Atividade “O espelho” (4º período – Realismo e Modernismo)

Leia atentamente a afirmação de Alfredo Bosi sobre o conto “O espelho”, do livro Papéis avulsos.

“(…) O que diz a narrativa? Que não há nenhuma unidade prévia da alma. A consciência de cada homem vem de fora, mas este”fora” é descontínuo e oscilante, porque descontínua e oscilante é a presença física dos outros, e descontínuo e oscilante o seu apoio. Jacobina só conquistará a sua alma, ou seja, a auto-imagem perdida, quando fizer um só todo com a farda de alferes que o constituiu como tipo. A farda é símbolo e é matéria do status. O eu, investido do papel, pode sobreviver; despojado, perde o pé, dispersa-se, esgarça-se, esfuma-se. Não tem forma, logo não tem unidade. Ter status é existir no mundo em estado sólido.

Mas o conto diz mais. Diz que não basta vestir a farda. É preciso que os outros a vejam e reconheçam como farda. Que haja olhos para admirá-la. O olhar dos outros: o primeiro espelho. (…)”

BOSI, Alfredo. “A máscara e a fenda”. in Machado de Assis: o enigma do olhar. São Paulo: Ed. ática, 2002.

A partir da leitura do trecho acima, explique, em 15 linhas, o título do conto. 

29 comentários sobre “Atividade “O espelho” (4º período – Realismo e Modernismo)

  1. No conto “O Espelho” de Machado de Assis, entende-se pelo título não somente a imagem de um espelho como objeto de reflexão física de uma imagem apresentada a sua frente, mas sim a ideia de que o espelho de alguém é na verdade a sociedade.
    O espelho nada mais é do que o que você vê baseado na opinião de terceiros. Não importa o que você é, seus princípios, o que você veste, o que é capaz de fazer.. Isso só tem valor a partir do momento que a sociedade te reconhece dessa forma. O que diz bastante sobre a escrita de Machado de Assis, a mentalidade de “viver em sociedade através de máscaras”. Neste caso, relativo aos elogios que Jacobina alerta serem perigosos.
    Quanto a personagem: Jacobina chegou ao ponto de só se sentir confortável consigo mesmo sozinho, quando veste o alferes (que tanto lhe proporcionou os elogios em sociedade). Jacobina com sua tese de alma interna e alma externa notou a dependência que os elogios causam e como é viver vazio viver acostumado a eles. Este é o espelho.

    Curtir

  2. Machado de Assis,neste conto,nos leva a refletir sobre a dualidade da alma humana e seus conflitos. Jacobina possua uma conquista de certa ascensão social materializada pela sua farda,todos podiam vê-la e contemplá-la. A personagem,quando se depara com a solidão e portanto com a angústia,percebe que o seu “eu” anterior,antes do status e prestígio social que a posição de alferes lhe havia conferido,tinha se perdido. Ele,então,passa por um longo processo psíquico até criar coragem para ficar frente a frente consigo mesmo,com suas “duas almas” no espelho: a alma que olha de dentro para fora e a outra que olha de fora para dentro. O espelho é então a contemplação do conjunto que forma o olhar social do indivíduo,e olhar dele para consigo mesmo.

    Curtir

  3. O Espelho
    Machado de Assis

    O título faz uma analogia entre o que nós somos e de como nós demostramos ser. A imagem que muitos divulgam de si mesmo pode acarretar a uma espécie de egocentrismo, tudo deve girar ao próprio eixo, podendo assim transmitir uma imagem incorreta, um choque entre a “alma” interna e externa.
    Para ter algum destaque social, profissional, etc, mostramos uma realidade mutável, que se adapta a cada situação, que por mutias vezes é o resultado da crítica ou admiração de pessoas próximas, mesmo sendo de uma maneira inconsciente. Assim como no conto, Jacobina precisava ser visto, do mesmo modo nós precisamos. Para quem ou para que “colocamos a farda” se não for para transmitir o que desejamos? O crucial é: até que ponta toda essa maleabilidade é saudável?

    Curtir

  4. Machado de Assis trazia aos seus contos o mais próximo da alma humana, de maneira objetiva, com aspecto humorístico.
    Nesse conto, O espelho, ele traz essa observação da matéria humana, explorando as diversas faces que pode ser proporcionadas pelo espelho.
    Me trouxe o entendimento de que acreditar cegamente nas aparências visíveis é uma maneira de ignorar novas experiência, há varias formas de espelhos, os que deformam, os que melhoram a imagem, e aqueles que são considerados raros, que são aqueles que mostram realmente quem ali se reflete.
    Acredito que a intenção de Machado é expor o que se conhece como “alma externa” que está relacionada ao status e prestígio social, e também se liga a imagem que terceiros constrói sobre quem somos.

    Curtir

  5. No texto “O Espelho”, de Machado de Assis, o autor quer mostrar a peculiaridade da alma, ao afirmar que existem duas delas “nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para entro…” e que essa mesma alma não é sempre a mesma, é mutável dependendo das opiniões que as pessoas exprimem.
    O autor continua a narrativa com Jacobina que, após ter conseguido um cargo militar muito agradou a família e as pessoas ao redor, logo após foi ter com sua tia, Marcolina, quando a mesma a coloca um espelho em seu quarto, a partir de então, pela imagem refletida nesse espelho fez-se a alma de Jacobina… “aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.”
    A narrativa acaba quando Marcolina viaja e Jacobina fica em sua casa, só, a partir de então ele começa a duvidar da sua imagem e a vê distorcida no espelho, que só melhora quando ele veste a sua farda.
    O título “O Espelho” é uma crítica pertinente do ser x parecer, e que o ser não é suficiente, mas sim ter status para poder sobreviver nesse “mundo em um estado sólido”, citado por Bosi. O reflexo apresentado no espelho, o olhar alheio, é mais pertinente do que você acha de si mesmo e isso causa a distorção da sua alma externa com sua alma interna.

    Curtir

  6. “O Espelho” de Machado de Assis conta sobre um homem, chamado Jacobina, que fala para um grupo de amigos a sua opinião sobre a alma humana, dizendo que temos suas almas humanas (uma externa e outra interna)
    Para explicar essa sua opinião, a personagem conta sobre uma situação de sua juventude quando foi feito um dos alferes da Guarda Nacional e, por consequência, todos ficaram orgulhosos e felizes por ele, “paparicando-o” o tempo todo porém, após um desastre familiar ele encontra-se sozinho. Todos os dias eram maçantes e enlouquecedores até que um dia, ele se olha no espelho que sua tia Marco luna havia lhe dado e decidiu colocar seu uniforme de alferes. Isso o retira da solidão.
    Machado de Assis deu o nome do conto de “O Espelho” para mostrar o conflito entre a essência (alma interior) e a aparência (alma exterior) onde, o personagem só se sente decente e amado quando está fardado.

    Curtir

  7. “O espelho”, como título, sinaliza um aspecto primordial da narrativa: ele pode tanto simbolizar a validação alheia como norteadora da nossa existência quanto a escassez da “alma interior” de Jacobina – e esse aspecto, inevitavelmente, se estende ao ser humano. Como o personagem em questão reconhece, sua essência só torna-se “animada” quando o espelho reflete a pessoa que é afagada pelas outras. Caso contrário, precisaria lidar com o vazio da sua verdadeira posição, a de homem comum e solitário. Se a farda não tivesse sido admirada por tia Marcolina, os escravos e as demais pessoas, vesti-la não completaria os dias finais de solidão do protagonista. Dessa forma, apreende-se o espelho como os outros e não simplesmente o objeto físico. O conto, por fim, demonstra como expectativas em relação a nós mesmos são frágeis.

    Curtir

  8. Assis inicia sua prosa fazendo uma análise metafísica de acordo com a experiência da personagem principal que, abstendo-se de qualquer crítica ou discussão, expõe, categoricamente, a duplicidade da alma humana.
    Esta duplicidade é melhor exposta apenas no final do conto, quando o alferes, já abandonado por todos, só conseguia experimentar sua “plenitude existencial” quando se viu fardado no espelho. Sua alma, perturbada e abatida pelo abandono, reconquistou esta plenitude apenas no momento em que sua alma interior correspondia a alma exterior. Assis, portanto, deixa claro que o protagonista era uma vítima inerme das aparências, pois perdia a razão de ser se sua vocação não fosse refletida no mundo exterior. Por este motivo, Assis escolheu o título “O Espelho” para este conto.

    Curtir

  9. No início do conto, Jacobina anuncia sua teoria acerca da existência de duas almas, uma interior e outra exterior. Após apresentar seus argumentos, prossegue narrando um fato que lhe ocorreu há muitos anos: uma visita a sua tia depois de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Neste período passou a ser muito bajulado por seus parentes e alguns conhecidos. Durante a estadia, sua tia, que sempre lhe chamava de alferes, precisou ausentar-se e por descuido os escravos fugiram, não restando ninguém para bajular Jacobina, que passou dias sozinho. Ao olhar-se no espelho, percebeu que sua imagem estava indefinida. O espelho, na verdade, refletia sua alma externa que era ser alferes e uma vez vestindo a farda, retornava sua alma externa e seu reflexo era integral.

    Curtir

  10. O conto machadiano em questão intitula-se “O espelho”. Nessa narrativa, o elemento espelho tem lugar como revelador da importância do olhar alheio, aparência, para a composição da imagem que o sujeito tem de si, essência.
    O personagem Jacobina narra sua experiência de não conseguir enxergar-se nitidamente à frente de um espelho. Esse episódio acontece após sua nomeação como alferes, seguida de constantes menções ao seu cargo, por parte de seu círculo social. As menções ocorriam de tal maneira que não mais referiam-se a ele pelo nome, apenas pelo cargo. A passagem a seguir exemplifica a afirmação anterior: “Eu [Jacobina] pedia-lhe que me chamasse Joãozinho, como dantes; e ela [tia de Jacobina] abanava a cabeça, bradando que não, que era o ‘senhor alferes'”.
    Estando todos os membros de seu círculo ausentes, o personagem não se enxerga no espelho. A fim de ver seu reflexo, ele veste a farda, de modo que só assim passa a refletir. Dessa forma, o espelho ilustra a redução do sujeito ao seu papel social: […] ficou-me [ao Jacobina] uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior […] mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. Uma vez que todos ao redor do alferes só o espelhavam como tal, ele incorporou essa imagem, passando a tê-la como sua essência.

    Curtir

  11. Machado de Assis escolheu o título do conto como “O espelho” porque o objeto é usado para mostrar a dualidade humana entre a alma externas (o ser público) e a alma interna (o ser íntimo). No texto, a alma externa torna-se mais importante que a interna. Ao olhar no espelho, o ser humano tem a expectativa de ver o que lhe agrada refletido. O reflexo completo do espelho é usado para mostrar o quanto a “máscara” que as pessoas usam para disfarçar/esconder seu interior é uma coisa importante para Jacobina. Como Jacobina estava “quebrado” por dentro, vestir sua farda o fazia sentir completo, sentia-se bem com seu próprio reflexo já que o lembrava da admiração voltada a ele enquanto usava farda, tirando sua solidão.

    Curtir

  12. Machado de Assis, em seu conto “O Espelho”, usa dentro da narrativa o personagem Jacobina, que apresenta a sua teoria de que cada ser humano traz consigo duas almas, uma interior e outra exterior. Dando continuidade ao fato, ele começa a narrar algo que acorreu há muitos anos atrás, em uma viagem ao sítio da tia, D. Marcolina, após ser nomeado Alferes da Guarda Nacional, a tia e alguns amigos sempre o bajulavam. Alferes tomava conta de todo o seu ser e chega a perder a noção da realidade. Acontece que após a ausência de sua tia,os escravos fugiram por descuido, Jacobina fica sozinho sem ninguém para o bajular, diante do espelho tem o reflexo de sua alma externa, quando encontra-se sozinho nota que sua própria imagem estava indefinida. O espelho, na exatidão, foi a ferramente que o personagem conseguiu buscar sua alma externa e o seu reflexo como um todo.

    Curtir

  13. No conto “O Espelho” de Machado de Assis, o personagem Jacobina conta a alguns cavalheiros quando foi nomeado alferes da Guarda Nacional ainda jovem. Jacobina teoriza que todo ser humano possui duas almas: uma interior e outra exterior. Depois de nomeado alferes a visão que o personagem tinha de si mesmo passou a ser a visão que os outros tinham dele. O agora Sr.Alferes tem um status e atenção de todos ao seu redor, coisa que não tinha antes.
    Ao ficar sozinho tudo isso desaparece, para Jacobina só usar a farda não basta, é preciso que os outros vejam. A farda era sua alma exterior. O olhar dos outros era o seu espelho, pois era com isso que ele mantinha seu ego. O fato de o conto ter esse título demonstra que Jacobina se sentia angustiado por não ter ninguém para inflar seu ego e por ter perdido sua alma exterior. Mas ao se olhar no espelho que ficava em seu quarto o Sr. Alferes recupera sua personalidade, a alma exterior completa sua alma interior.
    Para Jacobina a alma exterior era muito mais importante que sua alma interior, que era sua verdadeira personalidade. A farda, o posto que recebeu, e os olhares absorviam sua personalidade. A aparência, o status social e a visão que os outros tinham dele eram muito mais importantes que sua essência e personalidade.

    Curtir

  14. O título faz referência ao objeto responsável por resgatar a vida, ou melhor, o sentido de existência da personagem principal. Todavia, pode-se dizer também que o espelho representa uma metáfora. Ele reproduz o olhar da sociedade sobre a pessoa, atribuindo-lhe uma existência calcada na aparência. Jacobina defendia a ideia de que cada homem tinha duas almas: uma que olha de dentro pra fora, outra, de fora para dentro. As duas se completam, porém, essa última – a alma externa – pode sobressair, tornando-se mais importante que a primeira. Muitas vezes, perdê-la pode implicar sérios riscos. Foi o que aconteceu com Jacobina. Assim que virou alferes, ele tornou-se mais importante para os outros, visto que ascendeu socialmente. A partir de então, começou a ser bajulado, insuflando-lhe o ego e solidificando o status – “o alferes eliminou o homem”. Era a alma externa sobressaindo à interna. Assim que se viu sozinho e sem receber os mimos e os elogios, Jacobina começou a passar por uma crise existencial, já que não alimentavam mais sua alma preponderante. Ele não mais se reconhecia, pois fora destituído da condição de ‘ser’. Apenas ao ver seu reflexo de alferes no espelho, jacobina pôde então restituir-se e adquirir de volta seu espaço no tempo.

    Curtir

  15. O título do conto se relaciona justamente com a ideia do protagonista de que o homem possui duas almas: a interior e a exterior. Esta última menos ligada ao próprio”self” do que ao julgamento do outro.
    O espelho tem como finalidade refletir o que está diante dele: eis o olhar do outro sobre mim e o impacto que ele me causará.

    Curtir

    • Machado de Assis, com o conto “O espelho”, fala sobre os dois lados do ser humano, o interior, que é ele próprio, e o exterior, que é algo como a opinião das pessoas sobre o indivíduo.
      Por exemplo, quando o protagonista perde o foco e passa a não ter mais quem lhe admirasse, quem afirmasse sua condição, ele se sentiu perdido e distorcido. Ao vestir novamente sua farda r olhar seu reflexo, reconquistou a imagem que fizeram dele.

      Curtir

  16. Machado de Assis, em sua obra “O espelho”, nos traz a reflexão a cerca da dualidade da alma humana. Através do personagem Jacobina, conhecemos a teoria de que o ser humano possui duas almas, sendo uma delas interna e outra externa. O espelho a que se refere o título do conto seria então, não somente um objeto valioso que nos possibilita observar a nossa própria imagem, mas sim, a imagem que nós possuímos perante a sociedade e a importância disso para nós. Os outros não são capazes de compreender o que sentimos, pensamos, desejamos – parte de nossa alma interna; entretanto, podem supor o nosso valor a partir da imagem que transparecemos. Nós, seres humanos, muitas vezes entramos em conflito devido a isso, não basta estarmos bem com nós mesmos, nós precisamos fazer com que os outros saibam disso para nos sentirmos completos, o que denota uma de nossas fragilidades, a vaidade.

    Curtir

  17. Assis expõe no conto “O Espelho” como a auto-definição de um indivíduo pode ser construída a partir da opinião pública. O autor explica por meio do protagonista (Jacobina – “senhor alferes”) o jogo de máscaras da sociedade. O conceito de alma é segregado em dois: a alma externa (visão que os demais fazem sobre nós) e a alma interna (tem caráter subjetivo, ou seja é nossa própria visão, é a verdadeira essência que muitas vezes não é demonstrada).
    O protagonista demonstra como a imagem que foi construída a partir da farda é completamente superficial e vaidosa, e assim que a personagem sem os elogios diários sentiu o sentimento de vazio e miséria. Conclui-se então, que esse conto produzido no século XIX pode ser utilizado até os dias atuais, justamente pela critica da superficialidade das essências humanas.

    Curtir

  18. No conto de Machado de Assis, Jacobina afirma que cada pessoa tem duas almas: uma exterior e outra interior. E para sustentar sua teoria, ele conta aos amigos uma experiência de sua juventude. O dia em que foi nomeado alferes da guarda nacional e o orgulho da família e amigos era tanto que o enchiam de bajulações e elogios.
    Essa imagem que seus entes queridos tinham de Jacobina passa a interferir na sua identidade. Até que ele enfrenta a solidão na casa certo dia, e decide olhar no espelho que sua tia havia dado de presente. Primeiramente enxergou uma imagem difusa (sua alma interior que não representava mais sua identidade) no entanto, quando vestiu a farda, enxergou uma imagem nítida no espelho. A farda representa o status, o que permitiu que Jacobina fosse visto como o Sr. Alferes e o que se tornou necessário para que ele próprio se visse como tal, e o espelho corresponde ao olhar dos outros que só refletiu aquilo que a sociedade é capaz de enxergar- a alma externa. O conto evidencia a fragilidade humana e como os diversos “espelhos” se tornam importante na construção da imagem que temos de nós mesmos.

    Curtir

  19. Falando da duplicidade da alma humana, “O espelho”, diz que “cada criatura humana traz consigo duas almas: uma interna e outra externa. Sobre a interior temos pouca ou nenhuma citação.
    Já a alma exterior é evidenciada com vários exemplos. Bajulações, sorrisos artificiais, opiniões, hipocrisia, amor, dependência da aprovação alheia…….. são ingredientes que alimentam a alma exterior, que precisa ser nutrida (construída) a todo tempo. A falta desse alimento assemelha-se a morte. Sua mascara, sua alma externa (ou sua farda), tudo que é permitido saber ou pensar ser verdadeiro em você.
    A alma exterior também pode ter uma função protetora. Mostrar-se forte, amável, inteligente ou delicada, quando não se é dotado dessas virtudes, protege a alma interna e suas qualidades reais.
    E somente o espelho é capaz de mostrar o que nem mesmo a alma externa é capaz de esconder.

    Curtir

  20. O autor traz por meio da metáfora “O Espelho”, como as pessoas tem um grande papel na influência de nossa imagem, definindo nossa essência de fora para dentro, explicando o que a personagem principal define como alma externa.
    O conceito de alma externa se diverge do conceito de alma interna, que é a verdadeira essência do qual o indivíduo pode ou não torná-la pública.
    Jacobina estava acostumado com elogios das pessoas a respeito de sua imagem constantemente, fazendo com que a personagem acredita-se nisso como a única verdade, porém à partir do momento em que Jacobina não tinha mais ninguém para lhe elogiar, ele se deu conta do quão vazio era e de que dependia dos elogios para ser e agir como tal.

    Curtir

  21. Na narrativa machadiana “O espelho”, o objeto que intitula a obra revela a importância do olhar alheio para a composição da imagem que o sujeito tem de si.
    O personagem Jacobina relata a experiência de não se enxergar nitidamente no espelho. Esse episódio acontece após sua nomeação como alferes, seguida de constantes menções ao seu posto por todos. As menções ocorriam de tal maneira que se referiam a ele apenas pelo cargo. Isso é exemplificado neste excerto: “Eu [Jacobina] pedia-lhe que me chamasse Joãozinho, como dantes; e ela [tia de Jacobina] abanava a cabeça, bradando que não, que era o ‘senhor alferes’”.
    Ao encontrar-se deveras sozinho, o fenômeno de não se enxergar acontece. A fim de ver seu reflexo, ele veste a farda, de modo que só assim passa a refletir. Dessa forma, o espelho apresenta a redução do sujeito ao seu papel social: “O alferes eliminou o homem”. Uma vez que todos ao redor do alferes só o espelhavam como tal, ele incorporou essa imagem, crendo-a como sua essência.

    Curtir

  22. Na obra de Machado de Assis, “O espelho”, o autor explica uma teoria de que todo ser humano tem duas almas, uma interna e outra externa. Essas almas se completam, uma relacionada ao interior do ser de como ele é, seus pensamentos, sentimentos, desejos e etc, e a outra ligada a como o homem se entende na sociedade e suas vaidades dentro dela.
    O título, “O espelho”, demonstra o reflexo do julgamento externo, mostrando a alma externa, cuja materialidade nos define diante à sociedade e a forma de como a falta dessa alma material afeta a interior, não identificando um ser completo, pela ausência do objeto que lhe dá uma função na sociedade.

    Curtir

  23. Machado de Assis apresenta uma nova teoria sobre a alma humana no conto “O Espelho”. O Espelho é um antigo tema ligado à alma em diversas culturas e, neste texto, representa a alma exterior de Jacobina por meio do titulo de Alferes. O conto defende a ideia de que existe duas almas – uma interior e outra exterior- e a importância que é dada a alma exterior, que é manifestada quando Jacobina deixa de ser o Joãozinho para a sua família e passa a ser “Senhor Alferes” mostrando o valor de um título, e que para cada pessoa é diferente, podendo ser um botão, uma roupa, um status, ou seja, indica que aquele que se vê no espelho é muito mais rico do que a imagem que ele vê, sendo essa imagem a maneira como os outros o veem.

    Curtir

  24. O título “O espelho” do conto machadiano, retirado do livro “Papéis avulsos”, trata da relação de dependência entre a aparência e a essência do ser humano. No conto, a situação oscilante narrada pela personagem principal, Jacobina, possibilita uma reflexão sobre a multiplicidade da alma humana na relação do ser individual com o ser social.
    Jacobina se reconhece como o senhor alferes a partir da reafirmação desse título social pelas pessoas de seu convívio, o qual será posteriormente interiorizado por ele. Quando a personagem se encontra em uma situação de solidão esse status entra em desequilíbrio interno e só se estabelece novamente quando Jacobina se veste de alferes e se vê assim no espelho. Uma vez que o objeto reflete a imagem de sua alma exterior.
    As redes sociais e a nossa autoafirmação de felicidade, amor, bem estar, que nelas são tornadas públicas, cumpre bem o papel do espelho nesse mundo em que as relações são entrelaçadas e virtuais.

    Curtir

  25. Professora, não aceite o comentário por favor
    Segundo o narrador do texto, Jacobina, cada ser humano é composto por duas almas. Uma que é a essência da pessoa , não tem forma física e não muda; e a outra que tem forma física, mas não é sempre a mesma. Esta alma é volúvel já que cada sujeito muda de tempos em tempos.
    A alma-essência existe sempre, enquanto que a outra necessita que outros a vejam e digam suas características para que seja real.
    O título, portanto, se refere a essa segunda alma, já que assim como o espelho, é necessário que alguém de fora do espelho/corpo veja aquela imagem para que ela exista, além de precisar também das características atribuídas pelos outros para ter sua forma completa.

    Curtir

  26. No conto “O Espelho”, Machado de Assis nos faz refletir sobre as nossas almas através da história contada pelo personagem Jacobina.
    O protagonista defende a existência de duas almas: um interna, que seria a nossa personalidade e outra externa, ligada ao prestígio social, status e à imagem que os outros fazem de nós.
    O título se mostra bem apropriado, pois quando olhamos para um espelho, queremos ver a imagem que o outro enxerga de nós, ou seja, o espelho pode ser uma metáfora sobre o espírito contraditório do homem. O espelho seria a alma externa de Jacobina.

    Curtir

  27. Machado de Assis, no conto “O espelho” expõe camadas do sujeito e por consequência também da sociedade. Durante a narrativa o personagem Jacobina conscientiza-se da relação do ser e do parecer ser, admitindo a importância da imagem que transmite ao outro. Jacobina diz que “-O alferes eliminou o homem”, referindo-se à conquista do cargo de alferes e as mudanças que causara ao seu eu, aos poucos o anulando como homem. O personagem reconhece certo deslumbramento humano admitindo que o prestígio da posição alcançada influenciara nessa anulação. O sentimento de deslumbramento surgiu pelo tratamento diferenciado das pessoas que o cercam, a sociedade na qual Jacobina estava inserido provoca uma mudança na sua percepção como sujeito. Outro aspecto importante é angústia de Jacobina quando os escravos fogem, expondo assim a fragilidade da relação do homem com a imagem de alferes. Assim o título dado ao conto representa o quê a consciência da imagem social causa no sujeito. A reflexão sobre o eu está intrinsecamente atrelada às ideias impostas pela sociedade.

    Curtir

  28. No conto “O Espelho” de Machado de Assis, o narrador, Jacobina, diz que o ser humano é constituído não só por uma, mas sim, duas almas. Para comprovar esse fato, ele conta um episódio de quando virou Alferes e como passou a ser reconhecido por esse título. Não era mais chamado pelo seu próprio nome, mas sim, Alferes. Até que, ao passar dias sozinho, sem ouvir elogios de ninguém, ele fica louco. Pois ao encontrar-se só, sente como se sua alma exterior, que é o alferes, estivesse se esvaindo. Ao olhar-se no espelho, não vê nada além de uma imagem borrada, faltando traços. Nesse sentido, é possível dizer que o título do conto nos remete a ideia de que o sujeito se perde por completo quando não é reconhecido pela sua imagem exterior. Ou seja, por aquilo que ele quer que outras pessoas vejam. E isso é um fato importante de ser pensado, pois ainda é algo corrente na sociedade atual.

    Curtir

Deixar mensagem para Andrei Cancelar resposta