Questão extra 4º período

Olá, Pessoal!

Como combinado, segue aqui o espaço para que vocês respondam à questão extra do semestre:

POEMA DO BECO
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco.

© MANUEL BANDEIRA 
In Estrela da Manhã, 1936 

Escolha dois poemas dos livros “Libertinagem” e “Estrela da Manhã” que reflitam aquilo que chamamos em sala de “estética do beco” e faça um comentário sobre como percebê-la nos textos escolhidos.

24 comentários sobre “Questão extra 4º período

  1. Análise e comentário dos poemas “O Major” e “Amor, a poesia, as viagens”, ambos de Manuel Bandeira, retirados dos livros “Libertinagem e “Estrela do amanhã”, respectivamente. O comentário partiu segundo à perspectiva do beco, retirada do poema “Poema de Beco”, também de Bandeira.

    POEMA DO BECO
    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    – O que eu vejo é o beco.

    O MAJOR

    O major morreu.
    Reformado.
    Veterano da Guerra do Paraguai.
    Herói da ponte do Itororó.
    Não quis honras militares.
    Não quis discursos.

    Apenas
    À hora do enterro
    O corneteiro de um batalhão de linha
    Deu à boca do túmulo
    O toque de silêncio.

    No poema “Poema do Beco” o eu-lírico possui marca de primeira pessoa, ou seja uma perspectiva mais pessoal, diferente do poema “O major”, entretanto bandeira usa certos adjetivos que fazem com que o poema fique menos impessoal e traga para perto do motivo literário, a morte e a redução das cerimônias acerca dela. Em ambos, existem dois movimentos sendo o primeiro perante uma perspectiva macro e o segundo sob a perspectiva micro. No poema há aumento e diminuição dos fatos, os adjetivos possuem função de aumentar a representatividade social da pessoa falecida, assim como a descrição das cenas do “Poema do beco” (paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte). Já no segundo movimento, bandeira diminui a perspectiva dos fatos, traz para perto e para baixo as situações: o beco como única visão e o silêncio. É possível transitarmos os motivos de um poema e outro: de que importa a paisagem e as titulações, se o que é visto é apenas o beco e percebido apenas o silêncio da morte. Bandeira usa situações do cotidiano, como a morte e um lugar social, como motivo para seus poemas e dessa forma promove uma mudança nas perspectivas de seus poemas. Utiliza o micro e uma possível exclusão de detalhamentos para trazer simplicidade e quebra ao antigo estilo literário.

    O Amor, A Poesia, As Viagens

    Atirei um céu aberto
    Na janela do meu bem:
    Caí na Lapa – um deserto…
    – Pará, capital Belém!

    Nesse poema, assim como no “Poema do beco” o eu-lírico encontra-se com marcas de primeira pessoa, tornando então um poema pessoal. Em ambos, há marcas de queixa e de constatação do eu-lírico, o campo semântico utilizado é de lugar, o beco ou a Lapa. O cotidiano e a impossibilidade de escolhermos ou definirmos certas coisas são motivos dos poemas. A natureza, seja na paisagem ou no céu aberto, pode ser identificada como plano de fundo utilizado por Bandeira. Novamente, há um dualismo compatível em relação aos movimentos dos poemas: o primeiro refere-se à coisas boas , cenas bonitas e positivas já o segundo de coisas menos importantes ou que não seriam as escolhas do eu-lírico. Seguindo seu estilo, Bandeira utiliza diferentes perspectivas sobre diferentes assuntos antes eram passados despercebidos.

    Rodrigo Rodrigues.

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  2. Estrela do Amanhã (1936) – Manuel Bandeira
    Marinheiro Triste

    No poema “Marinheiro triste” o eu-lírico observa um marinheiro e tenta decifrar a causa de sua tristeza, presumindo que ele tenha deixado, talvez, uma amante para trás; ou que sua amargura fosse gerada pela falta da família e de sua casa. O marítimo é descrito como uma pessoa melancólica que não reparava no que estava ao seu redor, porém estava lucido e podia sentir aquilo que lhe causava infelicidade. Em alguns versos, o eu-lírico diz que seria melhor que o marinheiro estivesse bêbado, pois, desta forma, não teria a lucidez para sofrer.
    Há também uma comparação entre ambos, uma vez que, ao citar como o marujo volta para o barco da mesma forma que o eu-lírico retorna à sua casa, é declarado que esse eu-lírico é tão melancólico quanto à personagem do poema.
    O marinheiro, após a partida, teria todo o mundo para explorar, mas o eu-lírico estava “preso” a sua terra sem a menor perspectiva de mudança ou melhora e preferia estar bêbado para não ter ciente de sua realidade.
    O poema “Marinheiro Triste” exibe traços de penumbrismo, estética que, segundo Goldstein, apresenta “atenuação psicológica, traduzida por atitudes e sentimentos como languidez, indecisão, passividade, contemplação, tom confidencial, ternura pelo tema, aceitação” e os relacionamentos amorosos apresentam-se de modo ambíguo: “ora mescla de paixão e sentimento fraternal; ora paixão frustrada, seguida de aceitação da não-realização amorosa” (2013, p.2). Sendo que a melancolia e a ternura pelo tema são os traços mais marcantes desse poema.

    Libertinagem (1930) – Manuel Bandeira
    Poema tirado de uma notícia de jornal

    No poema intitulado de “Poema tirado de uma notícia de jornal”, o eu-lírico descreve o suicídio de João Gostoso que teria sido noticiado num jornal. João era um homem pobre que trabalhava na feira; de início ele parece estar feliz enquanto bebe num bar chamado Vinte de Novembro, mas na verdade esse boteco apenas lhe proporcionou os últimos momentos de um contentamento superficial, que não poderia findar com a melancolia que sentia.
    João não possuía sobrenome e o apelido de “Gostoso” poderia ser, na verdade, uma ironia. Morava numa favela em um barraco sem número; tudo em sua vida era impreciso e não nos é apresentado nenhum parente ou qualquer pessoa que pudesse sentir falta dele. Morre de forma anônima na lagoa Rodrigo de Freitas, região baixa e rica do Rio de Janeiro, fazendo oposição à humildade do suicida.
    Ao contrario da uma notícia jornalística, o poema não apresenta uma data exata para o acontecimento e enfatiza os traços de antítese: o morro, região pobre e alta, e a Lagoa; e a alegria (descrita pela dança, bebida e música) seguida do afogamento.
    Este poema é marcado pelo festejar seguido da morte, de acordo com Norma Seltzer Goldstein: “um tema frequente em Libertinagem é a aceitação, dado permanente no poeta, talvez marca da experiência vivida, ao festejar cada novo amanhecer, numa existência pautada, durante anos, pela espera da morte” (2013, p.2).
    As estrofes são irregulares gerando um ritmo solto, característica modernista. Nos dois primeiros versos pode-se observar o uso da aliteração na repetição de palavras com “r” e “rr”.

    O cotidiano nos poemas de Manuel Bandeira

    “A temática do quotidiano volta-se, nessa poesia, para aspectos simples e banais da vida. A memória e a recordação estão presentes, não como lembrança de grandes acontecimentos, mas de um momento breve ou de um evento corriqueiro, evocado por um fato simples do presente” (GOLDSTEIN, 2013, p. 3).
    No poema “Poema tirado de uma notícia de jornal” há a narração de um homem que mora na favela e que trabalha em um lugar pobre: a feira livre. A vida de João Gotoso é rapidamente descrita e a desigualdade social é sutilmente abordada pelo fato de João morar na favela e suicidar-se numa região rica. Ele vivia como a maioria da população pobre e frequentava áreas humildes, os becos, as favelas, os bares.
    Em “Marinheiro Triste”, outro tipo de vida é apresentada: o marujo que “vive” no navio sujo e deixa para trás família, casa e amor, mas que tem todo o horizonte pela frente. Ao aportar no cais de uma cidade, ele pode percorrê-la e frequentar os bares, encontrar novos amores.
    A observação de pequenos detalhes é uma característica marcante: algumas banalidades são retratadas, como o fato de João cantar e dançar antes de morrer e o casco do navio do marinheiro ser sujo. O beco e a vida pobre são sempre evidenciados, assim como a melancolia e a morte próxima; a estética do beco está presente nessa visão da vida a partir de fatos, objetos, etc., simples que são percebidos de modo detalhado e enfático.

    Referências

    GOLDSTEIN, Norma Seltzer. Traços penumbristas na poesia modernista de Manuel Bandeira. Soletras Revista, Rio de Janeiro, n. 25, jan. – jun. 2013. Disponível em: . Acesso em: 15 de novembro de 2017.

    TARDELLI, Caio Cardoso. À Meia-Luz do Verso: O Penumbrismo na Poesia Brasileira. Disponível em: . Acesso em: 17 de novembro de 2017.

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  3. Pode-se notar a perspectiva do beco em muitos dos poemas dos livros Estrela da manhã e Libertinagem de Manuel Bandeira.
    O eu-lírico do poema “Tragédia brasileira”, do livro Estrela da manhã, conta a história do assassinato de Maria Elvira por seu marido na rua da Constituição. A perspectiva do beco é percebida nas personagens principais e em sua relação: Misael é um homem de 63 anos, funcionário da Fazenda, é o idoso que se casou com a prostituta a fim de obter prazer sexual, não importando quanto dinheiro gastasse; Maria Elvira é uma prostituta miserável que fica com o velho rico por conta dos benefícios materiais que o casamento traria. A perspectiva do beco também é notada na traição e no assassinato.
    O “Poema tirado de uma notícia de jornal”, do livro Libertinagem, tem como elementos do beco o nome da personagem principal, João Gostoso, provavelmente irônico, seu trabalho como feirante, sua casa, que era na favela, e o suicídio.
    Em ambos os poemas, Bandeira traz um elemento inicialmente grandioso, a rua da Constituição, no primeiro, e a lagoa Rodrigo de Freitas, no segundo, mas agora esses locais são meros palcos da morte. Essa temática de elementos do cotidiano, sem grandeza, e que eram considerados moralmente errados, como a traição, o assassinato e o suicídio, por exemplo, exemplificam o que é chamado de perspectiva do beco.

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  4. Neste comentário, a chamada “estética do beco” será identificada em dois poemas de Bandeira: “Poema tirado de uma notícia de jornal” e “Tragédia brasileira”. Tal estética pode ser compreendida como desdobramento da lírica moderna. A fim de compreender em que consiste essa lírica, pode-se valer da exposição feita por Ferreira Gullar em “Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina”. Nesse escrito, o estudioso afirma que “[…] quando a linguagem da poesia, desvestindo a doirada plumagem, desceu ao nível da prosa, é que o próprio poeta desceu ao chão (como o albatroz do famoso soneto de Baudelaire), decidiu habitar o cotidiano e passou a ver nele não o mundo de que se deve fugir, e sim o mundo que se deve transformar” (GULLAR, 2016, p. 38-39). Assim, a “estética do beco” pode ser entendida como o abandono da Glória; da linha do horizonte; das alturas, para que o poeta passe a versar acerca do beco, do chão.
    A partir da exposição feita acima, compreende-se a estética em questão como aquela que trata do prosaico. Esse termo, relativo à prosa, refere-se ao comum, vulgar. O caráter prosaico da poesia de Bandeira não se manifesta apenas no conteúdo de suas produções, mas também em sua forma. Nesse sentido, em Libertinagem e Estrela da manhã, há poemas compostos em prosa. Segundo Gilberto Mendonça Teles (1998, p. 143), “poemas em prosa, mesmo, são os que combinam descrição e narração, simulando contar uma história […]”. Abaixo, será identificado o caráter prosaico presente em “Poema tirado de uma notícia de jornal” e em “Tragédia brasileira”.
    “Poema tirado de uma notícia de jornal” está contido no livro Libertinagem. O título do texto já revela parte de seu caráter de prosa, uma vez que se define como tirado de uma notícia de jornal. Tal meio de comunicação é um periódico diário que noticia fatos cotidianos. Desse modo, uma vez que o conteúdo do poema pode ser encontrado em uma notícia de jornal, seu caráter cotidiano, comum, torna-se evidente. Nesse texto, João Gostoso, de origem humilde, mata-se, por afogamento, após uma sucessão de ações feitas por ele em um bar. Conforme Teles (1998, p. 144), nesse poema, há os componentes necessários a uma narrativa: “um narrador em terceira pessoa, que se mantém oculto; uma história (um caso) que se conta; o encadeamento de sequências narrativas; o tempo da enunciação e do enunciado; uma personagem […]; além da abertura e do fechamento de uma narrativa em prosa”. Assim, diante dessas considerações acerca do poema, torna-se notório como a lírica moderna se apresenta na sua construção e no seu conteúdo.
    Em “Tragédia brasileira”, por sua vez, o aspecto prosaico manifesta-se também na construção feita em parágrafos. Esse poema em prosa, do livro Estrela da manhã, trata do óbito de Maria Elvira. Essa personagem, que antes era prostituta, foi morta por Misael, seu companheiro, após sucessivos casos de infidelidade da parte dela. De acordo com Maria da Conceição Oliveira Guimarães (2015), Bandeira revelou, em entrevista concedida a Paulo Mendes Campos, que “Tragédia brasileira” originou-se de uma notícia publicada em jornal. Assim como o poema do qual trata o parágrafo anterior, o poema em prosa de Estrela da manhã também compartilha desse caráter de assunto de periódico. Ainda, em “Tragédia brasileira”, há a constituição de uma narrativa, apresentando personagens (Maria Elvira e Misael são os principais), espaços (lugares onde o casal morou), conflito (infidelidade), clímax (morte de Maria) e desfecho.
    Mais uma vez, vale-se de Guimarães (2015), que observa que Bandeira, como a poesia moderna, passa a abarcar os dramas e as mazelas sociais do meio urbano. Esses motes estão presentes nos poemas acima comentados: o suicídio de um humilde carregador de feira-livre e a morte de uma ex-prostituta motivada por infidelidade. Assim, a “estética do beco” é presente nos dois poemas escolhidos, pois seu conteúdo trata de matéria cotidiana, vulgar, comum aos periódicos diários. Ademais, sua forma remete à prosa, constituindo-se de elementos da narrativa. Diante disso, esses poemas não versam sobre a Glória ou a linha do horizonte, suas preocupações são o beco, as mazelas cotidianas, a lírica moderna.

    REFERÊNCIAS
    GULLAR, Ferreira. Augusto dos Anjos ou vida e morte nordestina. In: ANJOS, Augusto dos. Toda poesia de Augusto dos Anjos. 5. ed. Rio de Janeiro: José Olympio: 2016.
    TELES, Gilberto Mendonça. A experimentação poética de Bandeira em Libertinagem e Estrela da manhã. In: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem; Estrela da manhã: edição crítica. Coordenação de Giulia Lanciani. Madrid: ALLCA XX, 1998.
    GUIMARÃES, Maria da Conceição Oliveira. A tragédia pessoal de Maria Elvira, em “Tragédia brasileira”, de Manuel Bandeira. In: HERNÁNDEZ, Ascensión Rivas. Manuel Bandeira en Pasárgada. Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2015.

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  5. Comentário sobre os poemas “Momento num café”, do livro Estrela da manhã e “O último poema” do livro Libertinagem, segundo a perspectiva de “Poema do beco”, de Manuel Bandeira.

    Perspectiva:

    Poema do Beco
    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    – O que eu vejo é o beco.

    1ª análise – estrela da manhã:

    Momento num café

    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.

    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

    Neste poema com eu-lírico impessoal, o autor retrata a situação na qual alguns homens que estavam no momento do café, quando se deparam com um enterro passando, explicando as reações físicas deles, conectando-as com as psíquicas. Como no poema do beco, Bandeira retrata a beleza na simplicidade. Tanto no momento do café que fazia com que aqueles homens se encontrassem e, também, no simples fato das personagens terem acenado para o morto, trazendo a reflexão de como eram confiantes e absortos na vida. No entanto, há uma quebra de expectativa, que é uma característica desse mesmo autor. Seus poemas começam exalando poesia terminando, em sua maioria, no negativismo, quase sempre relativo à morte, bem como nesse caso. Um dos homens, consciente de que a vida é traição, sem finalidade, tinha outra percepção ao saudar o morto.

    2ª análise – libertinagem:

    O último poema

    Assim eu quereria meu último poema
    Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
    Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
    Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
    A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
    A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

    Utiliza-se da metalinguagem, já que Manuel Bandeira usa o poema para falar sobre a construção do poema, explicando suas intenções. O autor quer passar a ternura através da simplicidade, usando detalhes singelos. Flores, perfumes, soluços, pureza.. Todas as palavras de uma cena ideal, sendo quebrada pela última linha: a paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

    Nos dois poemas, nota-se a perspectiva do beco. O autor inicia de forma a contemplar a beleza (micro, não macro) que não precisa de muito para ser contemplada. Bandeira enxerga poesia nas pequenas coisas, pequenos gestos. E depois de construir uma imagem positiva e leve, conclui de forma inesperada, levando o final até seu beco, descrito de formas diferentes. Nos exemplos utilizados, a quebra foi feita com a utilização do tema da morte.

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  6. Os poemas escolhidos foram: Porquinho da índia (Libertinagem) e Flores Murchas (Estrela da manhã)

    PORQUINHO-DA-ÍNDIA
    Quando eu tinha seis anos
    Ganhei um porquinho-da-índia.
    Que dor de coração me dava
    Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
    Levava ele pra sala
    Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
    Ele não gostava:
    Queria era estar debaixo do fogão.
    Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .
    — O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

    O poema nos induz a construir a imagem de uma lembrança; conta ao leitor algo que fez parte do passado, isso fica explicito no primeiro verso “Quando eu tinha seis anos”, assim deixando claro que o porquinho não faz mais parte do presente e que o fato lembrado remete a uma realidade distante. É um poema que contém um estilo despojado, porém o seu final surpreende o legente com o verso “O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada”, revelando mais complexidade do que era perceptível anteriormente nos outros versos do poema. O que gera certo humor, pois em nenhum momento o eu lírico tem as suas vontades atendida pelo animal de estimação; e isso gera um conflito com o eu lírico que de uma maneira sutil parece se decepcionar. “Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas”…
    Mesmo aparentando ser um poema simples, trás ao leitor problemas e complexidade, retratando do cotidiano de uma maneira leve. Aliais essa temática que engloba as vontades do eu lírico contra a vontade do porquinho, mostra a ideologia da estética do beco, pois reflete sobre a vida cotidiana, os conflitos internos e externos que acontecem com o decorrer dos dias, esse contexto do cotidiano fica ilustre durante todo o poema. E também se relaciona com a estética do beco o fato do animal rejeitar aquilo que era considerado pelo eu- lírico como lugares bonitos e limpinhos demonstrando estar bem em baixo no fogão, se satisfazendo com a simplicidade, enxergando a beleza no modesto, não precisando de exuberâncias.

    Flores Murchas
    Pálidas crianças
    Mal desabrochadas
    Na manhã da vida!
    Tristes asiladas
    Que pendeis cansadas
    Como flores murchas!

    Pálidas crianças
    Que me recordais
    Minhas esperanças!

    Pálidas meninas
    Sem amor de mãe,
    Pálidas meninas
    Uniformizadas,
    Quem vos arrancara
    Dessas vestes tristes
    Onde a caridade
    Vos amortalhou!

    Ai quem vos dissera,
    Ai quem vos gritara:
    — Anjos debandai!

    Mas ninguém vos diz
    Nem ninguém vos dá
    Mais que o olhar de pena
    Quando desfilais,
    Açucenas murchas,
    Procissão de sombras!

    Ao cair da tarde
    Vós me recordais
    — Oh meninas tristes! —
    Minhas esperanças!
    Minhas esperanças
    — Meninas cansadas,
    Pálidas crianças
    A quem ninguém diz:
    — Anjos, debandai!…

    A primeira estrofe do poema já caracteriza o nome dado ao mesmo, o autor utiliza o elemento da comparação para relacionar as crianças à flores murchas, quando flores não são devidamente cuidadas elas murcham, já as crianças na ausência de carinho e amor se tornam triste e perdem suas alegrias e a beleza que existe na infância.
    Na segunda estrofe o eu-lírico estabelece uma referência explicita sobre as esperanças do autor utilizando como ponte para essa correlação as crianças que submersas a miséria perdem suas esperanças, assim como ele perdeu a sua precocemente.
    O poema inteiro retrata sobre a vida precária das crianças e seus desalentos, a miséria, a falta de amor, o abandono, a falta de esperanças. Relatando uma vida cotidiana cruel, rude; esse poema se encaixa com a estética do beco exatamente por essa descrição do cotidiano vivido por essas crianças e observado pelo eu-lírico, trazendo ao poema um tom de criticidade para a estrutura vivida no país, expressando à falta de condições humanas para as crianças, criticando a base das famílias e que tais motivos às levam a ter falta de esperança, assim como o autor perdeu a sua diante uma doença. Já faz parte dessa estética o poema retratar a vida comum, sem exaltar as belezas naturais, sendo reforçada pelas críticas já citada nas linhas anteriores.

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  7. No ”Poema do beco”, de Manuel Bandeira, o eu lírico admite que o que vê é o “beco”. Nesse poema, o beco está em oposição a elementos como a “paisagem”, a “Glória”, a “linha do horizonte” e a “baía”. Além de meros indicadores geográficos, esses elementos – inclusive o beco – denotam uma visão inclinada a lugares/pensamentos que não sejam esteticamente agradáveis. Tanto a linha do horizonte quanto a baía são amplos; o beco é limitado, sem-saída. Ele também pode indicar uma perspectiva voltada para as coisas mais triviais, simples, aquelas que existem em nosso cotidiano e não são usualmente contempladas.

    Nesse sentido, compreende-se que o “viés do beco” não está restrito somente a esse poema de Bandeira, como também pode ser percebido em outros de Libertinagem e Estrela da Manhã. A começar por Libertinagem, esse livro apresenta “O último poema”, um metapoema que encerra a obra. Seu eu lírico exprime as expectativas reservadas ao seu “último poema”, como a de que ele fosse terno dizendo coisas “mais simples e menos intencionais”, que tivesse a beleza das “flores quase sem perfume”, etc. Cada qualidade desejada pelo eu lírico, entretanto, é amparada por uma comparação que não corresponde à expectativa gerada por ela. Por exemplo, com a esperança de uma “beleza”, não seria resgatada, a princípio, aquela de flores quase sem perfume; ao pensar em paixão, aquela dos suicidas que se matam sem explicação também não seria evocada sem essa indicação. Dessa forma, percebe-se a maneira com que o eu lírico ressignificou “beleza”, “paixão”, “pureza”, etc., por meio de ocorrências cotidianas.

    Estrela da Manhã, por sua vez, contém Momento num café, cujo eu lírico exprime a reação de homens que se encontravam num café diante da passagem de um enterro. Enquanto a maioria deles tirava os chapéus de forma mecânica, sem meditação, um homem observava atentamente o momento e nele reconhecia a fragilidade da vida. Esse homem que “se descobriu num gesto longo e demorado” soube identificar o caráter eterno daquilo que se passava. A estética do beco aqui se encontra na pausa contemplativa do homem – e do eu lírico, por extensão –, que, ao invés de agir banalmente, pensou a morte. Enquanto o eu lírico, por sua vez, fez do prosaico um motivo poético.

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  8. Análise dos poemas “Momento num Café” do livro “Estrela da Manhã” e “Porquinho-da-índia” do livro “Libertinagem” de Manuel Bandeira.
    Manuel Bandeira afirmou em sua autobiografia que quando morava na Rua Morais e Vale, na Lapa, quando estava na janela de seu quarto o que chamava sua atenção e o fazia refletir não eram as belas paisagens cariocas, mas sim o beco sujo em que viviam tantas pessoas pobres (BANDEIRA, 1984, p. 101). A partir dessa afirmação é possível entender o motivo da perspectiva do beco estar presente em muitos poemas nos seus livros “Estrela do Amanhã” e “Libertinagem”.

    Momento num café
    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.
    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

    O poema retrata um enterro que passa no mesmo momento que alguns homens estão em um café. Os homens observam e tiram o chapéu saudando o morto. Isso mostra como os homens nesse café demonstram seu respeito e eles fazem isso por meio desse ato simbólico. Também é dito no poema que eles estavam distraídos e confiantes na vida naquele momento. Mas para um dos presentes a vida é uma traição, a partir do momento em que pensa isso, ele passa a saudar o morto de uma maneira diferente dos outros, o foco se torna o corpo que agora está sem alma. Para esse homem, o morto passa a ser uma matéria e liberta da alma. Isso mostra que a morte está presente no cotidiano, algo que ocorre todos os dias com alguém e Bandeira retrata essa situação em um café, um lugar bem corriqueiro.

    PORQUINHO-DA-ÍNDIA
    Quando eu tinha seis anos
    Ganhei um porquinho-da-índia.
    Que dor de coração me dava
    Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
    Levava ele pra sala
    Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
    Ele não gostava:
    Queria era estar debaixo do fogão.
    Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas . . .
    — O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

    No poema o eu-lírico ganha de presente um porquinho-da-índia, mas o animal não queria ficar nos lugares mais limpos da casa, ele só queria ficar debaixo do fogão e não dava a mínima para as ternuras recebidas. Mas mesmo assim o eu-lírico afirma que o pequeno roedor foi sua primeira namorada. Nesse poema, o poeta retrata muito bem a simplicidade. O eu-lírico tem uma grande afeição com um simples porquinho-da-índia. . O eu-lírico se preocupa e quer o animal próximo dele e não debaixo do fogão. A perspectiva do beco é notada, pois esse pequeno animal no poema é usado como um exemplo de ternura, mostrando que no dia-a-dia as pessoas criam amor por animais e pelas pequenas coisas da vida. Em vez de retratar um grande amor, com toda uma história cheia de romance e palavras bonitas, Bandeira retrata o amor e a afeição de uma criança por um simples e pequeno porquinho-da-índia.

    REFERÊNCIAS:
    BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, s.d. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

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  9. Análise dos poemas “Flores Murchas” e “ O Major”, do autor Manoel Bandeira, retirados das Obras “ Estrela da Manhã” e “Libertinagem”.
    No poema “Flores Murchas”, o autor na primeira estrofe usa a figura de linguagem comparação por diversas vezes. As flores murchas são comparadas as crianças, pois uma vez que as flores sem cuidados perdem o seu encantamento as crianças sem amor e carinho perde a sua inocência e perdem-se em maus caminhos da vida.
    O eu lírico estabelece uma reflexão entre as crianças e os seus sonhos da infância, a precariedade em que elas vivem e a falta de estrutura para o desenvolvimento.
    Fica bem nítido a critica do poema e o objetivo do autor em clamar por piedade em favor das crianças do país.
    Libertinagem- Manoel Bandeira
    O major
    No poema “O Major”, o autor retrata a morte de uma forma simples e deixa bem que claro que apesar do renome que as pessoas carregam, a morte vem de forma igualitária para todos e que o momento é vivido sem escolher por pessoas da alta ou baixa sociedade.
    Durante o enterro, o silêncio é o momento que pede mais reflexão entre todos aqueles que estão presentes.
    A morte não tem nenhuma classificação, é apenas um simples fato do cotidiano que ocorre todos os dias e que de certa forma não é notado por aqueles que não vivem. É apenas um simples acontecimento que precisa ser tratado de forma leve e respeitosa.

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  10. Análise dos poemas “Contrição” e “Pensão Familiar”, de Manuel Bandeira, retirados dos livros “Estrela da manhã” e “Libertinagem” respectivamente.

    CONTRIÇÃO
    Quero banhar-me nas águas límpidas
    Quero banhar-me nas águas puras
    Sou a mais baixa das criaturas
    Me sinto sórdido

    Confiei às feras as minhas lágrimas
    Rolei de borco pelas calçadas
    Cobri meu rosto de bofetadas
    Meu Deus valei-me

    Vozes da infância contai a história
    Da vida boa que nunca veio
    E eu caia ouvindo-a no calmo seio
    Da eternidade.

    Nesse poema o eu lírico diz que é “a mais baixa das criaturas” e se sente “sórdido”, vemos uma degradação moral do ser homem que está desesperançoso e desiludido. Em outro momento ele clama pelas “vozes da infância” para que contem a “vida boa que nunca veio”, demonstrando um tom de desapontamento e ao mesmo tempo certo saudosismo.

    Pensão familiar

    Jardim da pensãozinha burguesa.
    Gatos espapaçados ao sol.
    A tiririca sitia os canteiros chatos.
    O sol acaba de crestar os gosmilhos que murcharam.
    Os girassóis
    amarelo!
    resistem.
    E as dálias, rechonchudas, plebéias, dominicais.
    Um gatinho faz pipi.
    Com gestos de garçom de restaurant-Palace
    Encobre cuidadosamente a mijadinha.
    Sai vibrando com elegância a patinha direita:
    – É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.

    Em “Pensão Familiar” vemos uma crítica bem humorada de Bandeira à burguesia que se encontrava em decadência. Já no primeiro verso temos o diminutivo “pensãozinha” que imprime um tom pejorativo. Apesar do cenário do poema ser “familiar”, não há seres humanos descritos, os únicos seres que compõe o conjunto imagético do poema são: o gato, os girassóis, dálias etc, e a única ação presente é a do gato “faz pipi” e “encobre cuidadosamente a mijadinha”. Nos últimos dois versos, a meu ver, está o ponto alto da ironia. Bandeira descreve as atitudes do gato com o mais fino requinte e elegância, quase como que fosse um garçom, e ainda termina dizendo que ele é “a única criatura fina na pensãozinha burguesa”, superando os humanos.

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  11. Análise sobre a “estética do beco” apresentada no poema de Manuel Bandeira “Poema do beco”.

    POEMA DO BECO
    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    -O que vejo é o beco.

    Nesse poema o eu-lírico parte de um pressuposto que a simplicidade está nas pequenas coisas, pois o autor estava diante de uma paisagem de “glória”, porém seu olhar se fixava no simples e cotidiano, que era o beco.
    Essa análise “estética do beco” encontra-se em outros poemas do autor, como “Profundamente” encontrado no livro “Libertinagem” e “Tragédia brasileira” encontrada no livro “Estrela da Manhã”.

    PROFUNDAMENTE
    Quando ontem adormeci
    Na noite de São João
    Havia alegria e rumor
    Estrondos de bombas luzes de Bengala
    Vozes, cantigas e risos
    Ao pé das fogueiras acesas.

    No meio da noite despertei
    Não ouvi mais vozes nem risos
    Apenas balões
    Passavam, errantes

    Silenciosamente
    Apenas de vez em quando
    O ruído de um bonde
    Cortava o silêncio
    Como um túnel.
    Onde estavam os que há pouco
    Dançavam
    Cantavam
    E riam
    Ao pé das fogueiras acesas?

    — Estavam todos dormindo
    Estavam todos deitados
    Dormindo
    Profundamente.
    *
    Quando eu tinha seis anos
    Não pude ver o fim da festa de São João
    Porque adormeci

    Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
    Minha avó
    Meu avô
    Totônio Rodrigues
    Tomásia
    Rosa
    Onde estão todos eles?

    — Estão todos dormindo
    Estão todos deitados
    Dormindo
    Profundamente.

    TRAGÉDIA BRASILEIRA
    Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.
    Conheceu Maria Elvira na Lapa — prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
    Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura… Dava tudo quanto ela queria.
    Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.
    Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
    Viveram três anos assim.
    Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
    Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos…
    Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

    “Profundamente” tem o eu-lírico pessoal, assim como o “Poema do beco”, trazendo assim a pessoalidade do poema, nesse poema o eu-lírico conta a história da festa de São João quando ele tinha seis anos, lembrando que adormeceu profundamente perdendo todos os encantos da noite. Logo no desfecho ele faz uma analogia com o passado, relembrando que não pôde ver a festa de São João porque dormira profundamente, e com o presente, fazendo uma correlação com a morte, pois ele não conseguia ouvir as vozes daquele tempo, já que agora quem dormia profundamente eram as pessoas que antes estavam naquela festa.
    Já o poema “Tragédia brasileira” traz um eu-lírio impessoal e um texto em prosa, retratando a história de Misael, um senhor, que conheceu Elvira, uma prostituta, Misael a tirou da prostituição e lhe deu tudo o que desejava, no entanto Elvira tinha vários amantes e Misael, descontente, vivia se mudando para não ter que se deparar sempre com a situação. Elvira não correspondeu à expectativa de Misael, então ele a matou com seis tiros, mas mesmo assim a cobriu com organdi azul, um pano de algodão e seda.
    A “estética do beco” é visualmente exposta por Bandeira nesses poemas pois trata de acontecimentos cotidianos para explicar a simplicidade. Nesses poemas, o autor trata tanto do macro, como a festa de São João, os balões, as risadas e os luxos de Misael, quanto do micro, o silêncio e a morte. Desse modo os poemas expõem a “glória”, mas ao final tudo o que fica é a “visão do beco”.

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  12. Os poemas escolhidos para este comentário foram: “Porquinho-da-índia” que se encontra no livro Libertinagem e o poema “Flores Murchas” em Estrela da Manhã, ambos de Manuel Bandeira.
    O poema “Porquinho-da-índia”, expressa a estética do beco por apresentar uma situação do cotidiano aparentemente banal, apontando pequenos e simples, porém, belos instantes da infância, a pureza do amor de uma criança que quer apenas o afeto do seu bichinho. É comum um animal de estimação se esconder em um lugar que se sinta mais aconchegado, entretanto aquela atenção não recíproca torna-se para aquela criança, que não mede esforços para agradar o animalzinho, um momento de tanta tristeza que dói seu coração, um momento retratado sem exaltação de paisagens e/ou mementos de glória, apenas mostrando a visão do beco, a beleza no chão de um instante na infância.
    Mais um dos contos de Manuel Bandeira que aponta a estética do beco é “Flores murchas”, no qual o eu-lírico apenas observando crianças, aborda a situação daquelas meninas, discutindo principalmente o rosto pálido e triste delas, expondo o cenário de crianças desamparadas, tristes e com o brilho de criança apagado “Procissão de sombras”, crianças murchas no começo da juventude como uma flor que não foi regada de amor e esperança. Demonstrando importância e significado a momentos do cotidiano, momentos que muitos não olham para sua bela simplicidade, Manuel Bandeira expõe o beco, o chão, a essência da reflexão sobre vida em seus pequenos momentos do dia a dia.

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  13. Perspectiva poética do beco em “Porquinho da Índia” e “Rondó do Palace Hotel” de Manuel Bandeira
    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    – O que eu vejo é o beco.

    O “Poema Do beco”, de Manuel Bandeira, revela uma diferente perspectiva da realidade. Uma contradição entre a preferência do senso comum, e a do eu-lírico: ao senso comum o que importa são as belas paisagens, a visão romantizada do espaço, o grande; ao eu-lírico ocorre a condição, ou a escolha de visão que é o beco, do detalhe sem luxo, o pequeno.
    O eu-lírico assume que poderia enaltecer poeticamente o que é grandioso, mas opta por vivenciar o que é menor, o que é comum e parece insignificante. Mas com essa visão fora do comum, constrói uma perspectiva honesta da realidade.
    A questão do cotidiano, da realidade que se vive e da simplicidade se expressa na forma do poema, pois o poema é conciso e direto. O primeiro verso é o mais longo, expressa a grandiosidade da paisagem. Já o segundo verso, o mais curto, faz um zoom para a visão do beco, a pequena paisagem banal do cotidiano. E reforça assim, com a forma, a expressividade ideológica do poema.
    A mudança de plano imagético, do primeiro para o segundo verso acontece como um zoom: reduz e aproxima a perspectiva visual de um plano para o outro, revelando o posicionamento do eu-lírico. Esse posicionamento do eu-lírico de não valorizar o grandioso fugindo do senso comum, acontece quase como uma condição, e não uma escolha. Porque o que se percebe e se experiencia na realidade, é o cotidiano e seus detalhes banais. A aproximação com a realidade ocorre nos detalhes cotidianos, e não com uma visão romantizada do grandioso.
    Um poema em que também ocorre uma perspectiva de fuga do senso comum é o “Porquinho-da-Índia.”

    Porquinho-da-Índia
    Quando eu tinha seis anos
    Ganhei um porquinho-da-índia.
    Que dor de coração me dava
    Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
    Levava ele prá sala
    Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
    Ele não gostava:
    Queria era estar debaixo do fogão.
    Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…
    – O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.
    Pode-se comparar a perspectiva do eu-lírico do Poema do beco, com a perspectiva do porquinho da índia. Enquanto o eu-lírico do Poema do beco prefere e aceita a condição do beco, um lugar que não é de preferência do senso comum, o porquinho também prefere o lugar menos esperado, debaixo do fogão. Ambos os lugares não são belos e nem limpos, não tem motivo de romantização, demonstrando assim a assumida escolha pela realidade.
    Nas duas perspectivas há uma critica a valorização confortável do belo, feito pelo senso comum. O eu-lírico e o porquinho se rebelam contra um comportamento esperado, procurando uma nova perspectiva da realidade experienciada.
    Além da perspectiva do senso comum, outro aspecto do “Poema do beco” já citado, e recorrente na produção literária de Manuel Bandeira é o zoom, a aproximação da imagem. Com essa aproximação acontecendo como uma redução do macro da imagem, e detalhamento do micro, acontece também uma quebra de expectativa. Assim como no poema a seguir.
    Rondó do Palace Hotel
    No hall do Palace o pintor
    Cícero Dias entre o Pão
    De Açúcar e um caixão de enterro
    (É um rei andrógino que enterram?)
    Toca um jazz de pandeiro com a mão que o Blaise Cendrars perdeu na guerra.

    Deus do céu, que alucinação!
    Há uma criatura tão bonita
    Que até os olhos parecem nus:
    Nossa Senhora da Prostituição!
    -“Garçom, cinco martínis!” Os
    Adolescentes cheiram éter
    No hall do Palace.

    Aqui ninguém dá atenção aos préstitos
    (Passa um clangor de clubes lá fora):
    Aqui dança-se, canta-se, fala-se
    E bebe-se incessantemente
    Para esquecer a dor daquilo
    Por alguém que não está presente
    No hall do Palace.
    Com o título se espera algo luxuoso, rico e belo. Mas a com a aproximação da imagem revela-se a realidade do espaço do poema. Assim como o poema do beco ocorre uma contradição visual, o hotel luxuoso e os sofrimentos dos sujeitos. Em meio ao luxo os vícios e o descontentamento humano, por fim a justificativa a dor da ausência. O zoom acontece do espaço do hotel para o comportamento humano.
    A contradição acontece também no profano e sagrado “Deus do céu, que alucinação/Há uma criatura tão bonita/Que até os olhos parecem nus:/Nossa senhora da prostituição”. O eu-lírico faz interlocução com Deus, para profanar um símbolo da religião católica. Assumindo assim o pecado, a falha humana.
    Mesmo com todo o belo do luxo, focaliza-se na angústia do humano e seus defeitos, quebrando assim a expectativa e evidenciando o real da existência.

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  14. Análise dos poemas “Flores Murchas” que se encontra no livro Libertinagem e “Pensão Familiar” em Estrela da Manhã.

    FLORES MURCHAS
    No poema é estabelecido uma comparação entre a infelicidade das crianças e suas esperanças a imagem de flores murchas. Na primeira estrofe o eu-lírico compara as crianças a flores murchas, pois sendo as primeiras desamparadas, não recebem os cuidados necessários para “desabrocharem”. Na segunda estrofe o eu-lírico apresenta a marca de primeira pessoa ao comentar que as crianças imersas na miséria e abandono perdem suas esperanças assim como o eu-lirico também perdeu as suas cedo. Em seguida, na terceira e quarta estrofes é construída a imagem dessas crianças: crescem sem uma imagem de pai e mãe, são “uniformizadas” pela pobreza por todas apenas vestirem-se de mortalhas, roupas com que se vestem defuntos, por recebem apenas trapos de doações. As pessoas que as encontram nas ruas nada dizem, nada as dão, a não ser olhares de pena. E finaliza a quinta estrofe estabelecendo novamente uma comparação com suas próprias esperanças.

    PENSÃO FAMILIAR
    Apesar do título “Pensão Familiar”, o poema apresenta figuras como os gatos, a tiririca, o sol, gosmilhos, girassóis e dálias, sendo composto por uma única ação efetiva: a do gato “fazer pipi” e “encobrir a mijadinha”.
    Nas entrelinhas o autor apresenta neste poema de forma bem humorada uma cena cotidiana retratando diversos moradores de uma pensão e faz sutis criticas a capacidade que alguns membros da sociedade tem de “esconder algo debaixo do tapete” e desta mesma forma sair impune. O eu-lírico cita um gatinho que faz “pipi” e depois o compara a um garçom que com toda naturalidade encobre a “mijadinha”. Em seguida reforça sua superioridade quando uma patinha demonstra admiração por este como sendo superior aos demais por sua elegância.

    Nos dois poemas fica bem claro a perspectiva do beco, pois Manuel Bandeira trabalha nestes fatos do cotidiano, como o retrato de crianças que crescem sem a menor estrutura familiar ou alguém ter um ato moralmente errado e ainda encobri-lo com a maior naturalidade. Em ambos os poemas a sociedade observa a cena crítica sem nenhuma intervenção mostrando a falta de reflexão acerca do que ocorre com o outro.

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  15. Libertinagem-Manuel Bandeira
    Poema: “Poema tirado de uma notícia de jornal”
    Este é um poema narrativo em que o eu-lírico narra de forma neutra e objetiva, a história de João Gostoso. Ele não possui características precisas e por isso representa uma alegoria de muitos brasileiros que vivem na marginalidade das grandes cidades brasileiras que segue seu destino para morte e converte-se num anonimato de ocorrência policial. A linguagem simples não atribui importância alguma à morte do homem do povo.
    Esse poema representa o princípio para o fim, de forma a revelar a frieza com que a impressa dispensa às pessoas comuns.
    Estrela da manhã-Manuel Bandeira
    Poema: “Momento num Café”
    O poema descreve um cortejo sendo observado por homens num café. Alguns homens distraídos saudavam o morto de forma automática, enquanto um saudava de forma respeitosa.
    Nesse poema o eu-lírico se põe como observador dos fatos, como alguém que consegue enxergar a meditação do homem acerca da morte, além do que vê na superfície dos acontecimentos.
    Manuel Bandeira fez seus poemas a partir das coisas banais do dia a dia, nos fazendo refletir sobre o outro lado da moeda, assuntos do cotidiano que não damos importância ou não prestamos atenção, e é isso que a chamada ‘estética do beco’ nos mostra, uma perspectiva diferente das coisas por meio de coisas simples. Essa estética é encontrada nos dois poemas escolhidos, a partir de coisas rotineiras, como a morte de João depois de uma noite de diversão no bar sendo descrita de forma simples e banal, e como a reverência sincera de um homem ao morto durante um momento num café, nos fazendo observar essa beleza tristonha e refletir sobre ela.

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  16. Comentário sobre os poemas: “O amor, a poesia, as viagens”, que encontra-se no livro “Estrela da manhã” e “Andorinha”, em “Libertinagem”. Destacando a perspectiva do beco, presente na lírica de Manuel Bandeira.

    O AMOR, A POESIA, AS VIAGENS
    Atirei um céu aberto
    Na janela do meu bem:
    Caí na Lapa – um deserto…
    – Pará, capital Belém!…

    A perspectiva do beco encontra-se nesse poema, na quebra de expectativa provocada na passagem do terceiro para o quarto verso. O fato de o eu lírico ter atirado um céu aberto e ter caído na Lapa, relaciona-se ao albatroz de Baudelaire, uma vez que o eu lírico, do primeiro caso, vai do céu à Lapa, lugar que pra ele significava um deserto. Nesse sentido, Bandeira apresenta um detalhe cotidiano, a passagem do macro para o micro, uma mudança para a Lapa e a lembrança de Belém.

    ANDORINHA
    Andorinha lá fora está dizendo:
    – “Passei o dia à toa, à toa!”

    Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
    Passei a vida à toa, à toa…

    Nesse caso, a perspectiva do beco pode ser percebida na subjetividade do poema. O tema surge de dentro, é uma reflexão de vida. Inclusive, o eu-lírico é pessoal, uma vez que apresenta marcas linguísticas de primeira pessoa, como o pronome possessivo “minha”, por exemplo. Além disso, é possível deduzir que o espaço de fala do eu-lírico é de dentro, já que no primeiro verso fica claro que a andorinha está do lado de fora.

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  17. Um poema que para mim reflete a “estética do beco” no livro “Libertinagem” do Manuel Bandeira é o poema “O cacto”:
    Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
    Laocoonte constrangido pelas serpentes,
    Ugolino e os filhos esfaimados.
    Evocava também o seco Nordeste, carnaubais, caatingas…
    Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.

    Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
    O cacto tombou atravessado na rua,
    Quebrou os beirais do casario fronteiro,
    Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
    Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou
    [a cidade de iluminação e energia:

    – Era belo, áspero, intratável.

    Nesse poema, Bandeira retrata um cacto parecendo estar sendo atacado assim como a estátua de Lacoonte e condenado até o fim dos tempos que nem Ugolino, fora do seu ambiente natural – o seco do Nordeste, dos carnaubais, das caatingas…-. A estética do beco pode ser percebida ainda mais na segunda estrofe, o cacto caído destruiu uma casa, impediu o trânsito e deixou a cidade sem energia, atrapalhou a vida de muita gente, mas para o eu lírico o cacto alí, caído, ” – Era belo, áspero, intratável.”, ele viu a beleza do cacto ao invés da desordem causada por ele, diferentemente de todas as outras pessoas.

    Um poema que reflete essa mesma estética no livro “Estrela da manhã” também do Manuel Bandeira é o poema “Tragédia brasileira”:
    Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa, – prostituída, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura… Dava tudo quanto ela queria.
    Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
    Viveram três anos assim.
    Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.
    Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos…
    Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

    Nesse texto nos é apresentada uma história relativamente comum ao cotidiano, mas a “estética do beco” está principalmente no último parágrafo; Maria Elvira foi encontrada deitada de barriga para cima, com uma roupa de tecido caro na cor azul que significa transparência e eternidade. Ao invés de nos informar onde os tiros acertaram, onde estava o assassino ou outra coisa que normalmente seria comentada, somos informados de como a vítima estava vestida, deixando claro essa estética ao valor das pequenas coisas, as coisas que dificilmente seriam percebidas.

    BANDEIRA, M. Libertinagem & estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,2005.

    Usei pra entender:
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Laocoonte
    http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT446107-1664,00.html

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  18. O objetivo desta análise é refletir sobre dois poemas de Manuel Bandeira, um do livro “Libertinagem” e o outro do livro “Estrela da manhã”, tendo como perspectiva o poema “O beco”.
    Beco, segundo o dicionário Aurélio, é uma rua estreita e curta, por vezes sem saída. Tendo esta informação em vista, pode-se afirmar que, neste poema, o poeta enaltece as coisas simples do cotidiano, e não apenas as paisagens usualmente já admiradas e contempladas.
    Sendo assim, os poemas “Poética” e “Flores Murchas” podem ser analisados sob a mesma perspectiva.

    Poética
    Estou farto do lirismo comedido
    Do lirismo bem comportado
    Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
    protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
    Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
    o cunho vernáculo de um vocábulo.
    Abaixo os puristas
    Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
    Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
    Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
    Estou farto do lirismo namorador
    Político
    Raquítico
    Sifilítico
    De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
    fora de si mesmo
    De resto não é lirismo
    Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
    exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
    maneiras de agradar às mulheres, etc
    Quero antes o lirismo dos loucos
    O lirismo dos bêbedos
    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
    O lirismo dos clowns de Shakespeare

    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

    Flores Murchas
    Pálidas crianças
    Mal desabrochadas
    Na manhã da vida!
    Tristes asiladas
    Que pendeis cansadas
    Como flores murchas!

    Pálidas crianças
    Que me recordais
    Minhas esperanças!

    Pálidas meninas
    Sem amor de mãe,
    Pálidas meninas
    Uniformizadas,
    Quem vos arrancara
    Dessas vestes tristes
    Onde a caridade
    Vos amortalhou!

    Ai quem vos dissera,
    Ai quem vos gritara:
    — Anjos debandai!

    Mas ninguém vos diz
    Nem ninguém vos dá
    Mais que o olhar de pena
    Quando desfilais,
    Açucenas murchas,
    Procissão de sombras!

    Ao cair da tarde
    Vós me recordais
    — Oh meninas tristes! —
    Minhas esperanças!
    Minhas esperanças
    — Meninas cansadas,
    Pálidas crianças
    A quem ninguém diz:
    — Anjos, debandai!…

    No primeiro poema o eu-lírico faz uma crítica ao lirismo comedido e bem comportado, ou seja, as “poesias perfeitas” do parnasianismo e as formas estéticas desse movimento. Antigamente, a arte era vista com limitações em suas formas, como algo separado do cotidiano e para poucos. Bandeira expressa a idéia que não é preciso todo esse rebuscamento na poesia para criar uma obra de arte. Este poema possui dois movimentos. No começo é dito tudo o que ele não quer e do que ele esta farto, como um lirismo de funcionário público, ou seja, regrado e um lirismo com palavras difíceis. Em um segundo movimento, o eu-lírico descreve tudo aquilo que ele almeja na poesia, que seria o lirismo dos loucos e dos bêbados, um lirismo sem razão. Sendo assim, o poeta olha mais uma vez para o simples e não para o rebuscado, assim como no poema “O beco”.
    Já no poema “Flores Murchas”, o eu-lírico fala de crianças desamparadas e as comparam com flores murchas. Sem carinho e cuidado, as flores não conseguem desabrochar, assim como as crianças descritas. Nota-se que Manuel Bandeira possui um olhar para o que não é tido como belo e um olhar para os menos favorecidos e um olhar solidário.
    Na segunda estrofe, o eu-lírico fala sobre a esperança perdida por estas crianças em estado de miséria, assim como ele perdeu em sua infância.
    Bandeira encontrou na poesia uma forma de denunciar a banalização com os marginalizados e com a realidade cruel que açoita tudo aquilo e aqueles que não são olhados e cuidados.

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  19. Comentário sobre os poemas “Momento num café”, do livro Estrela da manhã e “Andorinha” do livro Libertinagem, segundo a perspectiva de “Poema do beco”, de Manuel Bandeira.

    Perspectiva:

    Poema do Beco
    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    – O que eu vejo é o beco.

    Momento num café

    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.

    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

    O poema tem o eu-lírico impessoal, retrata a morte como um lugar de destaque, alguns homens que estavam reunidos para o momento do café, observam o enterro que esta a passar, como gesto de saudação retiram seus chapéus. Antes de o enterro passar, todos os homens que ali estavam presentes estavam curtindo sua vida, sem pensar no quão rápido é a passagem do ser humano na Terra. Como no poema do beco, Bandeira deixa evidente a beleza na simplicidade, no poema a reflexão sobre a vida e a morte vem acompanhada dessa simplicidade que define a poética. A descoberta de que a vida não tem finalidade é feita sem drama ou sofrimento, e é essa descoberta que permite constatar a morte como libertação final da matéria.
    Portanto ao retratar uma típica cena cotidiana o autor mostra as características da poesia modernista, sua constante proximidade com a morte, a simplicidade na beleza e, a reflexão de vida e morte que ao observar com a perspectiva do Beco os homens enxergaram a vida além do que um momento no café e sim que é agitação sem finalidade.

    Andorinha

    Andorinha lá fora está dizendo:
    -“Passei o dia à toa, à toa!
    Andorinha, minha cantiga é mais triste!
    Passei a vida à toa, à toa…

    No poema Andorinha a linguagem utilizada que é a primeira pessoa do singular, o autor relata a lamentação do narrador ao perceber que em toda sua vida não fizeste nada, e que tem passado a vida à toa. O narrador faz essa analise de sua vida ao ver uma Andorinha cantar. O que se entende é que ele acha que as andorinhas passam os dias à toa, somente voando e cantando e isso para ele é tem relação com sua vida, na qual talvez não tenha feito nada além de reclamar.
    O lamento do poeta é ter passado a vida, também indolentemente, sem nada que marcasse sua passagem pelos caminhos percorridos, ambos não deixaram marcas, uma num dia de vida e o outro na vida inteira.
    Com relação à perspectiva do beco, o narrador ao analisar uma simples andorinha que sua simplicidade consiste em voar e catar insetos para os filhotes comerem, ele faz uma analogia que um animal tem um dia ruim e à toa, enquanto ele teve sua vida inteira sem sequer construir um legado, onde ele deixa claro que ser um andorinha é muito mais fácil do que viver a vida que ele tem.

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  20. Comentário sobre os poemas “Momento num café”, do livro Estrela da manhã e “Andorinha” do livro Libertinagem, segundo a perspectiva de “Poema do beco”, de Manuel Bandeira.

    Perspectiva:

    Poema do Beco

    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    – O que eu vejo é o beco.

    Momento num café

    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.

    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

    O poema tem o eu-lírico impessoal, retrata a morte como um lugar de destaque, alguns homens que estavam reunidos para o momento do café, observam o enterro que esta a passar, como gesto de saudação retiram seus chapéus. Antes de o enterro passar, todos os homens que ali estavam presentes estavam curtindo sua vida, sem pensar no quão rápido é a passagem do ser humano na Terra. Como no poema do beco, Bandeira deixa evidente a beleza na simplicidade, no poema a reflexão sobre a vida e a morte vem acompanhada dessa simplicidade que define a poética. A descoberta de que a vida não tem finalidade é feita sem drama ou sofrimento, e é essa descoberta que permite constatar a morte como libertação final da matéria.
    Portanto ao retratar uma típica cena cotidiana o autor mostra as características da poesia modernista, sua constante proximidade com a morte, a simplicidade na beleza e, a reflexão de vida e morte que ao observar com a perspectiva do Beco os homens enxergaram a vida além do que um momento no café e sim que é agitação sem finalidade.

    Andorinha

    Andorinha lá fora está dizendo:
    -“Passei o dia à toa, à toa!
    Andorinha, minha cantiga é mais triste!
    Passei a vida à toa, à toa…

    No poema Andorinha a linguagem utilizada que é a primeira pessoa do singular, o autor relata a lamentação do narrador ao perceber que em toda sua vida não fizeste nada, e que tem passado a vida à toa. O narrador faz essa analise de sua vida ao ver uma Andorinha cantar. O que se entende é que ele acha que as andorinhas passam os dias à toa, somente voando e cantando e isso para ele é tem relação com sua vida, na qual talvez não tenha feito nada além de reclamar.
    O lamento do poeta é ter passado a vida, também indolentemente, sem nada que marcasse sua passagem pelos caminhos percorridos, ambos não deixaram marcas, uma num dia de vida e o outro na vida inteira.
    Com relação à perspectiva do beco, o narrador ao analisar uma simples andorinha que sua simplicidade consiste em voar e catar insetos para os filhotes comerem, ele faz uma analogia que um animal tem um dia ruim e à toa, enquanto ele teve sua vida inteira sem sequer construir um legado, onde ele deixa claro que ser um andorinha é muito mais fácil do que viver a vida que ele tem.

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  21. No poema Marinheiro Triste, do livro Estrela da Manhã, é possível perceber um traço de angústia existencial, seja ela do marinheiro, seja do eu-lírico. Deste, ela é proveniente, provavelmente, pela falta de perspectiva na vida. Pode-se dizer que o dia de amanhã não é visto como renovador das forças vitais, isto é, não trará a redenção necessária àquela vida sem esperanças. No entanto, assim como no poema Poema do beco, o eu-lírico parece resignado com que a vida lhe reservou. Se, para alguns, há um horizonte largo à espera, como no caso do marinheiro, para o eu-lírico resta apenas o beco, aquele caminho sombrio, sujo, estreito e, muitas vezes, sem saída.
    No livro Libertinagem, o Poema tirado de uma notícia de jornal traz uma perspectiva similar aos citados anteriormente. Esse poema aborda a vida de João Gostoso, mais um brasileiro que vive nos becos da cidade do Rio de Janeiro. Assim como tantos outros, ele vive à margem da sociedade e, consequentemente, da vida. Sem perspectiva alguma de ascensão social, resolve dar cabo da própria vida, atirando-se na Lagoa Rodrigo de Freitas. João não se resignou com o beco, como os outros fizeram. O peso dessa condenação social o fez optar pelo suicídio, a resposta achada por ele ao absurdo da vida.

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  22. Em “Poema tirado de uma notícia de jornal” (Libertinagem), a perspectiva do beco como uma nova significação do que é belo pode ser percebida no último ato de João Gostoso, que manifestou diversas ações usualmente vistas como alegres (beber, cantar, dançar), mas, ao fim, atirou-se na lagoa.
    Já em “Declaração de amor” (Estrela da manhã), o eu lírico confessa que guarda amoráveis recordações de Juiz de Fora: um fundo de chácara na Rua Direita coberto de trapuerabas”, o que não é o que se comumente se espera quando se fala em alguma lembrança ou paisagem amorável, assim como quando ele cita o beco (Poema do beco).

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  23. A perspectiva de “O Beco” em dois poemas de Libertinagem e Estrela da Manhã respectivamente.

    O MAJOR
    Manuel Bandeira

    O major morreu.
    Reformado.
    Veterano da Guerra do Paraguai.
    Herói da ponte do Itororó.
    Não quis honras militares.
    Não quis discursos.

    Apenas
    À hora do enterro
    O corneteiro de um batalhão de linha
    Deu à boca do túmulo
    O toque de silêncio.

    A perspectiva de o beco envolve a visão pessimista das coisas, por mais bela que sejam as outras coisas ao redor e a simplicidade perto da grandiosidade. Nessa obra, tanto a morte quanto o enterro do major são fatos simples, de cumplicidade. O toque de silencio é o anuncio discreto de sua partida. Ele preferiu a não grandiosidade pelo singelo.

    MOMENTO NUM CAFÉ
    Manuel Bandeira

    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.

    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

    Em “Momento num café”, a morte se faz presente, como a maioria dos poemas de Bandeira. Vemos que, desta visão, a vida não tem finalidade e que a morte se encaixa aí simplesmente para a liberdade. Com os atos cotidianos do poema, percebemos que que podemos ver beleza no simples, por sua constante proximidade com a morte.

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  24. Andrei

    Para comentar sobre a “perspectiva do beco”, escolhi o poema Mulheres, do livro Libertinagem, e momento num café, de Estrela da manhã.
    Com fortes referências do cotidiano e uso de palavras tidas como não-poéticas, Manoel Bandeira no Poema do Beco, consegue em apenas dois versos ampliar o sentido pela linguagem poética. Neste poema, o eu-lírico consegue ver beleza, paz e poesia onde normalmente não há: em um beco. Isto também ocorre no poema Mulheres, onde o poeta descreve que toda mulher, até mesmo as feias, tem sua beleza; tem sua poesia.
    No poema Momento num café, do livro estrela da manhã, Bandeira traz o ambiente urbano e nos coloca como observadores de fatos a cerca de um enterro. Quando este passa, os homens que estavam no café tiraram o chapéu maquinalmente. Temos ainda a observação detalhada do gesto longo e demorado, na retirada do chapéu de um dos homens.
    Esta ação considerada respeitosa em muitas cidades do interior foi colocada como rotineira; costume; praxe. Poetizando o cotidiano, o comum, como um simples enterro ou o esquecido beco.

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