(4º Semestre) Ensino de Literatura: Realismo ao Modernismo – 1º Exercício Avaliativo

Olá, Alunos! Segue abaixo o enunciado do 1º Exercício Avaliativo:

Com base na leitura de “A máscara e a fenda”, de Alfredo Bosi, e no conto selecionado de Machado de Assis, responda: Como a estrutura do texto (narrador, espaço, personagem, ambientação, tempo, etc) interfere na compreensão que se pode ter do tema da narrativa?

As respostas de vocês podem ser postadas aqui mesmo. A data de entrega limite é dia 31/08.

42 comentários sobre “(4º Semestre) Ensino de Literatura: Realismo ao Modernismo – 1º Exercício Avaliativo

  1. No conto O segredo do bonzo de Machado de Assis pode-se observar que a narração é em primeira pessoa, explícito na primeira parte: “Atrás deixei narrado… (…). Agora direi de uma doutrina… (…).” A narração relata as aparentes experiências vividas por Fernão Mendes Pinto, um personagem real, explorador e aventureiro português do século XVI, enquanto esteve no reinado de Bungo. O narrador também avisa que falará sobre certa doutrina que deve ser divulgada para todos por conter benefícios para a alma.
    Na companhia de seu amigo Diogo Meireles, na cidade de Fuchéu, em 1552, os dois avistaram um grande grupo de pessoas em torno de um homem, que falava sobre a origem dos grilos. Diogo repetia tudo o que ele dizia ao Fernão, pois ele conhecia a sua língua há mais tempo, por ter estado lá por muitos meses. Em síntese, este homem chamado Patimau diz ter descoberto a origem dos grilos, os quais eram oriundos do ar e das folhas de coqueiro, na conjunção da lua nova. Tal achado era impossível de se compreender se não fosse como ele: matemático, físico e filósofo. Garantiu que só foi possível por meio de vários anos de estudo, experiências e testes, chegando até os riscos de vida. Tudo isto em glória do reino de Bungo e da cidade de Fuchéu. Caso lhe fosse proposto à morte, ele a aceitaria em nome da ciência, pois valia mais que os prazeres da vida. Após tal discurso, Patimau foi levado pela multidão que lhe pagaram bebidas e reverências, sendo ostentado por eles.
    Logo adiante, os dois amigos viram outra multidão de pessoas em volta de outro homem, chamado Languru, que diz ter descoberto o inicio da vida futura, no momento em que a terra fosse destruída, através de certa gota de sangue de vaca. Assim como Patimau, ele também foi aclamado e aplaudido da mesma maneira pelo povo que o levou para se banquetearem para dar graças por tal feito.
    Fernão e Diogo encontram-se com Titané, alparqueiro, amigo de Meireles. Eles contaram a ele tudo o que haviam presenciado antes e Titané explicou que se tratava de certa doutrina ensinada por um Bonzo muito sábio. Disposto a conhecer melhor, Titané os levou a casa do Bonzo de nome Pomada, no dia seguinte. Bonzo era um monge de cento e oito anos, muito culto e invejado pelos outros bonzos. Segundo o monge: “(…) a virtude e o saber, têm duas existências paralelas, uma no sujeito que as possui, outra no espírito dos que o ouvem ou contemplam. (…) não há espetáculo sem espectador.” Pomada explicou que se alguém acreditar em certa coisa, mesmo que nunca tenha visto, ela existirá na opinião dos outros. Em outras palavras: “(…) se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente. Sobre as teorias da origem dos grilos e da vida futura por meio de uma certa gota de sangue de vaca, isto não existe. No entanto, os espertos varões conseguiram implantar essa ideia no povo, que agora se tornaram tão aclamados a ponto de alguém poder morrer por eles. Pomada incentivou os dois rapazes a praticar sua doutrina e despediu-se deles.
    Os três então decidiram pôr em prática o que haviam aprendido implantando uma nova convicção no povo. Titané, querendo também lucrar com suas mercadorias, espalhou a notícia de que suas alparcas eram as mais famosas de toda a costa de Malabar e da China, as quais não havia outras, por serem mais sólidas e graciosas. Uma semana duraram as conversas do povo sobre isto e as vendas não pararam, pois Titané sempre contava outras histórias acerca de suas mercadorias. Fernão também tentou sua experiência e por ter algum conhecimento sobre música e charamela, o qual era mediano, convidou os principais de Fuchéu a escutá-lo tocar seu instrumento. Aos que foram, saíram maravilhados após seu desempenho em manejar o instrumento, mesmo não tendo ouvido nada. Por fim, Meireles, sendo médico e vendo que a população sofria de uma doença que inchava os narizes, estudou o caso e viu que não havia perigo algum em ficar sem nariz. Como ninguém aceitava essa ideia, Meireles chamou todos os físicos, filósofos, bonzos, autoridades e povo para contar-lhes um segredo para eliminar esse órgão. Consistia em substituí-lo por um nariz metafísico, ou seja, invisível aos olhos humanos, porém tão verdadeiro quanto ao anterior.
    Todos os elementos estruturais que compõem este conto: narrador, espaço, personagens e etc nos levam a compreender sobre o que se trata realmente o tema – O segredo do bonzo. À medida que lemos, entendemos sobre o que se trata e como é aplicada esta doutrina passada pelo monge bonzo, Pomada. Em cada história contada à multidão baseada em propagandas bem feitas, porém contadas com certa “propriedade” ou conhecimento sobre o assunto já é o suficiente para ludibriá-las. Segundo o monge Pomada, “a essência da verdade é a aparência”. Ninguém questiona sobre o que se fala e aceitam passivamente a nova ideia, por mais ridícula que seja. O próprio nome do monge Pomada nos lembra ao próprio produto que passamos na pele para recobrir o real. O próprio Machado nos fala em nota que: “(…) pomada e pomadista são locuções familiares de nossa terra: é o nome local do charlatão e do charlatanismo”.

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  2. Aluna: Julia Maria Cardoso de Campos Santos
    RA: 10025439

    Em “A igreja do Diabo”, Machado de Assis aborda a contradição humana, os pecados (segundo a Bíblia) e uma visão não só crítica, mas também necessária sobre a formação ou o que é o ser humano em sua natureza. O conto é narrado em terceira pessoa, o que nos dá uma visão geral do tema, sem um lado escolhido, ou seja, de forma imparcial.
    Considerando o contexto histórico do conto, é importante ressaltar que, na época, a arte continha uma exaltação dos sentimentos e, também, uma reflexão do mundo. Tendo como característica do autor a ironia e sarcasmo, ele as coloca de forma sutil nos discursos diretos entre Deus e o Diabo.
    O Diabo, interpretado como oposto do bem, pode ser um símbolo de libertação e questionamento humano. Além disso, Machado utiliza do bem e do mal como necessários da natureza humana, visto no capítulo IX, no qual os supostos fiéis do diabo praticam, às escondidas, suas antigas virtudes, dando a entender que os personagens precisam dos dois para um equilíbrio.
    Mesmo o conto sendo de 1884, faz-se tão atual que poderíamos dizer que foi escrito no ano de 2018, pois as críticas acerca de estar em uma religião, são as mesmas, como na fala do Diabo: “Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja”. Por mais que tenha passado muito tempo entre as épocas, as religiões ainda pregam preceitos e dogmas que beiram à irrealidade da realidade em que os homens vivem, desconsiderando as questões individuais de cada um, para que algum lugar bom seja alcançado após a morte.
    Com base na leitura de Alfredo Bosi, conclui-se que Machado de Assis é, portando, um autor de duas faces, tanto ideológico conservador, tanto conformista, o que se nota claramente no conto “A Igreja do Diabo”. Deus aparece em uma visão conformista com preceitos conservadoristas, e o Diabo numa visão libertadora do instinto humano, com uma busca do prazer, e uma necessidade de status.

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  3. A partir da leitura do conto “Segredo do Bonzo” entendeu-se que três bonzos (sarcedotes budistas) paravam nas praças da cidade e começavam a narrar histórias para várias pessoas que os rodiavam. Eles usavam a personagem Diogo Meireles para traduzir as narrativas.
    O primeiro Bonzo, de nome Patimau falou sobre a origem dos grilos, que procediam do ar e da folha do coqueiro. A pouca distância da primeira havia outra roda, com outro Bonzo de nome Langurv, que dizia ter descoberto o principio da vida futura e era nada menos que uma certa gota de sangue da vaca, o povo ouvira com atenção e aplaudiam muito.
    Essas duas narrativas foram criadas pelo Bonzo, Pomada, de 108 anos, para que Patiman e Langurv os passassem para o povo. As estórias foram transmitidas para o povo e eles acreditavam.
    Titané, o alpargueiro, ouvindo as estórias dos Bonzos, e da crença do povo também resolveram tirar proveitos financeiro, com a renda de suas alpargas (sandálias). Inventou que no jornal chegara notícias das costas de Malabar e da China, que suas alparcas eram a melhor do mundo, e o povo começou a comprá-las, com abundâncias. Titané, não estava persuadido da qualidade das alparcas que ele fabricava, mas fez o povo crer, que eras as melhores, e pelo aumento da demanda.
    Por último chegou a vez de Diogo Meireles, que criou a melhor das três estórias, e a melhor prova da invenção do Bonzo. Ele reuniu o povo de Fuchéu, para ouvi-lo tocar música na praça, o povo gostou. Mas a partir daí ele partiria para a sua engenhosa invenção.
    Corria na cidade uma doença rara, que consistia em fazer inchar os narizes. Os médicos propunham extrair os narizes, mas muitos não aceitavam, preferiam os narizes inchados do que ficar sem narizes. Diogo Meireles, que praticava medicina, estudou a moléstia e viu não havia perigo em extrair os narizes, achava que tanto valia um nariz disforme como nenhum.
    Assim, Diogo fez uma assembleia com médicos, filósofos, bonjos, autoridades e povo, comunicando-lhes que descobriu o segredo de substituir os narizes inchados por um nariz metafísico. Cura esta praticada por ele em vários lugares.
    Com o discurso pregado, os doentes iam buscar a Diogo Meireles, que os desnarigava com muita arte, depois estendia as mãos em uma caixa, onde fingia ter os narizes substitutos, pegava um e colocava no lugar.
    Os enfermos, assim curados, olhavam um para os outros e não enxergavam nenhum nariz, mas certos de que ali estavam os narizes substitutos, e que este era metafísico.
    Não houve nenhuma prova da eficácia dessa experiência, mas todos os desnarigados continuavam a usar o lenço para assuar o nariz.
    Na consideração do Bonzo, ma caixa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião, a conclusão é que as duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade que é apenas convincente.

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  4. O conto-teoria ou como coloca Bosi o conto-exemplo “O segredo do Bonzo”, narra em 1° pessoa a visita da personagem Fernão Mendes Pinto (explorador português do século XVI) à cidade Fuchéu, capital do reino de Bonzo. Nesta visita, ele conhece uma nova doutrina que o narrador diz “disputar ao padre as primazias da nossa santa religião”. Bosi defende como conto-exemplo, pois o narrador exemplifica as três experiências da doutrina do Bonzo, todas bem-sucedidas.
    A doutrina no conto apresentada é baseada na opinião e na técnica de convencimento desenvolvida por Pomada, personagem que Bosi faz relação com o significado da palavra, que na narrativa é interpretada como a aparência que recobre o real. A partir de tal doutrina os pomadistas, por meio de ideias charlatães convencem a população, que a seguem fielmente. O que faz lembrar o conto “A roupa do rei”, principalmente, na última ideologia descrita no conto, desenvolvida pela personagem Diogo Meireles.
    Nessa visita, as três personagens, incluindo o narrador personagem seguem a tal concepção criada pelo Pomada e todos pelo o amor ao lucro ou pela fama desenvolvem doutrinas que são seguidas por discípulos. Percebemos, então, o que o Bosi traz sobre a importância da aparência, da máscara para atingir o que a sociedade pede, tanto por parte dos doutrinadores como dos doutrinados. Além, das teorias do comportamento humano que são sempre mostradas nos escritos de Machado.
    O narrador personagem, Fernão Mendes Pinto, se mostra de certa forma, contrário ou indignado com as doutrinações, porém, ao mesmo tempo, não perde a oportunidade de ganhar com a ideia. Se aproxima da narração das histórias das outras personagens, Diogo Meireles, Titané e Pomada, mas se distancia da sua própria doutrina. Como uma forma de não deixar tão evidente essa convicção de valorização do lucro. Percebemos, também, a estrutura do texto baseada em ideias bíblicas, assim como, a exageração para o convencimento e a venda das ideologias.

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  5. No capítulo “A máscara e a fenda”, Alfredo Bosi analisa os contos de Machado de Assis e de como o escritor trabalha a necessidade do uso de mascaras para o sujeito clamar um lugar na sociedade. Mostra como o engano é uma estrutura natural para as personagens conseguirem transpor as barreiras impostas pelos muros sociais. Porém, a máscara criada por eles só é realmente validada desde que seja aceita pelos outros. Pois em um mundo em que o interior do sujeito se dissolve e esmorece, somente a aparência dominante criada, ou seja, somente o exterior, aceito e validado pelo outro, encontra força para se tornar uma forma solidificada e poder existir no mundo. Assim, a opinião dos outros torna-se o critério mais importante. Critério esse que é defendido pelo bonzo Pomada no conto “O Segredo do Bonzo”. Esse conto, junto com “Teoria do Medalhão” e “Sereníssima República” formam uma trilogia que, segundo Bosi, fomentam essa perspectiva de aparência dominante e da necessidade de validação externa da máscara usada pelo sujeito em sociedade.
    O conto é narrado em primeira pessoa, como parte de um capítulo perdido das narrativas do cronista português Fernão Mendes Pinto. Portanto, a sua característica de relato pessoal passa para o leitor a credibilidade de uma experiência vivida e comprovada, a tornando assim mais real. Fernão está no reino de Bungo, na cidade de Fuchéu, onde encontra-se com Diogo Meireles, em 1552. Os dois andam pelo reino e se deparam com dois bonzos clamando e defendendo teorias, aparentemente absurdas, e sendo ovacionados pela multidão que lá passava. Essa ambientação já fornece uma interpretação inicial para o leitor que há algo por trás dessas teorias. O que é comprovado mais tarde quando aparece a personagem Pomada, dito como o bonzo mais sábio da região, que explica para Fernão, Diogo e Titané, outra personagem que os acompanha, a doutrina que os dois bonzos iniciais do conto usavam para influenciar as pessoas. Pomada afirma que “se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente”.
    A fala dessa personagem por si só interfere na compreensão do tema do conto, pois mostra como a opinião influencia a realidade, ou indo mais fundo nos temas machadianos, como a opinião valida a máscara, mesmo não sendo essa a realidade da personagem ou sendo o encobrimento da sua realidade interior. O próprio nome da personagem Pomada é sugestivo, pois remete ao produto usado para encobrir o machucado. Essa personagem vai além, na sua fala “não há espetáculo sem espectador” reafirma a necessidade do outro para a máscara ser realmente efetiva. O que acontece com Diogo Meireles quando este vai testar a doutrina. Ao proclamar que encontrou a solução para a doença que afligia a cidade, o nariz metafísico, sua invenção só é aceita porque os filósofos e autoridades que ali se encontravam, sendo influenciados pela oratória de Diogo, lhe deram crédito, o validaram, mesmo sendo absurdo. Assim, a ambientação e as próprias personagens com suas falas e atitudes, interferem na compreensão do tema da narrativa.

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  6. Aluna: Julia Maria Cardoso de Campos Santos
    RA: 10025439

    Em “A igreja do Diabo”, Machado de Assis aborda a contradição humana, os pecados (segundo a Bíblia) e uma visão não só crítica, mas também necessária sobre a formação ou o que é o ser humano em sua natureza. O conto é narrado em terceira pessoa, o que nos dá uma visão geral do tema, sem um lado escolhido, ou seja, de forma imparcial.
    Considerando o contexto histórico do conto, é importante ressaltar que, na época, a arte continha uma exaltação dos sentimentos e, também, uma reflexão do mundo. Tendo como característica do autor a ironia e sarcasmo, ele as coloca de forma sutil nos discursos diretos entre Deus e o Diabo.
    O Diabo, interpretado como oposto do bem, pode ser um símbolo de libertação e questionamento humano. Além disso, Machado utiliza do bem e do mal como necessários da natureza humana, visto no capítulo IX, no qual os supostos fiéis do diabo praticam, às escondidas, suas antigas virtudes, dando a entender que os personagens precisam dos dois para um equilíbrio.
    Mesmo o conto sendo de 1884, faz-se tão atual que poderíamos dizer que foi escrito no ano de 2018, pois as críticas acerca de estar em uma religião, são as mesmas, como na fala do Diabo: “Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja”. Por mais que tenha passado muito tempo entre as épocas, as religiões ainda pregam preceitos e dogmas que beiram à irrealidade da realidade em que os homens vivem, desconsiderando as questões individuais de cada um, para que algum lugar bom seja alcançado após a morte.
    Com base na leitura de Alfredo Bosi, conclui-se que Machado de Assis é, portando, um autor de duas faces, tanto ideológico conservador, tanto conformista, o que se nota claramente no conto “A Igreja do Diabo”. Deus aparece em uma visão conformista com preceitos conservadoristas, e o Diabo numa visão libertadora do instinto humano, com uma busca do prazer, e uma necessidade de status.

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  7. No capítulo “A máscara e a fenda” de Alfredo Bosi,nos mostra “que o parecer sempre vence o ser”,pois ele entende que o indivíduo tem necessidade de construir máscaras para conseguir se dar bem e subir de classe.O indivíduo constrói suas máscaras ,que acaba tomando como sua e se tornando preso as convenções sociais.
    Os homens estão no mundo e se defendem,na maioria das vezes pisam uns nos outros para conseguir seus objetivos,os personagens do Machado estão marcados pela lei da sobrevivência,”ao vencedor às batatas”.
    No conto Miss Dollar, a cadelinha (Miss Dollar),foge de casa e é achada pelo jovem médico Mendonça,que vendo o anuncio sobre o sumiço do animal imediatamente decide devolve-la .Assim que ele vê a dona de Miss Dollar,a jovem viúva Margarida,imediatamente o médico se apaixona.Margarida rejeita-o,pois o ex-marido e outros pretendentes só se aproximaram dela por interesse.A tia de Margarida,D. Antônia, fala a Mendonça o verdadeiro sentimento que Margarida tinha por ele,e Margarida acaba casando com ele,mas não esboça sentimento algum.Depois de um certo tempo ela realmente vê que o amor de Mendonça é sincero ,e verdadeiramente se deixa ser seduzida por esse amor.Miss Dollar é atropelada e morre.
    Margarida no primeiro momento veste “a máscara da rejeição”,pois mesmo amando Mendonça não quer se arriscar em um novo amor,que na sua visão seria mais um homem com galanteios com fins lucrativos,no fim ela realmente compreende o sentimento do amado.
    No conto Miss Dollar está presente um narrador onisciente e onipresente,conta a história em 3 pessoa e as vezes em 1 pessoa,ele conhece o que se passa no íntimo das personagens,seus pensamentos,emoções,desejos.Existe uma grande verossimilhança,pois o enredo se passa no Brasil Imperial,em que o casamento estava intimante ligado a status e bens financeiros,a narrativa mostra vários traços dos costumes do Período Imperial.Através da estrutura do texto podemos compreender a história e o verdadeiro significado da obra,e identificando certos acontecimentos passados que interferem até hoje em nossa sociedade.

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  8. O conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, apreciado sob seu aspecto estrutural, nos mostra, em primeiro lugar, um narrador heterodiegético, ou seja, um narrador que não participa da história narrada, relatando um episódio em que os personagens são o Diabo e Deus. De acordo com a teoria do foco narrativo de Friedman (apud BONNICI; ZOLIN, 2009, p. 43), poderíamos dizer que, na quase totalidade da narrativa, o foco é do narrador onisciente neutro (no início do texto, excepcionalmente, o narrador mostra conhecer a intimidade do pensamento do Diabo, aproximando-se de uma caracterização de onisciência seletiva), ou seja, valendo-se da 3ª. pessoa para contar a história, ele não dá instruções, não faz comentários críticos sobre os personagens; as conclusões a que chegamos a respeito do caráter e da postura destes decorrem de nossas apreciações (leitores) com base nos episódios relatados, tanto sob a forma de cena como de sumário.
    Esse narrador é um ser humano, que afirma ter tido acesso à história a partir de um “manuscrito beneditino”, de forma que o quadro estrutural é o seguinte: um ser humano narra uma história em que figuram como personagens entidades místicas. Essa construção sugere uma visão antropocêntrica de mundo, na medida em que Deus e o Diabo são personagens do homem, criações da mente humana. Assim, não se trata de divindades que precedem ao homem e lhe são superiores. Esses entes são ideias geradas pela mente humana para suprir suas necessidades metafísicas. Deus, na narrativa, não é o criador e, sim, a criatura.
    Da mesma forma, o espaço onde se passa a história narrada (parte no céu, o domínio de Deus, parte na Terra e, ainda, pequena parte nos domínios do próprio Diabo) é construído e descrito pelo narrador-homem. Também é ele que faz a caracterização do ambiente, no qual convivem inveja, cobiça, arrogância e despeito nitidamente presentes nas ações e na postura do demônio. Uma vez mais é o homem que cria: cria o espaço, o ambiente, enfim, cria não só as personagens, mas também os espaços em que elas transitam – o próprio céu místico, inclusive, neste enfoque, é criação humana.
    Com referência ao tratamento do tempo na narrativa, embora não haja referência cronológica objetiva que permita afirmar exatamente o lapso decorrido, o contexto e a própria história permitem concluir que há o transcurso de um tempo razoável, isto é, tempo necessário a que o Diabo tenha sua ideia, comunique-a a Deus, ponha-a em prática (o que não se dá de um dia para o outro) e, por fim, decepcione-se com o resultado de sua empresa. Isso mostra que, ainda que, em alguns momentos, de duração menos estendida, as pessoas possam se comportar linearmente, apenas fazendo o bem ou, ao contrário, exclusivamente agindo de forma maldosa, no médio e no longo prazo a dualidade que se faz presente na essência humana teima em se revelar. Não há ser humano que seja puramente maldade ou bondade. O transcurso do tempo garante que essa verdade não seja ignorada.
    Essa é uma perspectiva que traz na sua essência o realismo, afastando-se da visão romântica idealizada.
    Outro aspecto a ser referido é a construção da personagem do Diabo. Ele é um poço de inveja e ressentimento, sentimentos que nascem da desigual distribuição de bens e talentos. O Diabo sofre lacerante angústia por ter de fazer face às conquistas e à aclamação elogiosa que são exclusivamente reservadas a Deus. Natureza e sociedade, na visão usual do narrador machadiano, são igualmente produtoras de assimetrias. Esses desníveis dão lugar à inveja e ao desejo de destruição daquele que se mostra como superior na escala social. Esse tema é caro à vertente contista de Machado. No conto em análise, a riqueza da construção da personagem do Diabo é importante contribuição para aclarar as considerações sobre o tema da inveja, que, ao lado da natureza contraditória do ser humano (bondade x maldade), também compõe o temário da narrativa.
    O Realismo é um movimento literário que, em linhas gerais e respeitadas as particularidades de cada autor, afastou o homem da visão de mundo centrada na religiosidade cristã, na contemplação da natureza e nos movimentos de um mundo idealizado, tão caros ao Romantismo. É a época da 2ª. Revolução Industrial e o homem está maravilhado com o poder da máquina, com a força criadora das técnicas, com o ritmo do progresso. O homem está extasiado com o que ele próprio é capaz de fazer, sem qualquer intervenção divina. É um momento propício para que se manifestem pensamentos céticos a respeito da religiosidade mística, em particular da então poderosa doutrina cristã, criando espaço para um conto como este, que subverte a doutrina e a “verdade” de um mundo que se pretendia centrado na divindade.
    Por fim, há que se fazer uma referência à riqueza do papel da intertextualidade na narrativa, valendo-se o conto de frequentes referências a personagens e passagens dos escritos sagrados, o que lhe confere uma divertida composição. Os personagens místicos do conto praticam efetivamente um discurso repleto de conteúdo que vem da doutrina e da tradição cristãs. Em outras palavras, eles usam um tipo de discurso que deles se esperaria, o que cria uma percepção de genuinidade da história.

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  9. O conto escolhido chama-se “A Igreja do Diabo”, texto de ritmo veloz, repleto de características machadianas, como a ironia ou a crítica social. Se lido em conjunto com o capítulo “A máscara e a fenda”, texto de análise feito por Alfredo Bosi, a compreensão do conto fica mais completa e real.
    Bosi, em sua avaliação, afirma que Machado de Assis é dono de uma característica comum em seus escritos: o homem sempre necessita do uso de uma “máscara”, ferramenta que esconde o verdadeiro ser, as verdadeiras intenções. Dessa forma o indivíduo seria capaz de viver em sociedade de forma equilibrada. Mas, como marca permanente na humanidade, existe a contradição, e ninguém está livre desse peso; cedo ou tarde os sentimentos revelam-se.
    A contradição humana é tema central do conto. O Diabo, cansado do tédio e da mesmice da rotina, decide fundar a própria igreja, de fundamentos e doutrinas opostas ao cristianismo. Deus, quando informado pessoalmente, demonstra-se paciente e despreocupado. Sem muita dificuldade, o Diabo consegue inúmeros seguidores e sua palavra se espalha pelo mundo: todo tipo de pecado e maldade, em sua igreja, é motivo de exaltação. Não demora muito, entretanto, para que muitos dos fiéis praticassem atos de bondade pelas costas do Diabo. Abismado, a criatura sobe novamente aos céus e ganha a mais simples das respostas: é a eterna contradição humana. A crítica machadiana é clara quando compara as estruturas de uma igreja do Diabo ou de Deus como iguais, e é mais direta ao cristianismo quando o encaixa em uma posição capitalista, perceptível na fala do Diabo: “Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja”. A ambientação é simples, tendo o espaço dois extremos, o plano celestial e o plano terrestre. Não temos a definição de tempo, e essa estrutura afirma a ideia de que as características narradas se aplicam a tudo e a todos, sem exceções.
    As margens do bem e do mal caracterizam os dois personagens primários, como Deus e o Diabo, respectivamente. O bem aparece em Deus, na forma de um ser paciente e misericordioso, enquanto a personificação do Diabo é invejosa e arrogante. A ironia, particularidade de Machado, fica nítida nos momentos de diálogos entre as figuras. É possível perceber, entretanto, que ambos não são personagens principais. A humanidade ocupa essa lacuna, mesmo que apareça como um elemento abstrato no conto. Ela é dona de todas as características citadas acima, além da própria contradição, tema central do caso, sendo alvo de comparações que a aproxima muito do próprio Diabo, sem definição social de superioridade ou inferioridade. Mais um aspecto que coloca a todos como objeto de identificação. Todos vivem essa realidade.
    Sem uma análise mais cuidadosa dessas estruturas do texto de Machado, muitos dos aspectos do conto podem passar despercebidos ou podem ter uma interpretação errônea. “A Igreja do Diabo” está longe de ser um comum escrito profano. O autor não procurou criticar a religião, ou mesmo a falta dela. Apontar e analisar o homem é a grande questão. Há no conto, inclusive, uma narração neutra, sem julgamentos, característica de Assis. O autor foi dono de uma ambiguidade que procurava entender os dois lados da vida humana.
    Alfredo Bosi, em seu ensaio, sustenta que a fenda seria um pequeno espaço por onde se vê o outro lado da sociedade, o oposto escondido pelo disfarce da máscara. Para Bosi, a produção de Machado de Assis revela, sem hesitação, aspectos comportamentais e temperamentais do homem que nunca recebem atenção ou quase sempre são evitados. Essa produção é de grande importância para o entendimento do homem em sociedade, como um todo, dentro da literatura.

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  10. O conto A igreja do Diabo, de Machado de Assis, narra, em quatro capítulos, a tentativa do Diabo de fundar uma igreja própria. Cansado de sua desorganização no que diz respeito a aquisição de fieis, o Diabo, invertendo a ordem do que seriam as boas e más virtudes, cria um corpus eclesiástico para a vinda dos humanos às profundezas. Não sem antes desafiar Deus, expondo-lhe sua estratégia para levar as pessoas ao inferno, o Diabo vai à terra e, pondo-se no lugar de verdadeiro pai dos humanos, anuncia à população sua boa nova. Sua doutrina era, em suma, a negação da doutrina divina, isto é, tudo o que era considerado desvirtuoso (a soberba, a luxúria, a preguiça, a avareza, a ira, a gula, a inveja, a fraude, etc.) agora, sob as novas regras, era motivo de exaltação. A Nova Doutrina e o Diabo conquistaram o triunfo terrestre, a população logo a aceitou e a amou e a inédita ordem das coisas durou longos anos. Entretanto, um dia, o Diabo foi surpreendido pelos seus fiéis, pois muitos deles, às ocultas, praticavam as antigas virtudes. Sendo um glutão que, nos dias santos, não se entupia de comida; avaros que davam esmolas à noite; ou fraudulentos que, às vezes, falavam com o coração na mão, todos eles surpreenderam e pasmaram o seu Líder. Dessa forma, o conto finaliza com o Diabo, munido de raiva, indo tirar satisfações com Deus e este lhe respondendo, solenemente, que, agora, as capas de algodão têm franjas de seda, pois o humano é eternamente contraditório.

    Saindo do que diz respeito ao enredo e indo de encontro a uma possível análise da estrutura do conto, a primeira frase já nos revela como a narrativa será conduzida: “Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja.” Esse enquadramento do texto numa escrita clerical institui, devido à característica dos manuscritos beneditinos de serem destinados a regulamentação da convivência comunitária, um pressuposto de verdade moralizante e eclesiástica ao conto. Dessa forma, restringindo o texto a uma única possível verdade dita por um narrador onisciente neutro. Entretanto, isso se dá apenas sob o véu da aparência, pois, quando descoberto, o texto revela, nessa forma, uma sútil ironia. Esta aparece na contestação de verdades absolutas presente na narrativa do conto. Isto é, se na tentativa do Diabo e de Deus de criar doutrinas ao ser humano, este sempre as escapa, por que de uma narrativa beneditina doutrinadora ele também não se escoaria?! O conto já nos coloca de início essa ambivalência.

    Logo em seguida, nos dois primeiros capítulos, já são apresentados dois dos três personagens principais, Deus e o Diabo. Ambos são alegorias, portanto, personagens planos, sem grande profundidade psicológica, mas representativos: o Diabo como sistema alegórico para o ideal de vícios vulgares: “… levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, […] Tinha alguma ideia cruel no espírito, […] Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva […]”; e Deus como o sistema alegórico para o ideal de virtudes “… perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura, […] Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, […]”. Dessa forma, eles se opõem e formam um certo jogo de tese e antítese, tendo como síntese a terceira personagem, também alegórica, a Humanidade. A alegoria, aqui, é um pouco mais sútil, pois, apesar de haver personagens, como o ladrão de camelos, o calabrês, o droguista de Levante, etc., que são humanos, eles servem apenas para desmembrar, tendo como fio condutor a contraditoriedade, essa grande personagem que é a Humanidade, ideal de complexidade e incompreensão. Apresentada a partir do coletivo: “… congregar, em suma, as multidões ao pé de si. […] As turbas corriam atrás dele entusiasmada.”

    É, também, sob esse movimento de tese e antítese que se estrutura o espaço e o ambiente narrativo. O conto, espacialmente, passa-se entre inferno (antítese), céu (tese) e terra (síntese). Esses espaços estão imersos no jogo de forças antagônicas que constituem uma atmosfera de confronto na narrativa: a vinha do Senhor, metáfora, x a vinha do Diabo, locução direta; o amor às perversas x o ódio às sãs; manto de veludo x franjas de algodão; o livro santo x o bigode do pecado; e, por fim, o natural (ser maligno) x o social (ser respeitoso). No meio de todos esses elementos se encontra o humano, exercendo seu papel de síntese. “… notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas.”

    Por fim, essa última oposição (natural x social) merece uma atenção especial. O Diabo, ao inverter a ordem das virtudes, classifica os vícios humanos como naturais e legítimos, estabelecendo uma natureza humana egoísta, maligna e perversa. Além disso, ele ainda rotula “todas as formas de respeito […] como elementos possíveis de um certo decoro social…”. Dessa forma, o ser social nada mais seria do que uma máscara que, com características benevolentes, dissimula o ser natural, imoral e frio. Essa perspectiva sobre os seres nos contos de Machado de Assis é formulada por Alfredo Bosi em seu livro “Machado de Assis: O enigma do olhar”. E, em A igreja do Diabo, a Humanidade vagueia entre esses dois extremos, sendo ela a síntese da virtude e do vício.

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  11. O conto “A igreja do Diabo”, de Machado de Assis, se trata de uma narrativa bastante alegórica ao comportamento do ser humano – já de praxe na literatura machadiana-, em que temos a personagem Diabo tentando criar uma fundação religiosa entre os humanos, tal como seu antigo mestre havia feito.

    No âmbito estrutural, é um conto divido em quatro capítulos, que também compõem os movimentos da narrativa, e explora de forma excêntrica um motivo literário comumente utilizado na ficção: o maniqueísmo “bem-mal” das figuras que representam essas visões dicotômicas na mitologia cristã (o Deus e o Diabo).

    Quanto ao narrador, ainda que trate de ser onisciente seletivo, ele se coloca neutro à história, narrando apenas a visão do Diabo na sua busca pela criação de seu dogma. Contudo, é possível perceber que esse narrador se trata de um ser humano, como é indicado na primeira frase do conto: “Conta um velho manuscrito benedito que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja.” Isso propõe duas visões complementares sobre a obra; a primeira é que, por ser uma história já contada, as personagens Diabo e Deus se tratam apenas de uma criação humana, tirando qualquer valor mítico-religioso sobre elas. Já a segunda vai de encontro com o texto “A máscara e a fenda”, de Bosi, em que ele propõe que as personagens machadianas utilizam uma “máscara” social como meio de atingir um desejo materialista, tendo em vista que uns utilizam essa máscara e outros não. Esse conceito pode ser aplicado ao narrador dessa história, tendo em vista não apenas que ele é um ser humano, mas que também constrói uma narrativa baseada em outra a priori (“Conta um velho manuscrito benedito[…]”), se assemelhando muito a estrutura dos cautionary tales. Essa última visão implica que nessa construção narrativa há uma certa moral designada ao final do conto, não que haja de fato, mas que o narrador manipulara o leitor a subentender isso.

    Quanto ao tempo, não é especificado a sua passagem cronológica, mas o narrador deixa claro que houve a passagem de “longos anos” desde que o Diabo criara sua doutrina no mundo dos homens, para que tal fosse estabelecida na humanidade, até quando há o desapontamento com a raça humana.

    Por fim, os espaços criados variam de acordo com a situação do protagonista. Quando o Diabo tem o despertar de criar sua fundação maligna, ele está em um ambiente que propicia isso, o seu grande domínio infernal. Quando decide se encontrar com Deus, ele vai até o domínio do último, o Reino dos Céus. E quando já está decidido de que vai finalmente instaurar sua escritura sagrada, ele vai à Terra, ser seu próprio arauto entre os humanos.

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  12. A igreja do Diabo é um conto, escrito por Machado de Assis, que fala sobre a idéia do Diabo de fundar uma igreja. Por se sentir “inferior” ou por ter “inveja” de Deus ele funda essa igreja e atrai fiéis, e como base ele usa tudo que Deus prega sobre “certo e errado” em sua obra.
    Ele então utiliza dos sete pecados para ser os mandamentos que seus súditos teram que usar, os tornando algo normal. Contudo o que encomoda o Diabo no fim é saber que alguns de seus fiéis praticavam a religião de Deus as escondidas, com pequenas ações.

    A construção desse conto é antropocêntrica pois tanto Deus como o Diabo são criados pelo homem.
    O narrador não participa da história porém mostra conhecer bem seus personagens principalmente o Diabo, sua construção é carregada de inveja de Deus por ter o que ele não tem. Esse narrador pode ser considerado seletivo pois mostra o lado do Diabo deixando o leitor em alguns momentos com pena, felicidade pelo ganho dele.
    O espaço em que se passa a história é voltado para visão bíblica (céu, terra e inferno). A maior parte dela é narrada na terra mas no primeiro capítulo do conto (De uma idéia mirífica) temos o Diabo no inferno com o início de sua ideia para fundar uma igreja, no segundo capítulo (Entre Deus e o Diabo) temos os elementos celestiais […] Os serafins que engrinaldavam o recém-chegado […]
    No capítulo três (A boa nova aos homens) vemos os sete pecados, algo imposto pela igreja como errado, algo do homem como ser humano.
    O tempo não é claro na obra mas o leitor consegue perceber a passagem dele através das ações dos personagens.
    Como por exemplo:
    Quando o Diabo tem sua ideia e vai falar com Deus […] Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo […]
    E quando ele enfim chega ao céu o leitor nota a passagem do tempo entre um acontecimanto e outro
    […] Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu […]

    Alfredo Bosi analisa nos contos de Machado de Assis a necessidade de se usar uma mascara para o indivíduo ter um lugar na sociedade. De acordo com o capitulo A mascara e a Fenda, nesse conto em especial, notamos que a mascara que o Diabo utilizá é para poder ter o que Deus tem, e com essas mascaras que Machado coloca em seus personagens os leitores acabam gostando pois eles acabam acreditando realmente que aquilo é verdade quando não é.

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  13. O conto-teoria ou como coloca Bosi o conto-exemplo “O segredo do Bonzo”, narra em 1° pessoa a visita da personagem Fernão Mendes Pinto (explorador português do século XVI) à cidade Fuchéu, capital do reino de Bonzo. Nesta visita, ele conhece uma nova doutrina que o narrador diz “disputar ao padre as primazias da nossa santa religião”. Bosi defende como conto-exemplo, pois o narrador exemplifica as três experiências da doutrina do Bonzo, todas bem-sucedidas.
    A doutrina no conto apresentada é baseada na opinião e na técnica de convencimento desenvolvida por Pomada, personagem que Bosi faz relação com o significado da palavra, que na narrativa é interpretada como a aparência que recobre o real. A partir de tal doutrina os pomadistas, por meio de ideias charlatães convencem a população, que a seguem fielmente. O que faz lembrar o conto “A roupa do rei”, principalmente, na última ideologia descrita no conto, desenvolvida pela personagem Diogo Meireles.
    Nessa visita, as três personagens, incluindo o narrador personagem seguem a tal concepção criada pelo Pomada e todos pelo o amor ao lucro ou pela fama desenvolvem doutrinas que são seguidas por discípulos. Percebemos, então, o que o Bosi traz sobre a importância da aparência, da máscara para atingir o que a sociedade pede, tanto por parte dos doutrinadores como dos doutrinados. Além, das teorias do comportamento humano que são sempre mostradas nos escritos de Machado.
    O narrador personagem, Fernão Mendes Pinto, se mostra de certa forma, espantado com as doutrinações, porém, ao mesmo tempo, não perde a oportunidade de ganhar com a ideia. Se aproxima da narração das histórias das outras personagens, Diogo Meireles, Titané e Pomada, mas se distancia da sua própria doutrina. Como uma forma de não deixar tão evidente essa convicção de valorização do lucro. Percebemos, também, a estrutura do texto baseada em ideias bíblicas, assim como, a exageração para o convencimento e a venda das ideologias.

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  14. O conto “O segredo do Bonzo”, de Machado de Assis, se trata sobre um narrador que, inicialmente, fica intrigado pela forma com a qual os habitantes do reino de Bungo são fieis a doutrina que é passada pelos bonzos em praças publicas. Essa doutrina prega que a verdadeira essência do ser é a aparência. Explica também que se alguém acreditar em certa coisa, mesmo que nunca tenha visto, ela existirá na opinião dos outros. “Considerei o caso, e entendi que, se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente.” Essa é a fala do bonzo conhecido como fundador dessa doutrina.
    Durante a historia é relatado diversos exemplos comprovando a teoria. Desde um bonzo que prova que os grilos nascem do ar e das folhas de coqueiros na conjunção da lua nova, até o caso que melhor comprova tal teoria, o caso dos narizes metafísicos de Diogo Meireles, que tanto fascina o narrador. Em todas as historias, os praticantes dessa pratica estão atrás de lucro ou fama, pois segundo o bonzo, não existe espetáculo sem espectador.
    Considerando os personagens mais importantes temos: o bonzo Pomada, Diogo Meireles e o próprio narrador.
    Pomada é o fundador dessa doutrina, segundo Bosi ele pode ter recebido esse nome, pois pomada é o que passamos sobre a pele assim como a aparência recobre o real. E era exatamente isso que sua doutrina pregava.
    O narrador deixa claro durante o conto que a melhor experiência que comprovava essa idéia foi o caso de Diogo Meireles. No reino de Bungo havia uma doença que fazia com que os narizes dos doentes ficassem de tamanho colossal e a única cura era a remoção do mesmo. Contudo nenhum cidadão optava pela remoção do nariz, preferindo morrer a ficar sem nariz. E então Diogo Meireles consegue convencer a todos a realizar o transplante do nariz afetado por um nariz meramente metafísico, que embora não fosse perceptível aos sentidos humanos, ele existia numa condição transcendental.
    E por fim temos o narrador da historia. Ele é um narrador personagem, ou seja, observa a historia de dentro dela, é interessante comentar o fato que devido à forma que é estruturada o texto, de modo que o narrador fica sempre promovendo essa doutrina, é como se o narrador estivesse o tempo todo tentando convencer o leitor a aderir aos ensinamentos de Pomada assim como ele, sempre exaltando os resultados.
    Concluindo, podemos dizer que ao analisar a estrutura do texto percebe-se o quanto as aparências são importantes para as pessoas. Pomada percebe isso e vê como é muito fácil manipular os outros através das aparências a fim de adquirir dinheiro e fama, uma pessoa que tem um pouco mais de conhecimento ou lábia que a outra pode facilmente convencer que o que diz é verdade. Diogo Meireles facilmente convenceu a todos da realidade dos narizes metafísicos já que era um medico. Os pacientes prefeririam acreditar na promessa dos novos narizes do que admitir que estivessem errados e que na realidade não havia nada ali.

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  15. O texto de Alfredo Bosi “A máscara e a fenda” nos mostra a dualidade da escrita de Machado, a relação da traição e da ingratidão, os apegos as instituições do matrimônio e do patrimônio, muito marcadas em seus contos como se fosse algo que possa manter as aparências das quais se vivem e/ou querem viver.
    Machado, diferente dos românticos, não procurava passar as regras de “boas condutas”. Ao contrário, ele mostrava as máscaras que as pessoas usavam e as derrubava. Em seus contos são expostas todas as mentiras, invejas, interesse por trás das relações sociais. Nas narrativas Machado deixa transparecer o engano como necessidade e a aparência como essência, para isso criando um perspectiva mais problematizada. Os indivíduos tanto constroem suas máscaras para poder viver entre instituições como para justificar a necessidade delas.
    O conto “A Igreja do Diabo” é dividido em 4 partes e tem como personagens Deus e o Diabo, com o narrador homem. Esse narrador é na maior parte neutro, com excessão do início do texto, momento em que se aproxima do Diabo, nessa parte é onisciente seletivo.
    O espaço do texto é dividido em céu, que seria o domínio de Deus, Terra e na parte dominada pelo Diabo.
    O narrador descreve todos os espaços do conto, junto deles a parte inveja e arrogância. Não nos da informações sobre os personagens, nem crítica alguma, deixando as conclusões a respeito dos personagens para nosso próprio entendimento.
    Apesar de ser um conto sobre Deus e Diabo não tem cunho religioso, uma vez que estes são criações do próprio ser humano. Aqui tudo gira em torno do criador e nos percebemos isso no texto a todo momento, tudo é o homem que cria. A caracterização do ambiente, as próprias entidades, tudo. Mesmo com essa visão antropocêntrica, o conto nos sugere que há uma certa moral por ser revelada ao fim do texto.
    Neste conto a dualidade dá-se na relação do bem e do mal. A princípio o Diabo leva sua ideia para Deus e quando a vê rejeitada, cresce a raiva, ódio e a “maldade”. Aqui temos acesso a dualidade entre o bem e o mal, não existe quem seja o tempo todo um ou o tempo todo o outro. Podemos contestar isso quando o Diabo classifica tudo aquilo que de acordo com a religião seria ruim, como “bom” e os seres humanos passam a seguir essa nova religião, totalmente contrária aquela que antes existia, ou seja, o bem e o mal, certo ou errado seria aquilo que é imposto pela instituição que está no poder – marco também da escrita machadiana, onde os indivíduos estão fortemente ligados às instituições- e a máscara também nos é revelada nesse momento, no sentido de que o ser usa a máscara.
    É interessante pensar que existe uma discrepância de dons entre Deus e Diabo, na qual o último é menos favorecido. Deus por sua vez, tem a maior e melhor parte dos dons. Isso cria no Diabo a inveja e até justifica o ódio que sente. Esses sentimentos (inveja, ressentimento, maldade) que Machado coloca em seus contos são muito importantes pois quebram com a visão idealizada de sociedade, pessoas e relações do romantismo.
    O tempo no conto não é especificado, mas deduzimos que longos anos sejam passados e o conto também nos mostra, apesar de não dizer claramente.

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  16. Larissa Guglielmoni de Barros Mello
    O conto Igreja do Diabo de Machado de Assis, é dividido em quatro partes e faz parte do Realismo.
    Machado retratava o homem como sua essência: metade bem e metade mal no qual não podemos definir seus personagens como um só mas sim como humanos.
    A narrativa deste conto, conta do dia no qual o Diabo resolve fundar sua própria igreja e suas próprias regras, o inimigo de Deus queria conquistar a hegemonia entre as religiões do mundo todo prometendo lucros sendo assim praticar o bem era condenável e o que sempre tiveram vontade de fazer seria sublime resumindo: relação entre Deus e religião e homem razão.
    Machado coloca como por exemplo praticar os sete pecados capitais como realização e desejos a alegria do Diabo. Para oficializar a decisão do Diabo, mostra uma conversa rápida entre ele e Deus o que o recebe normalmente e é neste momento que o Diabo compara a religião a um comércio, dizendo assim que paga caro para viver de acordo com as leis impostas pela Igreja.
    Alem de termos o tema religião também há presença de humanidade e as suas contradições. Sendo assim as obras de Machado sempre deixa a reflexão de nascermos com o bem e o mal mas de sermos corrompidos pelo meio que estamos vivendo isto é nature x nurture, além disso o autor tem uma maneira negativa de enxergar a alma humana. As críticas à burguesia, a Igreja Católica são de grandes presenças em suas obras além disso as relações sociais constrastando como o personagem é e em como ele demonstra ser, tudo isso carregado de ironia.
    O tempo desse conto é cronológico e o narrador é em terceira pessoa no qual é onipresente e onisciente. Uma pequena parte deste conto se passa no céu onde mostra a conversa entre Deus e o Diabo e o restante se passa na terra.
    Portando, Machado critica a humanidade e a sociedade mostrando assim a imperfeição humana, o universalismo, a análise psicológica das contradições humanas, a ironia como suas principais características encontradas nessa obra que é marcada pela intertextualidade pois o personagem Diabo se utiliza de outras obras para justificar seus dogmas.

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  17. Em a “Máscara e a Fenda” de Alfredo Bosi, como o próprio tema diz, retrata a necessidade do indivíduo em usar a “máscara” para se estabelecer na sociedade. Os contos de Machado haviam esse enaltecimento de suspeita e engano.
    E os enganos, são necessários para os personagens evoluírem e quebrarem os muros sociais na narrativa; o que é visível em “Retórica da verossimilhança” de Silviano Santiago, por Machado ter sua forma estética em seus romances, eles são sempre éticos, despertam a crítica e se pede a reflexão dentro das relações, sendo nestes textos sobre obras de Machado, o enfoque no casamento, traição e ascensão social através do outro, o pretendente.
    Nas grandes obras dele, as instituições cardiais são sempre: matrimônio, patrimônio, o adultério e o logro.
    Em “Dom Casmurro”, na perspectiva de “Retórica da verossimilhança” ao leitor identificar-se com Capitu ou Bentinho, é não compreender que a real reflexão moral imposta pelo autor é a distância dos personagens e/ou narrador, e não se agarrar ao personagem. E segundo Santiago, a única verdade a ser buscada não é sobre Capitu, mas sim, sobre Dom Casmurro.
    Na obra, a única lembrança que se tem de Capitu, é o que é dada pela escrita do narrador. De acordo com Hellen Caldwell, o narrador descreve suas impressões sobre a Capitu menina e a Capitu adulta. Há um preconceito preconcebido nessa descrição, pois o adulto já pode estar no menino; a comparação é uma comprovação, está na verdade da natureza.
    Importante para a definição da retórica da verossimilhança, é predomínio da imaginação ligado a memória sobre o passado na narrativa. Machado provoca em suas obras, a imaginação, a criação de hipóteses do leitor sobre os personagens, a história, com intenção de que a fantasia do leitor sempre vença. Provoca no leitor ao persuadi-lo e reflexão ao narrador Machadiano, que não se deixa levar passivamente pelo passado por impressões efêmeras, e isso, porque este narrador tem medo do passado, por ser ressentido.

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  18. No texto de Alfredo Bosi, “A Máscara e a Fenda”, é nítida a ambiguidade na literatura de Machado de Assis. Ao reverso dos autores românticos, ele não utiliza de uma cartilha de boas condutas, ele não cria personagens com máscaras fixas: seu realismo ultrapassa essa etapa e, além de criar máscaras, ele mesmo as faz cair. Em seus contos, podemos perceber uma participação constante de fatores que andam lado a lado, a traição e a ingratidão, uma necessidade de sempre estar ligado a uma instituição (que pode ser o patrimônio, ou o matrimônio) como meios de “subir na vida” das personagens. Por isso, elas sempre tentam manter ao máximo uma aparência, e fazer dela sua essência. Isso justifica o porquê de precisar manter-se nessas instituições a todo custo.

    Podemos exemplificar essas características no conto “A Igreja do Diabo”, que conta sobre a esplêndida ideia que teve Satanás em converter a humanidade para si. O texto conta com quatro repartições, e um narrador masculino, neutro no geral, passando a ser onisciente seletivo ao se aproximar do Diabo, no início da narrativa, e os espaços são o céu e a Terra, dominados, respectivamente, por Deus e Satanás. Porém, ele não nos dá informação ou característica alguma sobre as personagens do conto, muito menos escolhe um lado preferido – ele nos deixa escolher com livre arbítrio a quem queremos dar atenção/ razão. O tempo do conto não é definido, mas podemos deduzir que se passam anos e anos dentro da narrativa.

    A principal questão a ser analisada é essa dicotomia entre o bem e o mal, duelo presente no decorrer de todo o texto. Através do mesmo, podemos entender que nunca, humanamente falando, poderemos ser cem por cento um, ou outro – e que essa visão “preto no branco” não passa da imposição que mais convir para a instituição dominante: não vemos nenhuma hesitação da humanidade em passar para a Igreja do Diabo. Com isso, vemos todo o apego à instituição que contém a escrita machadiana, e é neste momento em que ele faz cair a máscara da sociedade, a qual o autor tenta, em suas obras, “desidealizar”.

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  19. Beatriz Araújo da Silva (4o período de Letras)

    O conto “A Causa Secreta” se passa no ano de 1860, é narrado em terceira pessoa, na qual o narrador onisciente relata um triângulo amoroso vivido por dois sócios, Garcia e Fortunato, na qual o primeiro acaba se apaixonando por Maria Luísa, a esposa de seu amigo e sócio.

    Um conto naturalista, mesmo a ambientação sendo burguesa, as personagens parecem ratos de laboratório ao serem persuadidas juntamente ao leitor, essa analogia é trabalhada mais afundo e se torna evidente na cena mais forte do texto em que o personagem Fortunato tortura um rato (cena exposta detalhadamente), indicando a crueldade da natureza humana, mais precisamente, de Fortunato.

    A personagem de Garcia é um homem de ciência que a tudo observa, analisa e posteriormente tira as suas próprias conclusões; Fortunato é um homem cruel, representa no conto a crueldade do ser humano, visto que se satisfaz com a dor alheia; Maria Luíza é a perdição de Garcia (que ao ama-la, trai ao amigo) ao mesmo tempo que é a salvação de Fortunato (deixa de fazer experiências com animais por conta da doença dela).

    O clímax ocorre no momento em que Garcia e Maria Luísa presenciam a cena na qual Fortunato tortura um rato, arrancando um a um os seus membros: “E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama.”.

    A partir da leitura de “A máscara e a fenda” de Bosi, podemos observar claramente os dois aspectos no conto por meio da personagem de Fortunato, sendo ele capaz de realizar “boas ações” (a máscara) desde que estas lhe permitam o exercício de seu prazer e sadismo (a fenda), ou seja, a aparência opõe-se radicalmente à essência.

    O desfecho da narrativa é dado quando, passados alguns dias após o episódio de tortura, Maria Luísa morre vítima de tuberculose pulmonar. Garcia ao vê-la morta, cai aos prantos ao seu lado e lhe dá um beijo, revelando o seu amor secreto à Fortunato, que assistia a traição do amigo. É revelada, então, a causa secreta de Garcia (seu amor por Maria Luísa), que assim como Fortunato (sente prazer na dor alheia) mantinha um segredo por trás da máscara.

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  20. O Segredo do Bonzo, conto de Machado de Assis, subintitulado de: Capítulo Inédito de Fernão Mendes Pinto, conta uma das aventuras vividas por ele — historiador português do séc. XIX e narrador da história — na cidade de Fuchéu, capital do reino do Bungo. Pinto, na história, acompanha Diogo Meireles pelas ruas de Fuchéu quando encontram uma multidão cercando Patimau, um homem que dizia ter descoberto a origem dos grilos, que estes nasciam do ar e das folhas de coqueiro sob a luz da lua nova, alegando que só alguém com seu nível de experiência e estudo poderia saber desse fato. A multidão após ouvi-lo, começou a aclamá-lo, carrega-lo pela cidade até um alpendre onde ofereceu-lhe refrescos.
    Meireles e Pinto continuam a andar pela cidade e encontraram outro homem cercado por uma multidão, este chama-se Languru e dizia ter descoberto o princípio da vida futura contido numa certa gota de sangue de vaca. Novamente, após dito isso, a multidão o ovacionou, assim como feito com Patimau.
    Desconfiando da semelhança entre os dois casos foram até a casa de Titané, amigo de Diogo. Titané os contou que esses homens deveriam estar seguindo uma nova doutrina aplicada por um Bonzo muito sábio. No dia seguinte, os três amigos dirigiram-se à casa do Bonzo chamado Pomada e lá ele os explicou a doutrina. Durante sua vida toda buscou conhecimento, estudando e lendo livros, porém nunca foi reconhecido por seu trabalho, apenas pelo resultado deste. Então, percebeu de que nada adiantava seu esforço se não havia uma plateia para reconhece-lo. Dessa forma, criou uma nova doutrina, a qual consiste em passar ideias — mesmo que falsas — para uma multidão que acredita nelas, assim, fazendo-as existirem na realidade pela intensidade da crença das pessoas. Foi dessa maneira que Pomada tornou-se uma pessoa reconhecida pela população.
    O Bonzo incitou os três a praticarem sua doutrina. Titané decidiu colocar um anúncio de suas alparcas no jornal, dizendo que eram alparcas de qualidade, as melhores do mundo, assim toda a cidade de Fuchéu só falava das alparcas e a procura por elas foi imensa. O narrador da história — Fernão — chamou os homens mais importantes de Fuchéu para ouvi-lo tocar flauta. Ele, flautista mediano, foi aclamado como um profissional pela cidade toda. Diziam que nunca haviam ouvido algo tão extraordinário. E por fim, a mais eficiente de todas as experiências aplicadas foi a do médico Diogo Meireles. Uma doença estava em epidemia na cidade, cujo sintoma era um inchaço no nariz das pessoas que se espalhava por quase todo rosto. Meireles concluiu que a solução era desnarigar as pessoas, e para convencê-las disto disse que os narizes retirados seriam substituídos por narizes metafísicos, incapazes de serem reconhecidos pelos sentidos humanos mas que estariam ali. Deste momento em diante, a procura para a substituição do nariz foi grande e todos ficaram muito felizes com o nariz metafísico.
    Bosi em A Máscara e a Fenda, capítulo do livro O Enigma do Olhar, trata das máscaras construídas pelos indivíduos para sobreviver em sociedade, isto é, os personagens machadianos estão constantemente vivendo de aparências para conseguirem sobreviver na injusta sociedade. Assim, como no conto supracitado, os adeptos da doutrina de Pomada usam de mentiras — as máscaras — para ter reconhecimento perante o povo — como insinuado pelo Bonzo: “não há espetáculo sem espectador”. A naturalidade do narrador dos contos de Machado é outro ponto apontado por Bosi. Por mais que as atitudes apresentadas, como a doutrina mentirosa de Pomada, sejam consideradas moralmente erradas, o narrador não as julga e até as pratica. Ou seja, sua obra não tem a intenção de ser moralista, o narrador não exprime opinião própria. Além disso, Bosi evidencia a nota de Machado: “Pomada e pomadista são locuções familiares de nossa terra: é o nome local do charlatão e do charlatanismo.” e o uso comum da palavra, algo que se passa por cima da pele, assim como as aparências colocadas devido a doutrina recobrem o real. Ou seja, o nome Pomada é proposital, sugerindo a farsa do Bonzo.
    Quanto a estrutura textual influenciar na compreensão do tema da narrativa, logo no início do conto, o subtítulo: “Capítulo Inédito de Fernão Mendes Pinto”, já sugere ao leitor uma confiança na história relatada, pois o conto além de ser narrado em primeira pessoa, trata-se de algo realmente vivido pelo cronista. Porém, a tentativa de convencer o leitor da veracidade dos fatos começa a ser falha, pois Pinto era conhecido pela inveracidade de seus relatos, chegando até a ser apelidado de Fernão “Mentes” Pinto. A partir daí a narração dá-se em primeira pessoa — autodiegética, pois Fernão além de narrador é personagem principal e relata suas experiências pessoais, sugerindo novamente ao leitor a veracidade dos fatos contados. Desse modo, é possível visualizar traços da trama interferindo na compreensão do texto.
    O tempo da narrativa é cronológico, pois há marcações de tempo no segundo parágrafo: “no ano de 1552” e no quinto parágrafo há a marcação “no dia seguinte”. O espaço é a cidade de Fuchéu, por onde os dois amigos caminham e encontram Languru e Patimau rodeados por multidões, a ambientação começa a ser construída nesse momento, no qual o leitor instiga-se e suspeita das situações que presenciaram. Os ambientes são as ruas da cidade de Fuchéu, capital do Reino do Bungo e a casa do Bonzo Pomada. Sendo assim, conclui-se que a estrutura do texto (trama, ambientação e narrador) interfere diretamente no tema da narrativa.

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  21. Larissa Guglielmoni de Barros Mello
    O conto Igreja do Diabo de Machado de Assis, é dividido em quatro partes e faz parte do Realismo.
    Machado retratava o homem como sua essência: metade bem e metade mal no qual não podemos definir seus personagens como um só mas sim como humanos.
    A narrativa deste conto, conta do dia no qual o Diabo resolve fundar sua própria igreja e suas próprias regras, o inimigo de Deus queria conquistar a hegemonia entre as religiões do mundo todo prometendo lucros sendo assim praticar o bem era condenável e o que sempre tiveram vontade de fazer seria sublime resumindo: relação entre Deus e religião e homem razão.
    Machado coloca como por exemplo praticar os sete pecados capitais como realização e desejos a alegria do Diabo. Para oficializar a decisão do Diabo, mostra uma conversa rápida entre ele e Deus o que o recebe normalmente e é neste momento que o Diabo compara a religião a um comércio, dizendo assim que paga caro para viver de acordo com as leis impostas pela Igreja.
    Alem de termos o tema religião também há presença de humanidade e as suas contradições. Sendo assim as obras de Machado sempre deixa a reflexão de nascermos com o bem e o mal mas de sermos corrompidos pelo meio que estamos vivendo isto é nature x nurture, além disso o autor tem uma maneira negativa de enxergar a alma humana. As críticas à burguesia, a Igreja Católica são de grandes presenças em suas obras além disso as relações sociais constrastando como o personagem é e em como ele demonstra ser, tudo isso carregado de ironia.
    O tempo desse conto é cronológico e o narrador é em terceira pessoa no qual é onipresente e onisciente. Uma pequena parte deste conto se passa no céu onde mostra a conversa entre Deus e o Diabo e o restante se passa na terra.
    Portando, Machado critica a humanidade e a sociedade mostrando assim a imperfeição humana, o universalismo, a análise psicológica das contradições humanas, a ironia como suas principais características encontradas nessa obra que é marcada pela intertextualidade pois o personagem Diabo se utiliza de outras obras para justificar seus dogmas.

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  22. “A Máscara e a Fenda” tem como propósito tratar os contos Machadianos, que tem como enfoque nos enredos a traição, relação entre o homem e a mulher; o romance não idealizado, não “romantizado”, mas conturbado.
    A relação da máscara se dá pela necessidade do indivíduo precisar usá-la para o bem próprio. “O cálculo existe apenas para o interessado”, ou seja, o candidato é visto de maneira calculada, planejada, para que o interessado possa chegar ao seu fim: casamento. E pra isso, é preciso que o candidato tenha afeto para aquele que está planejando, é a assimetria de interesse e sentimento. O pretendente aparece em situação de status social inferior, o casamento é visado pelo patrimônio/matrimônio que o outro pode oferecer, o que gera a ascensão social. Um jogo de interesse, no qual, um suga. Em todo o jogo de composição, o narrador acentua a necessidade da máscara no pretendente pra conseguir seu objetivo, usa até quando o necessário, depois que já se tem o que quer, o beneficiador se acaba por decepcionado, o que gera a traição na relação e ingratidão.
    Em “A causa secreta”, conto de Machado, há os personagens Fortunato, Garcia e Maria Luísa (grandes elementos) e Gouveia, empregado em um arsenal de guerra, que acabou ferido ao passar em um beco. Com isso, entra Fortunato na cena, médico dedicado e casado com Maria Luísa, jovem bem mais nova, com olhos meigos e submissos. E há Garcia, estudante de medicina que ajudou Fortunato a socorrer Gouveia.
    Fortunato, um rapaz de quarenta anos, com apreço pela profissão, se prontificou a acompanhar Gouveia durante todo o tratamento. Um homem frio, centrado, com olhos fixos para a dor alheia. Se sentia bem através da dor do outro. E tinha a habilidade de decifrar os homens.
    Maria e a Fortunato possuem questões morais diferentes. Ela se aproxima bastante de Garcia, quando ele começa a frequentar bastante a casa do casal. Eles se apaixonam, mas um paixão proibida.
    Ela possui uma doença escondida do marido. Com o tempo, morreu. No processo de velar o corpo, Garcia enquanto sozinho com o cadáver, com olhar fixo para as feições, deu-lhe um beijo na testa, e nesse instante, Fortunato percebeu que não era apenas um beijo de amizade, mas sim de amor. E Garcia beijou mais uma vez, e chorou por um amor calado. E Fortunato presenciou tudo: a dor moral. Ou seja, Fortunato que tanto sentia prazer na dor alheia, presenciou a dor também, a dor da traição, podendo ser de Garcia, considerado um grande amigo e frequentador da casa, e da esposa por criar sentimento por este.

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  23. O conto “A causa secreta” de Machado de Assis é narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente. Nos é apresentado três personagens que vão gradativamente e seletivamente de planos à esféricos. São eles: Garcia, e o casal, Fortunato e Maria Luisa.
    Inicia-se o conto com um flashback, sendo necessário contar a história até aquele dado momento. O enredo se inicia quando Garcia, estudante de Medicina conhece Fortunato médico da Santa casa.
    Garcia tinha como uma de suas distrações ir ao teatro, pelo menos uma ou duas vezes por mês, em uma de suas visitas percebeu um novo espectador, entre os que já estivera acostumado, já que o teatro ficava em uma parte da cidade em que se narra “Só os mais intrépidos ousavam estender os passos até aquele recanto da cidade.”
    Dentre diversos outros encontros entre Garcia e Fortunato, Garcia se forma em medicina e Fortunato casa-se com Maria Luisa.
    Fortunato a partir do momento em que o narrador se aprofunda em um espectro psicológico, torna-se um personagem esférico. Um médico nada humanizado, sarcástico e insensível e que em outro momento se confirma um perfil sádico. E que a partir deste processo de aprofundamento psicológico do personagem é aproximado o texto de Alfredo Bosi, a máscara e a fenda, em que se construi a teoria Machadiana de uma sociedade em que é necessária uma máscara social e é inato do homem o desejo de ascensão social.
    Fortunato, médico não por amor, mas por satisfazer-se da dor alheia. Usa-se então, a máscara social do ser médico para suprir seu sadismo.
    Sendo Marcante o trecho em que Fortunato tortura um rato.” Viu
    Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera
    um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da
    mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda.
    Na direita tinha uma tesoura. No momento em que o Garcia entrou, Fortunato
    cortava ao rato uma das patas; em seguida desceu o infeliz até a chama, rápido,
    para não matá-lo, e dispôs-se a fazer o mesmo à terceira, pois já lhe havia cortado a
    primeira. Garcia estacou horrorizado.”
    Maria Luisa e Garcia aproximam-se pelos tormentos proporcionados pelas loucuras de Fortunato e seus experimentos sádicos.
    Maria Luisa adoeci e morre e em seus velório, Fortunato se delicia assistindo Garcia sofrendo diante do cadáver de Maria Luisa, sem ao menos se importunar ao ver a traição de seu amigo ao beijar a testa de sua ex-mulher.

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  24. Eduardo Antenor – 4°Período
    O conto “O segredo do Bonzo”, de Machado de Assis, é um grande exemplo da teoria machadiana que Alfredo Bosi fala em seu livro: O enigma do olhar, no capítulo “A máscara e a fenda”. Nesta obra de Machado vemos a confirmação da máscara, segundo Bosi, sendo algo essencial para vida, à necessidade de ter uma aparência para poder sobreviver, cada personagem apresenta um papel de interesse em lucro e fama, para alcançar tais objetivos é capaz de persuadir quaisquer pessoas com discursos baseados em uma filosofia de um mestre bonzo, Pomada, que passou anos estudando e juntando conhecimento em toda a sua vida. Entretanto vendo todo o conhecimento acumulado, mas sem ninguém para repassar tais aprendizagens viu-se que era algo inútil se não tivessem a quem ouvisse, logo, com esse pensamento teve a criação da doutrina de Pomada, “doutrina salvadora”, que prega importância da opinião somente, não se importando em realidades verdadeiras ou falsas, pois é a única essencial entre a realidade e a opinião é a opinião “… se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente.”.
    A fábula da obra é sobre um “Capítulo inédito de Fernão Mendes Pinto”. Fernão Mendes Pinto – narrador personagem, participante da diegese, não onisciente, é através da vivencia dos fatos feito por ele que o enredo da obra ocorre e é montada a visão essencial da aparência – um viajante português que vai à China no ano de 1552 na capital do reino Bungo, Fuchéu, e lá se depara com a doutrina do bonzo, eremita local, com o contato da doutrina deixando um sentimento intrigante no viajante. Chegando à cidade acompanhado de seu amigo Diogo Meireles, que residia no local alguns meses para estudos da área médica e que sabia um pouco da língua local para poder fazer a tradução a Fernão, presenciam uma aglomeração na praça em volta de uma pessoa que discursava seus pensamentos, intrigados ambos estrangeiros chegam mais perto para escutar o que era falado, era Patimau, pomadista (seguidor da doutrina de Pomada), que discursava sobre a origem do grilo, que viam do ar e das folhas de coqueiro no período de lua nova, tal descoberta sendo algo legítimo e incontestável, pois foi criada com pesquisas e experiências de um matemático, físico e filósofo, toda convicção na fala o povo aceita e bajula tal orador. Logo mais adiante Pinto encontra outro tumulto em volta de outra pessoa semelhante à Patimau, agora era o pomadista Languru, tinha semelhanças ao discurso persuasivo e convicto de Patimau, na qual falava sobre a vida futura dependia de uma gota de sangue de vaca, havendo a aceitação do povo também a ele igual ocorrera com Patimau.
    Fernão e Diogo vão a uma alparca e lá encontram o dono do local, Titané, intrigados com os discursos, eles perguntam ao alparqueiro se conhecia sua origem, afirmando que conhecia no dia seguinte Titané vai junto com Diogo e Fernão a casa do bonzo, Pomada, criador da doutrina, após a chegada os três conversam com Pomada e ele explica sobre sua doutrina, instigante os viajantes que foram ao bonzo voltam à cidade para aplicar os conhecimentos da doutrina de Pomada.
    Titané utiliza dos jornais para falar sobre supostas qualidades de suas alparcas, que na realidade apresentava exagero nas noticias, não sendo reias qualidades, para que pudesse lucrar e ter fama, logo, alcançou seu objetivo, pois com os jornais deixou o sentimento de interesse na população tendo sua fama e após a fama veio o lucro com as vendas de suas alparcas. Fernão aplicou a doutrina na musica, utilizou de instrumento musical para ter a fama e o lucro. Já Diogo teve uma das melhores aplicações, segundo narrador da obra, substitui narizes reias por metafísicos, uma doença agravante na cidade estava causando muitos problemas e sua resolução era decepar o membro nasal, entretanto ninguém queria realizar tal procedimento, Diogo teve a ideia de colocar narizes metafísicos nas pessoas para que elas decepassem o membro e melhorassem.
    No âmbito estrutural o trama gira em torno da doutrina de Pomada, uma doutrina de charlatão, prega falsos testemunhos através de discursos ideológicos persuasivos para conquistar a aceitação pública e ter a glória da fama e lucro, ocorrendo seu nó nos trechos dos discursos dos charlatões Patimau e Languru, que é o momento que causa a intriga de Fernão e Diogo perante a doutrina, sendo seu clímax na ida à casa de Pomada onde é passada a doutrina aos visitantes, o nome do bonzo Pomada segundo Bosi em “A máscara e a fenda” é apontado um isomorfismo “… furtar-me à tentação inocente de apontar o isomorfismo que liga o nome do bonzo à doutrina que ele prega: pomada é o que se passa por cima da pele assim como a aparência recobre o real.” (BOSI, 2007, p.98). E o seu desfecho sendo as aplicações de Fernão, Diogo e Titané da doutrina e comprovando o funcionamento da mesma.
    O tempo presente na obra é cronológico “No dia seguinte, ao modo concertado…” ocorrendo os fatos aos dias no ano de 1552, seu espaço é na China no reino Bungo, na capital Fuchéu, tendo seu ambiente de estranhamento/ curiosidade nos trechos dos discursos das personagens Patimau e Languru; interesse no trecho de aprendizagem da doutrina falada por Pomada e experimentação/conclusão no trecho das aplicações das ideias dos três visitantes de Pomada. Sua ambientação era descrita ao decorrer do enredo, no início tendo as praças com os tumultos, depois na alparca de Titané, tendo também a casa de Pomada e por fim de volta a cidade cada um com sua aplicação.
    Todas as personagens que constituem as obras de Machado têm seus motivos de participação, não estando presente só por estar, mas sim tento participações essenciais para narrativa. Graças às personagens Patimau e Languru que por meio dos seus discursos persuasivos teve a atenção de Fernão e Diogo tendo consequência no encontro de Titané, que ambos estrangeiros estavam à procura da origem da doutrina e que o alparqueiro sabia onde encontrar o bonzo criador de tal doutrina. Juntos os três vãos à casa de Pomada e encontram o ancião e toma ciência de sua doutrina ocasionando o interesse das personagens que acabaram de aderir à doutrina de Pomada e as aplicam na cidade mostrando que a máscara é essencial para sobrevivência, os mais astutos que utilizam deste meio para sobreviver. Caso não ocorresse o encontro de Fernão aos discursos nada teria acontecido, graças ao encontro que cada uma das personagens foi interligando-se para montar a visão de que “A essência é a aparência”.
    A afirmação mais evidente sobre “A essência é a aparência” e da doutrina de Pomada perante o essencial é a opinião, foi o caso da personagem Diogo Meireles que utilizou da metafísica para trocar os narizes mórbidos. Por meio de um discurso persuasivo teve a ideia de trocar os narizes reais com sentido sensorial para narizes metafísico que não apresentava nenhum sentido sensorial, mas que na cabeça das pessoas que realizam a troca acreditavam que eles possuíam um nariz, mesmo não estando nada no local do antigo nariz mórbido, até compravam lenços para seus narizes metafísicos “Nenhuma outra prova quero da eficácia da doutrina e do fruto dessa experiência, senão o fato de que todos os desnarigados de Diogo Meireles continuaram a prover-se dos mesmos lenços de assoar.”.

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  25. A estrutura é sempre uma parte importante do texto. Em prosa, ainda mais, uma estrutura bem composta agrega significados e miudezas que engradecem ou que modificam profundamente uma narrativa. Ora, seja o narrador sarcástica e sínico de “Memórias Póstumas” ou o pouco confiável e astuto de “Dom Casmurro”, são suas perspectivas pessoais que aderem real integridade ao texto. Claro, em primeira instância, são personagens e por extensão ocupam lugares essenciais no romance, mas em segunda instância, são suas capacidades de selecionar, enfatizar e descrever, como e quando lhes convém, que os fazem deles verdadeiramente significativos. São as suas intervenções como narradores na estrutura, que os fazem grandiosos. O narrador sempre diz muito sobre o texto que conduz, ainda mais em Machado.
    Ao analisar o conto “A igreja do Diabo”, outras saliências na estrutura se fazem visíveis. O narrador também é, como nos outros citados, uma parte importante de um todo. Mas os personagens em especial, ou as alegorias, são objetos interessantíssimos que merecem certo foco.
    Atentando primeiro ao narrador, nota-se logo um tom curioso no primeiro parágrafo: “Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja”. Esse começo, um tanto fabuloso, parece antever ao leitor o caráter lendário que o texto possui, como se já nos dissesse que existi ali uma espécie de moral, uma aprendizagem. Ao mesmo tempo, injeta um certo grau de comicidade quando apela para a imagem do Diabo; como se ao reconhecermos a figura de nosso pobre protagonista, já imaginemos que não há possibilidade alguma de sucesso.
    Em seguida, a narração parece imitar bem o tom bíblico e nos ambientar nesse espaço sagrado já muito bem conhecido e demarcado. Daqui para frente, os personagens são o que mais nos interessa.
    A trama segue, narrando basicamente o que o título do conto nos propõe: a criação de uma igreja do Diabo. A narrativa toda se desenvolve basicamente como “O livro de Jó”, um extenso diálogo entre Deus e o Diabo tomando a humanidade como assunto. Assim como no trecho bíblico, o Diabo tenta provar um argumento a Deus. Mas o alvo dessa vez não o correto e íntegro Jó, mas a humanidade inteira.
    A narrativa segue em capítulos, cujos títulos parecem (estruturalmente) os passos do Diabo em busca da fundação de sua igreja. Deus, parecendo já saber do resultado, o permite; e ele assim o faz.
    Uma vez aberta, a igreja do Diabo louva todas as características, defeitos, e pecados execrados pela igreja tradicional. Satã, parece incrivelmente satisfeito com a abrangência e a aceitação que sua igreja consegue. Seus fiéis não precisam mais esconder suas maldades (como ele via acontecer na igreja do Senhor), ao contrário, as praticam com vontade e orgulho e em plena luz do dia. Todavia, porém, ele começa a notar um comportamento estranho: os que escondiam seus pecados do Senhor, começam a praticar benfeitoras às escondidas. Intrigado com essa dicotomia, ele explica seu testemunho ao Senhor e recebe sua já esperada lição: “Que queres tu? É a eterna contradição humana”.
    As máscaras e as fendas descritas por Alfredo Bosi em um ensaio de mesmo nome, tem um significado ímpar aqui. Neste conto, a máscara criada para a sobrevivência social, em teoria, não seria mais necessária; uma vez que os valores sociais de uma sociedade onde o Diabo tem igreja, não seriam os mesmos da tradicional e não haveria nada para se esconder. Em teoria, a fenda estaria sempre exposta. Porém, Machado enaltasse que, quaisquer que sejam os valores de uma sociedade, sempre haverá máscaras a esconderem fendas.
    Com um conto de ares Miltoanianos, olhamos através dos divinos olhos de Satã, mas enxergamos, como no poema épico, a fragilidade, a incoerência, a humanidade dos sentimentos; o desejo, a ambição, o egoísmo, os conflitos da psique que fazem necessária a criação da máscara e que habitam profundamente o ser mascarado.

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  26. A igreja do diabo e a subversão como norma.

    Na obra machadiana, em linhas gerais, a figura do Homem aparece de modo realista, dual, e pouco idealizada. Essa forma de enxergar se faz presente em especial na fase pós Memorias póstumas de Brás Cubas, obra tida como um divisor de águas conforme afirmado por Alfredo Bosi no capitulo “a máscara e a fenda” do livro O enigma do olhar.

    Das reflexões “humanitas” de Quincas Borba, aos jogos de interesse que aparecem constantemente nos contos, até a construção de um narrador pouco confiável, que veste uma máscara ao contar sua história em Dom Casmurro, em todos os casos a figura do humano dual, nunca completamente ruim (o que levaria a uma visão moralista), nem completamente bom.

    Aqui nos aproximamos de “A igreja do diabo”, um conto do livro Historias sem data, onde essa relação dual do humano se apresenta de forma mais abrangente, partindo de um recorte falso-externo, onde a humanidade como todo é colocada em xeque, ainda que apresentada por um terceiro, que por sua vez também é parte da perspectiva.

    Resumidamente, o texto trata de uma tentativa frustrada do Diabo em implantar uma religião na terra. Percebe-se de princípio a figura dual se formando, de modo que o Diabo falha em criar na terra uma religião com preceitos que se opõem fundamentalmente aos de Deus. Entretanto, diferente das outras obras citadas aqui, em “A igreja do diabo” temos a dualidade humana vista de fora (externo), ainda que essa visão seja também uma reprodução da visão humana (por isso falso), como é observado nas primeiras linhas do conto, que localizam o narrador como um humano: “Conta um velho manuscrito beneditino…”

    Colocar o narrador como um leitor da história que nos será apresentada é reforçar o papel do humano na criação da mesma, o que nos leva ao primeiro ponto chave desse comentário, o Antropocentrismo.

    Machado constrói um narrador que, apesar de aparecer em um primeiro momento, retira-se de foco para causar a ilusão de uma macro-visão do Homem, uma visão advinda não de um humano, mas de seres que transcendem a humanidade de modo a olha-la de fora da condição humana. Essa visão se dá, porém, através da visão de um humano, temos assim, um lembrete de que quem fala pela boca de Deus e do Diabo é o Homem.

    Esse lugar de Deus e Diabo, nada são que representações do humano, e aqui podemos pensar em definir essas representações como tentativas de lidar no externo com um conflito interno que reside em si. Para além disso, o narrador assume para si um posto de onisciência, ainda que seletiva, em que ele narra a visão do diabo da história, tendo acesso aos seus pensamentos. Essa figura que narra, que conhece os pensamentos do Diabo, sua história, sua relação com Deus e com a humanidade, esse lugar de narrador da ficção beneditina é, em algum nível, o lugar criador do Homem. Quem narra o conto criado pelos beneditinos, é também criador, não só por ser através dele que tomamos conhecimento da história, mas por ser ele também parte da humanidade que a produziu, parte daqueles de onde surgiram as imagens antagônicas de Diabo e Deus.

    Uma vez localizado o narrador, e seu sentido simbólico que se conecta ao antropocentrismo, algumas dúvidas passam a ganhar destaque: se estamos a lidar com um antropocentrismo então qual é o papel da Humanidade no conto? Qual a sua máscara? antes de tentar responder diretamente, vejamos duas das representações humanas no conto.

    Em princípio, vejamos Deus, a figura que carrega em si um suposto controle do mundo, que permite ao Diabo fundar igreja, e que no final conclui o conto colocando a “contradição humana” como uma condição eterna. A figura de Deus, em especial por se opor ao Diabo, nos chama a ideia da ordem, da virtude, de modo que resta ao Diabo o caos e os vícios, todavia trata-se ainda de um personagem machadiano, e também ele é dual.

    Não atoa Machado lança mão de uma linguagem que flerta com a empregada nas escrituras sagradas, o Deus de “a igreja do diabo” é como o deus de Jó, que aposta com satanás para provar um ponto, ainda que aqui esse ponto seja revelado apenas no final e que a aposta se mantenha subentendida. Difere-se, porém, na conclusão, não se trata de provar a fidelidade de um servo, mas a infidelidade de toda a humanidade, mais do que isso, a incapacidade do Homem em ser puramente fiel a o que quer que seja, tendo assim como regra a contradição interna, ou a subversão da ordem seja ela qual for. A máscara de Deus é a da ordem, ainda que em suas fendas haja algo de apostador.

    No texto bíblico temos um opositor que surge de meio aos homens e vai de encontro a deus, no conto temos o contrário, o Diabo desce à terra e encontra como resposta o que satanás leva a deus como provocação. Em ambos os casos temos uma vitória divina, ainda que Deus e deus, satanás e o Diabo, estejam em lados mais ou menos antagônicos. Se na bíblia, deus ganha por negar a contradição humana, no conto de Machado, Deus ganha justamente por reconhece-la desde o início.

    Quanto ao Diabo, o espirito que nega, o velho retórico, temos como dualidade, além da mais óbvia, em que o espirito que nega quer implantar a sua ordem, uma outra, o velho retorico é também o ingênuo. O Diabo dual de Machado, apesar de provocador como satanás, está mais próximo ao deus bíblico por não reconhecer a contradição humana, ainda que opostos quanto a natureza do Homem.

    Quão rica é essa figura, hora dono de uma retorica precisa e provocante, hora ingênuo quanto aos objetos de seu próprio desejo, ser de caos na tentativa de implantar a ordem, ainda que essa seja o caos, é rico em dualidades, em contradições, de longe o personagem mais humano do conto.

    O diabo que Machado escreve não se trata do diabo malandro, trata-se ao invés disso, de um renunciador aos moldes do proposto por DaMatta em Carnavais, Malandros e Heróis. Diabo é aquele que renega a ordem a que foi destinado, nesse caso, sua natureza caótica, subvertendo-a em função de criar ou reinventar a ordem estabelecida. Mais do que a subversão da ordem para reinventa-la, trata-se de um renunciador por faze-lo por meio da fé, ou da instituição igreja, trazendo para si a figura messiânica (o nome dado a terceira parte do conto, “boa nova aos homens”, exemplifica isso).

    Mas se Diabo é um renunciador e Deus é, com algumas ressalvas, um Caxias dual, então cabe a humanidade a figura de um malandro, que subverte a norma para benefício próprio, ainda que nesse caso não haja uma possibilidade de não subversão.

    A humanidade é então a figura do malandro e do otário, subvertendo a ordem imposta por um ou outro (Deus ou Diabo), mas sem subverter a si mesma, a ordem mor, a subversão como norma, a contradição humana. Voltando ao antropocentrismo, a humanidade cria símbolos duais que representam a dualidade contida em si, subvertem as ordens de um e outro, mas não resolvem o conflito interno e eterno.

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  27. O conto “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, retrata a ambição do Diabo perante o domínio da Humanidade. Após afrontar Deus, o personagem decide fundar uma igreja com suas próprias virtudes, que vão contra as virtudes de Deus. O conto usufrui de conflitos e indagações. O tema do conto é a tentativa do Diabo em- após acabar com outras religiões- doutrinar os povos apenas para a sua própria religião- e fica compreensível que tudo é parte da história de um narrador onisciente, em “Conta um velho manuscrito beneditino”, que é onde da início ao conto. A estrutura começa com este narrador perante a visão do Diabo, oscilando em primeira pessoa (Diabo e Deus) e terceira pessoa (Narrador). O espaço é dividido entre céu, inferno e terra. O meio da ambientação é composta pela malícia do Diabo em fazer o mundo seguir a sua igreja, temos noção da ambientação em trechos como “[…] Não se devia dar amor ao próximo senão indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo.” A definição dos personagens são claras, o Diabo é definido como um ser mau, Deus como um ser bondoso e a Humanidade é vista como contraditória perante os dogmas de uma igreja, na visão de Deus, tendo como prova o fato de que os homens não seguiram corretamente as virtudes da igreja fundada pelo Diabo, nem mesmo o mais terrível dos humanos, assim como também não seguiam os dogmas de Deus de modo satisfatório. Não temos ao certo uma definição do tempo, mas há momentos na narrativa em que ele se faz presente, mesmo que seja de um modo não muito direto e compreensível, como, por exemplo, no trecho “Um dia, porém, longos anos depois.” A análise feita por Bossi, no capítulo “A máscara e a fenda” do livro O Enigma do Olhar, nos explícita esta faceta criada por Machado em seus personagens, a necessidade em ser parte de algo, e podemos usar como exemplo o Diabo do conto supracitado, que tentava tomar o lugar de Deus, criando suas virtudes e conceitos, sua máscara.

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  28. No capítulo “A Máscara e a Fenda” do livro “O Enigma do Olhar”, Alfredo Bosi observa nos contos de Machado de Assis o que ele nomeia de a máscara: a diferenciação entre interesse e sentimento das personagens nas suas relações. A máscara é claramente vista nos personagens que demonstram certas condutas que se contradizem com o que passa no seu interior, no conto “A Causa Secreta” a ideia de máscara fica evidente. A história contada por um narrador onisciente é permeada por curtos momentos de diálogo, apresenta três personagens: Garcia, Fortunato e Maria Luísa. O médico Fortunato, que usa a máscara, esconde em seu ofício um desejo íntimo suprimido, mas a cobiça pelo sofrimento é vista pelos outros como disposição e bondade. Ocorre que Garcia conhece Fortunato quando um ferido de guerra aparece em sua casa, trazido por outros e seguido por Fortunato que se prontificou a ajudar mesmo desconhecendo o moribundo. Algum tempo depois se encontram de novo, desta vez Fortunato estava casado com Maria Luísa, e acabam criando um laço de amizade, o que progrediu depois por decidem abrir uma casa de saúde em conjunto. Tudo escala de uma maneira abrupta a partir deste momento da história e a máscara de Fortunato começa a cair quando Garcia o surpreende torturando um pequeno rato, cortando suas patas e jogando-o no fogo. Garcia sente total repulsa pela cena e começa a entender a verdade por trás da máscara. Maria Luísa morre de tuberculose e o ápice do conto é atingido, na última cena, quando Fortunato surpreende Garcia beijando Maria Luísa em seu leito de morte, deixando cair por completo sua máscara – “Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa”.

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  29. Em “A Causa Secreta”, conto escrito por Machado de Assis em 1885, é possível aperceber-se do tal uso de máscaras citado por Alfredo Bosi em “A Máscara e a Fenda”, onde o “parecer” se sobrepõe ao “ser”, ou seja, uma máscara é construída para que o personagem se adeque a determinada situação perante a sociedade. Isso acontece porque no conto, há três personagens, sendo um deles Fortunato, um médico rico e quieto, casado com Maria Luísa. Fortunato acaba conhecendo Garcia devido aos recorrentes encontros, visto que Garcia formara-se em medicina. Após determinado incidente, eles se tornam amigos e Garcia passou a frequentar a casa de Fortunato, posteriormente desenvolvendo certa afeição por sua esposa, que acaba percebendo mas mantém-se reclusa.
    Fortunato tinha suas peculiaridades. Tornou-se sócio de Garcia, que notava Maria Luísa adoecendo por conta dessas mesmas peculiaridades. Em um episódio, Garcia flagrou o médico torturando um rato. Naquele momento, é nítido o prazer que o personagem sente diante da dor do animal, revelando uma natureza completamente sádica que até então estivera oculta, ou seja, a tal máscara apontada por Bosi. Nesse momento da narrativa onisciente, o flashback descrito aborda também a postura de Fortunato diante da agonia de sua esposa, momentos antes de sua morte, enquanto a mesma encontrava-se doente. A maneira como é descrita e detalhada enfatiza ainda mais a atmosfera reveladora do médico, que posteriormente flagra o amigo em dor, beijando e chorando por Maria Luísa, em seu velório. Esses fatos caracterizam-se principalmente pela profissão de Fortunato, que parece ter sido escolhida por encaixar-se perfeitamente como uma máscara, para que o personagem conseguisse canalizar sua natureza sádica e de certa forma obscura, ocultá-la para a sociedade, pois assim se satisfaria sem necessidade de maiores disfarces, ainda que tal natureza lhe consumisse.

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  30. Machado tem um tipo de escrita diferenciado, nos seus contos é comum mostrar questões que não são exploradas por outros autores daquela época. Machado em seus contos, acaba tirando a mascarás de seus personagens, mostrando o realismo presente, trabalhando com temas que eram polêmicos, fazendo uma sátira realista daquela situação.
    No conto “A Igreja do Diabo” de Machado de Assis, o narrador é um homem que teve acesso a esse diálogo, acaba sendo onipresente e onisciente seletivo pois consegue ter acesso aos pensamentos do Diabo. Ainda sobre o narrador, ele está presente em todas as partes do conto, mostrando sempre a inveja e arrogância que existe nos personagens, ele deixa em aberto o final para forçar o seu entendimento sobre aquela questão. O espaço no começo é o Céu que é dominado por Deus e o restante se passa na terra com o Diabo na tentativa de construir sua igreja. O tempo é cronológico. Os personagens são Deus, Diabo e a Humanidade; Deus continua com a mascará de “boa pessoa” e acaba sendo um personagem plano, o Diabo é o personagem que mais me surpreende, como o conto não é de cunho religioso, é possível observar com outro olhar esse personagem, não um olhar assustador ou medroso, ele quer apenas uma adoração do seu nome, é um personagem totalmente plano com tendência a redondo, é surpreendente o jeito que ele reage ao final. A Humanidade é aquela que machado mais retira a “mascará”, ele é dúbio, acaba gostando da ideia da nova igreja, mas ao mesmo tempo não abandona os velhos costumes cristãos, montando uma sociedade que tem o livre arbítrio, porém não consegue escolher apenas um lado, fazendo com que sempre haverá esse comportamento duvidoso.
    Bosi em seu texto: “a máscara e a fenda” explica essa questão das mascarás de Machado de Assis, existem mascaras em toda a sociedade mostrando o indivíduo sempre com a “boa conduta”, deixando em ênfase a necessidade de ser bom, de ser um herói ou vencer na vida; Nos contos de Machado, os seus personagens apresentam essas máscaras porém ao longo da história, elas são arrancadas, mostrando ao leitor que essas máscaras caíram, deixando em evidencia a realidade, os sentimentos realistas que muita das vezes são ódios, invejas, raivas, traição…. Machado deixa sempre em evidencia os sentimentos realistas, explorando sempre a sociedade nova, o interessante é que não existe conformismo para Machado, ele busca o conhecimento que os homens aplicam.
    Concluindo, o conto “A igreja do diabo” mostra de forma clara a eterna duvida humana, o quanto o ser humano é dúbio e nunca consegue escolher apenas um; Mostrando também o lado do Diabo, aquele que é sempre desfavorecido, o interessante do conto é que faz com que o leitor torça para o Diabo conseguir, chega a ser triste observar o seu ódio e o seu desejo de exaltação, mostrando o quanto ele é esquecido e temido. Deus é um personagem já entendeu essa complexidade humana e por isso não interferiu na construção dessa nova igreja. Esse conto é sátiro, é uma leitura fácil na qual o leitor acaba se descobrindo de forma sacaria e novamente, todas as mascaras caem nesse conto, tratando de temas universais porém que nunca foram explorados.

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  31. Em “ A causa secreta” de Machado de Assis, o autor utiliza de uma narrativa envolta de suspense para a prender a atenção de seu leitor. O conto começa com as três personagens principais Fotunato, Garcia e Maria Luisa, estagnados sem sequer falar uma palavra durante cinco minutos, a cena descrita expressa total tensão entre as personagens. O narrador, em terceira pessoa e onisciente, envolve seu leitor ao dizer que há uma “causa secreta” diante de toda essa situação. Este, ainda antes, faz questão de frisar que os participantes desta narrativas já estão mortos. Ele então nos propõe à voltar no tempo para que a situação possa ser compreendida com bastante clareza àquele que o lê. Com isso o tempo tem uma ordem cronológica não linear, flashbaks, porém bem definido.
    Garcia conhece Fortunato na frente da santa casa, momento o qual ainda cursava medicina. Semanas se passam e o médico o encontra numa peca de teatro “um dramalhão cosido à facadas”, este fica seduzido pelos mistérios que Fortunato passa ao dedicar sua total atenção nas cenas mais fortes da peça. O homem se retira da trama no momento em que ela fica mais leve.
    Num segundo momento, ocorre um acidente com um desconhecido o qual Fortunato socorre e junto à seu amigo dá a assistência necessária ate que o homem se recupere. Garcia sente-se intrigado, pois Fortunato em sua assistência ao homem mostra-se nada desconfortável, pelo contrário, aparenta até sentir prazer ao presenciar e cuidar do ferido.
    Dado este momento, os dois se aproximam constróem uma grande amizade. Tão grande que ambos ao longo da passagem dos acontecimentos se tornam sócios de um posto de saúde.
    Num certo momento, Fortunato chama seu amigo para um jantar em sua casa. Com isso, Garcia conhece sua esposa, Maria Luisa, a qual desde a primeira vez que a vê sente-se deslumbrado pela presença da mulher, porém esposa de seu amigo, nada poderia acontecer entre essas duas almas.
    O desenvolvimento da narrativa machadiana é genial, pois até este ponto o leitor tem a impressão de que o conto se baseará num triangulo amoroso vivido pelo casal e seu amigo. Porém Machado, nos surpreende ao longo da narrativa com um contexto um tanto peculiar. Ao decorrer da historia e das noites de jantar, o desenvolvimento da causa secreta é despertado por um clímax bastante sádico.
    Fortunato decide levar seu laboratório de experiências para uma sala em sua casa, passa tempos neste lugar se dedicando e desenvolvendo seus experimentos. Certo dia, Fortunato se zanga com um rato o qual tinha roído alguns de seus documentos. Na mesma noite, Maria Luisa entra na sala em que o homem costumava utilizar da ciência e se depara com uma cena perturbadora e desconcertante para quem a assiste. Seu marido, torturando o pobre rato de uma forma totalmente cruel. Em seus olhos era claro notar a sensação de prazer ao torturar o pobre animal que de forma paciente: vai cortando as patas e rabo do bicho e aproximando do fogo, com cuidado para que o animal não morresse de imediato, possibilitando, assim, o prosseguimento do castigo. Maria Luísa havia pedido para Garcia interromper aquela cena, que foi a que justamente provocou o início do conto. A partir daí, encaminhamo-nos para o desfecho.
    A mulher desenvolve uma doença, tuberculose. E é neste momento em que seu marido doa-lhe toda atenção possível que se torna mais intensa em seu momento terminal. Esta não resiste à doença e morre. O final do conto é de extrema importância para sua compreensão total. A cena final descreve Garcia se despedindo pela última vez de Maria Luisa, que já esta morta. Este, enquanto Fortunato dorme, dirige-se até a sala onde se encontra o corpo, e em sentimento de total catarse o homem desaba em prantos. No meio da noite Fortunato acorda e vai até o quarto onde está o homem e o cadáver de sua esposa e, ao invés de ficar indignado com a possibilidade de triângulo amoroso, aproveitou aquela dor “deliciosamente longa”. Descobre-se, assim, o seu caráter sádico.
    O destaque realista na obra é bastante perceptível uma vez que esta aborda vários assuntos tais como: ciência, violência, amizade, vida familiar e utiliza desses meios para a construção de um cenário cheio de conflitos e mistérios. As características psicológicas descritas no texto em especial a de Fortunato, mostram-nos muito dos aspectos citados acima.
    Alfredo Bosi em seu texto “a mascara e a fenda” nos norteia à uma característica muito comum nas obras machadianas: notar como o autor deslinda aqui um comportamento doentio que norteia ações que aos olhos da sociedade podem parecer da mais completa bondade e dedicação ao próximo. Como no conto a causa secreta, em que Fortunato utiliza de sua assistência aos doentes para desfruto de prazer interior.

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  32. O conto ” o segredo do Bonzo” de Machado de Assis, é narrado em primeira pessoa, por um narrador participante onisciente seletivo, sendo ele, Fernão Mendes, historiador português.
    Fernão Mendes narra acontecimentos de uma viagem para a cidade chamada Fuchéu , junto ao seu amigo Diogo Meireles. Durante o passeio pela cidade, eles encontram em dois momentos, multidões reunidas em torno de uma pessoa que discursava sobre teorias que elas mesmas formavam, sendo respectivamente sobre a origem dos grilos, de Patimau, e sobre o principio da vida futura estar na gota de sangue de uma vaca, de Languru.
    Todo o poder de persuasão dos discursadores e a forma com que a multidão acreditava naquilo que estava sendo dito, chamou a atenção de Fernão Mendes,e com o auxilio de Titane, amigo de Diogo Meireles, foram ao encontro do Bonzo chamado Pomada e que lhes explicaria toda a doutrina.
    Segundo o Bonzo, “a virtude e o saber, têm duas existências paralelas,
    uma no sujeito que as possui, outra no espírito dos que o ouvem ou contemplam. ” e no final, tudo que era reconhecido, era o resultado e não o processo para chegar ao resultado, sendo assim, algo pode existir somente na realidade, enquanto outra coisa pode existir apenas na opniao, e se existir na opinião, se torna real.
    Com esse conto e a forma da construção dos personagens, podemos observar como a história toda é construída através de máscaras, nas quais o que realmente importa é o reconhecimento daquilo que está sendo dito, sendo isso verdade ou nao. Como por exemplo pelo desfecho da história, onde os personagens conseguem por meio da doutrina atender a seus interesses não apenas financeiros mas de reconhecimento social, por meio das alpargatas, do instrumento musical e do nariz falso.
    O próprio titulo do conto, sugere que Bonzo, assim como o significado de monge, também tem como duplo sentido, o significado de hipócrita. Pomada, o nome do Bonzo, lembra justamente de um remédio para passar por cima de feridas.
    Essas mascaras formadas pela doutrina, segundo Alfredo Bozi, em “a máscara e a fenda”, nada mais é que uma forma do indivíduo se encaixar naquele meio social e ser reconhecido por aqueles que se permitem a aceitar determinada idéia, tornando esses enganamentos, estruturas sociais naturalizadas e necessárias para que a história se desenvolva.

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  33. A obra de Machado de Assis é extensa e importante para a Literatura Brasileira. Tanto em seus romances quanto em seus contos podemos identificar características da escrita do autor que são essenciais para o entendimento geral dos leitores sobre suas obras. No capítulo “A Máscara e a Fenda”, Alfredo Bosi ressalta a maneira com que as personagens de Machado buscam aceitação em sociedade por meio do uso de máscaras, as quais escondem o enigma do ser interior que está por trás de cada personagem. Ele acrescenta que para os personagens o parecer é dominante ao ser – o lado interior se apresenta obscuro e inconsistente enquanto o lado exterior se apresenta claro e consistente – pois somente o parecer tem essência, e somente o parecer pode ser validado pela sociedade. Ele ainda discorre sobre como o contexto do engano fica naturalizado na obra de Machado, pois para esta sociedade é mais fácil não ver problema em casos de interesse em bens matrimoniais e patrimoniais, visto que os personagens estão apenas lutando para terem seus lugares estabelecidos. Concomitante a isso, Bosi fala sobre o que seria o enigma por trás da máscara, onde temos a presença do ser interior dos personagens que muitas vezes afunda raízes no instinto, que busca o prazer, e que muitas vezes se apresenta junto ao interesse. E mais uma vez vem à tona o naturalismo com o qual Machado trata as ações das personagens, que agora são guiadas pelo instinto, pelo prazer. No conto “A Causa Secreta”, podemos notar o quão forte é a presença das ações guiadas pelo instinto do ser interior de Fortunato, um médico de 40 anos que tem nome e particularidades muito expressivos, quanto ao nome expressa fortuna, altivez, quanto as suas particularidades ele expressa ser metódico, duro e, em seus extremos, ser perverso. A máscara de Fortunato é validada por aspectos como a sua profissão, a sua posição social, sua aparência e etc. E o seu lado interior guiado pelo instinto aparece de forma cíclica no texto, como se fosse uma procura incessante pelo prazer da dor, de modo que ele se aproveita de cada momento de dor que venha ocorrer, sendo consequência de seus atos, como quando destrata Gouveia logo após tê-lo curado, ou do acaso, como quando ele se delicia ao ver Garcia chorando ao velar o corpo de Maria Luísa. A estrutura da linguagem do conto é expressiva também, visto que ela se assemelha á característica cíclica dos instintos de Fortunato. O conto inicia-se do momento seguinte ao clímax, em que os personagens acabaram de passar por uma situação traumática. Então, a narrativa segue em direção ao passado afim de narrar a sequência de ações das personagens que as levaram até o momento presente. Quando enfim chegamos junto a eles no presente, é possível sentirmos o quão atônitos eles estão, o ambiente é tenso, nos sentimos espantados e nos perguntamos os motivos pelos quais Fortunato age desta forma, acredito que pensamos da mesma forma que Garcia e Maria Luísa. Desta forma, acrescento que o narrador se coloca como observador, com tendência seletiva quanto a Garcia, e este narrador não tenta ser moralista, não tenta nos colocar a favor ou contra Fortunato, ele observa os atos de Fortunato de uma perspectiva naturalista, pois entende a natureza instintiva dessa personagem.

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  34. Conto “causa secreta “traz três personagens principais Maria Luísa ,Garcia e o Fortunato
    Fortunato um médico de meia idadee sua esposa Maria Luiza uma jovem mulher , Fortunato aparentemente tem uma vida normal e prospera , porem ele tem um gosto peculiar de gostar de ver pessoas em extremo sofrimento a sua ligação com a medicina vai além de cuidar de feridos .Garcia um estudante de medicina muito observador , conhece Fortunato e com o passar do tempo se tornam amigos e sócios em uma casa de saúde a Maria Luiza nessa historia ela é uma personagem tensa que passa uma sensação de preocupação , o conto não tem uma narrativa linear logo no começo já percebemos a digressão e é narrado na terceira pessoa onisciente porem ele tem uma característica de estabelecer um dialogo com o leitor
    No decorrer da trama surge alguns conflitos e cenas indicando o gosto sádico de Fortunatoe um aparente afeição pela tortura não apenas física como também psicológica.
    Garcia ao se tornar sócio de Fortunato passa a frequentar sua residênciae a estar mais próximo do casal , onde vai despertando um amor reprimido por Maria Luiza
    Por fim Maria Luiza cai doente e morre, onde o amor de Garcia é aparentementerevelado a primeira vez a Fortunato quando ele cai aos prantos no velório pela dor de se perder seu amor inalcançável .
    Relativizando o texto “ a mascara e a fenda ‘ com o conto podemos observar alguns aspectos que Alfredo Bosi chama a atenção de que o ser humano em sociedade para Machado de Assis
    Utiliza de uma mascara “o médico exemplar “ para encobrir seus desejos horrendos , a fenda seria justamente esses desejos o sadismo não so físico como moral , pois parece também se deliciar com o fato do amor impossível entre Garcia e Maria Luiza.
    Outro fato é amizade de Garcia por Fortunato que podemos questionar pois logo no começo Garcia o acha um tanto estranho mas após conhecer Maria Luiza se solicita com a amizade e até se tornam sócios , a amizade seria uma mascara também e o amor por Maria Luiza seria a fenda.

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  35. No conto “O segredo de Bonzo” (1882), Machado de Assis utiliza como narrador um personagem histórico, Fernão Mendes Pinto (que vive de fato no século XVI) e vincula o texto literário a um capitulo inédito do autor e viajante português, criando uma primeira camada narrativa para o texto que da a ele um ar de veracidade histórica.
    O conto faz parte do conjunto de obras publicadas depois de 1881 (ou seja, depois de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, classificação usada por Alfredo Bosi), para contextualizarmos, outros contos como o alienista (1882) e A teoria do medalhão (1882) foram escritos na mesma época.
    Com base na leitura do capítulo “A máscara e a fenda” do livro de Bosi, e vinculando suas análises ao conto “ O segredo de Bonzo”, a ideia de uma máscara, aquela que para criar forças e tomar seu lugar na existência, depende de aprovações externas advindas sempre do outro, para que o sujeito possa incorpora-la e torna-la real. Para a exemplificação de tal ideia, podemos citar a fala de Pomada, o bonzo mais sábio da região de Bungo, que diz: “se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente”.
    Por fim, a partir da ideia onde a existência da opinião basta, e a solução de Diogo para que o “desnaringamento” dos enfermos acontecesse efetivamente, podemos vincula-lo à ideia de uma máscara, que seria o reposição de um nariz real e palpável, pelo nariz metafísico, que fora aceito pela população, onde o mesmo nariz metafísico, mesmo não sendo real em sua essência, por conta da alta aceitação da ideia, acaba sendo um procedimento incorporado pela população de Fuchéu.

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  36. No capítulo “a máscara e a fenda”, Alfredo Bosi analisa os principais personagens dos contos de Machado de Assis, revelando a ambiguidade dos indivíduos em relação à essência e a aparência e, com isso, a criação de máscaras sociais a fim de possuírem um espaço nessa sociedade, que aprisiona o homem em suas convenções e instituições. No entanto, a máscara só é legitimada a partir da opinião de outrem, que as aprovam como uma forma de fortalecimento das convenções sociais.
    Em “O segrego do Bonzo”, o conto é narrado em primeira pessoa relatando as experiências vividas por Fernão Mendes Pinto no reino do Bungo, onde se encontra com seu amigo médico Diogo Meireles e o guia em um passeio na cidade de Fuchéu. Eles encontram pelas ruas dois bonzos que clamavam a uma multidão suas teorias sobre a origem dos grilos e o princípio da vida futura. Nessa ambientação, o leitor se atenta às declarações dos bonzos e desconfia dessas teorias, quais posteriormente são explicadas por outro bonzo, que aparece no desenvolvimento da narrativa, chamado “Pomada”, sugerindo a referência ao produto usado para encobrir ferimentos, que tem a sua fala direcionada a questão das duas paralelas existentes entre virtude e saber, possuídas no sujeito e no espírito de quem ouve e contemplam, quando diz: “Se puserdes as mais sublimes virtudes e os mais profundos conhecimentos em um sujeito solitário, remoto de todo contacto com outros homens, é como se ele não existisse. […] Ou, por outras palavras mais energéticas, não há espetáculo sem espectador.”
    O conto se encerra revelando o charlatanismo e o poder de persuasão dos doutrinadores, quando uma doença que faz inchar os narizes afeta a cidade e Diogo Meireles apresenta a sua graciosa invenção, na qual tornara o nariz de natureza metafísica, isto é, inacessível aos sentidos humanos.
    Por fim, é possível refletirmos sobre o título do conto e sua narrativa como o segredo das artimanhas para ludibriar, visto que, as máscaras sociais necessitam da aprovação social para sua existência, o que acontece na narrativa e compreende-se após a leitura do capítulo de “a máscara e a fenda”.

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  37. Machado de Assis, no conto “A Causa Secreta”, nos apresenta Fortunato, Garcia e Maria Luisa. A história transcorre com Garcia, estudante de medicina, e Fortunato, médico, tornando-se amigos, além da apresentação de Maria Luiza, sendo esposa de Fortunato e ainda com a abertura de uma casa de saúde em sociedade. Ao decorrer do conto, Fortunato aparenta mostrar um lado obscuro, visível por torturar animais, fato que desagrada profundamente sua esposa. Logo, a mesma acaba falecendo e o desfecho da história vai se tornando perceptível. A Causa Secreta é desvendada, ao modo que Fortunato se mostra prestativo com aqueles que necessitam de ajuda, escondendo em seu interior, o prazer de observar o sofrimento alheio, que só é possível ser observado ao final da narrativa.
    A partir do enredo, vemos o narrador, no qual mostra-se onisciente (caracterizado pelo uso de 3ª pessoa), apresentar a sutileza dos sentimentos deixados e sugeridos ao decorrer do tempo. O narrador inicia o conto de modo tenso, por meio de um flashback, estabelecendo assim, certo suspense e curiosidade no leitor.
    Visando a estrutura do conto, o sentimento de suspense nele empregado é gerado, muitas vezes, devido ao tempo enunciado pelo narrador. Ele comenta que o casal Fortunato morava em Catumbi, onde havia uma casa de saúde, que próprio narrador afirma que logo explicará. Ressalta, também, que os personagens agora estão mortos, portanto, o drama que os envolve, pode ser contado sem fingimento. Além disso, para despertar ainda mais a curiosidade, o narrador afirma: “Tinham falado também de outra cousa, além daquelas três, coisa tão feia e grave, que não lhes deixou gosto para tratar do dia, do bairro e da casa de saúde”. Posteriormente, o narrador desenvolve uma mudança no tempo cronológico da narrativa, evidenciado em: “O que se passou foi de tal natureza, que para fazê-lo entender, é preciso remontar à origem da situação”. Com isso, fica subtendido ao leitor que a revelação que envolve o assunto misterioso sobre o qual os personagens conversaram, não tem como ser feita sem a volta ao início da história.
    O narrador começa a relatá-la, contada em um tempo no qual remete ao passado da vida das personagens da narrativa. E ao decorrer do conto, o narrador, sob o olhar de Garcia, analisa e observa os personagens, dando pistas do interior sombrio imprimido à personalidade do personagem Fortunato.
    O modo como o comportamento sombrio de Fortunato é ocultado da sociedade mostra-se vinculado com a análise feita por Alfredo Bosi, em “A Máscara e a Fenda”, na qual visa examinar contos de Machado de Assis. Na visão de Bosi, Machado procura incrementar suas histórias com a suspeita e o engano, coexistindo com a valorização dos bons sentimentos dificultando a percepção da desconfiança sobre as ações dos personagens.
    A sua concepção sobre a máscara e a fenda se designa por meio das exigências da utilização de máscaras para o indivíduo se reconhecer na sociedade, sendo existente para satisfazer ideias de certa camada social. De modo que a fenda se designa sendo o outro lado da sociedade, vendo aquilo que estava ocultado pela presença da máscara. O que é mostrado aos outros não é aquilo que, de fato, forma a identidade de Fortunato, o mesmo age de determinada maneira para alcançar aquilo que almeja, formando a imagem de médico prestativo e cuidadoso para satisfazer seu ego sádico.
    Em suma, é visível o modo como o emprego de determinadas escolhas para a estrutura do conto interfere nas nuances do entendimento do tema da narrativa. Machado faz uso minucioso das características de seus contos, observando e analisando as atitudes humanas, capturando assim, esferas da realidade social, de modo com que o reconhecimento de suas obras seja necessário para a valorização da literatura brasileira.

    Maria Eduarda Souza
    Letras – 4º período

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  38. No conto de Machado de Assis ” A igreja do diabo”, podemos ver claramente aspecto de uma escrita machadiana repleta de ironia, que é uma particularidade de Machado. A narrativa é veloz e os diálogos super entretidos, tendo um narrador que não participa como personagem da história narrada, retratando uma escrita. As personagens são o Diabo, Deus e a humanidade, observando a narrativa, podemos reconhecer que o foco pertence ao narrador onisciente (neutro) que se fazia presente em 3ª pessoa, quanto ao espaço onde se passa a história narrada (vezes no céu, outrora na terra), é construído e descrito pelo narrador, que por sua vez também faz uma construção de um ambiente repleto de soberba, ironia, arrogância e despeito, caacterísticas essas, que compõem o comportamento e intensificam as ações e as falas do diabo.
    Para narrar o conto, Machado de Assis, usava um narrador heterodiegético, que descrevia as investidas de um diabo, que se achava um gênio, mas que se descobre um completo trapalhão. Na leitura do conto, a primeira vista fica subentendido à visão do leitor, que a personagem principal do conto era o diabo, porém, no desenvolvimento da história, percebemos que se tratava da dualidade pertencente à humanidade, que sempre se encontra entre o bem e o mal, escolhendo entre o certo e o errado, nesse ponto podemos ver uma característica machadiana. Na narrativa o diabo resolve fundar uma igreja na qual instituirá sua doutrina oposta ao cristianismo, ele sendo arrogante e presunçoso procura o proprio Deus e anuncia que deixará de ser um anônimo e passará a ser um incentivador do pecado para se tornar um líder religioso e que com isso finalmente derrubará o Onipotente. Deus, sem exitar, diz a ele que o faça então. O Diabo que por sua vez esta confiante de que o plano elaborado será um sucesso, cria sua doutrina, institui-a como regra, convoca os homens, e faz com que um número considerável de seguidores, siga-o, e se estabelece. O que ele não contava, é com um elemento contraditório: o ser humano. Sua missão então torna-se um divertido desastre entre tentar ser o ser superior e entender a mente humana. E nessa o homem que dizia ser comprometido com o diabo acaba por traição, sendo fiel às escondidas; E quanto as instruições a ser avarento, ele faz caridades em segredo, entre outras contradições, e com isso o diabo acaba por descobrir que o homem não peca por prazer niilista, mas por tentar buscar o melhor sem saber o que é de fato o melhor.
    Diante da análise de Bosi, Machado de Assis buscava adicionar as suas histórias suspeita e engano, mostrando ao leitor não somente um lado, mas enfatizando os bons sentimentos e dificultando a percepção do grau de desconfiança, no que se refere às bases reais da intriga. Segundo Bosi, Machado tinha a característica de deixar para o leitor uma lição a tirar nas entrelinhas dos seus contos, dispensando assim a rendição franca da consciência. Em a máscara e a fenda, a máscara se traduz nas diversas situações em que as personagens dos seus textos retratam as exigências das convenções sociais, às quais os homens submetem-se numa tentativa de sobreviver e deixar para trás a miséria, a humilhação e a obscuridade, tal como o fez, o próprio contista, pelo que se pode entender com as observações feitas por Bosi, fica evidenciado, segundo o autor, que Machado não julgava ou condenava as personagens mascaradas das suas histórias, porque assim estaria condenando a si mesmo. A máscara, então, seria uma defesa, um instrumento de libertação. A própria marcha da civilização a justifica, a ambiguidade da obra de Machado permite ver o mundo de um lado e depois o outro, e ainda, ver um através do outro.

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  39. Gabriela Landim do Nascimento

    No conto “A Igreja do Diabo” é relatada uma discussão entre Deus e o Diabo, ambas personagens planas, sem aprofundamento psicológico, por um narrador heterodiegético. O narrador afirma ter tido acesso a um “manuscrito beneditino”.
    Nessa história, contada por um “homem”, afirma alguns conceitos do antropocentrismo, pois o narrador, uma pessoa comum, narra uma história sobre Deus e o Diabo dando suas próprias conotações e características as personagens, sejam boas ou ruins. Desse modo, suprindo a necessidade da fé. A narração faz com que tenha um enfoque maior no fato de que o narrador constrói todo o cenário, personagens e história. Embora não haja comprovação de tempo cronológico, é possível ver que se passa algum tempo, ao menos para que o Diabo faça sua experiência com a humanidade e falhe. É possível perceber, ao final de sua experiência, a dualidade bem e mal no ser humano: ninguém é apenas um ou outro. É a chamada contradição humana, resposta que o Diabo recebe após confrontar Deus sobre sua falha.
    No mais, é interessante pontuar o estilo de escrita e vocabulário usado no texto, que remetem muito bem à Bíblia, além do fato de que o conto é dividido em capítulos, novamente, fazendo uma referencia a Bíblia.

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  40. O conto “O segredo do Bonzo”, de Machado de Assis, se trata sobre um narrador que, inicialmente, fica intrigado pela forma com a qual os habitantes do reino de Bungo são fieis a doutrina que é passada pelos bonzos em praças publicas. Essa doutrina prega que a verdadeira essência do ser é a aparência. Explica também que se alguém acreditar em certa coisa, mesmo que nunca tenha visto, ela existirá na opinião dos outros. “Considerei o caso, e entendi que, se uma coisa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não a da realidade, que é apenas conveniente.” Essa é a fala do bonzo conhecido como fundador dessa doutrina.
    Durante a historia é relatado diversos exemplos comprovando a teoria. Desde um bonzo que prova que os grilos nascem do ar e das folhas de coqueiros na conjunção da lua nova, até o caso que melhor comprova tal teoria, o caso dos narizes metafísicos de Diogo Meireles, que tanto fascina o narrador. Em todas as historias, os praticantes dessa pratica estão atrás de lucro ou fama, pois segundo o bonzo, não existe espetáculo sem espectador.
    Considerando os personagens mais importantes temos: o bonzo Pomada, Diogo Meireles e o próprio narrador.
    Pomada é o fundador dessa doutrina, segundo Bosi ele pode ter recebido esse nome, pois pomada é o que passamos sobre a pele assim como a aparência recobre o real. E era exatamente isso que sua doutrina pregava.
    O narrador deixa claro durante o conto que a melhor experiência que comprovava essa idéia foi o caso de Diogo Meireles. No reino de Bungo havia uma doença que fazia com que os narizes dos doentes ficassem de tamanho colossal e a única cura era a remoção do mesmo. Contudo nenhum cidadão optava pela remoção do nariz, preferindo morrer a ficar sem nariz. E então Diogo Meireles consegue convencer a todos a realizar o transplante do nariz afetado por um nariz meramente metafísico, que embora não fosse perceptível aos sentidos humanos, ele existia numa condição transcendental.
    E por fim temos o narrador da historia. Ele é um narrador personagem, ou seja, observa a historia de dentro dela, é interessante comentar o fato que devido à forma que é estruturada o texto, de modo que o narrador fica sempre promovendo essa doutrina, é como se o narrador estivesse o tempo todo tentando convencer o leitor a aderir aos ensinamentos de Pomada assim como ele, sempre exaltando os resultados.
    Concluindo, podemos dizer que ao analisar a estrutura do texto percebe-se o quanto as aparências são importantes para as pessoas. Pomada percebe isso e vê como é muito fácil manipular os outros através das aparências a fim de adquirir dinheiro e fama, uma pessoa que tem um pouco mais de conhecimento ou lábia que a outra pode facilmente convencer que o que diz é verdade. Diogo Meireles facilmente convenceu a todos da realidade dos narizes metafísicos já que era um medico. Os pacientes prefeririam acreditar na promessa dos novos narizes do que admitir que estivessem errados e que na realidade não havia nada ali.

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  41. O conto A igreja do Diabo conta a história de quando o Diabo resolve criar uma igreja. O conto é narrado por um personagem humano que encontrou um “manuscrito beneditino, e neste estava escrito a seguinte história: cansado de sua desorganizada forma de levar pessoas ao inferno, o Diabo decide criar uma igreja. Ele pensa seu plano e voa até o céu para contar a Deus. Deus da à permissão para que ele faça o que quiser, e então o Diabo volta a terra e coloca seu plano em prática. Todas as ações e sentimentos difundidos pela igreja de Deus como maldosas ou erradas tornam-se virtudes na igreja do Diabo (avareza, gula, inveja, ira etc) e com isso o Demônio consegue muitos fiéis.
    Sua igreja prospera durante bastante tempo. Porém certo dia, o Diabo percebe que seus seguidores (as pessoas e num âmbito maior a própria humanidade) estão voltando a praticar as virtudes antigas (virtudes de Deus), um glutão que não cometeu o pecado da gula, um avaro dando esmolas ao pobre, e fica pasmo. Ele volta até o céu e tem uma nova conversa com Deus, que simplesmente responde, em outras palavras, que os humanos são sempre contraditórios.
    Apesar do conto não ter marcas cronológicas fica subentendido que o tempo se passou de forma linear entre as ações do Diabo. Ambos os personagens, Deus e Diabo, são personagens planas e não possuem nenhum aprofundamento psicológico, estes representam o bem e o mal e são figuras que se opõem. E a ambientação do conto se passa no céu e na terra, com uma breve passagem pelo inferno.
    E por fim temos a humanidade, que é uma personagem que tem ambas as características de bem e mal, sendo esta ambígua. Impossibilitando a visão romantizada de que existem pessoas que são somente bondosas e pessoas que são somente maldosas. Bosi diz em seu texto “O enigma do olhar”, que a humanidade é a constante transição entre esses dois extremos.

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  42. O conto machadiano, A igreja do Diabo, de Machado de Assis é um conto realista que foge de qualquer padrão romântico desde seu título que traz consigo a ideia de divino e profano de maneira inusitada. Machado de Assis retratava em suas obras o homem como ele é em sua essência, bom e mal, ele criticava a burguesia, a igreja católica, mas sempre em sutilezas e colocando os próprios sujeitos, as personagens para alcançar seu objetivo, assim “Não há conformismo em Machado, há o conhecimento de que os homens se defendem.”. Como defendeu Bosi em “A máscara e a fenda”, Machado não foi um critico severo, em suas entrelinhas havia sim muita crítica, porém a humanidade em si era seu principal foco e tema, sem haver criticas diretas e sim uma observação de fatos.
    As narrativas machadianas levam o leitor a refletir sobre a obra através de fatos levando-os a pensar sobre os mecanismos que fazem dos personagens o que são, mostrando assim, as “máscaras” usadas pela sociedade. “A móvel combinação de desejo, interesse e valor social dá matéria a essas estranhas teorias do comportamento que se chamam […] A Igreja do Diabo […]”, é o que afirma Alfredo Bosi em seu texto. Devemos nos lembrar de que, assim como Bosi disse: “A necessidade da máscara como uma constante era um fato relativamente novo na história da ficção brasileira”.
    Voltando ao conto em si, há um Diabo, que, cansado de sua desorganização e de seu “reinado casual e adventício” deseja conquistar a “vitória final e completa”, para isso ele decide construir sua própria igreja. O Diabo então apresenta sua grande ideia de criar uma instituição que pode unir a humanidade e libertá-la para que possam fazer tudo o que fazem as escondidas, onde seu credo seria o “núcleo universal”. “Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico.” Sua igreja é uma contradição completa de outras religiões, principalmente da católica.
    Quem nos conta essa história é um narrador onisciente, que inicia a história dizendo que “Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma igreja”. Esse narrador, entretanto pode ser visto como onisciente seletivo, pois em todo o conto é a visão do Diabo que é narrada, há uma proximidade com essa personagem a qual se conhece até mesmo os pensamentos. Com essa seletividade do narrador o leitor torna-se ainda mais próximo da personagem principal, o Diabo, buscando compreender suas ideias e acompanha-lo.
    Antes de fundar sua nova igreja o Diabo vai até Deus para se vangloriar e esse o recebe de maneira plena e pacífica mesmo com o Lucífer lhe dizendo que “Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço que é alto.”. Nesse momento a afronta do Diabo faz uma alusão direta à questão do dinheiro dos fiéis da Igreja católica, típico da época onde se propagavam os ideais positivistas.
    A intertextualidade observada durante o texto é recorrente, como a aparição da figura de “Fausto”, personagem de Von Goethe que possui a mesma visão de homem de Machado de Assis: “No meu corpo há duas almas em competição, anseia cada qual da outra se apartar. Uma rude me arrasta aos prazeres da terra, e se apega a este mundo, anseios redobrados; outra ascende nos ares; nos espaços erra, aspira à vida eterna e a seus antepassados.”. A maneira como o Diabo pretende criar sua Igreja também nos permite encontrar intertextualidade, ele diz “Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico […] Vou lançar a minha pedra fundamental”.
    Com uma ambientação alegórica de Céu, Inferno e Terra o autor é perspicaz, inserindo os personagens em ambientes já conhecidos, mas com uma temática completamente nova. Esta alegoria leva o leitor diretamente a refletir sobre a “contradição humana” que é a real temática do conto. O tempo no conto é subjetivo, não se sabe ao certo quando aconteceu e nem quanto tempo durou, a única marca temporal são os “longos anos” que se passaram até que o Diabo se deu conta de que seus fiéis não eram tão devotados assim.
    A curiosidade do leitor está ligada diretamente a criação da igreja do Diabo que é exatamente como a igreja de Deus, invertendo os valores morais, “Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas.”. Assim o Diabo se torna uma personagem principal muito interessante para o leitor além do fato de esse ser muito humano, ele é rancoroso, invejoso, ganancioso, mas se mostra ao final um tanto ingênuo, pois não conhece a humanidade como realmente é; ambígua e repleta de máscaras. Daí a grande sutileza e maestria da escrita de Machado, como disse Bosi “É preciso olhar para a máscara e para o fundo dos olhos que o corte da máscara permite às vezes entrever. Esse jogo tem um nome bem conhecido: chama-se humor.”. Com humor o conto machadiano leva o leitor diretamente à reflexão a respeito das máscaras da humanidade e como as regras servem apenas as aparências e não ao interior de cada um.

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