Questões Anchieta (2º período)

TEMA

Após a cena do martírio de São Lourenço, Guaixará chama Aimbirê e Saravaia para ajudarem a perverter a aldeia. São Lourenço a defende, São Sebastião prende os demônios. Um anjo manda-os sufocarem Décio e Valeriano. Quatro companheiros acorrem para auxiliar os demônios. Os imperadores recordam façanhas, quando Aimbirê se aproxima. O calor que se desprende dele abrasa os imperadores, que suplicam a morte. O Anjo, o Temor de Deus, e o Amor de Deus aconselham a caridade, contrição e confiança em São Lourenço. Faz-se o enterro do santo. Meninos índios dançam.

 

(…)

SEGUNDO ATO

(Eram três diabos que querem destruir a aldeia com pecados, aos quais resistem São Lourenço, São Sebastião e o Anjo da Guarda, livrando a aldeia e prendendo os tentadores cujos nomes são: Guaixará, que é o rei; Aimbirê e Saravaia, seus criados)

 

GUAIXARÁ

Esta virtude estrangeira

Me irrita sobremaneira.

Quem a teria trazido,

com seus hábitos polidos

estragando a terra inteira?

 

Só eu

permaneço nesta aldeia

como chefe guardião.

Minha lei é a inspiração

que lhe dou, daqui vou longe

visitar outro torrão.

 

Quem é forte como eu?

Como eu, conceituado?

Sou diabo bem assado.

A fama me precedeu;

Guaixará sou chamado.

 

Meu sistema é o bem viver.

Que não seja constrangido

o prazer, nem abolido.

Quero as tabas acender

com meu fogo preferido

 

Boa medida é beber

cauim até vomitar.

Isto é jeito de gozar

a vida, e se recomenda

a quem queira aproveitar.

 

A moçada beberrona

trago bem conceituada.

Valente é quem se embriaga

e todo o cauim entorna,

e à luta então se consagra.

 

Quem bom costume é bailar!

Adornar-se, andar pintado,

tingir pernas, empenado

fumar e curandeirar,

andar de negro pintado.

 

Andar matando de fúria,

amancebar-se, comer

um ao outro, e ainda ser

espião, prender Tapuia,

desonesto a honra perder.

 

Para isso

com os índios convivi.

Vêm os tais padres agora

com regras fora de hora

prá que duvidem de mim.

 

Lei de Deus que não vigora.

Pois aqui

tem meu ajudante-mor,

diabo bem requeimado,

meu bom colaborador:

grande Aimberê, perversor

dos homens, regimentado.

 

(Senta-se numa cadeira e vem uma velha chorar junto dele. E ele a ajuda, como fazem osíndios. Depois de chorar, achando-se enganada, diz a velha)

 

VELHA

O diabo mal cheiroso,

teu mau cheiro me enfastia.

Se vivesse o meu esposo,

meu pobre Piracaê,

isso agora eu lhe diria.

 

Não prestas, és mau diabo.

Que bebas, não deixarei

do cauim que eu mastiguei.

Beberei tudo sozinha,

até cair beberei.

 

(a velha foge)

 

GUAIXARÁ

(Chama Aimberê e diz:)

Ei, por onde andavas tu?

Dormias noutro lugar?

 

AIMBIRÊ

Fui as Tabas vigiar,

nas serras de norte a sul

nosso povo visitar.

Ao me ver regozijaram,

bebemos dias inteiros.

 

Adornaram-se festeiros.

Me abraçaram , me hospedaram,

das leis de deus estrangeiros.

 

Enfim, confraternizamos.

Ao ver seu comportamento,

tranqüilizei-me. Ó portento!

Vícios de todos os ramos

tem seus corações por dentro.

(…)

 

ANCHIETA, José de. Auto representado na Festa de São Lourenço, Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro – Ministério da Educação e Cultura, 1973.

 

 

  1. A partir da leitura do trecho acima, comente a afirmação de Alfredo Bosi sobre a literatura de Anchieta.

 

“A nova representação do sagrado assim produzida já não era nem a teologia cristã nem a crença tupi, mas uma terceira esfera simbólica, uma espécie de mitologia paralela que só a situação colonial tornara possível.” (BOSI, Alfredo.”Anchieta ou as flechas opostas do sagrado”, in Dialética da colonização. São Paulo: Cia das Letras, 2010)

 

  1. Comente como o mal era considerado por Anchieta e explique o propósito dessa caracterização.

38 comentários sobre “Questões Anchieta (2º período)

  1. 1. Alfredo Bosi achou que os diálogos, os elementos da cultura indígena e os personagens tornam a obra de Anchieta singular, pelo simples fato de ter a influência da escola vicentina que é apenas uma base para uma nova fase de arte que e torna o auto-anchietano original.
    Bosi também afirma que as obras de Anchieta parece ser muito simular às obras de Gil Vicente, pois ele inovara também a forma de teatro popular em Portugal. Ambos adaptaram ao estilo popular. Bosi nos lembra que uma visão do mundo nasceu a partir da destruição do mundo dos nativos da costa leste-sul-americana e a cultura cristã ocidental dos ibéricos formando uma terceira esfera cultural.
    2. Para Anchieta a aculturação católico-tupi foi repartida em duas tribos diferentes. De um lado, o mal, o reino de Anhanga, que assume o estatuto de um ameaçador Antideus, o Demônio hipertrofiado das fantasias medievais. O diabo aparece caracterizado com nome e comportamento indígena, sendo castigado pelo santo que dá nome à peça, o propósito dessa caracterização é que o objetivo maior de Anchieta era catequizar os índios, aproximando-se deles, principalmente das crianças por achar que era mais fácil converter ao cristianismo, por estarem menos habituadas aos ritos indígenas.

    Marjorie Battonyai Gemelli de Oliveira
    2 semestre de Letras

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  2. 01) Quando Bosi afirma que existira “uma terceira esfera simbólica, uma espécie de mitologia paralela” ele refere-se á aculturação – ato de sujeitar um povo – praticada por Anchieta. Sua literatura era catequizadora, isto é, ele usava desta para impor a religião católica aos índios.
    Anchieta fazia uma espécie de mistura entre o catolicismo e as crenças indígenas. Em sua literatura as entidades cultuadas pelos índios eram representadas como demônios. O catequista também inventava novas palavras em tupi para explicar aos índios que os rituais praticados por eles, como o canibalismo, eram pecados.
    02) Para Anchieta, o mal eram os ritos praticados pelos índios – o canibalismo, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, a pintura corporal e o culto á entidades desconhecidas pelos portugueses. Essas características da cultura indígena eram vistas como pecado aos olhos de Anchieta pois ele era católico, ou seja, a ideia de Deus e demônio já estavam consolidadas em sua cabeça, e os atos praticados pelos índios, pela visão do catolicismo são pecaminosos. Assim, Anchieta usava da literatura para convencer os índios do certo e errado aos olhos da religião católica.

    Julia Bonani, 2º Semestre

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  3. 1- No trecho de Bossi, ele fala de um conflito entre as culturas, consegue-se vê perfeitamente que no texto de Anchieta tem referencias cristas e ao mesmo tempo há referencias indignas; Anchieta estava em um processo de catequizar os indignas.
    O Padre Anchieta queria passar a mensagem da igreja Católica para os nativos mas os indignas já tinham sua própria a crença e acabavam tendo uma certa dificuldade para compreender algumas mensagens da Igreja Católica, claramente o padre Anchieta teve uma ideia de substituir alguns dos nomes da igreja para o vocabulario dos nativos, fazendo com que assim eles tenham um entendimento melhor, no livro do Alfredo Bossi é possível ver alguns dos exemplos, como ele cita: “Bisto é Pai-guaçu, que quer dizer, pajé maior. Nossa Senhora as vezes aparece sob o nome de Tupansy, mãe de Tupã. O reino de Deus é tupãretama..” com isso acabou-se criando uma certa religião paralela, onde tinha os sermões, a historia da igreja católica porem com nomes modificados para o entendimento dos indignas, uma coisa que somente a colonização pode fazer.
    Acaba acontecendo um choque entre religiões, até porque o Anchieta ele não queria preservar a religião dos nativos, ele queria apenas transformar os nativos em católicos.

    2- Achieta era um padre, então sua visão será totalmente voltada a religião cristã, na sua representação do Diabo (Anhanga) podemos perceber que cultuava os mortos, praticava antropologia, poligamia e todos os prazeres da carne que de acordo com a igreja Católica são pegados severos. Anchieta não aceitava a religião dos nativos, fazendo então a representação do “mal” de acordo com aquilo que os índios viviam, tentando mostrar pra eles que aquilo era uma coisa errada, que tinham espíritos malignos por todo lado em todo o momento.

    Thayara Damasceno
    Letras- 2 semestre

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  4. Eduardo Antenor Benedito Paes dos Santos
    2 semestre de Letras

    1. A representação do sagrado de acordo com a afirmação do Bosi não era nem teologia cristã, nem a crença tupi, existia uma metodologia paralela que só a situação colonial tornara possível, tal mitologia paralela teve sua existência pelo fato que teve um processo de aculturação que foi passada pela catequização.
    O processo de aculturação de acordo com os estudos feito pelo Bosi sobre Anchieta em seu livro “Dialética da Colonização” no segundo capítulo, funcionava como um método de tradução entre os jesuítas e os tupis, jesuítas retratavam os seres místicos tupis com o dos cristãos. Com essas comparações foram impondo para os tupis a cultura cristã, por meio das catequeses alegóricas com o uso de símbolos e linguagem foram colocando limites, regras para serem seguidas, foram sendo perdidos costumes tupis, pois eram taxados como demoníacos, exemplos: a celebração tribal da comida, da bebida, da dança, das refeições antropofágicas.
    Levando-se em consideração esses aspectos houve uma mistura da teologia cristã com a crença tupi, na qual ocorreu aculturação, resultando-se em uma terceira esfera na sociedade colonial.

    2. Após o contato de Anchieta com os rituais indígenas dos tupis se assustou com a tamanha diferença entre as culturas, taxando-os de barbárie, segundo estudos do Bosi, viu celebrações que havia atos de canibalismo, onde guerreiros que foram mortos em batalha eram comidos, presenciou tais atos como nada menos obra de Satanás. Em consequência disso o ” mal” para Anchieta eram os costumes tupis, porque apresentavam bastante brutalidade e libertinagem.

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  5. 1. A meu ver, entendo que quando Bosi falou sobre o surgimento de uma terceira esfera simbólica, uma mitologia paralela que não era nem da crença tupi ou teologia cristã, consiste no fato de que quando os missionários tentavam implantar sua fé cristã conhecida na sua terra, Portugal, eles faziam alegorias na intenção de mostrar aos índios o que era um anjo, demônio, Jesus ou Deus de uma maneira que eles pudessem entender. Entretanto, para conciliar com o imaginário indígena, foi necessário aculturá-los esmagando suas próprias crenças indígenas, criando então essas esferas simbólicas, ou seja, originando para eles esse “universo” paralelo, baseado no código indígena com a cristã. Por exemplo, bispo é Pai-guaçu ou pajé maior. Os missionários a fim de catequizarem os índios criaram outra espécie de mitologia, como diz Bosi, pois dessa fusão complexa de idéias surgiu outra diferente, tanto para os missionários quanto para os índios.

    2. O mal era considerado como os maus hábitos dos indígenas, antropofagia, poligamia, a embriaguez pelo cauim e a inspiração do fumo dos xamãs. Já que na doutrina cristã há a dualidade de bem e mal, foi inserido esta concepção nos ritos e práticas dos índios. Além também de associar como espíritos infernais animais selvagens. A natureza que não se pode dominar. Por fim, o mal seria caracterizado pelo que os lusos tinham medo de encarar e sendo visto como perigosos.

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  6. 1- Bosi em seu texto “Anchieta ou as flechas do sagrado” explica e exemplifica como Anchieta e os padres jesuítas incorporavam em seus escritos a língua Tupi, para a catequização dos índios. Desta forma através da tradução era possível manifestar a doutrina cristã, que por vezes, na língua indígena não existia termos e significados que a cultura europeia teve que inserir. Por conta destas modificações alienadoras a doutrina católica e a cultura indígena foram sendo modificadas, o deus cristão agora era chamado de Tupi, que para os indígenas possuía a semântica de “senhor do tempo”, já que os nativos apresentavam medo de trovões, e quando esse fenômeno natural se manifestava era sinal que Tupi estava ‘bravo’ ou queria castigar a tribo. O deus para os índios, que criara a terra, o céu e a eles era chamado de Monã e não Tupi como os jesuítas colocavam. Por conta destas e de tantas outras modificações feitas tanto na moral cristã, e principalmente, nas práticas indígenas, acabou surgindo uma terceira mitologia, já que ambas tiveram de ser modificadas (sem dúvida, a crença indígena foi a mais transformada).
    As práticas indígenas possuíam muitos significados, mas para os missionários era errada e pecadora. Por conta disso, os jesuítas utilizavam das narrativas míticas que pareciam com a religião europeia para repassar e generalizar as ideias cristãs. Assim, era assentado cada vez com mais força os medos dos nativos (como o medo de espíritos) com os diabos do catolicismo.
    2- No “Auto de São Lourenço”, Anchieta utiliza-se de atitudes da cultura dos nativos como manifestações de maus hábitos, pecado, obra do diabo para os religiosos, como: “beber cauim, andar pintado, fumar, curandeirar, tingir pernas, comer um ao outro”. E para incorporar esse pensamento aos colonizados, usava-se de termos da língua tupi para caracteriza-los, como os diabos “Guaixar, Aimbirê e Saravaia”, e ainda da alegoria em seus escritos, que acabava por doutrinar, já que o uso deste recurso não deveria ser interpretado, como fazemos hoje, pois assumia um sentido completo. No texto os acontecimentos e os personagens católicos utilizavam-se da forma indígena de viver, o auto anchietano manifesta como pecado todas as características do povo nativo, e usa a ideia dos santos para inferiorizar os colonizados, impondo-lhes o pensamento de salvação da alma para aqueles que se tornassem cristãos.

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  7. Aluna: Julia Maria Cardoso de Campos Santos – 2 período, Letras.

    1) Com a vontade de implantar a religião católica, e tendo a religião/cultura indígena muito resistente, os colonos veem a necessidade de transformar suas figuras simbólicas com as dos índios, fazendo assim, uma associação da fala do índio com a pregada no cristianismo. A diversificação de sentido das palavras fundidas criam problemas em estabelecer uma imagem, uma representação simbólica para os índios dentro de sua cultura, como por exemplo o termo “karaibebê” que há interpretações diversas, com isso, o círculo sagrado dos indígenas vai enfraquecendo, dando assim, espaço para essa terceira esfera simbólica. Houve também uma demonização dos costumes tupis, e como tinham medo, os Jesuítas foram reforçando essa ideia, tirando cada vez mais suas raízes e implantando conceitos católicos, foi mantido somente figuras em que se era possível fazer uma relação com um Deus Criador,
    Somente a situação colonial a tornou possível justamente pelo fato dessa aculturação, desse espanto dos colonos com a religião desconhecida, e o preconceito com a mesma. Também pela força que a igreja tinha em todas as relações e em como tinha poder dentro da sociedade, podendo controlar, persuadir, matar e anular algo tão representativo.
    2) O mal era tudo aquilo que dava medo e/ou nojo, que lembrasse fenômenos mediúnicos e que ia contra ao cristianismo. Para Anchieta, era preciso amedrontar as pessoas, mostrando a cultura indígena o contrário do que se é, anulando-a como uma religião, mostrando-a como resultado de poderes de espíritos maus. Todo esse repúdio à cultura indígena veio do conflito de culturas, e tudo passou a ser diabolizado. Os costumes dos tupis, como por exemplo, beber cauim, que era algo que eles faziam com frequência, era algo do diabo, assim como as danças, o seu fumo, seus adornos e pinturas.
    No Segundo Ato, Guaixará, aparece sendo chefe guardião da aldeia, um diabo que quer prezar os pecados, alegando ser o mais forte e mais conceituado.

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  8. 1 – Durante o processo de tentativa de cristianização colonial, Anchieta procurou meios de construir uma relação entre o Deus e as formas do bem e do mal cristãs com os ícones de crença dos indígenas. O jesuíta criava obras para propagar a imagem do mau, relacionando-o com fenômenos já conhecidos dos nativos, tentando implantar na mente dos mesmos a ideia de salvação e redenção. Funcionou como uma adaptação da crença indígena para a fé cristã.
    Isso foi, porém, destruindo em passos largos a cultura nativa. Anchieta traduzia hábitos que eram diários e comuns aos indígenas como atos maldosos e abomináveis. A grande incoerência dessa adaptação de crenças ocorreu porque muito da religião europeia não fazia o mesmo sentido para os homens que eram cristianizados.
    O misto de símbolos e figuras divinas de Anchieta criou uma religião que não era indígena nem cristã, era algo inédito que existiu naquele momento de colonização. Analisando os fatos, não é possível deixar de apontar toda essa mudança como um caso de imposição cultural. Ensinar aos índios que suas práticas habituais e costumes eram intoleráveis era como tentar fazer com que um gato entendesse que jamais poderia caçar um rato porque é errado. Os nativos não estavam adquirindo novos modos de vivência, mas sim apagando toda uma história de tradições para construir outra.

    2 – A caracterização do mal, aos olhos de Anchieta, era o próprio índio. O ser que bebe, se pinta e dança, que luta e pratica canibalismo. A conduta indígena era repugnada pelos jesuítas e europeus e a mesma foi manipulada de forma a criar uma entidade diabólica que realizava todos os costumes maus. O objetivo do padre era fazer com que os nativos concebessem a noção de que as atividades praticadas em suas aldeias eram pecado, motivos de desonra. Usar um ícone que se aproximava muito dos colonizados tornava a compreensão muito mais provável.

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  9. Gabriela Landim do Nascimento – 2o sem.

    1) Ao chegar no Brasil e se deparar com toda a cultura e crença indígena, Anchieta mesclou elementos católicos com indígenas, a fim de melhor compreensão e empatia dos índios ao serem catequizados, criando uma terceira “religião”. Essa situação só seria possível no contexto da colonização pois ainda havia muito a ser aprendido, tanto por parte dos portugueses quanto dos índios.

    2) Anchieta vinculou o mal com os prazeres da vida, tais como beber, fumar, bailar, menciona os índios que vivam desse modo e como o Diabo aprovava seus costumes. Desse modo, o mal era representado pelos Diabos, mas é somente uma caracterização dos índios e da forma como viviam.

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  10. 1. O auto de José de Anchieta aborda um conteúdo religioso com intuito de catequização dos indígenas no Brasil. Os primeiros anos de trabalho foram com a finalidade de estudo e aquisição da linguagem, cultura e costumes indígenas. Bosi, no capitulo” Anchieta ou as flechas do sagrado” do livro Dialética da colonização, afirma que a poesia de José de Anchieta está aprofundada na devoção católica como um todo homogêneo, porem, se examinada de perto, esta revela diferenças internas de forma e sentido. O autor ainda conclui essa afirmação no trecho:
    “[…] a nova representação do sagrado assim produzida já não era nem a teologia cristã nem a crença tupi, mas uma terceira esfera simbólica, uma espécie de mitologia paralela que só a situação brasileira tornara possível.” (BOSI, 1996, p. 65).
    Com isso pode-se concluir que, Anchieta, segundo Bosi, utilizou de diversos macetes para a boa compreensão dos indígenas de seus ideais religiosos, tentado assim se aproximar cada vez mais da realidade dos nativos para poder implantar seus costumes, culturas e crenças de uma forma bem aceita pelos mesmos.

    2. São Lourenço, São Sebastião e o Anjo da Guarda representam a figura do bem, já o mal era caracterizado por entidades pagãs, ou seja, Guaixará, Aimbirê e Saravaia. Pode-se notar o uso dos nomes indígenas citados por Anchieta, e com essa nomenclaturas ele tem como intenção passar aos nativos um ar não tão bom dessas personagens do auto, fazendo assim com que estes aos poucos aceitassem a ideias de que os santos e entidades católicas se remetiam ao bem, aceitando de forma não agressiva a imposição da religião, e consequentemente da cultura e costumes portugueses.

    Giullia Quevedo, 2º semestre Letras.

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  11. 1- Ao fazer a peça, Anchieta queria passar uma moral para a população. Quando Bosi menciona que esse ato não representa uma ideia cristã nem uma tupi, mas uma terceira esfera, ele se remete ao início da colonização. Pois quando os portugueses chegaram no Brasil eles tinham em sua ideologia que a crença cristã era correta, e ao se depararem com os índios, ficam chocados, são costumes diferentes dos deles.
    E para poderem “educar” os índios, eles criam uma terceira esfera de religião, juntando a cristã com a tupi, para passar aos indígenas como agir, vestir, se portar.

    2- Para Anchieta o mal era algo que não prestava, algo que destruia as pessas, e em seu ato ele caracteriza o mal, com diversos adjetivos, mostrando como séria o jeito dele agir, de falar, de se portar.
    E esses “enfeites” representam as tentações que os indivíduos passam, nas horas de tomarem as decisões.

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  12. 1 – O que Bosi quis dizer nessa afirmação é que devido às adaptações feitas por Anchieta e os jesuítas, ao impor a fé cristã aos nativos, houve tantas modificações para que houvesse o entendimento, como chamar o Deus cristão de Tupi na língua dos nativos, já que alguns termos não existiam na língua dos nativos e isso acabou resultando no que Bosi chamou de uma terceira esfera simbólica, que continha aspectos da cultura indígena e da religião católica.
    2 – Anchieta considerava o mal tudo que ia contra a fé cristã, como beber cauim, fumar e etc. E para tentar convencer os nativos de que isso era errado, ele caracterizou esses maus hábitos e pecados, segundo a fé cristã, como os demônios “Guaixará, Aimbirê e Saravaia”. Foi feito uso dessa caracterização na tentativa de catequizar os indígenas, já que o modo de vida inteiro dos índios era considerado pecado, e era oferecida a salvação da alma àqueles que se tornavam cristãos.

    Thiago Carvalho dos Santos 2º Letras

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  13. Natacha Mazzucco, aluna do segundo semestre de Letras.

    1. Alfredo Bosi em seu texto “Anchieta ou as flechas opostas do sagrado” destaca o conflito entre o catolicismo e o tupi, a começar pelo título escolhido ao texto, que revela o interesse em acertar o “alvo”, que eram os índios, na representação das flechas e “oposto” como o retorno negativo no processo de tradução da língua, que deu origem a uma mitologia paralela devido também a aculturação dos povos indígenas. O autor ainda afirma que esse processo só foi possível nesse ambiente de colonização, que é um processo violento é que não extrai apenas matérias primas, mas também traços culturais significativos.
    2. É possível identificar uma ruptura no sagrado indígena introduzido por Anchieta no auto de São Lourenço, pelo diabo, uma figura do catolicismo, que é o oposto a Deus. E então, era caracterizado aos nativos o pecado por meio de alguns de seus costumes como o consumo de bebidas alcoólicas, que eram a base de mandioca, o fumo e as danças de rituais e com isso os nativos acreditavam que estavam “errados” e que Deus não estava com eles e os índios paravam de viver e praticar a sua cultura, tendo suas raízes modificadas.

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  14. 1-O Alfredo Bosi nos mostra a mistura religiosa,comportamental entre europeus e indígenas ,ocorrendo uma junção entre as mesmas,formando uma terceira esfera simbólica.Os índios começaram a ser catequizados e os europeus se confraternizaram nos rituais indígenas.
    2-O mal visto por Anchieta eram certos costumes indígenas;como andar pelado,o ritual do canibalismo,crença em deuses.Esses hábitos indígenas eram crenças religiosas,um exemplo claro é o canibalismo,pois o índio comendo o seu inimigo obteria a sua força e valentia.
    Aluno:Antonio Pedro Lola,2 Semestre de Letras,período noturno.

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  15. Beatriz Araújo
    (Letras, 2° período)

    1) Essa terceira esfera simbólica, a qual faz referência a um novo sagrado, fora criada a partir da mistura da teologia cristã e da crença tupi. Vejo essa terceira vertente como o resultado desse choque de culturas que só pôde ser criado no momento da colonização por conta do que aquele momento retratava. Esse cristianismo opressor não existe mais hoje, a partir da reforma protestante, quando novos ideais foram apresentados ao mundo, pudemos ver que não existia somente àquela maneira (catolicista) de servir a um Deus.
    Com isso, acredito que nos dias de hoje essa mitologia paralela não poderia ser criada, não ao menos, dessa mesma maneira.

    2) O mal retratado por Anchieta em o Auto de São Lourenço representado por Guaixará (encarnação indígena do diabo), Aimbirê e Saravaia (criados do diabo Guaixará) retrata nada além do que os próprios costumes e a cultura dos tupis. Faz alusão aos “maus hábitos” praticados pelos indígenas, o pecado, a embriaguez, a dança, adornar-se ou pintar-se, fumar, os rituais considerados como magia negra (tudo ao ponto de vista católico-cristão), etc.
    É provável que Anchieta tenha optado por essa caracterização para mostras àqueles que assistiriam ao Auto, o que eles não deveriam fazer, por ser imoral e contra os princípios cristãos. Vejo essa tentativa de manipular o indígena indiretamente (ou não), como uma forma de favorecer o processo de catequização.

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  16. 1) Anchieta havia chegado nas novas terras como um jesuíta, logo, sua missão era evangelizar os índios. No entanto, os índios não conseguiam compreender conceitos como céu, inferno, pecado e afins pois suas crenças não coincidiam com esse modo de pensar.
    Anchieta, entendo a situação, cria uma mitologia paralela, onde ele usa alguns conceitos tupi para fazer um paralelo com conceitos cristãos, de modo que os índios pudessem fazer um analogia às crenças já existentes.

    2) Anchieta usou algumas ideias tupis já existentes para explicar o mal segundo o cristianismo, de modo que ele condenava alguns hábitos de cultura tupi como o fumo, a bebida e alguns outros. Esse foi um modo de fazer os índios seguirem segundo a ideologia cristã, já que seu trabalho era a catequização, e dentro do cristianismo tais hábitos eram condenáveis.

    Gabriela Grazioli Garofalo Silva / sala 119 / noturno / Letras

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  17. 1) Podemos fazer ligação com a afirmação de Bosi e o trecho acima pois este trata-se de um tipo de texto, o alto, que era um teatro religioso utilizado para ensinar regras cristãs mas que ao mesmo tempo estava carregado das práticas culturais indígenas, criando a chamada terceira esfera simbólica. Tendo em mente que Anchieta veio ao Brasil como jesuíta e que seu foco era evangelizar os índios, fica mais fácil de entender essa esfera simbólica como uma junção das crenças praticadas pelos índios com o cristianismo dos jesuítas, uma vez que não era compreensível para os índios conceitos como céu e inferno. A partir disso dá se origem à mitologia paralela de Anchieta.

    2) Ao perceber que os indígenas não pensavam de acordo com o cristianismo, Anchieta fez uso de costumes tupis para passar a ideia do que era errado aos índios e assim dar sequência ao processo de catequização. Anchieta condenava “maus hábitos” como fumo, bebida, dança, pintar-se, entre outros por ser contra os princípios cristãos e também utilizou Guaixará, Aimbirê e Saravaia, estes encarnação indígena do diabo e crias de Guaixará, respectivamente, para representar o mal.

    Isadora Machado Silva Ferrari / Letras – 2º semestre

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  18. 1- O uso do idioma Tupi por parte de Anchieta, bem como o uso do poema e do teatro português, possibilitaram uma espécie de catequização católica por meio de um processo único de fusão cultural-religiosa. Anchieta utilizou a língua e mitologia tupi junto ao português europeu, não somente como uma via de comunicação, mas também uma ponte de ensinamento religioso. Juntando e assemelhando características da religião tupi com a simbologia e o valor cristão, Anchieta criava uma nova esfera simbólica que aproximava os nativos com mais facilidade a aceitação dos dogmas católicos. Começa a haver por parte do índio, uma identificação nos valores cristãos; já que ele passava a enxergar valores de sua própria religião no cristianismo.
    Essa junção criava então uma simbologia um tanto quanto original, uma vez que nem todo fator mitológico pudera ser adaptado. Dotado de certas incoerências linguísticas ou canônicas, devido a abrupta aculturação, essa terceira esfera simbólica já não era completamente cristã e tampouco tupi; era uma identidade nova criada pelo efeito colonizador.

    2- A partir da identificação e da cristalização dos bons valores cristãos, estabelecidos após um processo excepcional de aculturação simbológica (a religião tupi que começa aos poucos a ser cristianizada), Anchieta então passa a introduzir os valores opostos, os maus hábitos que devem ser banidos e passíveis de punição. A antropofagia, a poligamia, a embriaguez pelo caium e a pintura corporal, todos valores antigos tupis, que agora dentro de uma nova esfera simbológica muito mais cristã, passam a ser identificados como maléficos.
    E uma vez que os bons hábitos e os valores heroicos tupis passam a ser atribuídos a Jesus, e os maus e indesejáveis, bem como os espíritos ruins tupi passam a ser atribuídos a figura do Diabo, completa-se o processo de caracterização.

    Cauan Costa Perpétuo. Letras 2º período.

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  19. 1) Bosi defende que a colonização serviu de gênese a um processo de sincretismo religioso e cultural, que por sua vez originou uma cultura hibrida e alternativa, que apesar de muito ligada ao domínio moral cristão ainda era em alguma medida “demonstrativa” da cultura Tupi, por se apropriar de elementos dessa. Essa cultura hibrida pode ser entendida como uma apropriação de pontos culturais com o objetivo de transforma-los e devolve-los aos nativos, como uma contaminação dada pela choque de culturas e pelos interesses de sobrepor a cultura nativa de forma a parecer natural e espontânea. Bosi demonstra como figuras do imaginário Tupi foram associadas a figura do imaginário cristão criando correlações no que era possível e assim uma terceira via cultural que funcionaria como transição.

    2) Para pensar no significado do mal para Anchieta devemos entender seu papel como colonizador, seu lugar de fala, não só preso aos valores da moral cristã, mas também a moral e cultura de sua terra natal. Essa gama de costumes sociais e religiosos tornam o estranhamento natural, uma vez que o choque cultural se faz uma fonte interminável de “transgressões” e “pecados”. O estilo livre e ligado ao prazer faz parecer a Anchieta uma boemia portuguesa mais selvagem, e que por sua vez precisava ser combatida através de uma catequese não só religiosa, mas cultural, que ensinasse o “certo” e alterasse os costumes “pecaminosos” dos nativos.
    Erick Lucas Migoto Teodoro

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  20. 1) A terceira esfera simbólica dita por Bosi representa nada mais do que essa mitologia criada por Anchieta. Como se tratava de um processo de catequização, os membros da Companhia de Jesus haviam de achar um meio em que os índios pudessem entender que a sua crença e seus costumes eram maus, portanto decidiram “demonizar” a cultura indígena nessa nova esfera criada.

    2) A representação do mal criado por Anchieta nos personagens Guaixará, Aimberê e Saravaia é apenas uma alusão a cultura indígena da época. O padre usa de comparações com os costumes dos índios para associá-los ao mau, à tudo que os costumes católicos pregavam como sendo imoral. Portanto, como o objetivo era a catequização dos indígenas, a opção de criar uma nova mitologia acabou servindo bem a esse propósito.

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  21. Luiza Gama – 2° período, Letras

    1) Devido a situação colonial na qual houve um choque cultural, a necessidade de dominação vinda dos portugueses usou a religião como ferramenta principal para a realização deste fato. Porém, como a compreensão dos índios relacionada a certos termos poderia ser limitada houve uma mescla entre ambas formas de expressão – indígena e portuguesa – para um completo entendimento, criando assim uma terceira esfera simbólica.
    Essa esfera é muito retratada nos Autos de Anchieta, onde são usados elementos da cultura indígena de forma negativa manipulando os índios, fazendo com que se repugnassem dessas crenças e costumes e passassem a seguir as crenças e os costumes dos portugueses, facilitando assim a catequização e dominação.

    2) No Auto A festa de São Lourenço Anchieta usa entidades consideradas demoníacas na cultura tupi, e essas entidades vangloriam costumes básicos como: pintar-se, adornar-se, fumar e beber. Englobando assim todos os costumes e crenças indígenas e ligando-as a esse “mal” definido por Anchieta. O propósito dessa caracterização dada por Anchieta está diretamente ligado a necessidade de catequização dos índios, fazendo que todos que assistissem aos autos rejeitassem esses princípios e passassem a seguir os princípios cristãos.

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  22. Kimberly de Castro Nogueira 2º período/Letras

    Partindo do texto lido para responder tais questões, é possível argumentar que a afirmação de Alfredo Bosi a respeito da mitologia paralela criada pela situação colonial, está correta. A chamada Mitologia Paralela surgiu quando Anchieta, por meio de um processo de aculturação linguística, se utilizou das características fundamentais do indígena para inserir o ideário católico cristão que nutria o europeu. O problema desta transposição de significados é que a cultura indígena não era nutrida da noção polarizada entre um lado do bem e um lado do mal por exemplo, mas sim de uma unidade de espíritos que regiam a natureza e a vida em volta e, portanto, o poeta, num primeiro momento procura por enxertar o vocábulo português no idioma nativo e, assim cria a tal mitologia paralela onde por exemplo Tupã, que destrói em dimensões cósmicas, passa por um processo de fusão com Cristo, que ressuscita individualmente, tornando bem singular a situação em que Tupã entra na economia humanizada da encarnação cristã e tem mãe, tem casa e reino. A transposição de significados, no entanto, não para por aí, ela passa a ser seletiva quanto as partes da crença nativa que fossem semelhantes ao ideário cristão, ou seja, buscavam nas passagens míticas entidades e heróis civilizadores que pudessem associar a figuras existentes na bíblia. Mas, ao que tudo indica, os tupis não tinham em sua cultura o costume de prestar culto a qualquer entidade e assim, foi simples para o europeu deduzir que eles não tivessem religião e, portanto preencher este espaço vazio da comunidade nativa com a polaridade da religião católica, da qual falei anteriormente, se tornou necessário.
    O mal era na verdade todo o sistema ritual indígena, todas as suas práticas fundamentais que lhes davam identidade como participantes de sua comunidade, de modo que o indígena tinha práticas sacramentais como a antropofagia, tinha rituais onde a dança ia noites adentro, tatuagens, pinturas no corpo. A ausência de rituais consagrados a Tupã ou a qualquer outra entidade, causou, para o europeu, a necessidade de procurar outro lugar em que se fosse possível penetrar no ideário indígena afim de introduzir a ideologia cristã e, se depararam com o fato de que o centro vivo da cultura dos nativos estar no culto aos mortos, aí sim se encontrava a função das danças, da antropofagia, etc. Tal realidade dos fatos se tornou alvo a ser destruído pela pregação jesuítica, que tinha como maligno tudo o que a comunidade tinha como verdade, costume. Uma vez achado o alvo, o método utilizado para modelar a crença do indígena de acordo com a ideologia da época foi o de generalizar o medo aos espíritos, muito presentes no cotidiano do indígena, estende-lo a todas as entidades que se manifestavam nos transes, diabolizar toda cerimonia que abrisse caminho para a volta dos mortos.

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  23. A afirmação de Bosi condiz com a peça de Anchieta apresentada, onde é possível observar o amedrontamento do indígena a partir de sua própria realidade. Para catequisar e evangelizar o método escolhido foi a soma das religiões, onde os deuses e outros seres da cultura foram demonizados a fim de instaurar a ideologia cristã. No “Auto representado na Festa de São Lourenço” os diabos se se instalam junto aos indígenas devido à costumes como a pintura no corpo, a embriagues pelo cauim, a antropofagia, o fumo, o costume de bailar e até os adornos utilizados.
    Para Anchieta o mal era tudo aquilo que afastava o ser da religião cristã, por isso trata a dualidade do bem e do mal, sempre dramatizando o processo de aculturação instaurado de fora pra dentro da vida tribal. Existia também um medo do politeísmo indígena .

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  24. 1. Por ser precursor no ato de evangelizar se viu obrigado a agir de
    modo com que os índios o entendessem a base da evangelho , pois sua cultura xamânica, o impossibilitava de entender a ideologia cristã , Anchieta com o pensamento lógico transportou os saberes e crenças cristãs para a esfera da cultura indígena ,criando assim
    uma terceira “religião” que por sua vez no começo causava muita contradição o mesmo se deu na chegada dos escravos que cultuavam seus orixás com imagem de santos cristãos.

    2.Como em toda ato de colonização ou libertação deu uma terra ou pais
    a cultura do dominante é imposta por bem ou por mal , no pensamento cristão da época ou talvez até atual praticas como embriaguez, uso de tabaco fumado ou aspirado o andar nu as pinturas corporais o modo como se relacionavam com a natureza e com seu semelhante e acredito eu o uso de substancias divino alucinógenas como ayahuasca usadas em rituais para se conectar com o divino, eram abominadas pela religião católica
    Anchieta aproveita desses serem malignos descrevidos pelos indios
    para condenar qualquer pratica que o julgasse “satanica” para a ideologia cristã.

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  25. Aluno: Jocel Manoel de Oliveira

    1- A afirmação de BOSI é que a poesia de José de Anchieta está imersa na devoção católica.
    A intenção de Anchieta é contradizer a devoção católica tentando mostrar aos nativos ou para os colonos o lado mau. O lado do pecado, orgia, sexo, desonestidade.
    Tentando convencê-los que a lei que vigora é a lei do diabo, não a lei de Deus.
    A nova representação do sagrado assim produzida já não era nem a Teologia Cristã nem a crença Tupi, mas uma Terceira esfera simbólica, uma espécie de mitologia paralela que só a situação colonial (ignorância) tornara possível.

    A representação
    2- O mal era considerado por Anchieta a, caracterizada na poesia José de Anchieta é uma maneira de amedrontar, provocar temores aos nativos e colonos, e mesmo tempo mostrar os comportamentos imorais.
    Foi introduzida pelos catequistas, a prática dos sacramentos, sinais corpóreos da relação entre os homens e Deus.
    E, ao lado da linguagem simbólica do pão e do vinho (a Eucaristia), da água (o Batismo), do óleo (Crisma) e dos corpos, o Matrimônio, difundiam-se veículos modestos, mas constantes, os objetos ditos SACRAMENTAIS, como o incenso e a água benta, as relíquias, as medalhas, os rosários e terços, os santinhos, os escapulários, os círios e os ex-votos, um sem números de signos que tornavam acessíveis a doutrina ensinada aos índios e negros da colônia.

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  26. 1- No processo de colonização, os portugueses não tinham interesses meramente econômicos, mas junto, interesses em “civilizar” os nativos de uma maneira Européia. Com isso, justamente pela perda de muitos fiéis da igreja católica para o protestantismo, os portugueses tinham a intenção de expandir sua fé catolicista para os nativos e uma das formas encontradas pelo padre Anchieta era aprender melhor sobre a língua e a cultura desses povos, para que dessa maneira ele pudesse relacionar os valores de sua religião com os personagens já conhecidos pelos índios, internalizando esses valores na mente dos índios de forma menos brusca e com maior absorção pela inter-relações estabelecidas, criando assim essa mitologia paralela citada por Alfredo Bosi em Dialética da Colonização.

    2- Anchieta tinha como objetivo moldar os nativos à igreja católica e para isso era necessário que determinados comportamentos ou rituais fossem abolidos da vida dos nativos, condenando assim hábitos tupis como o fumo, a dança, o canibalismo, a bebida, etc. por meio de narrativas criadas pelo padre, diferenciando conceitos do que era bom e o que era mal na sociedade em que viviam, e institucionalizando determinado medo por meio dos personagens e consequências atribuídas à eles.

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  27. 1. A afirmação de Bosi demonstra a tentativa de Anchieta em apresentar a religião cristã aos índios, pois os mesmos desconheciam o cristianismo e os portugueses não viam isso com bons olhos. E para realizar tal fato, passaram a aprender e compreender a língua dos índios: o Tupi, fazendo um trabalho de aculturação, ou seja, ele se esforçava em transpor para esse idioma a mensagem católica traduzindo palavras portuguesas para o idioma tupi, facilitando assim, o entendimento dos seus ouvintes e conseguindo penetrar no imaginário do outro, nesse caso, os índios. Sabendo falar com os índios eles poderiam ensiná-los e moldá-los conforme eles queriam. Ademais, Bosi destaca que os missionários relacionaram as entidades cósmicas dos índios com as figuras pessoais do catolicismo, se unindo em um sincretismo religioso. Ou seja, não era somente a teologia cristã nem a crença tupi e sim a junção das duas com a finalidade de converter o nativo.
    2. O “Auto Representado na Festa de São Lourenço” é carregado de um ponto de vista do que é o bem e o mal, os diferentes idiomas marcam essa divisão, valorizando a língua dos colonizadores e demonizando a maneira de pensar e falar dos povos indígenas, usando nomes do Tupi para fazer referência a demônios. O mal considerado por Anchieta era o hábito dos índios em fazer rituais, em praticar a poligamia, antropofagia, embriaguez pelo cauim, e a prática do fumo, que para a cultura deles eram de cunho importante. E os missionários viam essas práticas como maus hábitos. Portanto, o auto, com o seu propósito de moralizar, usou o maniqueísmo como recurso de manipulação ideológica para instaurar medo nos índios, fazê-los temer quem são, temer seus hábitos e a língua que falam.

    Maria Eduarda Souza
    (Letras – 2º período)

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  28. A representação do sagrado na época colonial era uma fusão das características de Deus Cristão na figura de Tupã em uma adaptação verbal e escrita, pois Anchieta escrevia em Tupi para atingi-los e converte-los ao cristianismo. Entretanto, não havia na língua Tupi palavras suficientes para transmitir a mensagem que Anchieta queria passar, e para atingir seu objetivo ele fazia adaptações com as palavras já existentes na língua, como na pagina 65, quando ele usa desse recurso para explicar o que é um anjo. Essa estratégia pode confundir o real significado da mensagem ao utilizar palavras com sentidos parecidos, podendo manipular essa mensagem de tal forma a diminuir e enaltecer certos pontos, como os próprios colonizadores.
    Com a ação da catequese a integridade da tribo se perde, sua cultura dos indígenas diminui e seus habitantes ficam divididos, quando antes eram muito unidos, e quando as maneiras “pacificas” de catequizar não eram eficazes a violência acontecia.
    A figura do mal é carregada de esteriótipos medievais repleta de condenações encontradas na bíblia, como os pecados, e caracterizado por todo comportamento social e cultural que os colonizadores julgassem inapropriados, com o objetivo de expor como errado, fazendo uma comparação do mal com os índios, no intuito de controla-los, e subjuga-los.

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  29. Ao chegarem em terra, Anchieta e os demais missionários surpreenderam-se com a crença tupi, ficaram assustados com suas celebrações, seus gestos, ritmos etc. Para eles, aquilo representava um culto a espíritos demoníacos. Enquanto para os missionários existia a ideia de céu e inferno, para os indígenas só existiam suas práticas ricas de significado, estas que marcavam a identidade de cada um no grupo.
    Pode-se dizer que essa nova representação do sagrado, essa terceira esfera simbólica, nasce dessa colonização, dessa somatória de culturas, mostrando que é possível alcançar a plenitude.
    Anchieta acreditava que o mal estava naqueles que não seguissem a crença cristã. A ideia de existência do bem e do mal, é apenas um disfarce forçado nesse processo de aculturamento.

    (Letras, 2° período)

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  30. 1° Ao meu ver Anchieta quando se depara com os costumes e crenças do povo tupi não tem uma boa aceitação , e aos poucos são colocados fragmentos do catolicismo .
    Surge assim uma terceira e nova crença ou religião ,que não era totalmente crenças cristã ou crença tupi.é uma mistura das duas , mas pra implantar essa nova ideia não foi nada fácil l tiveram que associar alguns fragmentos do catolicismo a alguns costumes ou a coisas que tivessem valor simbólico aos indios exemplo ;padre a pajé .
    2° Anchieta faz parecer que todos os costumes e crenças indígenas eram demoníaco , todos os seus costumes e hábitos como a dança e ate mesmo se pintar ele acreditava que isso se afastava eles de deus , criando o bem e o mal ,o mal era tudo que afastava os seres de deus e o bem seria a crença a fé talvez .
    (Jaqueline , 2° período de letras ).

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  31. 1° A meu ver Anchieta quando se depara com os costumes e crença do povo tupi não tem uma boa aceitação, e aos poucos são colocados fragmentos do catolicismo.
    Surge assim uma terceira e nova crença ou religião, que não era totalmente crenças cristãs ou crença tupi. É uma mistura das duas, mas pra implantar essa nova idéia não foi nada fácil l tiveram que associar alguns fragmentos do catolicismo a alguns costumes ou a coisas que tivessem valor simbólico aos índios exemplo; padre a pajé.
    2° Anchieta faz parecer que todos os costumem e crenças indígenas eram demoníacas, todos os seus costumes e hábitos como a dança e ate mesmo se pintar ele acreditavam que isso se afastava eles de deus, criando o bem e o mal, o mal era tudo que afastava os seres de deus e o bem seria a crença a fé talvez.
    (Jaqueline , 2° período de letras ).

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  32. 1. A terceira esfera simbólica, a tal espécie de mitologia paralela que Bosi se refere, é uma junção de crença cristã com a crença tupi. Para tal mescla, Anchieta usufruiu dos traços indígenas para a conversão dos mesmos para a crença cristã, pois a compreensão por parte dos nativos encontrava-se ilimitada no sentido linguístico e cultural, surgindo a necessidade da criação dessa terceira esfera, para convertê-los à doutrina cristã dentro de sua linha cultural, apropriando-os ao catolicismo.
    2. Os rituais indígenas, seus costumes e rituais, eram o “mal”, segundo Anchieta. Diante de seu ponto de vista cristão, alguns hábitos como a nudez, a pintura corporal, os rituais, o fumo, a dança, eram pontos abomináveis e ao determinar isso, aperfeiçoava seu método de catequização dos nativos.

    (Thalita Rafaele Squarcini, Letras)

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  33. COMENTANDO PELA Rafaela Moyses – Letras – Unitau – 2º período

    1. O processo colonial no Brasil foi marcado por uma violenta aculturação causada pelo choque existente entre culturas distintas, a do colonizador e a do colonizado. No decorrer desse processo a cultura do colonizador, no caso Portugal, ganha predominância sobre a cultura do colonizado, a cultura indígena. Uma das etapas da aculturação é a dominação das crenças que antes existiam na colônia. Nesse momento, a figura do padre Anchieta torna-se parte essencial do processo, pois é ele que irá fazer, por um meio diferente, essa aculturação religiosa. Para encontrar correspondência com a cultura indígena Anchieta prega em tupi-guarani, algo novo no cenário colonial. Porém, o poeta encontrava dificuldades para passar conceitos próprios da teologia cristã para o tupi. Não havia semelhança de palavras como, pecado, redenção e salvamento na cultura indígena, assim como as figuras de Jesus, Virgem Maria e até Deus como eram concebidos pelo cristianismo. Para fazer essa correlação e encontrar algum tipo de significação para os indígenas, Anchieta usava de vocábulos e nomes de entidades próprias do tupi para serem os sinônimos dos conceitos católicos. Por exemplo, Nossa Senhora aparece muitas vezes como Tupansy, mãe de Tupã. Tupã, por sua vez, encontra correspondência no Deus cristão. Surge assim uma nova mitologia, uma miscigenação da teologia cristã com a cultura tupi, uma mitologia que usa de elementos de ambas para criar uma significação religiosa compreensível para os indígenas, mesmo com algumas perdas simbólicas como resultado da junção das duas línguas.

    2. Quando acontece o processo colonial, o cristianismo na Europa passa por um processo de aversão a qualquer ritual, figura ou simbolismo que não fosse a leitura direta da Bíblia como meio comunhão com Deus. E é nesse cenário de aversão aos rituais, considerados demoníacos na época, que os portugueses encontram os índios. A cultura indígena é marcada por diversos passos ritualísticos, como danças, adornos, fumo, pinturas corporais, embriaguez, transes entre outros para simbolizar a comunhão com as entidades divinas da cultura tupi. Portanto, todos esses rituais são contrários aos conceitos cristãos da época, que viam nesses passos uma demonização, uma obra do Mal. Com o objetivo de catequisar, Anchieta usa do medo que os índios tinham dos maus espíritos para demonizar os seus rituais e define como obra do diabo, no caso o Guaixará, todos os ritos indígenas. Portanto, acaba por caracterizar toda a cultura ritualística tupi como o mal, digno de obras do diabo e contrárias ao bem, pregado pela Igreja Católica.

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  34. Aluno: André Rovegno – 2º. Período Letras

    1 – O contato do português colonizador do século XVI com o índio que habitava o território que hoje compõe o Brasil é um choque profundo de culturas. Não é apenas o embate de valores e ideias divergentes, por vezes opostas; é o choque de visões de mundo, do homem e do que o homem não é capaz de entender e explicar com seu conhecimento até então reunido. Ou seja, a visão de mundo, as bases do pensar, do entender e do agir são praticamente inconciliáveis.
    No entanto, a prepotência e a arrogância naturais daquele que tem a supremacia econômica e militar o levam a pretender impor ao povo mais fraco seus valores e visões do mundo. Enfim, fazer a sua cultura prevalecer. Não foi diferente o que aconteceu na relação português-índio em terras brasileiras.
    O ponto singular nessa tarefa é que as concepções de mundo, do mítico e do simbólico são tão discrepantes que não permitiriam ao colonizador simplesmente substituir os valores e crenças do colonizado, porque, com frequência, não havia uma relação paralela entre a cultura europeia da época e a cultura do índio brasileiro. Não era como ir nas “gavetas” da cultura nativa e substituir o conteúdo pelo equivalente na cultura europeia. As gavetas da cultura tupi não eram as mesmas gavetas do pensar português católico do século XVI. Para usar um exemplo citado por Bosi no texto, temos as noções de Deus e da Santíssima Trindade, que não encontram paralelo exato no imaginário do índio. Para essa transposição assimilou-se Deus a Tupã, que, contudo, não representa a mesma realidade conceitual, sendo apenas uma aproximação. Assim, para exercitar sua intenção de catequizar e substituir o modo de pensar e viver do índio pelo seu, o colonizador precisou de estratégias mais elaboradas e quase sempre imperfeitas no que se refere à sua exatidão e aos resultados obtidos.
    Não se tratava “simplesmente” de fazer valer a crença de que Deus não é Alá e de que Jesus Cristo é seu único filho e o verdadeiro Profeta. Tratava-se de colocar esses valores nas mentes de indivíduos que não possuíam conceitos mentais equivalentes.
    Assim, na sua tarefa didática de catequese, o colonizador português (e, no nosso caso particular, o apóstolo José de Anchieta) precisou criar um universo mítico-simbólico novo, tentando transferir para os espaços conceituais do pensamento do índio ideias próprias da cultura cristã europeia do século XVI. Não se tratava, portanto, de usar a crença e a cultura tupis e nem a teologia e a liturgia cristãs, mas de construir uma terceira via, composta das adequações (quase sempre imperfeitas) dos valores do colonizador para a estrutura de crenças do colonizado. E, para esta tarefa, Anchieta se vale de muitas imagens da cultura tupi, nelas situando seus personagens cristãos. É a isso que Bosi está se referindo quando fala em “terceira esfera simbólica”, que se mostrava uma “mitologia paralela que só a situação colonial tornara possível”.
    O trecho lido ilustra fartamente essa compreensão. Por exemplo, quando em sua literatura, Anchieta mistura, num mesmo cenário, imagens do mundo do índio, para personificar valores negativos (Guaixará, Aimbirê e Saravaia), com santos católicos, com o anjo e, mais ainda, com valores cristãos personificados na sua criação teatral, como o Temor de Deus e o Amor a ele. A própria roupagem de “diabo” que Anchieta dá a Guaixará é uma transferência de uma imagem cristã, vestida em um personagem tupi. A cultura do índio não conhecia noções como inferno ou diabo.

    2 – O mal era visto por Anchieta como sendo o conjunto dos hábitos indígenas que, para a concepção católica europeia do século XVI, eram lascivos e desregrados, tendentes ao mágico e à idolatria. Assim, o uso da bebida (e o consequente embriagar-se) indígena produzida pelo cauim mastigado, o fumo e, em especial, a antropofagia escandalizavam o colonizador. Todas essas práticas eram tidas pelo cristão europeu como pura feitiçaria e, portanto, deveriam ser interrompidas a qualquer custo. O trecho lido do “Auto de São Lourenço” faz referência a essas práticas, identificando-as com os maus hábitos das divindades negativas da cultura indígena. O propósito dessa caracterização era permitir que essas práticas fossem criticadas e demonizadas, através das aulas, dos sermões e do teatro didático e ideologicamente comprometido produzido por Anchieta, com o recurso a alegorias, de molde a conduzir ao gradual convencimento do índio sobre o desvalor desses traços culturais. Tudo isso, tinha um fim último: proscrever estes hábitos que escandalizavam a moral do colonizador e fazer o colonizado mais palatável ao gosto dos poderosos forasteiros.

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  35. Cauan Costa Perpétuo. Letras 2º período.

    1- O uso do idioma Tupi por parte de Anchieta, bem como o uso do poema e do teatro português, possibilitaram uma espécie de catequização católica por meio de um processo único de fusão cultural-religiosa. Anchieta utilizou a língua e mitologia tupi junto ao português europeu, não somente como uma via de comunicação, mas também uma ponte de ensinamento religioso. Juntando e assemelhando características da religião tupi com a simbologia e o valor cristão, Anchieta criava uma nova esfera simbólica que aproximava os nativos com mais facilidade a aceitação dos dogmas católicos. Começa a haver por parte do índio, uma identificação nos valores cristãos; já que ele passava a enxergar valores de sua própria religião no cristianismo.
    Essa junção criava então uma simbologia um tanto quanto original, uma vez que nem todo fator mitológico pudera ser adaptado. Dotado de certas incoerências linguísticas ou canônicas, devido a abrupta aculturação, essa terceira esfera simbólica já não era completamente cristã e tampouco tupi; era uma identidade nova criada pelo efeito colonizador.

    2- A partir da identificação e da cristalização dos bons valores cristãos, estabelecidos após um processo excepcional de aculturação simbológica (a religião tupi que começa aos poucos a ser cristianizada), Anchieta então passa a introduzir os valores opostos, os maus hábitos que devem ser banidos e passíveis de punição. A antropofagia, a poligamia, a embriaguez pelo caium e a pintura corporal, todos valores antigos tupis, que agora dentro de uma nova esfera simbológica muito mais cristã, passam a ser identificados como maléficos.
    E uma vez que os bons hábitos e os valores heroicos tupis passam a ser atribuídos a Jesus, e os maus e indesejáveis, bem como os espíritos ruins tupi passam a ser atribuídos a figura do Diabo, completa-se o processo de caracterização.

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  36. 1-) Em sua afirmação, Bosi diz que a nova representação do sagrado, textualizada por Anchieta, é uma mistura do sagrado bíblico com a mitologia dos nativos. Assim adaptando a cultura católica ao contexto dos índios ou como cita Bosi: “Aculturar também é traduzir”.
    Nessa 3° esfera pode-se ver bem claramente tal adaptação quando temos Nossa Senhora aparecendo com o nome de “Tupansy” (mãe de tupã), alma sendo “anga” e demônio sendo “Anhanga”; tudo com o intuito de converter os nativos pela catequese.
    .
    2-) O mal era considerado, por Anchieta, como o reino de anhanga, que possuía um estado de “anti-Deus” destacando o oposto do que lhe era visto anteriormente na cultura tupi, destacando que tais atos como, embriagues, poligamia, antropofagia eram tidos como atos maléficos, tudo se utilizando de peças e autos para que se pudesse converter as almas.

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  37. 1. A literatura de Anchieta era de forma católica ou seja ele aplicava isso aos índios. Ele fazia uma mistura de crenças indígenas e catolicismo, por exemplo as entidades ruins era representadas pelo demônios. Inventava também palavras tupis para mostrar aos índios o que eram os pecados. Bosi achou que as obras de Anchieta e sua forma de falar tornou singular por ter grande influência da escola vicentina. Portando Anchieta queria catequizar os indígenas e para que eles entendessem as mensagens da Igreja Católica, foi preciso que criasse uma língua mais “ nativa “ sendo assim criou uma “ nova” religião.
    2. Anchieta por sem um padre tenha uma visão muito católica das coisas, então para ele o mal eram repartidos da seguinte forma: um que era representado pelo Diabo ( Anhanga ) onde se cultivava os mortos e praticavam antropofagia, a poligamia e a bebedeira. E o bem no qual era representado por Tupã.

    Nome : LARISSA GUGLIELMONI DE BARROS MELLO 2 semestre

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  38. Gabriel Meliga
    1.: Alfredo Bosi, ao apontar o surgimento de uma terceira esfera simbólica, no que diz respeito à representação do sagrado na situação colonial, mostra-nos que nesse período, houve uma integração entre as formas simbólicas religiosas cristã e tupi, isto é, as manifestações dos símbolos cristãos – o monoteísmo, a unidade do ser e a comunhão por meio do matrimônio (monogamia) – entraram em contato com o simbolismo indígena (politeísmo, poligamia, ritos e danças e a antropofagia) e fundiram-se em uma linguagem exclusiva. Os “espíritos do bem”, forma espiritual tribal dos antepassados, transformaram-se em anjos, mensageiros do Deus cristão; Tupã, a entidade que retratava o temor ao trovão, convergira-se para a representação do Deus cristão, agora santíssima Trindade (pai, filho e espírito santo) e os espíritos maléficos foram atribuídos à imagem do demônio da mitologia cristã, que ganhara nome, nessa nova simbologia, de “Anhangá”.
    Dito isso, o ethos indígena vertera-se para uma forma nunca antes por estes vista e vivida. O Auto representado na Festa de São Lourenço, de José de Anchieta, exemplifica essa situação simbólica inusitada. Nele, o jesuíta apresenta uma visão moralizante dos hábitos indígenas, com base na doutrina cristã. O catequizador utiliza a negação aos elementos do próprio modo de viver indígena para inseri-los às crenças do cristianismo. No auto, isso evidencia-se por meio da repulsa ao prazer – embriagar-se com o cauim –, à luta indígena, ao adorno do corpo, à pintura corporal, à antropofagia, à forma de transcender-se na multiplicidade espiritual (culto aos diferentes “deuses”), ou seja, toda a manifestação cultural indígena. Essa aversão é indireta, subjetiva; pois, esses comportamentos abominados são exaltados pelos espíritos maus integrados, como dito anteriormente, à representação do Diabo.

    2.: Anchieta caracterizava o mal de um modo grotesco e animalístico, o qual tinha valores da vida simbólica indígena integrados em sua feição, ou seja, tudo ligado à vida espiritual do nativo era, aos olhos do jesuíta, sinônimo de desvirtudes e representado, em seus autos, nas formas de monstros, demônios e animais selvagens amedrontadores. Isso resulta do processo de catequização por meio da alegoria, usado por José de Anchieta. Bosi aponta que o primeiro instrumento de uma arte criada para as massas foi a alegoria, esta que se mostra como o discurso do outro, isto é, devido à propriedade que a alegoria tem de criar imagens simples que assumam concretamente uma ideia abstrata, ela exerce um poder singular de persuasão. Dessa forma, seu uso no processo de aculturação indígena, aparenta ter extrema eficiência, pois a imagem alegórica impõe a realidade celeste sem provocar questionamentos quanto à sua origem e sentido. Portanto, José de Anchieta, provavelmente soubera do poder da alegoria e por isso preocupou-se em representar o mal de forma alegórica.

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