13 comentários sobre “Atividade sobre A Carta ao rei D. Manoel (2º período)

  1. Análises dos Poemas
    Nomes do grupo: Letícia Oliveira, Natacha Mazzucco e Rafaela Moyses
    No poema “Canção do Exílio” é possível identificar o sentimento nacionalista que o autor empregou aos versos com o uso de algumas simbologias, como o termo “sabiá”, para se referir à rica fauna do Brasil e as “palmeiras” para representar a flora. Já “o Canto do Guerreiro” revela a voz do poema como o próprio índio, exaltando os feitos indígenas, sua coragem e resistência à escravização. Esses dois poemas simbolizam o deslumbramento com o Brasil nativo da época colonial, o deslumbramento da fauna e da flora encontradas aqui e também do próprio “índio”, tão diferente do europeu, o qual causou tanto espanto quanto encanto. O último poema analisado escrito por Owsvald de Andrade, “Pero Vaz Caminha”, é uma releitura sarcástica da carta de Pero Vaz de Caminha, o encanto com o Brasil também fica nítido no poema tanto quanto na carta. Porém, percebe-se que o encanto vai além, atingi o nível de desejo e posse. “E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas / Que de nós as muito bem olharmos / Não tínhamos nenhuma vergonha” esse trecho do poema representa bem claramente o deslumbramento com as índias e por trás desse deslumbramento o desejo do europeu de tê-la para si. Esse desejo se estende por todo o Brasil, desejo de possuir o índio como escravo, desejo de possuir a fauna e a flora brasileiras como fontes de riqueza. Há então um paradoxo claro entro o encanto de uma terra e um povo inexplorado, ricos em diversidade, e o desejo de possuir essas riquezas para si, como direito próprio do colonizador.

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  2. Na carta de Pero Vaz de Caminha, percebe-se a presença de dois aspectos: o deslumbramento e a exploração pela nova terra, de um lado a beleza exuberante que surpreende, de outro a vontade voraz de dominar.
    Partindo deste pressuposto ao analisarmos o poema de Gonçalves Dias, A canção do exílio, percebemos um sentimento de identidade do autor, que em seus versos descreve a beleza natural do Brasil, assim como seu sentimento e encanto pelo país. Em outro poema do mesmo autor, O canto do guerreiro, Gonçalves Dias exalta a força e a coragem do eu-lírico, o índio. Fazendo referência ao domínio português, a escravidão, e a superioridade da cultura portuguesa. A guerra entre duas culturas extremas.
    Nos versos de Oswald de Andrade, retratando alguns elementos do país, como em A descoberta, a presença de aves e da terra, que eram as primeiras evidencias da chegada em um solo desconhecido. O choque cultural entre os europeus e os índios é evidenciado em Os selvagens, que descreve a primeira impressão das pessoas que viviam no Brasil com a galinha, um animal que por aqui não existia.
    Primeiro chá nos remete esse costume europeu empregado em um povo que não possuía tal comportamento. E em As meninas da gare, o autor faz alusão do título com linhas de trens, referindo as índias a sexualidade, o que na carta é colocado diversas vezes. Por fim, Oswald de Andrade representa com maestria as duas visões da carta em seus poemas, tanto o deslumbre com A descoberta e Os selvagens, quanto a dominação em o Primeiro chá e as Meninas da gare.

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  3. Olá Professora, tudo bom?? Segue a baixo o exercício pedido em sala:

    No poema “Pero Vaz de Caminha” de Oswald de Andrade que relata a carta de Pero Vaz, tem um dublo sentido, um sendo o deslumbre do local achado, da primeira até a terceira estrofe fala sobre a beleza daquela terra, a primeira interação e a cordialidade dos povos indignas, com suas crenças, costumes. Já em outro sentido possui um interesse de tomada, a dominação que foi retrada no poema na última estrofe, mostrando a inocencia do povo, sem malicia, como por exemplo as vestes, andavam nús, alguns com pinturas no rosto e corporais, nesse modo os portuguêses viram uma oportunidade de exploração

    Em “O canto do guerreiro”, o narrador é conduzido por um índio, os versos afirmam a condição de valorização que ira refletir na personalidade que o povo tem diante a cultura indigna. O poema também fala sobre o índio que não deixou de se levar para ser escravizado, e sim, ele lutou como um fator de dignidade e justificativa da existência da nação indigna

    Sobre o poema “Canção do Exílio” o poeta trata de demonstrar aversão dos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil. São os advérbios “Lá, cá, aqui” que nos localizam geograficamente no poema. O poema expressa o naturalismo por meio da natureza além de “saudades” do seu belo país de origem

    Grupo: Eduardo, Larissa, Marjorie, Thayara
    Letras- 2º Semestre

    Ps: Estou postando novamente porque meu computador desligou bem na hora que publiquei o comentário,então em meio as dúvidas, mandei novamente.

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  4. Os poemas de Gonçalves Dias têm enfoque na questão da beleza natural e na coragem dos indígenas (o mito do bom selvagem), trazendo no textos certas figuras recorrentes, como o sabiá, as palmeiras e os índios. Eles ainda possuem uma estrutura rítmica, o que o torna belo no sentido estético do gênero. O eu lírico ainda trata da terra brasileira como se fosse uma utopia, característica dos textos escritos nessa época (indianismo no romantismo).
    Diferente de Dias, no próximo poema, Oswald de Andrade mostra um lado mais realista da história, retirando trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha e dando um toque mais bem-humorado. O texto é estruturado em quatro estrofes, cada um usando a narrativa da carta para descrever um acontecimento durante o “descobrimento” (a chegada, o contato com os nativos, a primeira “mistura” e o corpo das nativas). A característica de fazer releituras de textos antigos faz parte do modernismo, movimento que o autor fazia parte.
    – Lucas Camargo, Thiago Carvalho, Patricia Sousa – 2° Período

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  5. Carolina Palma
    Daniela Pereira
    Julia Bonani

    Letras – 2º Semestre

    A primeira estrofe do poema – “Pero Vaz Caminha” de Oswald de Andrade – intitulada “A Descoberta”, refere-se à sexta estrofe do texto: “E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.” Essa parte do texto, na carta, demonstra o deslumbramento de Pero Vaz com a natureza – plantas e aves. Oswald de Andrade intitula essa estrofe do poema como “A Descoberta” pois refere-se ao momento que os portugueses encontraram, isto é, descobriram a nova terra, o Brasil.
    A segunda estrofe do poema, intitulada “Os Selvagens” refere-se á seguinte parte da carta de Pero Vaz Caminha: “Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha, quase tiveram medo dela: não lhe queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados.” Essa parte do texto, mostra o espanto dos portugueses ao avistarem os índios, pois andavam nus, possuíam arcos e flechas e falavam uma língua desconhecida. Oswald de Andrade intitula essa parte do poema como “Os Selvagens”, pois os índios eram vistos e descritos como selvagens para os portugueses.
    A terceira estrofe, “Primeiro Chá”, do poema refere-se á seguinte parte de carta: “Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras, e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo muito os segurou e afagou, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima.” Nessa parte, Pero Vaz caminha, na carta, descreve as danças que os indígenas faziam e como eles ficaram mais animados com a música da gaita trazida pelo gaiteiro. Ele também refere-se ao salto real, que Oswald de Andrade, intitula essa estrofe de “Primeiro Chá”, ridicularizando o primeiro contato físico dos portugueses com as índias.
    A quarta e última estrofe, intitulada “As meninas da Gare”, refere-se á seguinte parte da carta: “Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.” Caminha, na seguinte parte, descreve as índias que aqui viviam, com suas partes íntimas sem pelo algum. O que para Caminha era algo sério, carta para ser enviada ao rei, no poema de Oswald é notável o ápice do tom cômico do poema. Ele refere-se ás índias de forma sexual.

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  6. No que se refere ao poema “Pero Vaz Caminha”, a impressão que se tem, baseada no espírito sarcástico, ácido e crítico do Modernismo, é que a intenção de Oswald é ironizar a “Carta”. Inicialmente, essa sugestão desponta no título do poema, que altera o nome do explorador português, valendo-se da ambiguidade da palavra, para sugerir que o explorador português caminha sobre a Colônia, avança sobre ela, com sua sede de conquista.
    O título também parece tratar de um Brasil que ainda “caminha”, com esse duplo sentido seguem os outros títulos das estrofes como “Primeiro chá” que é, aparentemente, uma transposição de um hábito tipicamente aristocrático para um cenário totalmente selvagem, criando uma imagem de contraste. É possível observar que há um grupo fora de seu lugar, pois temos chá e realeza, ambos fora do contexto dos índios, o que desmitifica o explorador português com boas intenções e espírito amistoso. Em essência, seria apenas uma estratégia para conquistar a simpatia, a tolerância e até a sujeição do índio.
    Incluindo a movimentação do dançar o autor rompe com o ritmo desenvolvido anteriormente, passando possivelmente, com o “salto real”, para uma contemporaneidade, e assim, o Diogo Dias de Oswald parece cortejar aquelas que serão foco da última estrofe, as mulheres.
    Chega-se então, com as “meninas da gare” uma nova visão dessas mulheres, é possível sentir um cunho mais sexual nas palavras de Oswald, já que na atualidade do autor as mulheres que se encontravam nas “gares”, ou seja, nas estações de trem, eram muitas vezes prostitutas, então, há uma ambiguidade de sentidos.
    Nessa inadequação com o cenário, e cheio de ironia Oswald introduz uma visão delicadamente maliciosa da mulher nativa, em contraste ao que, na Carta original, parecia uma descrição inocente e cuidadosa do seu autor. Talvez seja a indicação de que também para as mulheres nativas se dirigiu o olhar explorador e aproveitador do português.

    No poema “O Canto do Guerreiro”, a imagem que se percebe é a de um elogio à bravura, à coragem e ao poderio bélico do índio. O texto é extremamente musicalizado, criando um tom guerreiro no nas primeiras estrofes, uma atmosfera bastante tensa da 6ª estrofe até o fim do poema, sem deixar em nenhum momento de ressaltar a força do índio. A impressão que se tem é que o canto descreve o enfrentamento com o colonizador, ao qual o índio não sai vencedor mesmo em meio a mortes. Essa superação, como se sabe, tem relação com a escravatura dos índios durante a colonização. Na Carta de Pero Vaz de Caminha, encontramos um índio mais dócil e em todo o texto o mesmo é colocado em posição de ingenuidade, todo momento o autor pressupõe que eles podem ser facilmente dominados. Temos então duas faces desse índio, e duas faces da colonização que se deslumbra, mas busca apenas o beneficio próprio.
    Na “Canção do Exílio” percebe-se, a toda evidência, o elogio às maravilhas naturais do Brasil, tipicamente romântico, deixando nítido o deslumbramento que é um dos tópicos que emergem do conteúdo da Carta de Caminha. O que se pode observar também é o quanto o autor quer desfrutar daquela terra, assim como os colonizadores. Os românticos brasileiros possuíam essa relação com o mundo, encontrando na natureza um refúgio enquanto relaciona-se a si próprio a sonhos e devaneios, como disse Alfredo Bosi “os nossos românticos exibem fundos traços de defesa e evasão, que os leva a posições regressivas: no plano da relação com o mundo (retorno à mãenatureza, refúgio no passado, reinvenção do bom selvagem, exotismo) e no das relações com o próprio eu (abandono à solidão, ao sonho, ao devaneio, às demasias da imaginação e dos sentidos). (BOSI, 2001, p. 93)”

    André, Breno, Jaqueline e Raquel.

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  7. Nosso grupo entende a dualidade presente nas obras como a admiração pelo novo que atrai a forte ambição por conquista-lo, a exaltação das qualidades que aumenta a “necessidade” de tomar para si a fonte dessa beleza.
    Esse ponto de vista norteia os três poemas:
    Em “Canção do exílio”, notasse uma forte presença da primeira parte dessa dualidade, a exaltação da terra, que apesar de já ter sido lar do Eu-Lirico, agora o serve como sonho distante, o sonho do regresso, e de certo modo a vontade de conquista, vontade que nesse caso se configura mais como uma reconquista saudosista (e talvez idealizada) do que como um desbravamento aventureiro.
    De forma parecida, “O canto do guerreiro” vai pela mesma linha nacionalista, porém se em “canção do exílio” temos um Eu-lirico afastado de sua terra, aqui ele nunca esteve tão próximo. Ao colocar um guerreiro indígena como protagonista, o poema busca toda a força e coragem pertencentes ao índio idealizado para exaltar a terra. De certa forma, vemos aqui uma metonímia do espirito brasileiro, onde o nativo é usado como uma representação da beleza da própria terra, todavia, essa representação idealizada muito mais diz sobre o colonizador do que sobre o próprio povo nativo ou terra uma vez que o nativo não é o publico alvo do poema. Partindo dessa visão idealizada, o autor se apropria da historia e cultura dos nativos e escreve de forma a “vender” o “exótico” para um público que nada tem haver com esses a quem ele supostamente exalta.
    O ultimo, trechos tirados da carta de Pero Vaz, é o exemplo mais claro da segunda parte do dualismo descrito na introdução, é aqui onde se percebe mais nitidamente a dicotomia da exaltação/conquista. Ao longo de cada parte do ultimo poema nos é passada a ideia de uma terra e de um povo selvagem, que a pesar de belo e virtuoso, espera para ser conquistado. Maior exemplo disso se apresenta em “as meninas da gare”, onde o estilo de vida inocente e livre dos nativos entra em choque com a visão europeia dos colonizadores, que olham tanto com admiração para a inocência, como com desejo de corrompe-la.

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  8. De acordo com a carta, quando os portugueses chegaram em nossas terras, mesmo à distância, eles já haviam atribuído nomes as novas paisagens. Ao entrarem em contato com o povo já existente aqui apresentara-lhes comidas, bebidas, os animes que haviam trazido na embarcação julgando serem valiosos, porém surpreenderam-se ao ver que os índios pouco se interessaram. mesmo tendo sido um primeiro contato amigável a intenção era seduzir e “amansar” julgando-os animais sem alma e sem cultura.
    No entanto, no poema O canto do guerreiro de Gonçalves Dias podemos vislumbrar o orgulho em ser índio, valorizando seus costumes e o jeito de ser desse povo. São enaltecidas as ações de caçar, lutar, tocar Boré, manusear o arco e flecha e sua honra em batalha. O poema tenta mostrar um povo que já possuía uma cultura.
    Outro aspecto da carta que vale a pena ser citado é a preocupação que Pero Vaz demonstra em batizar os índios, para dar-lhes salvação dizendo ao rei que esta era a principal missão da corte.
    No poema Canção do Exílio, também de Gonçalves Dias, é enaltecida a fauna e flora brasileira. O autor viu nas novas terras algo além da chance de enriquecer com a busca do ouro, enquanto Pero Vaz citava sua preocupação em saber onde haveria ouro nas novas terras.

    Gabriela Grazioli, Mariana
    2º semestre – letras

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  9. Nome: Giovanna do Amaral Braschi Noselli
    Isadora Manfredini Ferrari
    A descoberta
    É referente à parte da carta em que Pero Vaz relata a chegada às novas terras. Percebe-se bastante o deslumbramento que eles estavam sentindo ao ver. Detalha bastante sobre as plantas, árvores e os índios nus.
    Os selvagens
    Também apresenta muito deslumbramento por parte deles, mas nesse momento os escritos são focados em detalhar os índios, chamados de homens nus.
    Primeiro chá
    A partir desse momento, toma inicio o desejo de tomar a terra.
    As meninas da gare
    Relata o encontro dos portugueses com as índias. Ao verem seus corpos nus, muito belos, não tinham vergonha de olhá-los.

    No consagrado poema “Canção do exílio”, o eu lírico descreve o Brasil e seus encantos com muito louvor e muita saudade, fala das nossas riquezas naturais e as compara com o local do seu exílio, que não tem tantos encantos.
    Esse tipo de texto, descritivo e naturalista é, basicamente, um exemplo dos primeiros títulos literários que foram produzidos aqui – tudo que já estava aqui não foi considerado como cultura, muito menos como literatura em si.
    Os colonizadores que aqui chegaram ficaram maravilhados com a natureza tão exuberante que o Brasil possuiu e ainda possui e, com a necessidade de descrever tudo isso em detalhes e ainda mais, orgulhar-se e exibirem-se por terem “descoberto” essa terra que surgiram tantos poemas e textos desse gênero.
    Já no segundo poema, “O canto do guerreiro” fala um pouco da primeira impressão errônea que os Portugueses tiveram dos índios (claramente foi muito mais fácil justificar todas as mortes e torturas, todas as atrocidades dizendo que foi por pura defesa).
    Conta-se bastante sobre as guerras e toda a violência dos nativos, na “selvageria” em que viviam. Gonçalves Dias teve o objetivo de enfatizar as características ruins das novas terras portuguesas, que estava em calamidade antes dos colonos chegarem e que seria “salva” pelos mesmos – pela paz que somente Deus e a civilização poderiam conceber.
    A diferença dos dois textos é explícita; por um lado vemos as graças das índias que Portugal descobriu e do outro, os horrores dos nativos (as vantagens e provações de tal colonização).

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  10. Nomes: Giulia Quevedo
    Julia Maria Cardoso de Campos Santos
    Thais Soares de Oliveira

    O deslumbre durante o achado do Brasil é bastante evidente já nas primeiras linhas da famosa carta de Pero Vaz de Caminha; tudo era novo, exótico, rico. Essa obra inspira admiração, mas também crítica, já que a sociedade atual é produto de todos os acontecimentos narrados pelo membro da primeira frota a explorar terras brasileiras.
    Em “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, percebemos o encanto do eu lírico pela terra paradisíaca com que sonha um dia vislumbrar outra vez. Existem elementos que nos remetem diretamente à carta, como a descrição de paisagens belas e o deleite que só conquista quem já pisou em chão tão maravilhoso. É como podemos perceber na carta, o esplendor da nova descoberta é tanto, que é comparada ao país que ficou para trás.
    Falando ainda do mesmo autor, podemos analisar “O Canto do Guerreiro” como uma resistência à exploração. Se no poema anterior o fascínio pela terra era objeto de inspiração, neste, o guerreiro que se defende é posto como herói. A terra é fascinante, sim, mas a força dos que a guardam desfrutam da mesma qualidade.
    Oswald de Andrade mostra em sua obra “Pero Vaz de Caminha” o último estágio desse processo de deslumbramento. Os subtítulos precipitam a sátira do autor quanto à imposição da cultura dos recém-chegados, que se apropriaram dos costumes dos que aqui já viviam. Primeiro, a descoberta, e sem delongas o julgamento moral e ético dos nativos, considerados selvagens. A confirmação dessa aculturação fica evidente no verso nomeado “primeiro chá”, seguido do trecho que trata da total exploração, aquela que não foi somente territorial mas também humana: a terra tornou-se Brasil e as indígenas “as meninas da gare”.

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  11. Em “Canção do Exílio”, de Coimbra, é retratado o lado de deslumbramento do explorador, pois possui uma linguagem mais poética, apontando um tom de encantamento ao se referir à terra descoberta, descrevendo detalhes como o canto do Sabiá. Em determinado momento, o autor chega a até mesmo almejar para que volte para a terra para desfrutar seus peculiares pontos, que segundo ele, não existem em mais lugar algum. É um poema estético e simbólico, descreve delicadamente o deslumbre diante da descoberta.
    Já em “O Canto do Guerreiro”, o poema exibe claramente o lado da exploração, pois possui um tom mais agressivo e determinado. Diferentemente do primeiro poema, não descreve as terras com admiração, mas sim de maneira violenta, retratando a guerra num contexto desafiador e intimidador, como se esse fosse o único interesse existente na descoberta.

    Thalita Squarcini, Vicente Gomes, Gabriela Nascimento

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  12. Beatriz Araújo
    (Letras, 2° período)

    Ao realizar a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha, facilmente pode-se notar seu evidente fascínio por essa nova terra, em especial pela natureza, deslumbrado pelas aves e plantas ele demonstra seu interesse pela riqueza natural do lugar.
    Aspectos esses que estão presentes em “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, o poeta expressa encanto pelo Brasil, ao falar das belezas de sua terra, a exaltando e enaltecendo a beleza natural presente ali.
    “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o Sabiá/ As aves, que aqui gorjeiam/ Não gorjeiam como lá. / Nosso céu tem mais estrelas,/ Nossas várzeas têm mais flores,/ Nossos bosques têm mais vida,/ Nossa vida mais amores.” […]

    Em seu outro poema, “O Canto do Guerreiro”, o poeta exalta a força do eu-lírico – o índio, faz referência à coragem dos indígenas, evidenciando a resistência de um povo sob domínio da cultura portuguesa que ali se estabelecia.

    No poema “Pero Vaz Caminha”, Oswald de Andrade faz o uso de elementos da carta escrita ao Rei Dom Manuel, para expressar o sentimento de deslumbramento ao se deparar com aquele país, ao mesmo tempo em que o sentimento de exploração e dominação daquelas terras também está presente.
    Elementos presentes em “A Descoberta” e “Os Selvagens”, o deslumbre e encanto estão marcados pelas diferenças que essa terra apresenta, já em “Primeiro Chá” e “As Meninas da Gare” por mais que aja os mesmos sentimentos mostrados nas estrofes anteriores, é notável o desejo de posse pelos índios, de tê-los para si, assim como as terras, a fauna e a flora do que antes esteve inexplorado, mas que agora poderia pertencer aos portugueses, como fonte de riqueza.

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  13. Gabriel Meliga, Kimberly de Castro e Maria Eduarda Souza
    Letras – 2º período
    Análise dos poemas

    Os dois primeiros poemas, “Canção do exílio” e “O canto do guerreiro”, ambos de Gonçalves Dias; evidenciam, em uma primeira vista, o deslumbramento da “terra prometida”, e analisando criticamente, a persistência da exploração europeia, intrínseca no modo de ver o Brasil.
    No primeiro, a exaltação da natureza realizada pelo eu-lírico, revela uma visão idealizada do ambiente natural brasileiro, colocando em evidência suas paisagens vividas e oníricas. Isso corresponde à herança da perspectiva europeia sobre a antiga colônia de Portugal, um legado que pressupõe o Brasil como o “Eldorado”. Além disso, a presença da Europa como ponto referencial se mantém vigente, pois, o jogo de antíteses do poema revela que é necessária a comparação com a terra exterior para que a terra natal do eu-lírico se revele como primorosa. Seguindo nessa mesma linha analítica, o segundo poema enaltece a figura do índio, colocando-o como um exímio guerreiro e sem igual caçador, seus feitos são louvados e aclamados, assim como seus combates são ditos sublimes. Mas, tudo isso sob influência da cultura colonizadora, visto que, o ritmo com que o poema é conduzido, aludindo a táticas de guerras portuguesas, o hino de batalha e o modo como o comportamento indígena é retratado; remetem à perspectiva do estrangeiro em relação à cultura indígena. Modo de vista sugestionado pela cultura europeia, pois essa era o referencial cultural da época.
    Pois bem, a presença e dominação europeia nos textos anteriores eram, de certa forma, subjetivas e implícitas. Já no terceiro poema que nos foi apresentado, “Pero Vaz de Caminha” de Oswald de Andrade, esse aspecto apresenta-se como seu tema central. Em sua primeira parte, denominada “A descoberta”, o eu-lírico, a partir desse subtítulo revela a prepotência dos colonizadores de se determinarem descobridores da terra, ignorando uma presença relevante dos nativos que lá habitavam. Esses eram vistos como selvagens, pessoas não civilizadas, ideia correspondente com o segundo bloco do poema, no qual o estranhamento com a galinha é um signo de incivilidade. Seu terceiro segmento revela um processo de dominação cultural, no qual o colonizador se infiltra nas manifestações culturais do colonizado e impõe as suas, consideradas por esses, “superiores”. Isso está representado no subtítulo “Primeiro chá” (momento formal, no qual convida-se, em alguns países, para se partilhar a ocasião”, na dança (circunstância em que, na carta de Pero Vaz de Caminha, nativos e estrangeiros participam juntos) e nas palavras “salto real”, as quais podem ser interpretadas como um avanço na colonização. Por último, mas não menos importante, o eu-lírico evidencia a visão cristã e carregada de tabus referente à nudez, principalmente feminina. Ressaltando que as mulheres indígenas eram vistas, por andarem nuas, apenas a partir de uma ótica sexual e assemelhavam-se com prostitutas. Portanto, nesse poema de O. de Andrade encontra-se um olhar crítico a respeito do processo de colonização e de como os colonizadores enxergaram a nova cultura com que entraram em contato.

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