(6º Semestre) Literatura Contemporânea – Texto para estudo de “A hora e a vez de Augusto Matraga”

Olá, Alunos.

Para a aula de hoje, em que discutiremos a leitura do conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”, do livro de contos Sagarana, separei o texto que escrevi sobre ele para a minha dissertação de mestrado. Ele segue abaixo.
Abraço.

Thais

A hora e a vez de Augusto Matraga (TEXTO PARA ESTUDO DA OBRA)

Um comentário sobre “(6º Semestre) Literatura Contemporânea – Texto para estudo de “A hora e a vez de Augusto Matraga”

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    Em leitura do segundo Ato da Peça, é possível afirmar que Alfredo Bosi evidencia crenças indígenas e cristãs, as quais se fundem em um sincretismo religioso paralelo, assim, formando não somente uma representação do cristianismo, tampouco uma representação indígena de uma forma sagrada, mas sim, uma terceira forma religiosa, mitológica. Dados acontecimentos comuns ao povo indígenas da época em questão. Ocorre que, em face à fusão no que se refere aos diferentes mundos; cristão-europeu e indígena-americano, no tocante à obra de Anchieta toma a língua de maneira a lançar mão do pensamento cristão, com palavras em tupi, porém quando a tradução não era possível, inventava-se assim, palavras novas, e ensinadas aos índios, assim foi que o Tupã dos índios passou a ser um Deus cristão. Contudo, houve também o choque de culturas extremamente diferentes, além de geograficamente, distantes, mas temporalmente também. No Auto da festa de São Lourenço, Anchieta lança mão de demônios com nomes indígenas; Guaixará, Aimbirê, Saravaia, Tataurana, Urubu, Jaguaruçu, Caborê, dois personagens do antigo império romano, como; o imperador Décio e seu colega Valeriano, bem como, personagens cristãos; São Sebastião, São Lourenço e também, um “Anjo da Guarda”. O texto trata, não somente, os personagens e da língua, o auto de Anchieta é recheado de outros elementos da cultura, como; a dança e dos rituais da cultura indígenas. Muito embora, vários alguns elementos da cultura da terra nova, fossem totalmente, rejeitados pelos, então, jesuítas. É possível verificar em outras práticas, incluindo outros traços, como o canto, a música e a dança, posto que, os jesuítas se agradavam muito. Anchieta, assim, alcançava, por meio de manifestações culturais, em seus textos, o subjetivismo da cultura de entendimento indígena e assim fazer com que eles pudessem entender a mensagem cristã de salvação. Isto é usava-se de figuras de linguagem para aproximar-se do povo nativo.

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    Analisando a obra, Bosi comenta acerca de vocábulos e idéias que, para os indígenas não fazia sentido, nenhum, aos indígenas, por não ter parte à gama de vocabulário disponível a eles e não constar em seu “dicionário”, tais como “pecado” e “inferno” para os cristãos, palavras muito claras, para os nativos, eram desconhecidas.
    Em face, O auto anchietano, é retratação de uma imposição de uma fórmula de legitimar do poder hierárquico. Em forma de teatro colonial foi, por assim dizer, um braço de aculturação.
    Assim, Alfredo Bosi trata, por meio da estrutura lingüística e rítmica do texto do autor em questão, um processo maior de história e a cultura. Assim, é possível afirmar que, para o catedrático, o trabalho em destaque, composto pelo poeta Anchieta vem a moldar-se, acerca de conteúdo tupi, maneira a aproximar-se, de certa forma, à trova. A análise, acerca desse ponto infere em correlações de cultura, entre as características em face os jesuítas aos indígenas.
    Em destaque, os conceitos abstratos e subjetivos para os cristãos como céu e inferno, posto em; o “reino de Deus” ou o “demônio”, é exatamente, o que o poeta nos traz em seus textos uma reflexão acerca do imaginário. Assim, é possível afirmar que, gera, uma nova representação da sacralidade, a qual não se refere nem à teologia cristã, nem na crença tupi: pondo em questão, assim uma terceira paralela, simbólica, como que uma espécie de mitologia, Permitida, por assim dizer, pelo período colonial.

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