(4º Semestre) Ensino de Literatura: Realismo e Modernismo – Aula 2

Olá, Alunos.

Na próxima aula terminaremos a discussão sobre os contos do Machado e leremos mais um conto (que você deverá escolher da lista de contos abaixo e tê-lo impresso para seguda-feira, dia 06). Essas primeiras leituras servirão  como introdução a um texto teórico sobre Machado contista, que é parte do pdf abaixo. O título é “A máscara e a fenda” (ensaio que você também precisará ter impresso em aula), e está no livro O enigma do olhar, do Bosi.

TEXTO BOSI:

O enigma do olhar – Alfredo Bosi

CONTOS:

Miss Dollar – Machado de Assis

O segredo do bonzo – Machado de Assis

A igreja do Diabo – Machado de Assis

A causa secreta – Machado de Assis

2 comentários sobre “(4º Semestre) Ensino de Literatura: Realismo e Modernismo – Aula 2

  1. A narrativa do conto de Machado de Assis “A igreja do diabo” se assemelha em seu estilo com a narrativa do livro de Jó, pois em ambos os textos se há o discurso direto entre Deus e o diabo, e também, em certa parte, há uma certa intertextualidade entre o conto e a passagem da tentação de Cristo.

    O tema do conto é a contradição humana, e pode se evidenciar no final do conto e também com contexto bíblico; segundo a Palavra de Deus, todos os homens são concebidos em pecados e ainda pecam mesmo quando já recebem a Salvação como diz o apostolo Paulo em Romanos 3:10-24: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.
    Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
    A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.
    Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.
    Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
    Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
    Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
    Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
    Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”
    E ainda em Romanos 7:13-25: “Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.
    Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.
    Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.
    E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
    De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.
    Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem.
    Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.
    Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.
    Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.
    Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
    Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
    Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
    Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.”

    No conto, ao se apresentar para Deus e para os homens, o diabo disse que sua doutrina iria contradizer a que Deus criara, e que por isso ele o venceria pois todos os seguiriam, porém ao final, mesmo muitos seguindo a doutrina do diabo, tais homens a desrespeitavam ainda mais, fazendo o bem às surdinas do capeta, retratando inversamente o que disse Paulo.

    Outro ponto valido de mencionar é que tal contradição é algo inerente ao homem desde seus dias primeiros, e que tal sempre sera usada para seu próprio beneficio não importando qualquer que seja a crença ou estrutura social na qual ele esta inserido e Machado parece meramente aceitar e relatar isso ao leitor.

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  2. Aluna: Julia Maria Cardoso de Campos Santos
    RA: 10025439

    Em “A igreja do Diabo”, Machado de Assis aborda a contradição humana, os pecados (segundo a Bíblia) e uma visão não só crítica, mas também necessária sobre a formação ou o que é o ser humano em sua natureza.

    Considerando o contexto histórico do conto, é importante ressaltar que, na época, a arte continha uma exaltação dos sentimentos e, também, uma reflexão do mundo. Tendo como característica do autor a ironia e sarcasmo, ele as coloca de forma sutil nos discursos diretos entre Deus e o Diabo.

    O Diabo, interpretado como oposto do bem, pode ser um símbolo de libertação e questionamento humano. Além disso, Machado utiliza do bem e do mal como necessários da natureza humana, visto no capítulo IX, no qual os supostos fiéis do diabo praticam, às escondidas, suas antigas virtudes, dando a entender que os personagens precisam de ambos.

    Conclui-se que, mesmo o conto sendo de 1884, faz-se tão atual que poderíamos dizer que foi escrito no ano de 2018, pois as críticas acerca de estar em uma religião, são as mesmas, como na fala do Diabo: “Não tarda muito que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja”. Mesmo tendo passado muito tempo entre as épocas, as religiões exigem que os fiéis se adequem à uma realidade que não é justa, nem mesmo necessária para ir para um lugar bom após a morte.

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