a imagem da natureza brasileira por meio da escolha de termos típicos da nação.
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Koda Carvalho – Letras Matutino – 10075238
Candido vai chamar de “princípio da liberdade” essa vontade dos autores brasileiros de se libertar e criar algo que poderiam chamar de seu, sem que sofressem influência principalmente europeia. No poema “Leito de folhas verdes”, de Gonçalves Dias, essa liberdade é estabelecida na maneira como o autor usa de palavras nacionais para descrever tanto a natureza quanto o índio. Com relação a natureza, o autor vai fazer uso de palavras como “bogari”, uma planta encontrada (não apenas) na fauna brasileira. Faz uso também de palavras que descrevem o vestuário indígena, como “arazóia”, e de nomes como “Tupã”, deus pertencente ao panteão indígena brasileiro. O autor faz isso como forma de se desprender da literatura tida como modelo, sem mais referência europeia. É uma tentativa de criar uma natureza bonita e convidativa, de modo geral.
A tríade literária está presente, inicialmente, no processo de transposição. O autor se espelhará nas cantigas de amigo europeias, que tem como eu-lírico uma figura feminina, mas dessa vez não sendo uma dama da sociedade, mas sim uma moça indígena, representando aquilo que há de mais nacional de forma idealizada. Em seguida, substituirá os elementos da natureza europeia pelos elementos da fauna brasileira, descrevendo-a como bela e esplêndida, muitas vezes fazendo referência ao corpo feminino. Por fim, cria-se um poema inteiramente formado por aspectos nacionais, a fim de enaltece-los e estabelecer uma identidade nacional própria.
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Nessa época que ainda se localiza no início do romantismo brasileiro, Gonçalves Dias começa a supostamente desfrutar do uso de uma das características do romantismo, sendo ela a liberdade de criação, tanto temática quanto estrutural para a criação do poema “Leito de Folhas Verdes”, assim rompendo com os ideias da Literatura europeia, com todas suas regras e ideias que anteriormente eram tidas como regra, para a produção da Literatura.
O mesmo pode ser tido como uma cantiga de amigo, onde um eu-lírico feminino clama pela vinda de seu amado, porém, o mesmo não aparece
Gonçalves Dias emprega o uso da temática indígena, nacionalista, na ideia de criar algo brasileiro, e novo, através da citação de fatores propriamente indígenas, como a arazoia/araçoia ( que é um tipo de saia a qual mulheres indígenas usavam); a referência a um deus indígena, Tupã; e também a exaltação de características e itens da natureza, como o bogarí e o tamarindo.
Mais uma vez, tudo isso para se desprender do padrão europeu de Literatura e sua ideia de Literatura ideal e correta.Nesse poema vemos o processo de construção do romantismo no Brasil através da Tríade Literária (a transposição, substituição e a criação).Gonçalves Dias olha para o ideal literário europeu, concepções e afins, e o transpõe para o contexto brasileiro, substituindo os itens e fatores europeus, como por exemplo a figura do cavaleiro, que é substituída pela do índio, assim criando algo novo, algo que agora seria, e teria algo de nacional, que representaria o Brasil e o seu povo.
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Querida. Seu comentário veio tarde demais. O sistema fechou ontem. 😦
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Sandra – Letras matutino
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